Identidades. Nacionalismos.

Publicado por: Milu  :  Categoria: Identidades..., PARA PENSAR

 

487042_422268044501307_1367147484_n

 

 

“O nacionalismo é uma doença infantil: é o sarampo da humanidade.”  

Albert Einsten

Breves apontamentos retirados durante a leitura do livro  intitulado a ” A Identidade Nacional” da autoria de SMITH, Anthony.

“Este livro debruça-se sobre 4 questões principais. A primeira são as características de identificação nacional por oposição a outros tipos de identificação cultural coletiva.

A segunda é o papel das diferentes bases étnicas na formação das nações modernas e os meios através dos quais estas surgiram na Europa moderna inicial.

A terceira é a natureza dos diferentes tipos de ideologia e simbolismo nacionalista e o seu impacte na formação de identidades políticas étnicas e territoriais.

A última questão aborda as consequências políticas de diferentes tipos de identidade nacional e o seu potencial para a proliferação de conflitos étnicos e as possibilidades de abandonar as identidades e ideologias que deram lugar a esta instabilidade endémica.

– Como ideologia e linguagem, o nacionalismo emergiu na Europa do século XVIII, sendo por isso necessário examinar de forma breve a matriz cultural e o papel dos intelectuais no seu aparecimento” (p. 11).

“O nacionalismo fornece talvez o mais constrangedor mito de identidade do mundo moderno, mas surge sob várias formas. Os mitos de identidade nacional referem-se tipicamente ao território ou à linhagem (ou a ambos) como base da comunidade política, e estas diferenças fornecem importantes, se bem que por vezes negligenciadas, fontes de instabilidade e de conflito em muitas partes do mundo” (p.11).

“Não é por acaso que muitos dos mais cruéis e prolongados conflitos “inter-nacionais” derivam de pretensões e de concepções antagónicas de identidade nacional. A compreensão destas ideias e alegações é vital se quisermos melhorar, se não mesmo resolver, alguns destes conflitos e criar uma comunidade internacional genuína” (p.11).

“Quais são as categorias e papéis que constituem cada pessoa no individual? Em primeiro lugar, a categoria do género sexual. Se não imutáveis, as categorias por género são universais e penetrantes. Estão também na origem de outras diferenças e subordinações. Somos de muitas formas subtis bem como patentes, definidos pelo nosso género, tal como o são muitas oportunidades e recompensas na vida. Simultaneamente, essa mesma universalidade e natureza abrangente das diferenciações de género torna menos coesa e potente a base para a identificação e mobilização coletivas. Apesar do aparecimento do feminismo em determinados países, a identidade de género, que atravessa o globo, é inevitavelmente mais atenuada e admitida no mundo moderno do que outros tipos de identidade coletiva. Separadas geograficamente, divididas por classes e etnicamente fragmentadas, as clivagens de género devem aliar-se a outras identidades mais coesivas, se quiserem influenciar a consciência e ação coletivas” (p. 16 – 17).

“Em segundo lugar, a categoria de espaço e território. A identidade local e regional é igualmente corrente, em particular nas eras pré-modernas” (p. 17).

“Um terceiro tipo de identidade colectiva é a sócio-económica, a categoria de classe social” (p.17).

“Quer definamos “classe”, como Marx, como uma ligação com os meios de produção, como Weber, como o conjunto de pessoas com oportunidades de vida idênticas” (p. 18).

“A «identidade religiosa» baseia-se em critérios bastante diferentes dos de “classe social” e emerge de esferas muito diferentes de acção e de necessidades humanas. Ao passo que as identidades de classe emergem da esfera da produção e troca, as identidades religiosas derivam das esferas da comunicação e socialização. Baseiam-se em alinhamentos da cultura e dos seus elementos – valores, símbolos, mitos e tradições, muitas vezes sistematizados em costumes e rituais. Tiveram assim tendência para englobar numa única comunidade de fiéis todos aqueles que sentiam partilhar certos códigos simbólicos, sistemas de valores e tradições de crenças ou rituais, incluindo referências a uma realidade supra-empírica, embora impessoal, e marcas de organização especializadas, por mais ténues que fossem. As comunidades religiosas estão com frequência estreitamente ligadas a identidades étnicas (p. 19 – 20).

“Uma identidade «nacional» implica uma consciência de comunidade política, por mais ténue que seja. Uma comunidade política, por sua vez, subentende pelo menos algumas instituições comuns e um único código de direitos e deveres para todos os membros da comunidade. Sugere também um espaço social claro, um território bastante bem demarcado e limitado, com o qual os membros se identificam e ao qual sentem que pertencem” (p. 22).

“A terra natal torna-se um depósito de memórias e associações históricas, o local onde viveram, trabalharam, oraram e lutaram os “nossos” sábios, santos e heróis” (p.23).

“As nações devem ter uma medida de cultura comum e uma ideologia cívica, um conjunto de critérios e aspirações, sentimentos e ideias, que unam a população na sua terra natal. A tarefa de assegurar uma cultura coletiva pública comum foi entregue a órgãos de socialização popular, como o sistema público de educação e os meios de comunicação” (p.24).

“Território histórico, comunidade político-legal, igualdade político-legal dos membros e ideologia e cultura cívica comuns; são estas as componentes do modelo ocidental normal de nação (p. 25).

“Genealogia e pretensos laços de origem, mobilização popular, idiomas, costumes e tradições vernáculas: são estes os elementos de uma concepção étnica alternativa da nação” (p. 26).

“A existência destes pressupostos comuns permite-nos catalogar os aspectos fundamentais da identidade nacional da seguinte maneira:

1. Um território histórico ou terra de origem;
2. Mitos e memórias históricas comuns;
3. Uma cultura de massas pública comum;
4. Direitos e deveres legais comuns a todos os membros;
5. Uma economia comum, com mobilidade territorial para os membros.

Uma nação pode assim ser definida como uma determinada população humana, que partilha um território histórico, mitos e memórias comuns, uma cultura pública de massas, uma economia comum e direitos e deveres legais comuns a todos os membros” (p. 28).

“É uma cultura única e partilhada que nos permite saber «quem somos» no mundo contemporâneo” (p. 31).

“Podemos fazer uma lista dos seis atributos principais de uma comunidade étnica:
1. Um nome próprio coletivo;
2. Um mito de linhagem comum;
3. Memórias históricas partilhadas;
4. Um ou mais elementos diferenciadores de cultura comum;
5. A associação a uma terra natal específica;
6. Um sentido de solidariedade em sectores significativos da população.

Quanto mais uma população possui ou partilha estes atributos (e quanto maior for o número destes atributos por ela possuídos ou partilhados), mais essa população se aproxima do tipo ideal de comunidade étnica ou etnia” (p. 37).

“As etnias são constituídas não por linhas de descendência física, mas pelo sentido de continuidade, de memória partilhada e destino colectivo, isto é, por linhas de afinidade cultural encarnadas em mitos, memórias, símbolos e valores característicos, conservados por uma dada unidade cultural da população” (p. 46).

“Existem dois tipos principais de extinção étnica no sentido global do termo: genocídio e etnocídio, ao qual por vezes se chama – algumas vezes erroneamente – «genocídio cultural». De certo modo, o genocídio é um fenómeno raro e provavelmente moderno. Inclui aqueles casos em que sabemos que a morte em massa de um grupo cultural foi premeditada e que a base desse objetivo foi exclusivamente a existência desse grupo cultural e a sua pertença a ele. As políticas nazis contra os Judeus e uma parte dos Ciganos foram deste tipo” (p. 47).

“Outras políticas e acções foram genocidas, mais nas suas consequências do que nas suas intenções; uma destruição étnica deste tipo ocorreu quando os brancos americanos encontraram os Índios Americanos e quando os conquistadores espanhóis encontraram os Aztecas. Nestes casos a extinção étnica não foi deliberadamente visada, apesar de não ter sido feita qualquer tentativa para atenuar essas políticas, cujos efeitos laterais foram genocidas” (p.48).

Bibliografia

SMITH, Anthony. D. (1997). A Identidade Nacional. Gradiva. Lisboa.

rwanda-genocide

“O Homem nunca foi macaco”

Publicado por: Milu  :  Categoria: "O Homem nunca..., CORRENTES, PARA PENSAR, Sem categoria

homem macaco

 

“O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.”

Mario Quintana

 

Apontamentos que retirei durante a leitura do livro de Alcino Cruz intitulado “O Erro do Evolucionismo. O Homem nunca foi macaco”. 

O DUALISMO ANTROPOLÓGICO – ALMA E CORPO – DO PENSAMENTO HELENISTA

“O dualismo antropológico é uma realidade que irá marcar todo o pensamento ocidental até aos nossos dias. Nasceu com o pensamento antigo grego, mas viria a ser o Império Romano convertido ao Cristianismo, e de forma paradoxal, a disseminá-lo por todo o Ocidente” (p. 29).

“No pensamento antigo do grego Homero, o morto é um corpo sem força vital, sem alma respiratória. Esta abandona o homem quando ele morre. Mas convém não esquecer, como dirão os órficos, que o corpo, mesmo sem vida, é já um «sepulcro da alma». A alma nesta conceção é extremamente valorizada em detrimento do corpo” (p. 29).

[Órficos – derivado do mito de Orfeu. Numerosas fontes históricas relatam a existências dos mitos órficos. Ler mais aqui]

“O «Helenismo» significa o encontro do pensamento grego herdado de Homero até Aristóteles com o pensamento da cultura judaico – cristã. O Império Romano é o espaço onde se realiza esta fusão entre o grego e o latim, a qual, irá dar origem a novos termos e novas formas de pensar.”

O NOVO MÉTODO CIENTÍFICO DE BACON E A REDUÇÃO DO HOMEM À SUA DIMENSÃO NATURAL

“(…) o Homem conseguiu granjear para si conhecimentos que de uma forma ou de outra são herança do passado. Por um lado, rompe em definitivo com o pensamento medieval separando, definitivamente, a razão da fé e, por outro lado, vai voltar ao conhecimento deixado pelos gregos, onde a razão assumia papel preponderante.
A antropologia desta época vai, pois, ser, assim, essencialmente, marcada pelos novos desenvolvimentos da ciência experimental (empirismo) e racional (humanismos racionalistas), onde o «Teocentrismo» típico da mentalidade medieval (o homem sempre visto à luz da relação com deus que está no centro de todas as coisas) vai dar lugar ao “Antropocentrismo” moderno. É o homem que passa a estar no centro de todas as preocupações e de todos os estudos. Neste sentido, a originalidade dos filósofos deste período não deve procurar-se nos sistemas que professam mas na atitude que adotam perante o homem e a natureza. Os sistemas filosóficos gregos ganham com eles um significado novo, que tem de qualificar-se de moderno. Efetivamente, a atitude dos filósofos humanistas é, radicalmente, antropocêntrica. O regresso aos filósofos gregos é motivado pelo desejo de encontrar um modelo de humanidade diferente do medieval. No Renascentismo aspira-se a um homem novo, liberto da incultura, da superstição, do obscurantismo, enfim, da mediocridade. Daí que o humanismo renascentista se caraterize pela insistência na educação das capacidades naturais humanas, no desenvolvimento da personalidade, na primazia concedida aos valores estáticos e pelo individualismo, em oposição à cultura medieval, que era, radicalmente, teocêntrica: considerava deus como ponto de referência absoluto de todo o real e, por conseguinte considerava o homem também uma referência essencial a Deus. Todavia as instituições religiosas da época, eram uma afronta aos direitos humanos, uma vez que a sua cultura vivia enclausurada nos seus mosteiros. Ao contrário, o renascimento e a Modernidade caraterizam-se por um antropocentrismo naturalista. Referido ao homem, o naturalismo pode ser definido como a atitude que acentua os aspetos naturais deste, esquecendo ou menosprezando a dimensão e o destino sobrenaturais. Esta tendência naturalista vai ser usada na interpretação de todas as correntes filosóficas gregas. Neste sentido, a filosofia platónica é agora vista como uma espécie de “Religião Natural”, vindo a preceder aquela que é tematizada pela modernidade e, como tal, o homem da modernidade é entendido de uma forma estritamente relacional, ou seja, sem dogmas que refiram a dimensão da relação com o divino. Já não há mistérios nem coisas por conhecer, agora, o homem, usando bem o poder da sua razão, já não está condicionado pelas leis divinas nem pelas superstições, tudo lhe é permitido e não precisa de prestar contas a ninguém” (p. 49 – 50).

“Segundo os humanistas, o homem é senhor do seu próprio destino, é ele quem, livremente, e com autonomia, decide da sua própria conduta” (p. 51).

evolucionismo_300x200_BRASIL_ESCOLA

“O surgimento do novo método científico, criado por Bacon, o qual se centra no âmbito da razão absoluta, tendo como principal objectivo reduzir a atividade científica ao domínio da natureza para proveito do homem. Como filósofo da ciência, Francisco Bacon é a expressão eloquente do otimismo e da confiança renascentista na capacidade do homem para estender mais e mais o seu domínio sobre a natureza. A ideia central do seu pensamento é que o homem pode dominar a natureza e que o instrumento adequado para esse domínio é a Ciência. Para este autor, ao contrário do que dissera Aristóteles, o fim da ciência, não é a contemplação da natureza, mas o domínio desta: «a natureza domina-se obedecendo-lhe», isto é, conhecendo as leis que regem os fenómenos naturais para, submetendo-se a elas, utilizá-las em benefício próprio. Devemos ainda acrescentar que esta atitude naturalista de reduzir o conhecimento humano àquilo que se pode experimentar pelos sentidos vai dar origem ao «Cepticismo»: todo o conhecimento advém das impressões sensíveis e como tal não se podem estabelecer leis universais, imutáveis e absolutas, uma vez que, tudo aquilo que, hoje, aparece como certo, amanhã poderá não o ser se a experiência nos mostrar a descoberta de novas bases que ponham em causa as leis anteriormente definidas. Por esta razão é que a «Ciência» não tem razões absolutas, o que é verdade hoje, amanhã pode ser mentira. Deste modo, nada se pode conhecer com absoluta certeza e do divino não faz sentido falar, porque não o podemos sentir. Do homem, a única coisa que os teóricos cépticos podem dizer é que, é um ser que tal como todos os outros animais, nasce, desenvolve-se, reproduz-se, tem uma vida social, envelhece e depois morre. Esta é a natureza do homem que para este autor é semelhante à do animal” (p. 52 – 53).

DESCARTES E A REDUÇÃO DO DIVINO E DO HUMANO À AUTO-SUFICIÊNCIA DA RAZÃO

“No seguimento da linha de pensamento do autor (Bacon) estava aberto o caminho para a expansão da ciência e para o domínio sobre o real. A razão científica era a nova bíblia e viria a ser a grande bandeira do Iluminismo. Os termos racionalismo e racionalista são usados frequentemente, não apenas em filosofia, mas, também, na linguagem comum. Se perguntássemos a qualquer pessoa estranha à filosofia que significam tais termos, talvez nos respondesse que o racionalismo é a atitude que atribui uma importância e um valor fundamentais à razão. E assim é, de facto, a tal ponto, que o conhecido filósofo francês Descartes definiu a essência do homem como substância pensante (res cogitans)” (p. 53).

“O que Descartes diz é o seguinte:

a) é no pensamento, na atividade do pensamento puro (sem ligação à experiência) que se encontra a raiz de todo o conhecimento válido;

b) Descartes dá um peso e uma importância ao sujeito, relativamente, ao objeto, que nenhuma outra filosofia dera até então: se o cogito é a primeira das verdades, se a certeza e a evidência estão nas nossas representações, o objeto (mundo) exterior ao cogito fica sempre incerto e duvidoso. Mas Descartes, como cientista e matemático que é, acredita na realidade do mundo e no conhecimento da ciência e como tal não pode permitir esta incerteza ontológica. Dessa forma, resolve o problema do modo seguinte: Ao contrário de Kant que afirma a incapacidade do intelecto em conhecer realidades numenais, admite a intuição intelectual, que penetra o que se esconde para lá dos fenómenos, ou seja, a essência ou substância. E, deste modo, concebe o «eu» enquanto o res cogitans, ou substância pensante, situando-se no plano metafísico, isto é, conhecer o «em si» desse «eu» (essencialidade) que a simples análise fenomética não atinge” (p. 54 – 55).

“O termo Iluminismo é uma categoria historiográfica, unanimemente, admitida, dentro da história e da filosofia e da cultura em geral, para designar um movimento de ideias que se situa no século XVIII, entre o Barroco e o Romantismo, e que influencia poderosamente a sua época. Mas em termos filosóficos podemos dizer que podem classificar-se de iluminismo todas as épocas em que a atitude cultural dominante é racionalista, num sentido de uma razão que tenta impor-se a si mesma, abandonando o seu próprio juízo, como única construtora do homem: assim, se considera o Iluminismo da época da sofística grega” (p. 67).

teoria da evolução

Marx não tem dúvida em afirmar que o Homem está no centro da existência, a evolução da humanidade é determinada pela oposição do homem e da natureza, pelo conflito entre o indivíduo e a sociedade e, sobretudo, pela luta de classes.
Todo o curso histórico depende, afinal, da infra-estrutura económica: o conjunto dos modos de produção da vida material, a natureza e o estado das forças produtivas constituem a base real do devir histórico. Segundo este autor, mudando o seu modo de produção, a sua maneira de ganhar a vida, os homens mudam todas as suas relações sociais e constroem-se a si mesmo. É visto que o ser social do homem determina a sua consciência, todos os aspetos da sua vida cultural serão determinados por estas transformações” (p. 71 – 72).

“(…) o período Iluminista deu origem ao movimento empirista, o qual reduziu o homem à dimensão biológica: só aquilo que provém da experiência sensível, e pode ser demonstrado (com certeza) pela ciência, é verdadeiro. Por este facto, como de Deus e da dimensão espiritual não se tem experiência sensível, não se pode conhecer, e em última análise nada nos garante a sua existência. É, neste sentido, com naturalidade, que se investiga o funcionamento do corpo humano como se de um animal se tratasse” (p. 79).

“As ciências naturais são explicativas e, para elas, explicar consiste em estabelecer relações constantes ou necessárias entre os fenómenos observados, isto é, em captar o que há de uniforme e repetível no comportamento dos fenómenos. Deste modo, formam-se assim as leis naturais (p. 78).

“(…) o comportamento do homem é expressão da liberdade humana e por isso não se pode prever esse comportamento tal como se prevê a partir de um determinado aumento da temperatura a dilatação do ferro” (p. 78).

A TESE DARWINISTA DA «SELEÇÃO NATURAL» E A RECUSA DE UMA LEI UNIVERSAL PARA A NATUREZA.

“A teoria da evolução é uma hipótese científica que tem por objetivo explicar a origem das espécies e a diversidade da vida por meio de processos e mecanismos identificáveis pelos métodos correntes em Biologia, nomeadamente, a experimentação. Os factos que inspiram a ideia evolutiva são os parentescos morfológicos das espécies viventes, o desenvolvimento desigual dos órgãos semelhantes, a relação ou adaptação destes às suas funções e dos organismos ao seu meio, e em especial a distribuição geográfica de formas com rasgos comuns e diferenças características em regiões bem delimitadas como ilhas de um arquipélago. O tema das mudanças e transformações na natureza ocupou sempre os investigadores de todos os ramos, mas as teorias biológicas da evolução tratam de dar uma visão sistemática e global dessas mudanças através dos processos e factores biológicos ao longo da história. Aqui, vamos destacar os naturalistas que mais se ocuparam do tema, e os rasgos mais salientes das suas teorias.
A primeira categoria que tratou de explicar o encadeamento dos organismos na Natureza é de começos do século XIX e deve-se a Jean B. Monet de Lamark. A sua noção de evolução na atribuição do crescimento e regressão, observadas em órgãos homólogos de muitos animais, ao uso e desuso e na crença dos carateres adquiridos. Por volta de 1815 anuncia aquilo a que chamou as quatro leis da vida:

1) a vida por suas próprias forças, tende, continuamente, a acrescentar o volume, as dimensões e a organização do vivente até a um limite que ela mesma determina;

2) a produção de um novo órgão deve-se a uma necessidade a a um novo movimento com que o organismo responde a ela;

3) o desenvolvimento e a força de cada órgão é proporcional ao seu uso;

4) tudo o que foi adquirido, traçado ou mudado na organização dos indivíduos no curso da sua vida conserva-se e transmite-se por geração.

A teoria de Lamark que partindo do biológico, tratava, também, de dar valor filosófico resume-se nos princípios da ação do meio como origem de toda a mudança e da hereditariedade de todo o caráter adquirido ou modificado: posteriormente, a influência do meio e a adaptação como resposta sofreriam muitas precisões ainda não muito bem compreendidas nos nossos dias, e a hereditariedade ficaria reduzida a certas mudanças dos cromossomas e das células germinais. Em 1858 C. Darwin e Alfred R. Wallace consideram, simultaneamente, que as mudanças nascem, espontaneamente, no material hereditário e o papel do meio ambiente é extrínseco ao processo e negativo, ou seja, um papel de seleção ou prevalência da descendência do melhor dotado frente aos menos dotados que se eliminam. Darwin é influenciado pela teoria da «luta da existência» cuja ideia principal é o crescimento demográfico segundo as ideias de Malthus: o meio seria condição e não a causa” (p. 70 – 80).

homem-macaco-686x350

Darwin foi o primeiro a considerar o evolucionismo num sentido mecanicista e, nesse sentido, a novidade não se situa na teoria da descendência mas sim na teoria da selecção natural. Segundo este autor, o que põe em marcha a evolução e de onde procede o facto de que nem sempre se mantenha no mesmo nível, mas que é uma evolução ascendente, em que se produzem espécies cada vez mais diferenciadas e superiores” (p. 83).

“(…) surgem as teses de Malthus segundo as quais «a luta pela existência» domina, intrinsecamente, a humanidade. Uma vez que para um «lugar ao sol» cada vez há mais pretendentes. A população terretre aumenta, embora o espaço da terra continue a ser o mesmo e apenas pode alimentar um número limitado de homens, e, desse modo, a luta pela existência agrava-se cada vez mais com o decurso do tempo. Segundo Darwin, uma luta semelhante pela existência domina também o reino animal. E aquilo que Malthus tinha profetizado como uma etapa futura no reino humano, é uma realidade no reino animal: cada espécie animal se enriquece cada vez mais no sentido de lhe permitirem as condições externas de vida. Dos descendentes de cada par sobrevivem apenas alguns, ou seja, os mais fortes. Mas estas conclusões são fruto daquilo que em lógica se chama a falácia da generalização apressada, ou seja, a partir da observação de um caso particular, generaliza-se para todos os casos que se situam nas mesmas circunstâncias” (p. 86).

“O homem não pode ser reduzido à natureza, pois, as leis que o governam não são, apenas, leis naturais mas são, também, espirituais e respeitam o plano inteligente da Lei Universal” (p. 89).

“O Darwinismo implica a extensão das suas teorias, também, ao homem. O homem compartilha com todos os demais seres vivos o facto de proceder de um outro ser vivo. A semelhança entre o homem e, sobretudo, o macaco, reclama um parentesco de sangue. Segundo esta tese, há milhares de séculos ou milhões de anos, o homem, num certo momento, ter-se-á separado do animal pela primeira vez” (p. 89).

“É no contexto destas correntes evolucionistas que surge a teoria da Hominização, estudada em todos os manuais de história dos nossos dias. De forma sintética podemos dizer que esta teoria consiste em defender a evolução do homem durante milhões de anos de formas inferiores de vida até chegar ao estado atual. Isto implica afirmar que as nossas civilizações são as mais perfeitas, e que tudo o que aconteceu no passado teve por base o respetivo estado de evolução em que a humanidade se encontrava. Estes autores consideram, por exemplo, que a civilização ocidental atual, é superior, por exemplo, à da Grécia Antiga, ou à dos Incas, pois o fundamento é sempre o mesmo: evoluir de formas inferiores para superiores, quer no domínio fisiológico, quer social, económico, cultural e até mesmo intelectual. O Evolucionismo, defende, irredutivelmente um contínuo progresso para a perfeição, centrado na teoria de que o Homem descende de seres inferiores, os macacos” (p. 90).

“Os espíritos conservadores recusaram sempre esta tese de uma causalidade natural, puramente mecânica, em nome da doutrina da criação dos seres por Deus, a partir do nada. Mas o darwinismo, que estava, totalmente, de acordo com o estilo causal-genético do século XIX, não teve dificuldades em triunfar e em penetrar todas as mentalidades em gera. O conceito de evolução surge como uma palavra mágica que abre todas as portas até agora cerradas ao espírito, e, neste sentido, a realidade passou a ser sempre vista como uma evolução onde, o superior teve origem no inferior, o diferenciado a partir do único, o espiritual a partir do nada” (p. 96).

“As décadas da difusão do darwinismo são ao mesmo tempo as décadas do «Movimento ateu». Não apenas o socialismo se tinha manifestado anti-religioso (como em Marx por motivos éticos), também as ciências naturais que se fortaleciam decompunham cada vez mais as boas consciências. Chegava a nova fé que era chamada a ocupar o lugar da fé em Deus. De facto Moisés ou Darwin era um livro muito lido, apesar da sua pobreza” (p. 96).

“O homem não evoluiu de um ser inferior. A sua interacção com o ambiente e consequente progresso adaptativo ao real difere da dos outros animais: é determinada pela escolha e intenção. O homem, não está vinculado ao ambiente, como acontece com os animais e, desse modo, impõe modificações ao meio adaptando-o a si. Continuamente, produz novas combinações dos elementos da experiência tecnológica e estética do passado, para produzir novos tipos de construção material que alteram o ambiente de novas maneiras, que cria e organiza. Nenhum outro animal possuía ou possui habilidades intencionais, inovadoras e criativas deste género. Logo, o homem, é distinto de todos os outros seres vivos, incluindo o macaco” (p. 122).

“O erro do evolucionismo consistiu, pois, no facto de definir o Homem a partir da comparação com o animal, o que é um paradoxo tão absurdo como é comparar as faculdades do Homem com as dos macacos ou outroseres inferiores” (p. 123).

 

Bibliografia

 

CRUZ, Alcino. (2000). O Erro do Evolucionismo. O Homem nunca foi macaco. Campo Grande Editora. Lisboa.

 

2001-1

O estigma de mau aluno

Publicado por: Milu  :  Categoria: O estigma de mau..., PARA PENSAR

mau-aluno-psicopedagogia-mogi-das-cruzes-2

“O mestre disse a um dos seus alunos: Yu, queres saber em que consiste o conhecimento? Consiste em ter consciência tanto de conhecer uma coisa quanto de não a conhecer. Este é o conhecimento…”

Confúcio

Apontamentos retirados durante a minha leitura do livro “Educação e Sociedade de Risco” da autora Maria Manuela Machado da Silva.

“A inevitável correlação entre a qualidade dos resultados escolares e os contextos situacionais dos alunos surge a marcar negativamente os precocemente excluídos do sistema de ensino e mostra-se indissociável de estigmatizações conducentes ao desvio e em especial à população com quem os tribunais frequentemente lidam” (p. 9).

“Os efeitos negativos dos veredictos escolares, que agem como estigmatizações no círculo vicioso do fracasso ou da exclusão social, são sanções negativas, sobretudo, se se aplicam a adolescentes. Os adolescentes que ficam pelo caminho, logo no início do ano escolar, engrossando as fileiras dos perdedores, constituem um substrato educativo com alguns elementos caracterizadores comuns. Não raras são as vezes que as únicas vias de sobrevivência que se lhes oferecem para seguir são aquelas que conduzem ao risco social. Na generalidade dos casos pertencem a uma destas três categorias: a) sujeitos oriundos de estratos sociais dos mais desfavorecidos economicamente; b) Sujeitos de origem sócio-cultural minoritária, geralmente imigrantes e seus descendentes e refugiados; c) sujeitos cujas condições económicas de origem não foram das mais precárias, mas por factores sociais, em especial, os que afetam a família nuclear, se encontram em situação de precariedade ou sem suporte familiar. Perante o espaço escolar apresentam em comum elevadas taxas de abandono, de absentismo, falta de interesse pelas matérias e o rótulo de produção frequente de conflitos nas salas de aula e nos espaços de recreio” (p. 11).

slide_3

“(…). São os excluídos por motivo da sua agressividade ou da sua passividade ou simplesmente pela sua inadaptação. Quando deixam a escola, encontram-se numa fase de socialização que os confronta com problemas novos e problemas de sobrevivência prioritários e de um imediatismo crítico. Quaisquer que tenham sido as circunstâncias que os levaram a sair ou a abandonar a escola, sendo não escolarizados, ou com níveis escolares desvalorizados, as oportunidades que se lhes oferecem de encontrar trabalho são diminutas ou inexistentes. De entre as alternativas que têm para sobreviver, acumulam-se ainda dificuldades familiares, sociais e culturais, e não serão certamente as socialmente aceites as mais disponíveis. Numa espécie de vazio, tornam-se numa atracção notória para as redes de marginais adultos e facilmente se encaminham para «casos sociais»” (p. 13).

“(…) Remobilizar o sistema educativo para a redução dos contingentes anuais dos «excluídos» e «desvalorizados». Atribuir a estruturas técnico-pedagógicas do ensino básico a utilização esclarecida da informação tecnicamente adequada à prevenção primária contra a toxicodependência, de forma a integrá-la na progressão dos níveis cognitivos das crianças e dos adolescentes, evitando os «efeitos perversos» das campanhas e dos programas vulgarmente em marcha. Ressocializar «os menos equipados» através de processos «não estigmatizantes», em espaços pós escolares mas em interacção com a escola” (p. 14).

slide_5

“O meio humano transformou-se rapidamente, sob o efeito de várias revoluções que incidiram sobre vários domínios como a ciência, a técnica, a economia, a demografia, a relação política e as instituições sociais. Os sistemas educativos também têm sido objeto de transformações e têm-no sido de maneira acelerada. Mas isso não tem acontecido com a dinâmica suficiente, de forma a permitir-lhes acompanhar o ritmo das transformações que se verificaram, e continuam a verificar, em todos aqueles domínios. A diferença de ritmo de mudança dos sistemas educativos em relação a esses domínios, diferença traduzida sob múltiplas formas e disparidades marcantes, está, seguramente no cenário de crise” (p. 22).

“(…) Desequilíbrio e a desatualização entre o ensino e o mundo do trabalho, assim como as graves desigualdades em relação às oportunidades de acesso e às possibilidades de desempenho escolar entre os diversos grupos sociais” (p. 22).

“Em 1990, realizou-se na Tailândia uma Conferência mundial, organizada conjuntamente pelo Banco Mundial, UNESCO e UNICEF, entre outros organismos, à qual assistiram delegados de 155 Governos, representantes de um grande número de instituições e de organizações não-governamentais, assim como, peritos de educação de todo o mundo. Independentemente da acuidade da renovação do comprometimento para que a educação seja, de facto, um direito de todos, a chamada «educação de base» foi o tema principal e esteve em análise em todas as componentes constitutivas do quadro da actual conjuntura. A «Declaração Mundial de educação para Todos», adotada por esta conferência, compreende uma dimensão de tal ordem alargada da educação elementar universal e obrigatória que, na hipótese de ela poder um dia vir a ser concretizada iria alterar por completo o figurino dos nossos estabelecimentos de ensino básico. A definição aí aceite, sublinhando que a educação básica não pode mais ser sinónimo de restrita escolarização, envolve desde as creches e jardins de infância, ao ensino primário ou aos programas que o substituam, à alfabetização, à formação profissional, aos programas escolares e extra-escolares, formais e não formais, destinados a jovens ou a adultos, compreendendo domínios como a saúde, a ciência, a tecnologia, o ambiente, entre outros temas e problemas da sociedade, como na área da Comunicação e da Informação” (p. 35).

Ao contrário de outras instituições sociais, que vão perdendo importância no desempenho de muitas das funções que tradicionalmente lhes competiam, a Escola protagoniza uma importância cada vez mais significativa «na transformação das crianças e dos adolescentes» na sociedade contemporânea. A transferência para esta instituição da esfera de outros agentes educativos, como a Família, as instituições religiosas, espaços profissionais e outros espaços significativos, confere-lhe uma nova dimensão crítica” (p. 37).

“A par dos adolescentes que têm aproveitamento escolar, que atingem as «marcas competitivas», há aqueles que ficam pelo caminho. São muitos os que engrossam as fileiras dos perdedores de uma sociedade meritocrática” (p. 39).

sala-de-aula

“O corolário da obrigatoriedade e do prolongamento da escolaridade básica, da sua universalidade, e da importância progressiva do modelo meritocrático imposto ao conjunto dos grupos sociais, parece não poder deixar de ser o de que, qualquer estratégia social, tanto para a manutenção social de origem, como para o alcance de uma trajetória profissional e social ascendente, terá de passar por títulos escolares, quando não, pela sua acumulação, independentemente de outras componentes intervenientes no processo. O esquema lógico desta interpretação, será, então, negar toda a possibilidade de expressão a outro qualquer tipo de formulação estratégica que não passe pela escola. Assim, todas as crianças que fracassam nas aprendizagens de base e que, por dificuldades de ordem diversa, sejam excluídas do sistema escolar, terão inevitavelmente, de o ser também socialmente. Fora do aparelho escolar não há dimensão social para as crianças vítimas da depreciação e da desvalorização de todos os outros modelos de socialização. Por outro lado, quando a escola e a socialização através dela obtida se tornam dominantes, os sujeitos que por ela não passam, ou que foram relegados para percursos que fornecem compensações menos rentáveis económica e socialmente, estão antecipadamente limitados nas suas estratégias” (p. 40 – 41).

“As famílias mais dotadas em relação ao meio socioeconómico e cultural permitem mais facilmente, a algumas das fações dos jovens com baixos níveis de escolarização, trajetórias sociais e profissionais ascendentes ou, pelo menos, não descendentes, enquanto que os jovens, acumulando dificuldades familiares, sociais, culturais e escolares, estão à partida limitados nas trajetórias profissionais” (p. 43).

“Na cultura ocidental, o conceito de adolescência e a sua problematização são relativamente recentes. Surgiram já no século XX e apenas depois de ter sido caracterizada fase de vida anterior, a infância, conceptualização alcançada em pleno, também, só neste século” (p. 61).

“São as alterações qualitativas que o processo cognitivo passa na adolescência e as novas estruturas do conhecimento então adquiridas que permitem ao indivíduo dar forma à consciência de si mesmo. Nesta matriz de interpretação, as mudanças verificadas são consideradas como inerentes ao processo psicogenático e à diferenciação de expectativas relacionais que têm lugar durante a adolescência. As capacidades cognitivas que são alcançadas nesta fase da vida dominam o processo de comparação social que o adolescente faz de si e dos outros, a sua auto-avaliação e a aquisição de perspetivas, sublinhando a diferenciação em múltiplos domínios, funções e papéis. Desta diferenciação, isto é, da forma como a comparação é realizada, podem resultar confusões e conflitos para o adolescente”(p. 87).

Da cadeia de efeitos existente resulta que a auto-estima tem um papel funcional, dado o seu efeito na afetividade do adolescente e o subsequente efeito na sua energia e motivação. O vasto campo teórico na atualidade sobre esta temática confirma sem dificuldade de consenso que uma baixa auto-estima e auto-atributos negativos no adolescente são correlativos de depresão e aparecem como percursores de comportamentos associais” (p. 95).

O espaço escolar:

“A Maria de Fátima foi à escola e frequentou-a até «à 5ª classe». Repetiu e acabou por abandoná-la. Deixava-se dormir muitas vezes e assim «acabava sempre por perder por faltas». Não fala da escola espontaneamente nem manifesta qualquer interesse em voltar a frequentá-la. Apenas, ao ser solicitada para dizer alguma coisa que se tivesse passado enquanto a frequentou, descreveu um episódio que disse, «ainda se lembrava muito bem», e que se referia à mãe de uma colega. Um dia, à saída, chovia muito. Quando veio a mãe dessa colega com uma sombrinha para a filha, também a levou debaixo da sombrinha dela, «quis tapá-la da chuva»” (p. 106).

“Se a Escola se tornou teoricamente no agente de socialização hegemónico, a questão dos conteúdos e dos fins do ensino não pode ignorar as contradições que estão inscritas numa instituição pensada para servir interesses tão diferentes, quando não antagónicos, exigências opostas, fins propostos e limitações de meios para os alcançar. Se os fins que presidiram à universalização da escolaridade básica ou elementar não foram ainda alcançados, essa universalização, ou obrigatoriedade, fez surgir uma categoria social nova. Um efeito «perverso», que se caracteriza por subconjuntos relativamente homogéneos em relação a variáveis familiares, escolares e sociais. Nestas variáveis estão maciçamente representados os problemas identificativos de situações familiares problemáticas com incidência direta em acidentes biográficos, uma escolaridade e inacabada com a inerente exclusão das fileiras da competição, e a vulnerabilidade ao desemprego. Agravadas pelas situações socioeconómicas das famílias de origem, estas variáveis conduzem, não poucas vezes, às únicas vias de escolha possível e «forçada» onde os expedientes de sobrevivência têm, naturalmente, várias modalidades de acesso e etapas que não excluem o risco e o itinerário da marginalização social. A droga, a prostituição e outros comportamentos problemáticos estão na visibilidade das trajetórias frequentes” (p. 129).

Bibliografia

SILVA, Maria. Manuela. Machado. (1993). Educação e Sociedade de Risco. Gradiva. Lisboa.