Às compras na capital

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, Às compras na capital

Lisboa

“Os olhos dos outros são prisões; seus pensamentos nossas celas.”

VIRGINIA WOOLF

Depois das férias no Algarve, que me ficaram gravadas na memória mais pelas inolvidáveis madrugadas esfaimadas do que por qualquer  outra esconsa ocorrência, viajámos até Lisboa onde chegamos pelo final da tarde. Alugámos um quarto numa pensão próxima da Praça da Figueira, com a intenção de no dia seguinte, logo pela manhã, corrermos de fio a pavio as lojas da Baixa, onde costumávamos fazer as nossas compras e que se encontravam em plena época dos saldos. Naquele tempo, ainda não existiam os grandes centros comerciais como por exemplo o Colombo e o Vasco da Gama, nem tão-pouco as marcas de roupa que hoje por aí proliferam como cogumelos. Era, portanto, nas lojas das imediações da Praça da Figueira, do Rossio, Chiado e pela rua Augusta fora, que fazíamos as nossas compras. Roupa, claro, que esperavam que fosse, sendo nós, umas saudáveis miúdas? A nossa preferência era os Porfírios, cujos modelos se destacavam pela originalidade e irreverência. Sem dúvida, um tipo de roupa especialmente direccionada para os jovens. Lembro-me que até nos chamavam futuristas, devido à nossa forma de vestir! Também gostávamos de ir à Casa Africana, outra loja, igualmente vocacionada para a gente nova. Antigamente era assim, se queríamos algo de diferente tínhamos de nos deslocar à capital,  dizia-se nesse tempo que “Lisboa é Portugal e o resto é paisagem”! E de facto, assim era! Felizmente que deixou de ser!  Julgo que os jovens de hoje não conhecem esta expressão!

saldos

Durante toda a manhã andámos numa fona, tão profundamente absorvidas nas nossas compras, actividade que para nós era de vital importância, que nem estranhámos o facto de andar por ali um helicóptero a rasgar os ares, sobrevoando a zona a baixa altitude, nem nos fez grande confusão que as pessoas andassem de nariz no ar, perscrutando os céus! Fosse o que fosse, que se lixasse! Tínhamos mais com que nos entreter! Oh, se tínhamos! Chegada a hora do almoço e porque a maioria das lojas fechava a essa hora, decidimos dar-nos a umas tréguas e sentámo-nos na esplanada da Pastelaria Suíça. Enquanto nos deliciávamos com  uns refrescos de café , fomos abordadas por dois indivíduos que se haviam sentado numa mesa ao lado da nossa. Um deles, pediu-nos lume para acender o cigarro, e, muito naturalmente, logo ali houve  lugar para dois dedos de conversa, na qual ficámos a saber que eram empregados bancários e que estavam na hora do almoço.  E porque continuávamos a estranhar o comportamento insólito das pessoas, perguntámos se sabiam o que se passava, porque parecia que andava tudo doido, a olharem para o ar com cara de caso. Surpreendidos ficaram, quando concluíram que as duas mocinhas, não sabiam que estava a acontecer uma catástrofe, apesar de se encontrarem no epicentro da mesma. Meio apalermados  e um tanto incrédulos, disseram-nos, então, que os armazéns do Grandela e do Chiado estavam a ser devorados por um intenso fogo.

E foi nesse preciso momento, que  eu e a minha prima, fizemos aquilo que durante toda a manhã tínhamos visto fazer a tantas pessoas, que connosco haviam cruzado. Olhámos para os céus!  Finalmente, vimos uma coluna de fumo!

Pela tarde retomámos a nossa cruzada, ou seja, as compras, mas, entretanto, fizemos um intervalo na demanda para nos sentarmos numa esplanada, que se situava defronte a uma das fachadas envoltas  pelo fogo, embora um pouco distante, entretidas a observar a azáfama dos bombeiros, enquanto íamos  saboreando uma  deliciosa taça de gelado com chantilly! Ali estivemos, descontraídas, na boa, tal como quem está  na plateia de um cinema! À noite saímos de Lisboa e viemos para casa, contávamos surpreender e impressionar a família com o nosso relato do fogo, aquele dantesco espectáculo, a que havíamos assistido em carne e osso! Afinal todos tinham visto, bem melhor do que nós, apesar da distância. Tudo porque a equipa de reportagem da televisão não estava submetida ao cordão de vedação que impunha a segurança! Ora bolas! Vá lá, valeram-nos os saldos…

Chiado

Opsss!

Publicado por: Milu  :  Categoria: Sem categoria

Aos meus queridos visitantes julgo dever uma satisfação. Estive ausente durante mais de 24 horas porque o meu filho resolveu, sem mais nem menos, mudar de servidor, e nas transferências, algo correu mal, foi o que foi, que me fez perder o meu último post, que já repus, porque também faço as minhas cópias, mas os comentários foram-se! Agora não temos tempo para fazer seja o que for, porque vamos trabalhar até às 21.oo horas! Depois, pode ser que consigamos  fazer alguma coisa para ultrapassar este percalço. Beijinhos para todos e até mais logo!

Beijinho

Umas férias esfomeadas

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, Umas férias esfomeadas

ferias

“A espécie de felicidade de que preciso não é fazer o que quero, mas não fazer o que não quero.”

JEAN-JACQUES ROUSSEAU

E porque me apetece continuar neste registo, isto é, a contar situações que vivi durante as férias, na minha já ida juventude, eis que vos trago a narrativa de quando nos deu na mona, a mim e à minha prima, de irmos  passar umas férias de Verão no Algarve. Se bem o pensamos, melhor o fizemos, e as duas partimos rumo ao Algarve, dispostas a assentar arraiais numa qualquer praia ao sabor do acaso. Quis o destino que ficássemos em Armação de Pêra. Mais uma vez alugamos um quarto numa residência particular, desta feita  no apartamento de um casal de meia-idade com uma filha, que durante cerca de um mês foram como nossa família. No regresso, no final das férias, tivemos alguma pena de os deixar. Insuspeitamente, tínhamo-nos afeiçoado a eles! Eram uma família muito característica, especialmente o marido que nos fazia rir. Trabalhava de noite e dormia durante o dia, apesar de viver na praia raramente apanhava sol, também fumava desalmadamente, circunstâncias que terão contribuído para que a sua pele apresentasse uma tonalidade cinzenta. Quando passávamos defronte do seu quarto, cuja porta se encontrava normalmente aberta, chegámos a vê-lo de tronco nu e soerguido  na cama,  bastante magro e de braços desmesuradamente compridos, o que nos fazia lembrar um aranhiço peçonhento. O tanto que nos ríamos! Mas, no fundo, simpatizávamos imenso com ele!

Aranhiço

Já estão  mesmo a ver como foi a nossa vida durante essas férias! Desta vez não apanhei escaldões, porque as horas de  maior insolação eram-me insuportáveis. Era um calor muito seco e  ao qual não estava habituada. Como não me cheirava ao mar, até me esquecia que estava numa praia, é tão diferente das minhas praias aqui, onde se sente  o ar fresco impregnado de um levíssimo cheiro a marisco! Que bom! E que bem me faz!

As noites eram passadas nas discotecas. Conheci várias, mas gostava especialmente da Kiss em Albufeira! Foram grandes noites! Grandes vidas!

Mas o título deste post alude a umas férias esfomeadas! O que era isso, então? Calma! Não era nada do outro mundo! Tratando-se de duas mulheres é bastante  previsível. Foram as nossas dietas malucas! Uma das piores coisas que pode acontecer a uma mulher é engordar no tempo de praia, logo, era expressamente proibido acartar para casa com o que quer que fosse de comida. Fazíamos apenas uma refeição por dia, o jantar. Depois da praia tomávamos um duche, preparávamo-nos para sair e vá de ir para um restaurante, habitualmente numa esplanada, para ir entretendo os olhos e aconchegando a alma. Outras vezes, comprávamos pizzas que levávamos para casa. Havia um estabelecimento que as servia  com imenso queijo, era um caso sério para separar as fatias, que permaneciam agarradas umas nas outras por extensos fios de queijo que mais pareciam cordas! Para quem tinha passado o dia sem comer, atestar-lhe assim, de uma só vez, com este arsenal de calorias, o organismo até entrava em choque, mas vá lá, era próprio da idade. Não éramos nenhumas anorécticas! Nós comíamos! Só uma vez por dia, é certo, mas à “fartazana”!

Ao sair da discoteca e  após  o desgaste de uma noite inteira a dançar, ficávamos esganadas de  fome, que habitualmente aplacávamos com um cachorro ou uma bifana comprada numa qualquer roulotte  que encontrássemos. Algumas vezes houve, que não tivemos possibilidade de comprar fosse o que fosse para comer,   o estômago refilava que se fartava, jurávamos, então, que nos havíamos de  emendar e que no  dia seguinte compraríamos  uma latita de atum, quanto mais não fosse, para nos acudir no desespero. Mas, no dia seguinte, já  preparadas para ir encher a mula no restaurante, não queríamos saber das agruras da madrugada anterior, depois de jantadas ainda muito menos queríamos saber, pelo que a compra do atum era adiada. Bem, nem vos digo: Uma desgraçada noite houve, em que a fome era de tal forma impetuosa e canina, que estivemos num vai-não-vai, em comer a carne picada que estava no frigorífico e que se destinava à cadelinha caniche, mascote da família. Por  um fio não pegámos numa frigideira!   No maldito frigorífico não havia mais nada que se trincasse, visto que a família fazia as suas refeições fora de casa. Naquelas horas de aflição, de fome negra, quantas vezes, com uma pontada de inveja, olhámos para a cadela, que nos fitava com uns olhos redondos e complacentes!   Ao menos ela, tinha comida, e  tanto lhe fazia engordar como não!

Quase no final do mês fiquei impaciente, estava farta de praia e do Algarve, convenci a minha prima a desaparecer dali o mais rápido possível, ou ainda ficava maluca! A  ela não lhe apetecia vir embora, mas perante a minha insistência fez-me a vontade. Tão rápido quanto nos foi possível rumámos a Lisboa e aí aconteceu mais uma das nossas histórias, bem reveladora de um facto – que  nós duas nos tínhamos como o centro do mundo! Aliás, assim sentem os jovens!

Praia 3

A Reconciliação

Publicado por: Milu  :  Categoria: A Reconciliação, FLAGRANTES DA VIDA

Gelados

“A crença na bondade alheia é uma prova não desprezível da própria bondade.”

MICHEL DE  MONTAIGNE

Continuando na saga do vendedor de gelados…

No dia seguinte pela hora do almoço, acabadinhas de acordar, visto a noite ter sido de folia, numa das discotecas da zona, não me lembro se na Sunset ou na Princess, ambas em Alcobaça e das quais, eu e a minha prima, fomos frequentadoras habituais, saímos do nosso quarto para comermos alguma coisa e de seguida rumarmos para a praia. Atravessámos a estrada e, logo ali em frente à residência onde morávamos, existia um  pequeno estabelecimento onde entrámos para tomarmos o pequeno-almoço. Sim! Pequeno-almoço! Para nós, só agora começava o dia! Sentámo-nos à beira de uma pequena mesa, encomendámos dois pregos no pão e dois refrigerantes.  Depois de devidamente acomodadas olhámos em redor e quem havíamos de avistar? O nosso amigo vendedor de gelados! A contas com uma imponente travessa de belo bacalhau acompanhado de grão, batatas e ovo cozido. Assim que nos pôs a vista em cima afivelou imediatamente uma cara de poucos amigos, e nós duas , também não ficamos nada bem-dispostas. Tantos cafés e restaurantes na Nazaré e tínhamos logo de ter entrado naquele onde se encontrava aquela linda prenda! Era preciso ter galo!

Entretanto, foram-nos servidos os dois pregos que comemos em silêncio e ansiosas por sairmos daquele lugar com tão funesta companhia, porém, nos olhares discretos que enviámos pelo canto do olho em direcção ao nosso inimigo, reparámos que os seus olhos imensamente azuis pareciam adocicados e brilhavam sorridentes enquanto nos miravam! O que se passaria? Mal acabámos de comer saímos rapidamente do estabelecimento, aliviadas por nos livrarmos daquela incómoda figura e seguimos em linha recta em direcção à beira-mar, preparadas para mais uma tarde de sol e de descanso.

Algum tempo depois, avistámos o vendedor de gelados a caminhar pela areia, que ao ver-nos se aproximou de nós.  De um modo extremamente afável, que  muito nos intrigou, perguntou-nos se queríamos comprar gelados. Prontamente  respondemos-lhe que não. Ainda mais simpático, tornou a perguntar se queríamos um gelado e que nesse caso fazia-nos o preço normal, porque sabia que nós não tínhamos dinheiro, mas que, lá por isso, não deixávamos de ter direito a ter a nossas férias!  Surpreendidas e confusas entreolhámos uma para a outra e foi quando no nosso espírito se fez luz! O vendedor de gelados, ao ver-nos à hora do almoço a comer os pregos e não sabendo que tínhamos acabado de sair da cama, conjecturou que éramos duas tesas, que estávamos de férias, sim, mas a contar os tostões e que por isso não tivemos uma refeição condigna, à semelhança da dele. Estava, então, condoído de nós! As pobres moças, pensou,  não tinham querido comprar os gelados mais caros, não por incompreensão ou má vontade, mas antes, porque o dinheiro não abundava! E não estava assim tão longe da verdade!

praia

Duas palecas na Nazaré

Publicado por: Milu  :  Categoria: Duas palecas na Nazaré, FLAGRANTES DA VIDA

Nazaré

“Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer.”

PLATÃO

Agora que finalmente  entrámos na estação do Estio, tempos de praia e de férias, ocorreu-me contar-vos uma situação engraçada que comigo aconteceu, quando contava vinte e poucos anos. Eu e uma minha prima, com a qual durante uma fase da minha vida tive um historial pleno de aventuras, encontrávamo-nos de férias na praia da Nazaré. Tínhamos alugado um quarto numa residência particular e estávamos ambas imbuídas de uma enorme vontade de fazermos uma espécie de desintoxicação de todos os agentes nocivos, com os quais comungamos diariamente. Durante quinze dias pretendíamos abolir da nossa alimentação alimentos como a carne, gorduras, doces, álcool, fumar o menos possível, já que deixar de fumar não nos afigurava um objectivo fácil de atingir e, sobretudo, dormir bem, logo, nada de deitar tarde. Havia da nossa parte o firme propósito de deitar cedo e cedo erguer, não que pretendêssemos crescer, tal como nos promete a sabedoria popular, que para isso já era um pouco tarde, mas para com tantos cuidados, uma boa alimentação e muito descanso, almejarmos um aspecto fresco e radioso de fazer inveja ao mundo!

Pois bem! Durante aqueles quinze dias fizemos tudo menos as nossas nobres intenções! Foi uma autêntica desgraça! Desde deitar cedo, pela madrugada, a levantarmo-nos da cama tarde, já a meio do dia, a comer pizzas, cachorros, frangos assados e batatas fritas, muita carne, afinal! No fundo, tudo aquilo que sabe bem, mas que nos envenena por dentro! Assim que saíamos da cama, íamos a qualquer lado comer alguma coisa, pouco, que vontade não havia muita, ainda por ali andavam os últimos resquícios dos gins tónicos da noite anterior e seguíamos para a praia, logo nas horas de maior insolação! Por causa disso e devido às minhas ânsias em ficar num ápice toda morenaça, queimei as trombas todas, até fiquei com inchaços numa zona do rosto abaixo dos olhos! Acabei as férias com um bronzeado todo malhado e por isso feia como os trovões! Mas divertimo-nos a valer!

gelado

Um dia estávamos nós duas repimpadas na praia a assoalhar, quando ouvimos o pregão do vendedor de gelados, decidimos chamar por ele já que nos apeteceu um gelado, engordam, mas por outro lado são bastante recomendados pelos especialistas em nutrição, porque são muito nutritivos! Ao mesmo tempo que peguei no gelado que o vendedor me estendia preparei-me para lhe pagar, perguntei quanto custava. Não gostei do que ouvi. Não me recordo dos valores, sei apenas que a diferença de preço entre comprar um gelado num qualquer estabelecimento ou comprar ao vendedor era considerável, pelo que chamei a atenção para esse facto e num gesto meio indignado, devolvi-lhe o gelado dizendo-lhe que àquele preço nem pensar, no que fui imitada pela minha prima! O que se seguiu só mesmo visto, porque assim, contado, nunca expressará o insólito e caricato do momento. O vendedor, que até ali se encontrava de joelhos na areia, levantou-se como se tivesse uma mola no corpo, desatou a proferir impropérios chamando-nos palecas, que se quiséssemos gelados mais baratos que levantássemos o cu, e os fôssemos comprar ao café mais próximo, que se encontrava já ali ao atravessar da estrada. Continuou numa verborreia inacreditável dizendo que andava num constante calcorrear da areia, debaixo da torreira do sol, para nos vender gelados a nós, que passávamos o dia deitados, que mesmo assim tínhamos tido a pouca vergonha de achar um gelado caro, mas  que se fosse preciso oitenta ou cem escudos para comparar um batom, para pintarmos os lábios e ficarmos a parecer os palhaços do circo Mariano, já não achávamos caro! Tudo isto, dito alto, em bom som e aos quatros ventos! À nossa volta todos os presentes nos olhavam com um olhar indefinido. Seria de indignação? De censura? De incredulidade? E de que lado estariam? Fosse como fosse, a verdade, é que apesar de jovens e desprendidas de preconceitos não conseguimos evitar de sentir algum desconforto. O nosso dia de praia ficou, portanto, estragado!

A história não ficou por aqui, no dia seguinte houve da parte do vendedor um volte-face radical!

CONTINUA

Praia

Trabalhar para o bronze

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, Trabalhar para o bronze

Bronze

“Acho que estou ficando louco, mas enfim, enquanto estiver aproveitando, tudo bem.”

OZZY OSBOURN

É isso mesmo! Trabalhar para o bronze!  Chegada ao bem merecido fim-de-semana e  com a canícula a fazer-se sentir, apeteceu-me ir até à praia! E fui! Está iniciada assim a minha época balnear, que é como quem diz, uma época para trabalhar o bronze, porque para tomar banho de água fria, nem pensar, não tenho assim tanto calor! S. Pedro de Moel é a minha praia preferida até porque dista da minha casa cerca de oito Km e ao longo da costa, por ali perto, não faltam sítios  agradáveis para se passar uma tarde em beleza. Ontem, sexta-feira, estive aqui e lembrei-me de tirar estas fotos para ilustrar o bem que me senti!  Estava-se lá mesmo bem! Não foi de modo algum um daqueles dias que obriga ao uso dos espalhafatosos guarda-ventos e que nos faz cair no ridículo, porque demonstra o quanto o ser humano gosta de se castigar! Hoje não vou,  tenho outros projectos, se tudo correr bem, espero!

Foi aqui, que ontem estive! Ah, a vida é bela…

S. Pedro de Moel

Praia de S.Pedro de Moel

Praia de S.Pedro de Moel

Praia de S.Pedro de Moel

Praia de S.Pedro de Moel

PRÉMIO LEMNISCATA

Publicado por: Milu  :  Categoria: PRÉMIOS, Prémio Lemniscata

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“Algumas pessoas procuram os padres; outras a poesia; eu, os meus amigos.”

VIRGINIA WOOLF

Foi com elevada estima que recebi o prémio Lemniscata, que o Blog Rei dos Leitões decidiu consagrar ao meu espaço, humilde recanto dos meus desafogos e confissões de estados de alma. E este prémio é tanto mais valioso quanto o apreço que sinto pelo Blog que mo atribuiu, pelo talento que nele vejo reflectido, através do geniais textos que nos oferta e que já por diversas vezes tiveram o mérito de me arrancar um sorriso dos crispados lábios, qual providência do destino, logo naqueles dias difíceis, em que me levanto da cama mal enfronhada e capaz de partir os cornos ao primeiro que comigo se cruze. O presumível infeliz, desgraçadamente muitas das vezes é o meu filho, que mal vislumbra de relance o meu olhar furibundo, ensaia um hábil jogo de cintura e,  lesto, passa por mim, no longo e estreito corredor da casa, como se não me visse.

Através das divertidas narrativas, que têm como cenário uma velha fábrica, o autor do Blog Rei dos Leitões, detentor de uma agudeza de espírito e sagacidade invulgar, demonstra um impressionante desembaraço e destreza na arte de extrair das vulgares cenas do dia-a-dia, o caricato que nelas existe, recriando-o imaginativamente na história e nas personagens desta tão divertida senda da fábrica. Simultaneamente, revela uma grandiosidade de alma, quando modela a personagem do Cossa, malandro e bruto que nem uma porta, mas com um coração de ouro e do tamanho do mundo, que se adivinha capaz de dar a própria vida pelo seu amigo de sempre. É esta cumplicidade entre os dois amigos, não obstante as diferenças  existentes entre eles, que não constam ser obstáculos para acalentarem entre si um profundo sentimento fraternal, que tanto nos enternece. Um bem-haja a todos os que assim sentem!

“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.

Sobre o significado de LEMNISCATA:
LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.” Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora) Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”

Segundo as regras este prémio é para ser atribuído a 7 blogues e os meus 7 são:

Congeminações

Direito de Opinião

Dispersamente

Macroscopio

O Melhor Blog Sobre Nada

Oficina das Ideias

Ponto de Cruz


amizade

Parque da Cerca

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, Parque da Cerca

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“Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade.”

ESOPO

Hoje, neste dia feriado, que me está a saber tão bem,  um dia para fazer nada ou, melhor ainda, para fazer apenas o que me apetece, venho falar-vos do Parque da Cerca, um parque lindíssimo sito na Marinha Grande,  cidade onde faço a minha vida, por enquanto, já que o dia de amanhã ainda é desconhecido, e, aqui a miúda, é receptiva à mudança!  Porque o pior de tudo é a estagnação e não sei se estou para isso…

Já agora, porquê o Parque da Cerca e não outro assunto qualquer?

Porque hoje ao passar pelo dito parque, dei pela falta de uns determinados adereços que dele faziam parte. Estou a referir-me a uma espécie de colunas de madeira que se encontravam dispersas um pouco por toda a área do parque, onde haviam sido impressos alguns textos e poemas alusivos aos direitos da criança,  elaborados por alunos de diversas escolas. O artigo nº15 coube ou foi escolhido, não sei bem, pelo meu filho, que se aprestou a fazer um poemazinho que muito me admirou, até porque pela parte que me toca, nunca fui capaz de versejar, nem de rimar com coisa alguma e depois até me parece que não é desajeitado de todo!… Esqueçam os meus olhos de mãe,  não são sempre cegos, conheço-lhe muito bem os defeitos, oh, se conheço!  Este filho tem muito de meu, afinal! Refiro-me aos defeitos…

O Miguel, meu filho, foi convidado a fazer um texto, um poema, fosse o que fosse, tendo como tema o artigo nº15, constante da Declaração Universal dos Direitos da Criança.

Artigo 15.º

1. Os Estados Partes reconhecem os direitos da criança à liberdade de associação e à liberdade de reunião pacífica.

2. O exercício destes direitos só pode ser objecto de restrições previstas na lei e que sejam necessárias, numa sociedade democrática, no interesse da segurança nacional ou da segurança pública, da ordem pública, para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e liberdades de outrem.

Pois bem, ele fez isto:

poema

poema

Durante bastante tempo estas colunas que ostentavam a criatividade das nossas crianças permaneceram no local, hoje, ao passar numa rua adjacente, pude confirmar que não existem mais. Senti-me como se me tivessem arrancado um bocado da alma! Que diabo! Aquilo significava para mim uma parte do meu filho, era um bocadinho dele que ali existia! Às primeiras impressões fiquei atordoada, depois, bem, resignei-me, como tantas vezes tenho feito, acerca de tantas outras coisas… Ainda bem que num dia qualquer a destilar baba  de vaidade e orgulho por todos os poros, resolvi tirar estas fotos do poema, afinal, são um documento do  seu passado, ao qual não presta a mínima atenção, é certo, porque na idade dele, apenas se olha em frente, rumo ao futuro!

Mas também para ele vai chegar o dia em que sentirá a necessidade de se quedar por uns instantes que seja e dizer para os seus botões: Deixa cá ver o que na minha vida já fiz, ou aquilo que um dia fui! Quem é que nunca sentiu curiosidade de vasculhar  no baú das memórias e descobrir os esqueletos de uma vivência passada?

Se o meu filho vê isto mata-me! Dentro de dois ou três dias, quando aqui chegar para fazer um novo backup, vai ser uma desgraça nestas paragens! Vai dizer-me – como sempre diz – que estou a meter-me na vida  e nas coisas dele!  Com 18 anos já  é todo muito senhor! :P

E porque considero o Parque da Cerca um local deveras aprazível, não resisto ao impulso de vos deixar mais umas fotos para documentar esta maravilha!

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Parque da Cerca

Informação técnica, retirada daqui

Natureza e Características da Obra:

A área total de intervenção são aproximadamente 70 mil m2 que inclui uma ampla zona verde, de recreio e de lazer, atravessada por eixos radiais  pedonais, neste parque podem-se encontrar uma série de equipamentos  entre os quais  a construção de uma praça central, um espelho de água, parque infantil, área de desportos radicais com uma pista de skate e uma parede de escalada e um espaço para eventos ao ar livre. O espelho de água tem 2800 m2, aproveita uma linha de água natural  – a Ribeira das Bernardas; ao nível dos pavimentos houve a preocupação de manter a tradição da zona com materiais clássicos como a calçada de calcário e o pavê cerâmico; em termos de quantidades foram efectuados 8 mil metros de tubagens lineares eléctricas e 8 mil metros  de tubagem lineares para o sistema de rega, 120 candeeiros, 9 mil m2 de calçada, 63 mil de pavê cerâmico e 7 mil m2 de pavimento de pó de pedra estabilizado; 4 mil ton. de seixo rolado para o lago artificial; 24 mil m2 de relvado; 15 mil arbustos 600 árvores de diferentes espécies;

Um caga-tacos esgrouviado!

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, Um caga-tacos...

quadriciclo

“Se pensássemos em todas as sortes que tivemos sem as merecer, não teríamos coragem de nos lamentar.”

JULES RENARD

“Não chore; não se revolte. Compreenda.”

BENTO DE ESPINOSA

Um dia destes ao visitar o blog Congeminações deparei-me com um post que aludia a uns determinados veículos pertencentes à categoria de quadricíclos, que na linguagem corrente e, enfim, algo brejeira, são designados popularmente por mata-velhos, taca-taca, papa-reformas, caga-tacos, assassino de idosos e sei lá que mais! De imediato me ocorreu à memória uma sucessão de imagens de várias cenas por mim presenciadas, que me podiam ter causado alguns estragos, devido aos possíveis danos colaterais, de tanto me ter rido. A história que vou contar pode até, ferir algumas susceptibilidades, afinal, eu e os meus colegas de então, não fizemos outra coisa que não fosse tirar proveito de uma cena do quotidiano – que nos era alheio – para uns momentos de bom e puro riso.

A todas as pessoas que, porventura este relato incomodar, que aceitem o meu pedido de desculpas, se entenderem que o devem fazer.  Faço saber que me esforço continuamente para compreender os melindres de cada um, mas sem exageros, nada de travar a minha liberdade! Confesso, desde já, que a consciência não me pesa. Primeiro, porque gosto de rir e que riam comigo das minhas desventuras. Todos os que me lêem sabem-no bem! Depois, porque não alinho em falsos moralismos! Conheço gente, muito moralista, que até faz questão de que os seus filhos frequentem a catequese, para aprenderem os bons princípios cristãos, mas que no dia-a-dia , seja no local de trabalho, seja nas relações da sua vida privada, só não passam por cima daqueles que não puderem!

Posto isto, penso que ficou bem expresso, que apenas à minha consciência presto satisfações e mesmo assim só às vezes, até porque não me incomodo com ninharias, mas sim com o que é verdadeiramente grande e importante! Tenho uma forma muito própria de estar no mundo, faço apenas o necessário para me ser possível viver em paz, o resto entrego nas mãos do tempo ou do destino, eles que operem!

destino

Trabalhei numa empresa que ocupava um rés-do-chão de um prédio situado numa avenida de intenso tráfego rodoviário. A fachada frontal do espaço era constituída por uma grande montra de vidro revestida por uma película espelhada que permitia que avistássemos  o que se passava no exterior, sem no entanto denotar a nossa presença, ainda que pudéssemos estar do lado interior colados à montra. Foi isso que fizemos, eu e os meus colegas, para nos divertirmos à brava com a inépcia de um vizinho de idade avançada que tinha um papa-reformas, quadricíclo ou lá o que lhe queiram chamar! Assim que algum dos meus colegas lograsse avistar o dito senhor no interior da caranguejola, prestes a iniciar a manobra de sair de marcha atrás da bainha de estacionamento defronte da empresa, logo ocorria a chamar os outros porque  iríamos ser agraciados com uma cena para rir a bom rir!

Uma razão existe para que estes veículos circulem por aí nas estradas, essa razão é tão-só a circunstância de os seus condutores não estarem habilitados de capacidades para tirarem a carta de condução da mesma forma que um normal cidadão, que tem de se esforçar para aprender e saber interpretar o código da estrada. E isto era bem visível no que ali testemunhávamos…Depois de ter posto o motor a trabalhar…

Taca-taca-taca-taca-taca-taca-taca-taca…

Sair de marcha atrás, da bainha de estacionamento, era para este senhor uma autêntica e titânica odisseia! Profundamente embrenhado na confusão do jogo entre os pedais, travão, embraiagem e acelerador, hesitava constantemente, fazendo caras que desenhavam um semblante que reflectiam um tal desassossego e estupefacção que me fazia lembrar o jeito de um bebé assustado, no exacto momento em que transita do susto para um berreiro infernal. Para cúmulo do azar, a avenida apenas por uns escassos instantes ficava desimpedida, consequência de um semáforo um pouco mais adiante, que provocava longas filas e que demoravam a espera no escoamento do trânsito! Do lado de dentro do estabelecimento, protegidos pela superfície espelhada da montra, todos nos ríamos que nem uns perdidos com a atrapalhada azáfama do senhor, que não havia meio de resolver semelhante imbróglio, coisa que para nós seria uma manobra trivial. Os espirituosos dichotes dos meus colegas, que se deitavam a adivinhar as próximas reacções do desditoso senhor, sucediam-se uns atrás dos outros, o que me fazia rir ainda mais, ao ponto de me encharcar em lágrimas e chegar a temer desconjuntar os maxilares. Que me ficavam a doer ficavam, mas a sensação de leveza que podia sentir após tanto riso, essa, penso bem, não haver  dinheiro que a pague!

rir

O pobre senhor esmerava-se em tentativas que saíam goradas! A carripana, cuja carroçaria ostentava de um lado, não me recordo qual, uma larga estaladela, fruto de um qualquer “encosto”, que lhe dava o aspecto de um brinquedo partido, estremecia como um pudim devido aos constantes arranques falsos! Por fim, em dada altura e sem que tivesse havido algo que o deixasse adivinhar, irrompia numa frenética marcha atrás sem mesmo ter verificado como se encontrava a sua retaguarda, no fundo, aquela manobra tinha sido uma roleta russa!

Por sorte, em todas as vezes que pudemos testemunhar tamanha imperícia, quis o acaso que não embatesse em nada nem a ninguém, mas foi apenas por acaso, porque não foi coisa que ele verificasse, depois de tanta concentração, pisava o acelerador, largava a embraiagem e  atirava à toa e à maluca com o carro para a estrada, que se lixasse quem lá viesse!

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Séries Televisivas

Publicado por: Milu  :  Categoria: CORRENTES, Séries Televisivas

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O  blog Caixa de Pregos lançou-me o desafio para enumerar as séries de TV que, porventura eu tenha seguido.

Não posso dizer, com verdade, que tenha seguido fielmente algumas das séries que irei referir. Às vezes via, e até gostava! Mas nunca tinha a certeza se veria o próximo episódio. E digo isto por duas razões. A primeira, porque nos meus tempos de criança nem sequer tinha televisão. Costumava ir para casa de vizinhos, deambulava por ali nas redondezas à espera que me convidassem ou me pedissem para fazer um qualquer recado, ocasião que eu aproveitava para, como quem não quer a coisa, sorrateiramente enfiar-me  em casa de cada um e assim grudar-me à televisão, que só abandonava quando me diziam que já era muito tarde, que devia ir para casa, que os meus pais poderiam estar preocupados, porque talvez não soubessem onde me encontrava e todo um palavreado que a mim não me dizia absolutamente nada, queria lá saber de preocupações, pois não era eu uma criança?

A segunda razão prende-se com o facto de que, quando na minha casa entrou uma televisão, um velho trambolho já com muitos anos de uso, que a minha mãe comprou devido à insistência do meu irmão mais novo, que se desunhou em argumentos e choradeiras até a convencer a comprar tal relíquia, para mim, contudo, já veio tarde, numa idade em que abundavam as solicitações para divertimentos bem mais empolgantes! Tinha demasiada energia, para ficar sentada defronte de um televisor. No Inverno ainda vá! Com frio e chuva não tinha muito por onde escolher, para entreter o tempo pouco mais me restava  além de ver televisão! Mais tarde,  esta foi substituída por outra menos velha, mas ainda assim em segunda mão! Aos poucos foi-se progredindo até ser comprada uma  televisão nova, a estrear! Já não era sem tempo! Actualmente apenas vejo televisão esporádicamente, quando estou na sala de espera do dentista, do médico ou noutro qualquer  lugar, onde é suposto correr o risco de apanhar uma seca! Em casa  vejo quando o meu filho se lembra de a ligar, coisa rara! Cá em casa domina a Internet…

As séries das quais me recordo de mais ou menos ter seguido foram:

Bonanza – Sandokan – Casei com uma Feiticeira -  Gabriela  – Heidi  – Espaço 1999  – Dallas – O Bem-Amado – Columbo – Os Marretas – A  Batalha Final – A Banqueira do Povo – MacGyver – Os Simpsons – Duarte & Companhia – Inspector Max.

Bonanza foi a primeira série da qual fui vendo alguns episódios. Era uma série americana de cowboyada. Na escola havia o costume de comentarmos alguns detalhes do último episódio visionado, como  nem sempre tinha hipótese de ver a série por não ter televisão, ficava calada a ouvir atentamente os primeiros comentários, mais tarde, depois de devidamente a par das peripécias ocorridas, também eu discutia entusiasticamente os pormenores como se tivesse visto. Cada um que se desenrasque, o que  não queria era dar a entender que não tinha televisão! Tinha cá os meus pruridos!

Adorei ver a série ou telenovela Bem-Amado, pelas cenas hilariantes em que era dado um especial enfoque nas relações entre a igreja e o poder político, uma ao serviço da outra!

Inspector Max foi a última série que acompanhei regularmente, de então para cá fui desenvolvendo outros hábitos, adquiri novos interesses, que não passam pela televisão, até mais ver!…

E porque recordar é viver, eis algumas imagens das referidas séries.

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Bonanza

sandokan

Sandokan

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Casei com uma Feiticeira

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Gabriela

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Heidi

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Espaço 1999

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Dallas

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Bem-Amado

columbo

Columbo

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Os Marretas

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A Batalha Final

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A Banqueira do Povo

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MacGyver

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Os Simpsons

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Duarte & Companhia

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Inspector Max

Uma passagem de ano especial!

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, Uma passagem de ano...

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“A liberdade é aquela faculdade que aumenta a utilidade de todas as demais faculdades.”

IMMANUEL KANT

Já lá vão dez anos! O tempo passa, mas as vivências, essas, ficam, principalmente se tiverem sido especiais, tal como esta passagem de ano que me apresto aqui a narrar.

O fim da tarde do último dia de um ano, agora já tão distante, aproximava-se rapidamente, sem que eu e uma minha prima, vislumbrássemos uma forma aliciante de festejarmos esta data tão apetrechada de simbolismos. Tínhamo-nos separado de um grupo de colegas, com as quais pensávamos ir a um restaurante jantar e, depois, fazermos a passagem de ano no Império Romano, uma discoteca da zona. Porém, uma colega comum que integrava esse grupo, manifestou-se desagradada pelo facto de me fazer acompanhar pelo meu filho, que na altura não teria mais de oito anos. Na opinião dela, não havia cabimento para a presença de uma criança no nosso jantar de fim de ano. De imediato e sem qualquer constrangimento, afirmei que perante tais condições desistia do jantar, da discoteca ou do que quer que fosse! De mim, nem outra coisa seria de esperar! O meu filho, nunca e em qualquer circunstância estará a mais na minha vida, para todo o sempre seremos um para o outro, independentemente de todos aqueles que se cruzarem nas nossas vidas! Se uns vão, outros virão depois! Todavia, há os que para sempre permanecem, porque esses são verdadeiramente nossos! Pois que fossem para o jantar, que apanhassem todos uma monumental bebedeira, que fossem para a discoteca, que se divertissem muito, que disso não teria inveja, até porque sempre gostei muito da minha companhia, além de que não estava sozinha, tinha o pequerrucho, com o qual, por incrível que pareça, tinha conversas bem mais inteligentes e proveitosas do que com certos adultos! Assim que fiz saber, que já não estava  interessada em sair com este grupo, a minha prima decidiu que também não iria e assim ficámos os três, eu, o meu filho e ela.

Fomos jantar a um restaurante chinês. O ambiente estava óptimo, todas as mesas se encontravam ocupadas de jovens casais, com uma única excepção – a nossa – já que éramos duas mulheres e uma criança. Mas nem por isso menos animada! Conversámos muito, jantámos bem e bebemos ainda melhor! Uma garrafa de vinho disputada entre as duas, nada mau, para começar! Entretanto saímos para a rua e uma verdade se impôs! E agora? O que fazer? Que destino dar à noite que ainda agora começava? Não obstante estarmos cientes, de que as alternativas não abundavam, a hipótese de irmos para uma discoteca estava fora de questão. Não era isso que fazíamos frequentemente, afinal? No fundo, eu e a minha prima estávamos imbuídas de um espírito que apelava para algo de diferente, uma experiência incomum, qualquer coisa que fosse digna de registo!

E foi exactamente isso que tivemos!

Nós duas, muito produzidas, claro, e o meu filho, deambulamos sem destino pela cidade deserta. Tão deserta, que nem se avistava vivalma! Esporadicamente um ou outro carro apressado fazia a sua aparição, mas logo desaparecia do nosso horizonte. Um frio instalou-se nas nossas almas solitárias! Parecia que estávamos os três sozinhos no mundo! Para onde tinham ido todos? Nas profundezas do nosso íntimo e sem que o confessássemos, censurávamo-nos a nós próprias! Tão descuidadas e inconsequentes havíamos sido, para acabarmos assim, sozinhas, logo num dia em que todos se divertiam! Pelo menos era assim que julgávamos toda a gente! Aproximámo-nos de um hotel e ali nos detivemos. Pelas grandes montras envidraçadas conseguíamos ver a recepcionista, já era alguma coisa, pelo menos além de nós, havia ali outro ser humano! Foi o suficiente para sentirmos algum ânimo e, a verdade seja dita, menos sós! Subitamente reparámos num rapaz que se aproximava, tinha um aspecto um tanto alienado, de pouco cabelo e todo ele de pé, como se tivesse acabado de sair da cama e usava uns óculos de lentes garrafais. Entabulámos conversa, indagámos se sabia de algum local para onde pudéssemos ir festejar o novo ano. Informou-nos que os pais tinham viajado e que se encontrava sozinho em sua casa, podíamos ir para lá, mas antes disso iria ver se conseguia arranjar uma garrafa de champanhe. Disse-nos que conhecia os proprietários de um estabelecimento e esperava que estes lhe fizessem a especial deferência de o atenderem, apesar do inconveniente da hora e… desapareceu!

cientista-maluco

Transidas de frio e angustiadas pela demora do suposto anfitrião, o qual, entre nós, apelidamos de cientista maluco, devido ao seu aspecto, optámos por entrar no hotel. Perguntámos à recepcionista se podíamos permanecer, comodamente instaladas nos sofás da recepção, já que estavam prestes a dar as doze badaladas. Como não havia meio do cientista maluco aparecer, por ali ficámos resignadas e pensativas. Qual não foi o nosso espanto, quando um belo espécime masculino, de nacionalidade francesa, que se encontrava hospedado no hotel e que já havíamos discretamente apreciado, se nos dirigiu empunhando uma garrafa de champanhe Moët & Chandon, que fez estoirar no pino das festivas doze badaladas, às quais brindámos animadamente. Entretanto, num curto espaço de tempo em que nos deixou a sós, aproveitámos para traçar um plano: ”Atracadas” no belo francês, agora sim, iríamos até à discoteca, onde presumíamos estarem a nossas colegas, para lhes fazermos inveja! Antecipadamente gozávamos já o impacto da surpresa. Para nos divertirmos demos em imaginar uma delas, que tinha tiques de sedutora, a pavonear-se e a arrastar a asa defronte do “nosso” belo Adónis! Todavia, o destino tramou-nos! Foi com grande desalento que constatámos que a “inofensiva” e discretíssima recepcionista nos tinha tomado a dianteira! Depois da meia-noite, no final do seu horário de trabalho, levou-o com ela!

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Ainda ficámos mais algum tempo na recepção do hotel, a beberricar o champanhe. De repente saímos daquele torpor, já que tudo nos tinha saído furado, decidimos ir para casa, para a nossa confortável caminha, ao menos essa não nos traía, como sempre lá estaria à nossa espera, para nos acolher de braços abertos, por assim dizer.

No silêncio da noite apenas se ouviam os nossos passos que calcorreavam o caminho de casa, quando ao passar numa estreita rua, ouvimos vozes e uma porta que se abria, dirigimo-nos para lá, estávamos ansiosas para estar com gente. Era um bar gay! Empurrámos a porta que se encontrava entreaberta e entrámos. Ao fundo encontrava-se uma mesa baixa e corrida que ostentava diversos acepipes, chegámo-nos a ela e sentámo-nos nuns pequenos bancos. A fome apertava! O champanhe tinha aberto uma cratera nos nossos já desprovidos estômagos!

croquetes

Timidamente, estendemos o braço até um prato recheado de croquetes. Pelo canto do olho perscrutámos alguma possível reacção negativa ao nosso ataque voraz, porém, a indiferença pela nossa presença era total. Parecia que nem tinham dado por nós! Continuámos no desbaste das iguarias e pedimos duas “minis”, que prontamente nos foram colocadas à nossa frente! E outras mais se seguiram, nem sei quantas, mas que apareciam, oportunamente, sem que as tivéssemos pedido. Eles, os homens, que se encontravam no bar, conversavam entre si, um deles trajava um longo vestido preto, era louro e bonito! Ninguém nos dizia nada, e lá fomos ficando, comendo e bebendo em silêncio, para não perturbar a magia do momento! Tudo parecia muito normal,  como se já estivessem à nossa espera. Pela primeira vez, senti-me a viver num ambiente de perfeita irmandade. Havia um sentimento invulgar de aceitação plena. Ninguém apontava nada a ninguém. Naquele local não era sentido o mínimo sentimento de rejeição ou de curiosidade,  tão usual noutros ambientes, nos quais se perguntaria, de imediato, porque andariam duas mulheres e uma criança perdidos na noite. Se estivéssemos num outro sítio, provavelmente estaríamos com as mesmas pessoas de sempre e a dizermos todas aquelas coisas de circunstância, balofas e carecidas de sentido ou de qualquer importância. Quis o destino que assim não fosse, e, nesse primeiro dia de um ano que há muito se foi, pude viver uns momentos onde o meu espírito se banhou de um maravilhoso e intenso sentimento de profunda paz, como se de um sonho se tratasse! Porque há coisas, que apenas são possíveis nos nossos sonhos!

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Rosa Brava

Publicado por: Milu  :  Categoria: LIVROS, Rosa Brava

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Rosa Brava

De

José Manuel Saraiva

José Manuel Saraiva nasceu na aldeia de Santo António d’Alva e exerceu a profissão de jornalista. Além de ter colaborado em diversas publicações nacionais e estrangeiras, pertenceu aos quadros de o Diário, Diário de Lisboa, Grande Reportagem e Expresso. Os dois comentários sobre a Guerra Colonial, “Madina do Boé – a Retirada” e “De Guilege a Gadamael - O Corredor da Morte”, transmitidos pela SIC, são da sua autoria. O primeiro foi transmitido pelo canal Arte na França e na Alemanha. Autor da história que deu origem ao telefilme a “Noiva“, de Galvão Teles, publicou ainda, as obras “As Lágrimas de Aquiles” (2001) e “Rosa Brava” (2005),  também editado em Itália e que atingiu já a condição de best-seller graças às numerosas edições, neste caso a 10ª edição. O seu último livro “Aos Olhos de Deus” (2008), vai  na 3ª edição. O romancista José Manuel Saraiva é actualmente um dos escritores que mais vende em Portugal.

ROSA BRAVA” é um apaixonante romance histórico da autoria de José Manuel Saraiva, que nos traz a narrativa do percurso de vida, algo invulgar, de D. Leonor Teles de Menezes, uma mulher dotada de uma formosura sem igual e de uma ambição insana e desmedida. Facto por si só suficiente, para lhe moldar o carácter, dando vida à velha premissa de que o instinto do mal se acolhe de disfarces, para melhor enfeitiçar tudo e todos e, sub-repticiamente, estender os seus maléficos tentáculos tornando  hediondo um ser, que nasceu belo e pleno de encantamento.

A jovem e formosa Leonor Teles sofreu a desdita de ter sido compelida a casar com um nobre, João Lourenço da Cunha, um homem de aspecto horripilante, pelo seu tio, D. João Afonso Telo, conde de Barcelos, que chamou a si a responsabilidade de educar a sobrinha após a morte dos pais, Martim Afonso Teles de Menezes, assassinado por D. Pedro de Castela e de D. Aldonça de Vasconcelos, vítima da Grande Peste que, justiça seja feita, desconhecia linhagens, até a mais fina flor sucumbia de uma doença vinda da imundície. Sem coragem para contestar a vontade do tio, Leonor dá o passo mais amargo da sua vida, ao casar com um homem que a enojava. Dele viria a ter um filho, no qual desgraçadamente, viu reflectida a imagem da feiura paterna, sendo por isso incapaz de amar o fruto do próprio ventre.

Leonor Teles

D. Leonor Teles

Em Pombeiro, terra natal do seu marido, Leonor afogava a sua revolta e insatisfação num mar de sonhos em que se via envolta nos braços de um belo homem, que faria dela uma rainha. Briolanja, a mulher que a havia criado desde criança, conhecedora dos seus íntimos segredos, até mesmo dos escabrosos, ainda mais lhe alimentou o desvario, ao transmitir-lhe que as estrelas lhe haviam dito, num dos momentos em que auscultara as forças da natureza, que um dia Leonor se casaria com um rei, o que a fez mergulhar num intenso fulgor de fantasia.

Leonor além de pérfida é impressionantemente astuta, sabe, portanto, que tem de agir, decide dar uma ajuda, um contributo seu para a realização da predição anunciada pelos astros. Preconiza que tem de se aproximar de D. Fernando, que além de belo e daí o cognome de O Formoso era rei de Portugal, custasse o que custasse, pelo que se serve do pretexto de uma visita à sua irmã D. Maria, açafata da Infanta D. Beatriz, para se intrometer no Paço de São Martinho, a residência do rei. No fundo, nada mais fez do que escorar a sua determinação na certeza que tinha no seu poder de sedução. Sabia exactamente até onde poderia ir, isto é, sabia-se capaz de tudo, desde que almejasse a satisfação dos seus mais prementes desejos.

Leonor anuncia ao tio e ao marido, ou seja, aos homens da família, que pretende visitar a irmã em Lisboa e fá-lo de uma forma que deixa suspensa no ar a dúvida se tornará a voltar. É neste momento que o tio revela a falta de confiança que deposita na sobrinha ao proferir a palavra – Aleivosa – com a qual Leonor será cognominada no futuro.

D. Fernando

D. Fernando

Chegada ao Paço de São Martinho, Leonor encanta todos com a sua beleza, principalmente ao rei D. Fernando. Este mais dotado para a artes da caça do que para as artes da governação, teve um reinado onde frutificou a incúria e a irresponsabilidade que viriam a culminar nas guerras fernandinas, originadas, sobretudo, pelas questões dinásticas de Castela. Os cognomes de Inconsciente ou Inconstante advêm-lhe da reconhecida inépcia nas relações internacionais e da política desastrosa que protagonizou nas três guerras com Castela, que fizeram perigar a independência de Portugal. O carácter irreflectido, imponderado e estouvado do rei português é revelado na sua máxima plenitude ao cometer um acto de enormes consequências, das quais era conhecedor e ainda assim, prosseguiu nos seus intentos -  casar com Leonor Teles -  depois de negociar com o Papa a anulação do casamento desta, aludindo a uma eventual consanguinidade entre D. Leonor e o marido.

Bem depressa alcançou os seus propósitos! Sempre foi possível negociar com Roma as leis de Deus, desde que se avance com um bom quinhão para troca! Sempre foi assim e há-de ser, enquanto houver mundo!

Se para D. Fernando a beleza de D. Leonor foi suficiente para um tal deslumbre que o levou a um ruinoso casamento, o povo, esse, não se deixou convencer, já que sempre odiou a rainha. Nem mesmo as tentativas que implicavam actos caridosos levados a cabo pela formosa mulher, no sentido de conquistar o povo insurrecto surtiram efeito, pelo que esta lhes devotou sempre um ódio terrível.

Todavia, é provável de que o rei de Portugal, D. Fernando, dentro de si, no mais profundo do seu âmago, alimentasse a suspeita de que a sua deleitosa mulher não era, afinal, flor que se pudesse cheirar sem alguns cuidados. À cautela, o rei havia lavrado um documento, no qual determinava que caso ocorresse a sua morte e não havendo filho varão, D. Leonor seria nomeada regente enquanto a filha, a Infanta D. Beatriz, não atingisse os catorze anos de idade, pretendendo com isto evitar guerras entre os diversos pretendentes ao trono. Ainda assim Leonor tratou de eliminar a sua própria irmã, que poderia vir a tornar-se rainha no caso do seu marido, D. João de Castro, irmão mais velho do rei, vir a reclamar o trono para si após a morte deste. A inveja toldou-lhe o juízo e de tal modo que, rapidamente, se prontificou a urdir uma insidiosa teia de perjúrio, com consequências desastrosas, D. João, ferido de morte e tresloucado pela suspeita de infidelidade por parte da esposa,  assassinou-a  impiedosamente. Disposta a não perdoar a D. Fernando, seu marido, a traição de não a querer rainha depois da sua morte apesar das juras de amor eterno, torna-se amante de João Fernandes Andeiro, provocando ainda mais a ira e a indignação do povo, que se sentia tão traído quanto o seu desventurado rei.

Andeiro

Morte do Conde Andeiro

Com a morte do rei D. Fernando, vítima de uma doença pulmonar, que progressivamente o vinha definhando, os acontecimentos precipitaram-se. O conde Andeiro, amante da rainha, foi morto à punhalada pelo D. João Mestre de Avis. Profundamente odiada, alcunhada de aleivosa e de outros impropérios que não lhe conferiam dignidade, nem distinção, Leonor Teles acabou  encarcerada num aljube nos arredores de Tordesilhas. A crise dinástica provocada pela morte de D. Fernando que deixou a sua filha D. Beatriz, recentemente casada com D. João rei de Castela, como herdeira do trono e D. Leonor como regente é um dos casos mais interessantes da história portuguesa. A morte do conde de Andeiro, a fuga de Leonor Teles, a invasão de Portugal pelo rei de Castela e a nomeação de D. João como Defensor do reino provocaram o nascimento de uma nova dinastia e o aparecimento de uma nova nobreza. “ROSA BRAVA” é por todas estas razões uma obra imperdível!

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O Ovo Estrelado

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, O Ovo Estrelado

ovoestrelado

“Tem mais do que mostras; fala menos do que sabes.”

WILLIAM SHAKESPEARE

A minha primeira multa de trânsito… Das várias que se seguiram!

Foi ainda a bordo do meu carocha. Num belo dia, enquanto seguia pela estrada num dos meus passeios higiénicos, para arejar as ideias, dei de caras com um agente da PSP, que se encontrava parado na berma ao lado de uma moto.

Depois dos cumprimentos recíprocos foram-me pedidos os documentos que, de imediato, coloquei nas mãos da autoridade confiante que tudo estava em ordem. Nem outra coisa poderia ser, tendo em conta a fresca carta de condução e a compra recente do carrito. É normal que nesta situação, pelo menos nos primeiros tempos, tudo se encontre como manda a lei! Piscas, faróis, travões, pneus, enfim, tudo conforme os requisitos! Qual não foi o meu espanto, quando dei conta de que o polícia empunhava na mão um bloco, no qual se aprestou a escrever, sem que previamente me tenha sido feita qualquer chamada de atenção!

Ora toma!

Se por um lado era a primeira vez, que conduzindo carro próprio, parava a uma ordem da polícia, por outro lado, estava farta de assistir a operações stop, quando viajava no carro de outras pessoas. O conhecimento de causa que detinha dizia-me, portanto, que algo de anormal se estava a passar. Um polícia não escreve num bloco sem mais nem menos!

Não tive outro remédio que não fosse perguntar ao senhor agente se havia algum problema. Respondeu-me que estava a proceder a uma pequena autuação. Mais uma vez tive de indagar de que autuação se tratava, uma vez que nada me foi dito, nem eu própria imaginava o que pudesse ser. Que era uma pequena autuação, por não trazer afixado na traseira do carro o dístico de noventa, também conhecido por ovo estrelado! Retorqui que tinha. Sim senhor! Se eu mesma o tinha colado!… Porém, continuou a escrever, ao mesmo tempo que me dizia que saísse do carro e fosse verificar com os meus próprios olhos. Na verdade, o dístico tinha desaparecido, em seu lugar restavam apenas alguns parcos resíduos de cola.

Conversei com o agente tentando fazer-lhe ver que, sendo autuada, estava a ser duplamente injustiçada. Primeiro, porque alguém, num acto de maldade, tinha arrancado o dístico, obrigando-me assim a comprar outro. Segundo, porque agora estava a ser alvo de uma acção que me iria penalizar ainda mais. Uma certeza havia – culpa  minha  não era, já que não tinha sido eu quem destruira o dístico, pois sabia que era necessário. Até me convinha, diga-se em bom abono da verdade! Convinha-me trazer o noventa bem à vista, para que todos  os condutores ficassem avisados e fugissem de perto de mim, vistas bem as coisas, sempre ficaria mais à larga para fazer os meus disparates! É que dizer a verdade não me incomoda, o contrário sim, incomoda-me, e muito!

Apesar dos meus bons e ajuizados argumentos, o polícia não esteve com meias medidas e vá de continuar a escrevinhar! Foi neste momento, que os meus verdes 19 anos de idade fizeram  uma das suas – disse-lhe que até  parecia que estava a multar-me com gosto!

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O que eu fui dizer, meu Deus!

Olhando-me nos olhos, proferiu todo um arrazoado, com o qual pretendia fazer-me ver que estava por demais habituado a ouvir discursos como o meu, e que eu até tinha sorte, por ainda não ter a carta de condução em meu poder mas sim uma guia, que por sua vez não poderia ser apreendida, caso contrário apreendia-ma imediatamente! Ainda assim fazia questão de dar parte do ocorrido à direcção Geral de Viação e aguardar a decisão tomada por este organismo!

Ao ouvir isto fiquei sem pinga de sangue! Era jovem mas não era tonta, sabia compreender que algo ali estava sobejamente errado. Em primeiro lugar porque como autoridade não lhe era lícito um comportamento tão deplorável – iniciar o preenchimento de uma multa sem me dizer “água vai”! Depois, toda a cantilena da apreensão da carta, num arremedo de  uma vingançazinha de trazer por casa! Estava  ciente de que não tinha só deveres, tinha também direitos, e neste caso, sabia que estava a ser tratada de uma forma indevida,  por alguém a quem, acima de tudo, temos o direito de exigir uma conduta exemplar! São  comportamentos como este que colocam mal toda uma classe profissional, pois não será esta a sua verdadeira missão! A “brincadeira” custou-me trezentos paus, a somar a  mais não sei quanto na compra de um novo dístico do noventa. Tudo isto sem ter feito qualquer mal a alguém! Já agora… O que fazia ali um polícia sozinho com a moto a tiracolo?

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DIA DA MÃE

Publicado por: Milu  :  Categoria: DIAS ESPECIAIS, Dia da Mãe

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3 DE MAIO

DIA DA MÃE

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DIA DO MEU ANIVERSÁRIO!

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Malvado Carocha!

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, Malvado Carocha!

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“Se não queres perder-te no esquecimento tão cedo como chega a morte, escreve coisas dignas de ler-se, ou faz coisas dignas de escrever-se.”

BENJAMIN FRANKLIN

A todos os meus queridos visitantes as minhas saudações! Por motivos profissionais, tenho andado um pouco ausente, mas não me esqueci de que prometi contar-vos outra das minhas histórias com aquele danado carocha!

A minha velha lata tinha uma particularidade que desde logo detestei. Bastava estar parado dois dias seguidos e logo o motor deixava de pegar. Num belo dia entrei no meu rodinhas para ir dar umas curvas, liguei a chave e ouvi um som que mais parecia uma engasgadela, e por ali ficou! Lá por causa disso não me atrapalhei! Para tudo existe remédio! Engatei a 2ª mudança, pisei a embraiagem, destravei o travão de mão e inundada de esperança que o motor pegasse, deixei descair a carripana estrada abaixo. Para minha infelicidade o motor  desta vez não pegou, o que me deixou aflita, já que a estrada estava prestes a atingir um ponto sem qualquer inclinação. Com o carro a soluçar de frustrados arranques seguia eu estrada fora, já a adivinhar o pior, quando me lembrei de que, imediatamente em frente e à direita, existia uma pequena ruela de acentuado declive que, aí sim, pensei comigo, teria o impulso necessário para vencer a resistência do casmurro motor.

Sabia que esta ladeira era bastante estreita, só não sabia quanto, recentemente tinha sido alvo de recentes beneficiações, pelo que confiante e decidida virei à direita, quando ouvi um estrondo! Sem mesmo saber o que tinha sido aquele estoiro desembolei como uma doida pela íngreme descida, pisando e levantando sucessivamente o pé da embraiagem, porém o carocha teimoso não tugiu nem mugiu! Para cúmulo do meu desespero dei-me conta que a rua estava a estreitar-se, até que, a parte mais à frente do carro ficou literalmente entalada entre dois muros de pedras. Quando vi o que tinha acontecido fui acometida por um súbito e violento afrontamento, desesperada abri a porta para inalar ar fresco, quase me dava uma coisa má!

carocha

Concluí, portanto, que tinha acabado de levar a cabo uma tremenda estupidez, que desta vez não atribuí tanto à minha azelhice, mas antes, aos inconvenientes de conduzir um carro velho, pois se não tivesse a bateria descarregada, nada disto teria acontecido. Saí do carro e procedi a uma avaliação da ocorrência. Se para a frente não havia grande viabilidade, para trás também não, porque estava impedida de pôr o motor a trabalhar. Ainda pensei de pedra a pedra desfazer um dos muros, para lograr espaço suficiente que me permitisse sair daquela enrascada, todavia, tal empresa afigurou-se-me uma tarefa algo ingrata, visto que o estreito canal se prolongava por mais de dois metros.

Espreitei ambos os lados do carro, havia que calcular de antemão, as inerentes dificuldades envolvidas nas futuras manobras na remoção do carro do tão inusitado aperto, quando vislumbrei que o guarda-lama direito traseiro estava um bom bocado metido para dentro,  afinal,  o estoiro que havia ouvido e que me tinha parecido um rebentamento, tinha sido fruto de uma cacetada num poste de electricidade, que se encontrava na esquina logo no início da pequena rua, devido a ter feito a curva demasiado fechada. Como se estava a aproximar o final do dia achei por bem deixar as coisas como estavam, e, decidi pedir ajuda a um amigo, que retirou a bateria para ser carregada na oficina. No dia seguinte, bastaria recolocar a bateria no seu lugar.

Depois de uma noite mal dormida, amargurada pela preocupação de saber a carripana naquele despropósito, na hora aprazada  lá fui ter ao local da vergonha, quando uns vizinhos se acercaram e me contaram que a “Cachucha”, uma personagem característica lá da terra, que como se sabe todos os lugares as têm, ao cair da noite, tinha descido a ladeira carregando à cabeça um desmesurado molho de lenha. Ao deparar-se com tão inesperado obstáculo, que a impediu de prosseguir no tão oportuno atalho que a levava a casa, havia desatado a proferir abundantes palavrões daqueles bem peludos e graúdos… e outros mimos! Chamou-me tudo, excepto mãe! Depois de aproveitar a embalagem da tão providencial ladeira, lá teve a desgraçada de fazer o percurso ao contrário, ou seja, subir num esforço redobrado a rua que mais parecia uma íngreme escarpa, com o pesado molho de lenha à cabeça.

Quedei-me a olhar para aquele triste cenário e fui levada pela força das circunstâncias a pôr a mão na consciência, considerei que a tal personagem até tinha razão! Era tudo tão ridículo! Só me apetecia atirar com o carro para uma ribanceira e assim livrar-me de uma vez por todas daquela fonte de vergonhas! Grande malvado!

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São amêndoas, Senhor!

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, São amêndoas, Senhor!

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“Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram.”

ALEXANDRE GRAHAM BELL

Hoje é dia de Páscoa e como não poderia deixar de ser apresto-me aqui para vos contar como foram as Páscoas da minha meninice. Foram pobres, o que me deixa muita pena – mas vergonha, nunca! Não tenho pruridos em revelar que descendo de uma família pobre, humilde e muito honesta. Exactamente o tipo de família que não interessa a ninguém! Mas disso não me incomodo – porque sou diferente – vejo o mundo com olhos de ver, e penso! Sobretudo, penso muito, e vejo! E o que vejo e percebo, meu Deus!

Naquele tempo costumávamos passar o Domingo de Páscoa na aldeia natal dos meus pais.  Alguns dias antes fazíamos a viagem num velho autocarro da carreira, carregados de bagagem, que não eram malas nem mochilas elegantes, não senhor! Eram seiras e invariavelmente uma saca de serapilheira cheia de tralha, provavelmente, só trapagem. Esta saca de serapilheira era uma companheira inseparável do meu pai. Para onde ele ia, ia a saca! Tínhamos campos na aldeia dos quais o meu pai se ocupava, a saca de serapilheira cheia que nem um ovo fazia-lhe as honras de mala de viagem! Lembro-me que o velho autocarro de tanto esforço resfolegava estrada fora, o que sempre me fez temer ter de fazer a pé alguma subida mais íngreme. Mas o que muito me incomodava eram os gases mortais que exalava pelos tubos de escape e sei lá por onde mais! Ficava sempre mal disposta, chegava à aldeola num estado deplorável. Mais para lá do que para cá!

Chegados à nossa minúscula casita, a primeira coisa que o meu pai fazia era acender uma brutal fogueira na nossa grande lareira, ele era assim, ou tudo ou nada. Fui acostumada a dois tipos de fogueiras. As do meu pai eram só labaredas, emitiam um tal calor que até nos fazia encolher a pele do rosto! As fogueiras da minha mãe só faziam fumo, e não aqueciam nada! Era o seu espírito de eterna poupança, neste caso era a poupa da lenha! Entretanto tratava-se do almoço e nós crianças por ali andávamos aos saltos, excitados pela novidade trazida na quebra da rotina.

Pela tarde, a minha mãe embrenhava-se com intenso fervor na limpeza da pequena casa. Só no dia seguinte e rente à noite, lograva descansar de tão árdua tarefa. Incansável, caiava, esfregava e encerava com tanto afinco que no Domingo de Páscoa toda a casa estava num brinco. No ar pairava o reconfortante cheirinho a limpo, a cera e a cal fresca. Escusado será dizer que o fazia sozinha, o meu pai tinha outros interesses e urgências…

No Domingo de Páscoa saíamos da cama na alvorada e depois de um banho vestíamos roupa nova! A nossa casa situava-se num extremo da aldeia, por isso era uma das primeiras a receber a visita pascal. Às oito horas da manhã a porta da entrada da nossa humilde casinha estava já escancarada, tal era a vontade de receber o Senhor! O padre iniciava a sua labuta bastante cedo, tinha de haver tempo para fazer a colheita, pois então! Às tantas lá víamos aparecer o pároco com as suas vestes inconfundíveis acompanhado pelo sacristão. Abeirava-se da porta e pedia licença para entrar, cumprimentava os meus pais que cheios de mesuras o guiavam até à sala, trocavam-se meia dúzia de considerações após as quais lhe era feito um gesto para que pegasse um envelope, que estava poisado num prato de boa e fina louça. Devo dizer-lhes que o envelope dedicado ao padre foi sempre uma coisa que me fez confusão! Ao lerem isto façam-me o favor de não pensarem que estou a armar-me em esperta! Eu lá sabia o que sentia! A seguir compreenderão porque me confundia dar dinheiro ao padre! Assim que o envelope desaparecia das nossas vistas era chegada, para nós crianças, a melhor parte da festa.

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O padre mergulhava a mão numa saca de pano e de lá trazia uma mão-cheia de confeitos que num gesto largo, tal como quem atira sementes à terra fértil, espalhava pelo chão recentemente encerado e que brilhava como um espelho. Sem mesmo esperar pela saída do padre logo eu e os meus dois irmãos iniciávamos um voo picado em direcção ao soalho na ânsia de arrebanharmos o mais que podíamos. Um de nós ficava sempre pior, porque outro tinha sido mais ágil, no fundo, é assim em tudo, para uns terem muito, outros há que ficam sem nada. A seguir o meu pai dava a cada um dos nós um pequeno pacotinho de 125 gramas daquelas amêndoas duras que hoje todos desprezam e porque não havia pacotes ainda mais pequenos, acredito bem! Era a tradição da família, foi estabelecido que era o meu pai quem nos dava as amêndoas. Olhava-o enquanto me estendia o pequeno pacotinho de amêndoas e percebia que isso lhe dava satisfação. Na sua ideia estava a fazer uma grande coisa! Sei que ele em criança nem isso teve, mas eu via outros a terem muito mais do que eu e essas diferenças intrigavam-me.

Também me revoltava ver a minha mãe comprar um pacote de amêndoas das foleiras, é certo, mas com 250 gramas, para oferecer a uma afilhada. Isto não me caía bem e costumava refilar, ao que ela contrapunha tentando fazer-me ver que era a sua obrigação, na medida em que era um hábito próprio das madrinhas. Todavia este argumento não me convencia e logo retorquia que a afilhada já era bem crescida, trabalhava, tinha ordenado, portanto, não precisava que lhe dessem amêndoas. No fundo considerava que a minha mãe estava a tirar da boca dos filhos para pôr noutras bocas e esta minha maneira de ver estendia-se ao envelope dado ao padre. Sabia que dali, da nossa casa, não levava grande coisa, a avaliar pelas “mãos agarradas” do meu pai… Se dentro do famigerado envelope fossem duas notas de Santo António já era muito, porém de uma coisa tinha a certeza, com quarenta escudos daria eu largas à minha gulodice e poderia ter comprado muitos pacotinhos de amêndoas, para encher a barriga.

Agora tenho amêndoas de várias qualidades, cores e sabores, ali num lindo pote de cristal decorado a prata, obra das artes vidreiras da Marinha Grande, mas nem lhes toco… Engordam muito! A vida é mesmo lixada…

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E o carocha a fazer das suas!

Publicado por: Milu  :  Categoria: E o carocha a..., FLAGRANTES DA VIDA

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“O que viveu mais não é aquele que viveu até uma idade avançada, mas aquele que mais sentiu na vida.”

JEAN-JACQUES ROUSSEAU

Hoje estou um bocado em baixo. Pela primeira vez o meu filho decidiu dar uma sacudidela à asa materna e embarcou  num avião rumo à Alemanha! Foi ter com a namorada! O que faz um jovem apaixonado! Se a estória que aqui vos conto lhes parecer triste, já sabem qual foi a causa. O meu estado de espírito não está no seu melhor…

Quero também desejar aos meus queridos visitantes uma boa Páscoa.

Ora aqui vai a continuação de um acontecimento da minha vida que me ficou guardado na memória por ter sido especial. Comprei o meu primeiro carro e com isso dei início a um extenso rol de vergonhas das quais fui vítima por não saber fazer marcha-atrás. Depois de sair da cidade de Tomar, a viagem com destino a Torres Novas onde, então, tinha a minha vida decorreu com bastante normalidade.  Exceptuando um ou outro solavanco causado pelos buracos na estrada, e dos quais à cautela nunca me desviei, não fosse o diabo tecê-las, ainda era muito cedo para me atrever nas artes da gincana! Assim que cheguei à cidade dirigi-me ao meu local de trabalho, virando para a  rua que lhe dava acesso e que se  encontrava-se parcialmente obstruída pelas obras de recuperação de um prédio antigo. A frente deste estava vedada por uma rede que se estendia para além de cerca de três quartos do pavimento da  estrada, deixando livre um estreito corredor que apenas permitia a passagem dos peões e motorizadas. Dentro do espaço vedado jazia toda uma parafernália de materiais e utensílios próprios da construção civil: montes de areia, a betoneira, diversos tipos de ferros, madeiras, pedras e uma grande quantidade de entulho que transbordava para além dos limites da vedação. Assim que cheguei ao meio da rua vi logo que estava metida numa alhada.

CARRO

O único espaço livre onde era possível o estacionamento e no qual tinha premeditado arrumar o carro, encontrava-se ocupado por um camião que se abastecia num armazém de grossistas que ali havia. Angustiada verifiquei que não havia qualquer possibilidade de deixar o carro estacionado lado a lado com o camião, pois além de impedir a sua posterior saída após o abastecimento, dificultava a passagem dos peões e das motorizadas. A única manobra possível e a qual se afigurava acertada era efectuar a marcha atrás, porém, isso nem pensar! Só de me imaginar aos ziguezagues fazia-me corar de vergonha! Pensei ir em busca de auxílio, alguém que se prestasse a tirar-me o carro dali para fora. Se bem o pensei assim o fiz! Antevendo uma saída airosa desta enrascada, desliguei a chave de ignição, tranquei as portas do carro e serenamente dirigi-me ao meu local de trabalho. Todavia as coisas não correram como havia preconizado, já que de momento não estava por ali ninguém habilitado para tal tarefa. Histérica e completamente fora de mim soltei um chorrilho de imprecações e amaldiçoei a minha triste sorte! Senti-me só e abandonada! Uma avalanche de infinita tristeza invadiu todo o meu ser! Afinal, todos me haviam virado as costas! Uns porque tiveram medo de morrer, e agora, outros, porque não se encontravam onde deviam estar,  quando tanto precisava deles. Sem saber como dar a volta à situação optei por voltar junto do carro, enquanto me esforçava para me lembrar de alguma solução. Foi quando vi os dois homens do camião, que de braços no ar gesticulavam desesperados, deambulando ora rua acima ora rua abaixo, indagando pelas imediações sobre quem teria sido o irresponsável que ali havia estacionado! Como não tive outra alternativa resolvi pegar o touro pelos cornos. Com o coração nas mãos avancei direito ao carro como um condenado em direcção ao cadafalso. Os homens, assim que me avistaram de chaves na mão, perceberam quem era a dona da carripana e acalmaram ligeiramente. Entrei no carro, pus o motor a trabalhar e olhei para o monte de entulho que transbordara por debaixo e à volta da rede, senti-me sem coragem para tomar essa via, porém, assim que me voltei para trás logo fui tomada de pânico! Tinha a certeza que se iniciasse a manobra de marcha-atrás, não me livraria de fazer uma figura deprimente e da qual dificilmente recuperaria. Antecipadamente via já todos a rirem-se do circo, que com a minha inépcia, ali estava prestes a montar! Não! Decididamente não iria fazer marcha-atrás, desse por onde desse! Olhei de novo para o monte de entulho que teria de lavrar, mas para a frente sempre é para a frente, avancei, portanto, direito ao monte de escombros e toca de abrir caminho por entre pedras, pedaços de cimento seco, tijolos partidos enfim, por cima de tudo, quanto por ali morava! Que se lixasse o fundo do carro, mas rirem-se de mim é que não!

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Entretanto virei-me para trás, para me certificar se já tinha libertado espaço suficiente para as manobras de saída do camião. O que vi fez-me corar até à raiz dos cabelos. Tomados pelo assombro, os homens,  de semblante muito sério olhavam-me boquiabertos. Não me foi difícil imaginar os pensamentos que lhes iriam naquelas cabecinhas e, dei por mim a pensar que, afinal, antes tivessem rido, sempre poderia ter alinhado e rido também.

No fundo, o que mais temia era que me considerassem uma naba ao volante!

Dias mais tarde, devido às obras de conservação de uma estrada, fui obrigada a fazer um desvio que  passava por entre um pequeno povoado. As ruas eram muito estreitas e com bastantes curvas apertadas. Calculem vós a minha aflição, quando subitamente vi surgir à minha frente um autocarro da carreira. E porque mais uma vez não tive outra alternativa, engatei a mudança e vá de fazer marcha atrás, num instante consegui fazer a proeza de atravessar o carro na estrada, de tal maneira que depois nem para a frente nem para trás! Foi o cobrador de bilhetes, que nesse tempo ainda os havia, quem saiu do autocarro e me foi dando indicações de como deveria fazer a manobra. Os passageiros, principalmente todos aqueles que se encontravam sentados nos bancos da frente, tiveram assim direito a ver  um divertido  espectáculo e sem pagar bilhete. Riam-se divertidos e disseram-me adeus enquanto o autocarro seguia marcha, o que me fez sentir ainda pior, porque  suspeitei  que me haviam considerado maluca. Lembro-me, que durante uns instantes, permaneci ali a tentar recuperar de tão grande vexame. Olhei-me no espelho retrovisor e quase desmaiei de susto. Estava vermelhíssima… de vergonha… e do esforço de virar o volante em seco.

A próxima estória é mesmo vergonhosa! Até lá…

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Um Danado de um Carocha!

Publicado por: Milu  :  Categoria: FLAGRANTES DA VIDA, Um danado de ...

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“Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos…”

WILLIAM SHAKESPEARE

Hoje estou outra vez com a porrada! Ainda não há muito tempo, sempre que estivesse com a pancada na “corneta”, pegava no chaço e toca de andar por aí às voltas na cidade, para trás e para a frente, a estorvar tudo e todos.  Às vezes fazia outras coisas, bem entendido! Agora que tenho o blog, venho para aqui dizer coisas. Vou, pois, contar aos meus queridos visitantes, uma parte da minha vida, que me é muito querida, porque me faz rir! Só por isso!

Assim que tirei a carta de condução, há cerca de 28 anos e nas condições que aqui já dei a entender, logo pensei comprar um carrito. Como o dinheiro não abundava, aliás nunca abundou cá para o meu lado, não tinha muito por onde escolher. Tinha de ser uma coisa à minha medida. Nunca fui muito de esquisitices, talvez porque não tive hipótese de o ser. Há que dizer a verdade… No fundo, o que eu queria mesmo era um carro, com rodas, porque de andar a pé estava eu farta, quantas vezes sujeita às intempéries, chuva, frio e vento. É muito duro!

Não me lembro como nem porquê, mas fui parar à Aral em Tomar, que na altura era representante oficial da marca Volkswagen, pelo menos. E fiz negócio! Pois fiz! Comprei um Volkswagen carocha, 80 contos, pintura nova a brilhar e todo testado. A conversa do costume. Paguei a pronto, facto este que me aliviou dos encargos com os custos das papeladas! Foi oferta. Eu cá sou assim! Foi decidido que no dia seguinte iria buscar a carripana. Como iria ser a primeira vez que me ia fazer à estrada, não me estava a agradar a ideia de ir sozinha. Andei a indagar por alguém que estivesse disposto  e disponível para me acompanhar naquele passo da minha vida, porém, ninguém quis arriscar a vida! Nem o meu irmão mais novo, que sempre me foi tão próximo! Não tive outro remédio que não fosse fazer peito às contingências e avançar sozinha!

Fui de autocarro expresso para Tomar e assim que me vi dentro do stand, onde ainda permanecia o carrito, senti-me encavacada, só por me imaginar dentro do carro a atravessar as portadas envidraçadas! Claro que podia ter pedido para alguém tirar o carro para fora do stand, mas nem disso me lembrei! Decididamente estava em dia não! Depois de pôr uma nota de 500 escudos para a gasolina, na mão do senhor que me atendeu, disse-lhe para me fazerem o favor de arrumarem o carro no parque privativo da Aral, porque já que estava em Tomar, queria aproveitar para visitar uns amigos, mais tarde trataria de o ir buscar. Muito delicado e atencioso o dito senhor aludiu, que estava tempo de chuva, porque não havia de levar já o carrinho, que já era meu, que evitava assim de andar a pé e porque torna e porque deixa. Porém eu estava irredutível! Há que Deus que tinha vergonha de sair do stand dentro do carro, atravessar a montra, para me  despejar estrada fora! No fundo, desejava discrição! Que ninguém me visse! Para não dizerem – olhem aquela! Comprou o carro agora! Tinha cá os meus pudores!…

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Entretanto andei pela cidade, sozinha que nem um cão. Quanto à referência aos amigos, mais não tinha sido do que uma mentira airosa para me raspar do stand sem a carreta. Entretanto já chovia. Uma chuva miudinha, daquela chuva que, embora parecendo que não, encharca uma pessoa toda. Fartei-me daquela peregrinação sem destino, e, vai daí, abriguei-me numa pastelaria, de onde podia avistar através da montra o malfadado stand! Ali estive, firme e estoicamente num exercício do mais puro masoquismo, a secar… a secar, até me fartar!! Agora já não se tratava de estar  sujeita à desagradável situação de sair do stand, dentro do carro. Pois que, pelas minhas previsões, este já se encontraria no parque. Agora estava-me a incomodar o rapaz que se encontrava na bomba de gasolina defronte do stand, propriedade do mesmo, suponho! Resumindo: Queria ser dali à socapa, sem que me visse, para poder asneirar à vontade  e sem testemunhas!

Pois bem, a páginas tantas enfastiei-me. Finalmente! Alguma vez tinha de ser, por isso levantei-me e avancei decidida… É agora ou nunca! Assim que entrei no parque e vi o carro, foi como se, me tivessem atirado para cima com uma baldada de água fria! O carro não se encontrava estacionado tal como tinha recomendado, isto é, arrumado de forma a não ser preciso recorrer à marcha-atrás! Sabia muito bem que não sabia fazer marcha-atrás em condições, mas também sabia que tinha muito tempo pela frente para aprender. Quedei-me ali uns instantes a estudar a manobra, a medir mentalmente os espaços e as distâncias -  primeiro viro para ali, depois viro para acolá. Entrementes entrei no carro e fiquei muito agradada, sensibilizada até, logo ali perdoei o descuido na arrumação do carro. No stand haviam-me recomendado a compra de uma almofadinha, dado o carro ser bastante fundo, de maneira a favorecer a visão, para conduzir e para efectuar as manobras, quanto mais não fosse. Pois ali se encontrava uma bonita almofada em napa vermelha! Sim senhor! Bonito gesto, pensei! Lancei mão ao porta-luvas, onde esperava encontrar a outra chave que tinha ficado em poder do stand, para que pudessem arrumar o carro no parque. Eis que o meu cérebro deu um nó! O conteúdo do porta-luvas despertou-me para uma situação que ainda não me ocorrera… Olho em redor! O que vejo? Vários outros carros exactamente iguais ao meu, da mesma cor e tudo! Foi quando me adveio a ideia de verificar, se o carro dentro do qual me encontrava, era efectivamente o meu!

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Foi assim que aprendi a procurar o meu carro, pela marca, pela cor e… pela matrícula! Bastante fácil, dado que as letras eram GF, que por brincadeira logo alguém me sugeriu a designação – Guarda-fiscal. De imediato e enquanto o diabo esfrega um olho fugi dali sem mesmo fechar a porta do carro, desatei à procura do meu que, afinal, se encontrava ali bem próximo, mesmo a jeitinho de sair e sem ser preciso fazer marcha–atrás, nem nada.  Vermelha que nem um tomate, abafava de tanto calor e de tantas emoções para um dia só! Entrei no carro, liguei a ignição e com toda a alma desapareci dali. Meti-me na estrada com uma pirisca que até ia doida! Só descansei quando vi o stand pelas costas! E fui seguindo, pela estrada fora, direita que nem um fuso, sem me desviar dos buracos nem de nada! Era cada porrada mais seca! Fosse um carro destes de agora e ainda tinha ficado outra vez a pé! Parecia eu que fugia do demónio!

Assim que cheguei ao meu destino dei outra barraca! Fica para a próxima!

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A verdade nas mentiras!

Publicado por: Milu  :  Categoria: A verdade nas mentiras!, FLAGRANTES DA VIDA

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Tal como havia prometido, é chegado o dia de revelar aos meus e minhas prezados/as e distintíssimos/as visitantes, qual das minhas nove afirmações obedecem a um perfil menos verdadeiro. Que raio de circunvalação que para aqui fiz, quando, afinal, bastaria utilizar o vocábulo mentira. Bem, agora, meus senhores e minhas senhoras, verão com os vossos próprios olhos, como de um momento para o outro, lhes foi possível ver, saltar disparadas e à toa, algumas partículas do verniz que tão bem tem adornado a minha figura, digo eu! Algumas declarações, que  irei fazer, vão ser, se vistas bem as coisas, autênticas revelações do meu carácter! Mas quem diz a verdade não merece castigo! É que… Pronto, aqui vai -  tenho um grande porradão na mona, isto é, de vez em quando parece que me saltam os parafusos! Mas, se eu assim não fosse, há muito que teria dado o berro, teria de certeza, sucumbido perante certas agruras que é  bem melhor esquecer. A verdade é que  sinto gozo em rir de mim mesma, fazendo pouco das minhas misérias, seja por isso, ou não, o certo é que tem servido para equilibrar o sistema, isto é, vou andando, uns dias melhor outros dias nem tanto! Mau, já estou a divagar demais… Vamos ao fulcro da questão, que se faz tarde!

♣ – Adoro cinema.

Esta afirmação não poderia ser mais falsa! Sou uma daquelas pessoas que sofrem horrores quando assistem a cenas de violência e para mais gratuitas. Sempre que cá em casa, me predisponho a assistir a um filme,  é costume fazer à minha conta  outro filme, com o meu estalhardaço. Perante cenas de requintada violência e pura maldade, desespero, aflita ponho-me a tecer conjecturas, mordo as unhas, escondo a cabeça nas almofadas do sofá, levanto-me e saio da sala e só torno a voltar, após me ter sido garantido que a fatídica cena que me horripilou já terá acabado. Enfim, faz-me sofrer, sinto o peito oprimido e o coração aos saltos. Tomei uma decisão drástica – praticamente não vejo filmes. Admiro sinceramente determinadas pessoas que parecem saber tudo sobre cinema. Elas sabem imenso sobre todos os filmes bem sucedidos, quem foram os realizadores, actores, factos acontecidos durante as filmagens, enfim, autênticos e distintos detentores de cultura cinéfila, facto que as torna bastante interessantes. Com muita pena minha assumo que , neste aspecto, sou uma completa analfabeta!

♣ – Há uns anos tive um prémio no joker. Quando vi que tinha os últimos 5 algarismos  e, portanto, um prémio de 500 contos fiquei cheia de raiva!

Esta afirmação é verdadeira. Foi há uns bons anos, ainda a nossa moeda era em escudos. Primeiro vi que tinha os dois últimos algarismos, sucessivamente fui vendo os números um a um. Parei quando verifiquei que tinha os cinco últimos algarismos, logo, um prémio no valor de 500 contos. Fiquei bem-disposta mas foi sol de pouca dura! De repente dei em imaginar que só por um número não havia ganho o prémio de 5000 contos, e, então sim, outro galo cantaria! Dava para comprar um carrito novo, a estrear, e ainda me sobrava outro tanto para me acudir nas horas más! Sim! Porque sou uma pessoa simples e um boguinhas de 2500 contos era o suficiente para fazer as minhas delícias. Mas quis Deus que assim não fosse! Tive de continuar a arrastar-me com o meu desgraçado chaço, pois que não tinha outro remédio! Melhores dias virão! Foi o que pensei,  mal resignada!

♣ – Em cerca de 28 anos de condução  nunca mudei um pneu furado. Que remédio tem o desgraçado do carro senão ir  mesmo assim  até à próxima localidade! Ou então fico ali parada, à espera de uma santa vinda.

Verdade. Agora é tudo muito fino! Um furito e toca a puxar do sofisticado telemóvel 3G e lá vem a tão prestável assistência em viagem! Mas eu não me referia aos tempos de agora, referia-me ao antigamente,  nos tempos em que muitos de nós tínhamos um carro velho e de pneus recauchutados. A este respeito fui sempre uma infeliz, fartava-me de ter furos. Uma vez a caminho da praia da Nazaré, a altas horas da madrugada e com o carro cheio de malucas tive dois furos, tive até de comprar um pneu, pelo sim pelo não! A única vez que tentei mudar um pneu, como não conseguia desapertar as porcas ou lá o que aquilo é, coloquei-me em cima da chave, para com o meu peso obrigar o material a ceder. Valeu-me de grande coisa! Não aconteceu nada e ali estive, aos saltinhos empoleirada na chave, parecia um pintassilgo! Piu, piu!

Valeram-me três rapazes que ao verem-me naqueles propósitos, pararam o carro e mudaram o pneu, enquanto me escangalhava a rir com as graçolas de um e de outro! Vida! Foi sempre assim, e os furos foram muitos, pudera, com pneus recauchutados! Ainda me lembro, de naquela altura, volta e meia ver na estrada, um ou outro rastro de pneu largado por algum camião.

♣ – Sempre que vou à praia farto-me de nadar no mar.

Bem, esta aqui é a mentira mais descarada que alguma vez me veio à ideia! Nem sequer sei nadar! Praia, para mim, é só para o bronze, mais nada, nem sequer chego a molhar as pontas dos dedos dos pés! Quanto a mim, os banhos são para tomar confortavelmente em casa, quentinhos e bem cheirosos!

♣ -  Não gosto e por isso nunca uso perfumes.

Uiii! Outra mentira descabelada! Se eu adoro perfumes! Não saio de casa sem um borrifo! Já me aconteceu ter-me esquecido e senti uma sensação desagradável! Era como se estivesse nua! Já agora aproveito para dizer que, na minha opinião, um homem perfumado é outro homem! Mais apetecível, diria! Mas o que é que estou para aqui a dizer? Deve ter sido de uma pancada na cabeça que ontem dei num armário!

♣ – Lembro-me do nascimento do meu irmão mais novo, tinha eu 4 anos. Deu-me para fazer  uma birra encarniçada e ainda me lembro do porquê.

Verdade! Levaram-me para o quarto onde nasceu o meu irmão, olhei para a fralda que alguém acabara de mudar e reparo com espanto, que estava toda borrada, de uma porcaria que a mim me parecia de cor preta! Manifestei a minha admiração, perguntando porque é que o meu mano tinha cocó preto. Responderam-me que era assim, por causa das bolachas que ele tinha vindo a comer no avião.

Bolachas?!

Bolachas?! Perguntei – Então e ele comeu-as todas? Mas eu também quero dessas bolachas!

O que eu mais lamento caros amigos e amigas é que ninguém, absolutamente ninguém se apercebeu do conflito que em mim se gerou! Ainda hoje, quando me lembro disto, sinto uma falta, indefinida é certo,  mas sinto, é como se, me faltasse algo importante e necessário para me completar. Porque não houve ali uma alma sensível? Se não as havia, que as fossem comprar, umas quaisquer bolachas, quaisquer umas teriam servido para mitigar aquela minha fome de gulodice que, se calhar, não era só de bolachas mas de carinho e atenção! Só me lembro que fiz um berreiro infernal, em vão!

♣ – De vez em quando dá-me na cachimónia e ando uma série de dias, (muitos) a comer a mesma coisa, isto é, sem variar.

Esta afirmação é verdadeira e parece-me que fez alguma confusão aos meus caros amigos! Como qualquer pessoa gosto de comer coisas boas, mas tenho fases! Por puro comodismo sou capaz de comer coisas sem graça nenhuma, só para não me ralar, para não ter trabalho, é o que é! Em minha casa somos apenas dois, eu e o meu filho, tive a sorte deste menino ter nascido com uma boca abençoada. Tudo lhe sabe bem! Não é nada niquento este filhote! Andei uma altura, dias seguidos, a comer frango assado, desfiava-o para uma baguete, adicionava-lhe uns esguichos de maionese, mostarda,  ketchup e alface,  para ajudar no caminho pela garganta abaixo, uma bejeca, fresquinha, a saltar! Ahhh! Só deixámos de comer frango assado porque o meu filho se queixou, que já não lhe sabia a nada! Que era como se estivesse a comer um punhado de palha! Há pouco tempo tivemos a fase das tostas e dos batidos. Mas nem sempre nem nunca! Também tenho temporadas de elaborar requintados repastos. O meu filho, então, durante essas refeições, não se poupa em elogios! –  Parabéns mãe, isto está muito bom, tens de fazer mais vezes! Chego com isso a ficar admirada e bastante sensibilizada, porque sei com certeza que nunca foi coisa que tenha dito à minha mãe!

♣ – No meu exame de condução ao fazer marcha-atrás fi-la tão torta, que consegui atravessar o carro na estrada. Passei à primeira.

Esta afirmação também é verdadeira. A marcha-atrás a que me refiro não constou de uma manobra de arrumação do carro. Foi mesmo uma marcha atrás numa rua e ao longo de um passeio! Entortei o carro todo! O examinador mandou-me parar, olhou-me e perguntou-me se eu não sabia fazer uma marcha atrás direita. Disse-lhe simplesmente  a verdade, que não, que não sabia! Não aprendi como devia ser porque refilava sempre que o instrutor, tal manobra me ordenava. Andar para trás! Ora , eu estava a tirar a carta para andar, mas para a frente! Que coisa! Bem, a verdade é que passei no exame mesmo assim. E não ia vestida de mini-saia,  não senhor, tal como brejeiramente, alguns amigos chegaram a aventar! Muito pelo contrário, lembro-me que levei vestida uma saia comprida de malha, bem confortável, que muito mais tarde, alguém me chamou a atenção, para o facto de que com essa saia eu parecer um saco de batatas! O que me terá valido, no meu exame terá sido, apenas e tão-só a minha espontaneidade e franqueza! Muita! Já agora devo dizer que antigamente não havia a confusão de trânsito que há agora. O meu castigo foram as vergonhas que sofri, mais tarde, sempre que me era  necessário fazer marcha-atrás!

♣ – Numa manhã de praia estive acompanhada por dois enormes sardões, que por ali andaram de roda de mim numa boa.

Finalmente a última verdade. Há uns anos, no início do Verão, numa destas praias meio selvagens, nas franjas de São Pedro de Muel, estava esta menina, toda encantada, a tomar banhos de sol, a ouvir o murmurar do mar, envolvida em deliciosos pensamentos proporcionados por uma tão agradável e dengosa mornidão. Ás tantas, quando me encontrava deitada de barriga sobre a toalha, dei em sentir umas leves impressões nas pernas. De vez em quanto, fazia o gesto de levantar as pernas para enxotar aquilo que julgava serem moscas. Quando estou assim, na praia, fico toda mole, não me apetece fazer nada! Nem levantar-me! Não suspeitei de nada, visto que  me encontrava perto de uma zona de matos e carrascos, onde  é normal sentir o esvoaçar de moscas e até de assustadores zangões. E assim estive, sei lá, quanto tempo. De repente, senti algo muito leve, que me atravessou as pernas de um lado a outro!

Alto! O que é isto? Pensei! Voltando-me para o lado direito, soergui-me um pouco. O que vi, por pouco não me prostrava fulminada! Um grande sardão, de cor acastanhada, talvez devido a uma natural adaptação ao habitat, permanecia imóvel e de cabeça erguida, perto dos meus joelhos. Rápida, levantei-me de um salto e como me senti algo desprotegida, por que estava a fazer o meu toplessezito, enrolei-me à toalha, transida de medo! Nisto, sinto uma coisa a desprender-se da toalha – Oh meu Deus, outro enorme sardão ainda maior que o primeiro jazia ali mesmo aos meus pés! Entrei em estado de choque, literalmente! Os meus dentes batiam uns nos outros como poderosas castanholas! Fiquei incapaz de articular um mínimo som que fosse! Olhava, pasmada e confusa, para aqueles horripilantes bichos, tentando desesperadamente arrumar o meu cérebro, para melhor compreender a insólita sucessão de acontecimentos que ali estavam a ter lugar. Avisto um grupo de quatro rapazes, que do local se aproximavam, com os queixos numa frenética tremedeira, atirei um grito, que mais parecia o som de um  grunhido vindo do fundo de uma caverna, e, completamente fora de mim apontei para os bichos. Incrédulos, quedaram-se a olhar para aquele jardim zoológico, que ali estava! Um dos moços, pegou num pauzito  e ali andou a calcar um deles,  porém a investida não deu grande resultado, já que a areia cedia, até que o bicho despertou e atirou-se duna fora, numa correria desenfreada! Parecia um dragão, com aquela cabeça ao alto! Os rapazes, tão estupefactos quanto eu, revistaram-me o saco de praia, indagando se por ali estava mais algum  bicharoco, alvitraram se teria sido a presença de algum alimento que tivesse atraído os répteis. Mas alimentos, está quieto ó mau! E logo em tempo de praia, numa época em que proliferam  as draconianas dietas! Disseram-me  para me deslocar para mais próximo da beira-mar, convencendo-me que assim, estaria mais a salvo de semelhantes desaires. Assim fiz, de vez em quando via-os, a eles,  rapazes, que se encontravam um pouco mais afastados, a olharem para mim e a comentar entre si. Que diriam?

Não faço a menor ideia se durante o tempo em que estive rodeada pelos sardões, alguém por ali terá passado! Se de facto isso aconteceu, devem de ter pensado que  era uma maluca  que tinha levado as iguanas para a praia!

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Estou-me nas Tintas para os Homens Bonitos

Publicado por: Milu  :  Categoria: Estou-me nas Tintas..., LIVROS

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Estou-me nas Tintas para os Homens Bonitos

De

Tina Grube

Tina Grube nasceu na Alemanha em 1962. No seu palmarés literário constam pelo menos as seguintes obras: Irmãs Inseparáveis, Não me olhes nos Olhos, Precisa-se de Homem Nu, Os homens são como Chocolate e  “Estou-me nas Tintas para os Homens Bonitos“. Apenas li este último e por isso os meus comentários vão depender das ilações que dele me foi possível retirar. Pelo que me foi dado intuir, o tipo de escrita e a fonte inspiradora desta autora, insere-se num alinhamento literário muito em voga nos tempos actuais – a Literatura Light. Esta pode ser caracterizada como um tipo de literatura que usa e abusa de um estilo leve, superficial e desempoeirado, num contexto que marina, sobretudo, no âmbito das mundanidades e principalmente destinado ao público feminino. Peço perdão a quem, eventualmente, se sinta incomodado com estas minhas declarações, mas, não consigo imaginar um mancebo a sentir qualquer espécie de gozo ao ler estas frivolidades, porque são de autênticas e puras frivolidades que aqui se tratam!

Este género literário tem sido, de certa forma, subestimado e sobejamente considerado inferior, porém, pela parte que me toca, não estou de acordo, antes penso, isso sim, que se trata de um género diferente e que perfaz os ideais das actuais jovens mulheres. Senão vejamos:

belas

A heroína nestas histórias é sempre uma mulher bonita e interessante, mau grado costuma ter uma acentuada tendência para engordar, espatifa, por isso mesmo, mais dinheiro do que seria razoável,  em toda uma vasta panóplia de produtos dietéticos e de baixos índices calóricos, quase sempre sem resultados satisfatórios, já que é frequentemente acometida por ímpetos de bulimia. Tem um emprego absorvente que se destaca, principalmente, por envolver uma considerável vertente na área da criatividade. Vive sozinha, num pequeno apartamento onde costuma receber a reconfortante companhia de duas ou três amigas, muito chegadas e com as quais costuma conspirar. Como se isto  não fosse já o suficiente, tem a sorte de ter uma retaguarda protegida, isto é, pode sempre contar com a incondicional presença  dos pais que à menor coisinha e ao primeiro ai, acorrem dispostos a tudo, para arrancar a tão querida filha das garras do infortúnio! No fundo, um cenário onde tudo é muito bonito, onde a vida se leva com uma perna às costas e perfeito para dar largas ao que mais espevita as virtudes  das mulheres – os Homens! Estes, então, são sempre umas belas estampas de machos! Altos e espadaúdos,  donos de um impressionante porte atlético, sorrisos perigosamente  sedutores e o mais importante – nunca são pobres,  porque que se fossem,  deixavam de ter graça!

elas

Falando sério, este não é bem o meu estilo de leitura, não perfaz em nada a minha forma de conceber o mundo, porém e embora, a minha personalidade corresponda muito mais, àquele tipo de pessoas que vive a vida com os pés bem assentes no chão que pisa, a verdade, é que uma vez por outra sinto necessidade, como qualquer vulgar ser humano, de atirar para detrás das costas os problemas e afugentar, ao menos por uns fugazes momentos, a triste realidade. Sendo assim, penso que os pergaminhos não me cairão na lama, se, de quando em vez, passar os olhos por um ou outro livro deste género! Quando digo passar os olhos é disso mesmo que se trata, pois estes livros são para ler de uma assentada,  já que não obrigam a prodigiosos pensamentos ou raciocínios.

Linda Lano é uma competente profissional no ramo da publicidade, que desempenha as suas funções numa empresa cujo método na organização do trabalho, a submete a uma carga excessiva de responsabilidades, situação que, ao longo do tempo, se tornou um fardo demasiado pesado para Linda. Nos últimos tempos, deu por si algumas vezes acometida por acessos de confusão mental, facto que a assustou verdadeiramente, por temer estar a ser vítima de algum esgotamento. Decidida por uma vez, a enfrentar fossem quais fossem as dificuldades que daí adviessem demite-se sem, no entanto, deixar de sentir alguma apreensão, receava, tal como qualquer outra pessoa, vir a sofrer as agruras  impostas pelo tão temível fantasma do desemprego. Todavia os seus receios foram infundados, já que Jo, um profissional na carreira da fotografia a surpreende, ao demonstrar  vontade em contratá-la como sua manager. Cargo que proporciona a Linda a possibilidade de viajar e, também, de conhecer belos homens  do mundo da moda, logo,  verdadeiros ícones de beleza, como não podia deixar de ser! No desempenho das suas funções Linda vem a conhecer Pierre, um homem que de tão belo e dotado de artes sedutoras virá a exercer um fascínio irresistível sobre si, e com o qual, por uma unha negra, não chegou a vias de facto e assim trair Mike, o amor da sua vida! Este,  se tão depressa não se põe a pau, ainda tinha a triste e amarga surpresa de dar consigo fora da corrida…

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