A cegueira do intelecto

Publicado por: Milu  :  Categoria: A cegueira do intelecto, PARA PENSAR

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“Não é o cérebro que mais importa, mas sim o que o orienta: o carácter, o coração, a generosidade, as ideias progressivas.”

Fiodor Dostoievski

 

“O intelecto é humano. (…). Todas as nossas ciências, todos os nossos negócios, todas as nossas profissões, tudo o que se vai fazendo no mundo – a nossa política, a nossa religião, a nossa filosofia -, tudo isso se baseia no intelecto. O intelecto é humano.

(…)

Paddy e Sean estão sentados diante do bordel local em Dublin, conversando sobre as virtudes da fé católica. De repente, Giden Greenberg, o rabino local, aproxima-se da porta do bordel, olha para a esquerda e para a direita e, apressado, sobe a escada. «Tu viste aquilo?», diz Paddy, com uma gargalhada. «Estou muito contente por ser católico».

Dez minutos mais tarde, o pastor anglicano aproxima-se da porta, olha rapidamente à sua volta e, depois, precipita-se escada acima. «Outro hipócrita», diz Paddy rindo-se. «Graças a Deus que sou católico».

Alguns minutos depois, Sean dá uma cotovelada a Paddy e diz-lhe: «Olha ali, homem! O Padre O’ Murphy está a vir para cá».

Os dois homens olham espantados e em silêncio, enquanto o padre católico desaparece pela escada do bordel. Subitamente, Paddy levanta-se de um salto, benze-se e grita para Sean: «Então, não há respeito? Levanta-te e tira o chapéu! Deve ter morrido alguém naquela casa!»

O intelecto vive no meio de preconceitos; nunca é justo. Pela sua própria natureza não o pode ser, porque não possui experiência. O instinto é sempre justo e mostra-lhe precisamente o caminho natural, o caminho tranquilo e o caminho que o Universo segue. Mas, estranhamente, o instinto tem sido sempre condenado por todas as religiões e o intelecto tem sido enaltecido. 

É evidente que, se toda a gente seguir o instinto, não será precisa nenhuma religião, não será preciso nenhum Deus, não será preciso nenhum padre. Os animais não precisam de Deus e são perfeitamente felizes – não vejo que Deus lhe faça falta. Nem um só animal, nem uma só árvore, sente a falta de Deus. Todos eles gozam a vida na sua mais completa beleza e simplicidade, sem qualquer medo do Inferno nem qualquer avidez pelo Céu, sem quaisquer diferenças filosóficas. Não há leões católicos, não há leões protestantes ou hindus. 

Toda a existência deve estar a rir-se do homem, daquilo que aconteceu aos seres humanos. Se os animais podem viver sem religiões e sem igrejas, sem mesquitas e sem templos, porque motivo o homem não pode? Os animais nunca fazem guerras religiosas; nem as árvores. Mas o leitor é muçulmano e eu sou hindu e nós não podemos coexistir – ou o leitor se converte à minha religião ou então esteja preparado; mandá-lo-ei para o céu a grande velocidade!”

 

Bibliografia

 

OSHO. (2013). Intuição. Conhecer para além da lógica. Bertrand Editora. Lisboa. pp. 20-21.