Vocabulista de quando em vez!

Publicado por: Milu  :  Categoria: Vocabulista de...

Talvez por estar no início de um novo ano, portanto, imbuída de crescentes e renovadas perspectivas em relação ao futuro, sentimento muito vulgar nas pessoas que encaram a vida com esperança e optimismo, o certo é que senti, assim instantaneamente, uma inflamada vontade de acrescentar algo mais a este meu blog! De imediato uma pertinente interrogação se impôs! O quê e sobre quê? À partida e, numa atitude de antecipada resignação, tomei como válida, a demolidora teoria de que pouco, ainda, haverá por inventar! Para já, decidir sobre o que quer que fosse, capaz de acrescentar valor, sem cair na humilhante repetição e imitação de tantos outros blogs, assegurava-se-me uma tarefa algo difícil, para não dizer uma batalha já mais que perdida! De repente fez-se luz no meu espírito! Quantas vezes as coisas estão mesmo à frente dos nossos olhos e, nem sempre, somos capazes de as vislumbrar? Porém, desta vez, apanhei o flash! Tenho um irmão, que após quatro anos de ausência, emigrante no país vizinho decidiu fazer umas férias natalícias e abrigar-se na minha modesta morada! Através de um acto tão peculiar, na sua maneira de ser, ocorreu-me uma ideia! Não será certamente original mas, não deixa mesmo assim, de reflectir o meu espírito e cunho pessoal! Tal como um extremoso religioso que todos os dias pega na Bíblia e lê um salmo, o meu irmão pegava solenemente no dicionário seu favorito, abria-o ao acaso, apontava para a primeira palavra que constasse da página esquerda, pigarreava aclarando a voz e, pronunciava alto o vocábulo seguido do seu significado. Satisfeito, arrumava a vasta obra com cuidado no seu lugar cativo da estante! Estava feita a oração do dia, ou ainda, a higiene do intelecto! No fundo, vendo bem as coisas, facilmente chegamos à conclusão que “de louco todos temos um pouco”! E daí?
Decidi imitá-lo, não todos os dias, fujo de criar hábitos para que não me torne prisioneira da rotina, mas sempre que houver disposição dedicarei algum do meu tempo ao trabalho de seleccionar as pérolas mais puras que for encontrando!
Eis as primeiras!

ataraxia

Estado de tranquilidade e serenidade do espírito, pelo exacto conhecimento da vida, pela renúncia ao que não se pode alcançar, pela indiferença em face das paixões e da dor; renúncia em julgar e actuar. «Debaixo dessa ataraxia superficial do povo está a gangrena e a dissolução latente do Estado» (RAMALHO, Farpas, IV, p. 1299).

Estado de uma pessoa que não se perturba seja com o que for. ≈ Apatia, Indiferença.

ataraxia medicamentosa

Estado de tranquilidade por efeitos neurolépticos.

atolambado

Que é ou está um tanto pateta, tolo ≈ Apatetado, Atoleimado. «nunca sai do quarto; está assim a modos de atolambado há muito tempo» (CAMILO, Brasileira, p. 9).

fura-bolos

Dedo indicador. «Tem olhos de amora, lábios de morango, faces de maçã… E os dedos? Deixa-me provar! Só um bocadinho! Dito e feito. Segurou-lhe a mão e, indiferente aos berros da vítima, trincou-lhe a cabecinha do fura-bolos. – Que bom!…» (J. GOMES FERREIRA, João Sem Medo, p.231).

engalinhar

Trazer azar, dar má sorte; ser mau agouro. ≈Azarar

Não gostar, ter aversão ≈ Afinar, Detestar, Embirrar. Logo que o viu, engalinhou com ele. Engalinho que me digam as coisas duas vezes.

Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea-Academia das Ciências de Lisboa-Verbo