Estados de alma

Publicado por: Milu  :  Categoria: Estados de alma, FLAGRANTES DA VIDA

“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.”

GHANDI

Quando no ano passado em Agosto, portanto, há um ano, decidi ter o meu blog, que foi criado pelo meu filho, com o especial intuito de me proporcionar uma forma de afirmar a minha presença, neste maravilhoso mundo da tecnologia, estava bem longe de imaginar quão gratos me seriam alguns momentos que aqui tenho vivenciado, seja enquanto escrevo relatando as minhas recordações, que apesar da inexorável passagem do tempo teimam em permanecer vivas dentro de mim, seja quando recebo comentários, que me fazem inchar de orgulho, por assim poder constatar, que essas minhas histórias são lidas e sentidas, principalmente sentidas! Saber, que essas pessoas que não conheço, porque as nunca vi, me concederam a graça de uns instantes das suas vidas, elaborando e dirigindo-me um simpático comentário, deixa-me profundamente comovida e até me faz pensar que, afinal, tudo o que vivi, até o menos bom, valeu a pena. Porque se assim não tivesse sido, provavelmente hoje não seria a pessoa que sou. E a verdade é que eu gosto de mim. Ah, como eu me dou tão bem comigo!

Por vezes, ao ler os meus escritos, uma dúvida me aflora o espírito, que me deixa um nadinha inquieta. E, nesses momentos, em que a incerteza me invade, penso: Será que faço bem em narrar as peripécias da minha infância, desta forma tão sincera, tão desprovida  do menor  resquício que seja de vaidade? Sim! Estes meus receios, ainda que infundados, não deixam, ainda assim, de serem pertinentes…Porque, no fundo, a todo o momento, mais não faço do que revelar que a minha infância foi a de uma menina pobre. Foi, portanto, a infância que me foi possível, dado as minhas origens humildes. Num assomo de clarividência e de bom senso, enxoto instintivamente estes, que julgo serem vis pensamentos, que me deixam algo envergonhada, porque me fazem reconhecer, que apesar de todas as lições de vida, ainda não aprendi tanto quanto seria de desejar e que continuo a ser tão fraca e tão vacilante como qualquer ser humano, perante o que nos devia ser imensamente supérfluo – a vaidade. E o que é que apazigua o meu espírito e me faz  escorraçar de dentro de mim  esses desconfortáveis laivos de estúpida vaidade? É o encantamento que sinto, sempre que me é dado ler as  pessoas, que considero geniais, porque  foram capazes de fazer obra, que os distinguiu do comum mortal, mas que, ainda assim, não sentem qualquer pejo ou receio, que os pergaminhos lhe caiam na lama, ao contar quanto humilde é a sua origem.

José Saramago é uma dessas pessoas! É alguém que considero excepcional quanto mais não seja pelo seu sentir tão singular que lhe permitiu criar algumas inolvidáveis  personagens, que constam da sua obra!  Tenho observado, que as suas tendências políticas ou algumas das suas posições não foram do eventual agrado de algumas excelsas personalidades, mas quero lá saber disso, não sou Deus, por isso não me é dado o direito de julgar quem quer que seja. Até porque eu disse que José Saramago é excepcional, e não disse que ele é perfeito.

Mas uma coisa é certa, ler a história da infância de Saramago comove-me até ao âmago da minha alma. É que nem todos são capazes de tanta e tamanha humildade, como quando nos diz, que os avós dormiam com os porcos! E assim sobreviviam todos – as pessoas e os animais! Em contraponto ao que acabo de afirmar, não posso deixar de aproveitar o ensejo, para aqui, confessar, que sinto um indomável desprezo, sempre que visito lugares onde os seus autores se esforçam continuamente para darem a entender a quem os visita, que são gente de casta superior. A fina flor, por assim dizer! Confesso que por vezes me interessa lê-las, porque, ao assim fazer, estou também a aprender. Interessa-me, mesmo assim, poder observar até onde vai a miséria humana. Vistas bem as coisas, de superior não têm nada, é que um ser educado de uma forma irrepreensível, superior, portanto, sabe que há coisas que por decoro se devem calar.

Fazem-me lembrar de um caso que soube recentemente. Há alguém na minha família que anda com intenções de levar a cabo as diligências necessárias, para poder acrescentar ao nome do elemento mais novo da família o apelido de um actual ministro, que ainda é meu primo, já um tanto afastado, logo mais afastado ainda do inocente ser! Mas o que vem a ser isto? Vejam só a leviandade! Imagine-se a vaidade que vai na cabeça destes adultos, para assim pensarem e assim fazerem! Mas ainda bem que na vida tudo tem o seu contrário, pois, também há aqueles, que amam a verdade. Não sei porque  vim  hoje para aqui com esta conversa toda. Ou talvez saiba… Nesta semana aconteceram-me coisas que me fizeram pensar, e, como se isso já não bastasse, ando a ler um livro espectacular, que conta a história de vida do escritor Lev Tolstói que de tão magnífico, me não deixou dormir esta noite… Foi o que foi! E agora estou rabugenta!

Quando principiei a escrita deste post, queria tão-só elaborar um pequeno texto, no qual pretendia agradecer a dois dos meus visitantes que, para além de me lerem, costumam deixar os seus comentários e que me acompanham, desde que iniciei os meus primeiros e trémulos passos na blogosfera. Mas vejam só no que isto foi dar. Vê-se mesmo que tenho estado de férias! Mas a verdade é que não estou na disposição de apagar nada do que disse. Fica assim, portanto!

É minha intenção  fazer posts com comentários de todos os meus visitantes, cada um a seu tempo, assim me sinta inspirada por uma frase ou qualquer palavra que me possa ter tocado mais fundo. Habituei-me  à sua presença constante e à atenção que me dedicam , estou-lhes por isso  agradecida !

Para ti Raul, que tens mostrado a mim e a quem te visita, que é com coragem que se enfrenta a vida, o meu sincero reconhecimento,  pelos momentos e criatividade que me concedeste, principalmente, quando pensaste e escreveste este delicioso comentário! Daqui mesmo, te endereço, os meus votos de que recuperes rapidamente.

E a ti,  flordeliz, também o meu sincero agradecimento pelo teu tão espirituoso comentário, que bem  reflectiu o quanto me compreendes…

O Bruno Nogueira que se cuide!… 😀

Estive ausente por uns dias
deixando por aqui passar
voltei e constato alegrias
de quem gosta de escrevinhar

Fazendo-o com muita mestria
e com uma notável inspiração
nem sempre presente no dia a dia
mas quando escreve é com paixão

Porque gosta do que faz
e isso já nos revelou
as opiniões tanto lhe faz
quem não gostar não gostou

Com um abraço do
Raul

http://jodoas.wordpress.com/

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Estava ali a dar na TV o Bruno Nogueira a dizer umas graçolas e eu, deixei de o escutar e ri-me até às lágrimas com os “gritos” das pobres galinhas indefesas nas mãos de uma miúda “mafarrica”.

O sofrimento dos bichos não dá graça, mas a brincadeira essa sim devia ser uma verdadeira azáfama e canseira levada com afinco e dedicação.

Doidas, doidas andavam as galinhas

Cacarejando nervosas pela capoeira

Querendo afastar a pequena enfermeira

Não achando graça lá para a brincadeira


Até mesmo a dona ficou sem saber

Porque as galinhas não queriam comer

Aparecendo pintadas e de rabo a tremer


E a Milúzinha ficou bem caladinha

Para não ser descoberta pela sua vizinha


Quase que comeu do remédio que aplicou

Acabou por ter sorte porque não lhe calhou


Como alguém disse atrás: “Tu eras fresca!…”

Eu não era tão aventureira mas assisti a algo parecido. Um dia conto.

Boas férias

http://almaamargurada.blogs.sapo.pt/


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