Acordes de um velho amigo

Publicado por: Milu  :  Categoria: Acordes de um velho..., FLAGRANTES DA VIDA

“Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.”

FRIEDRICH NIETZSCHE

Ao ler os textos dos blogs que visito regularmente e conforme o seu conteúdo, acontece-me amiudadas vezes lembrar-me de uma ou outra situação decorrida na minha vida, que devido a uma qualquer razão misteriosa, jazia entorpecida nos confins da minha memória. Um dia destes, na visita que fiz a um blog, veio-me à ideia um amigo de outrora, daqueles  tempos da minha venturosa juventude. Por vezes, nos meus raros momentos de introspecção, subitamente despoletados por vagas e ocasionais reminiscências, não consigo evitar de me sentir avassalada por um profundo sentimento de nostalgia… Tanta coisa que na minha vida ficou pelo caminho… Amigos, sonhos, convicções e até a faculdade de acreditar. E porque ainda é Natal, achei por bem contar esta história, visto que esta quadra, quer queiramos quer não, propicia em grande medida a que nos deixemos embalar pelo sentimento da saudade, de todos aqueles que um dia fizeram parte das nossas vidas.

Uma vez, o meu saudoso amigo, numa das nossas tertúlias, em que empolgados trocávamos impressões acerca dos livros que recentemente havíamos lido, aqui e ali, intercaladas de acesas achegas sobre os mais diversos assuntos, saiu-se com uma das dele, que me fez rir gostosamente!

Contou-me, então, que um ex-colega, com o qual em tempos havia estudado tinha escrito um livro, no qual se tinha comprazido a dizer mal de todos os colegas do seu percurso académico. Dominado pela curiosidade, esse meu amigo logo tratou de prospectar a tão inusitada obra que, de certa forma, lhe estava a provocar alguma inquietação. Atitude que não deixa de ser compreensível, mal dos nós se algum dos nossos colegas se lembrar de seguir este exemplo!

Já a metade da leitura do maledicente livro tinha sido vastamente ultrapassada quando o meu amigo deu por si a ficar algo agitado.  Temia que  nada ali constasse acerca da sua pessoa!  Se tal acontecesse, significaria que fora esquecido! E, desgraçadamente, ser esquecido é a mesma coisa que ser objecto da total indiferença.  Afinal, bem pior do que dizerem dele a maior blasfémia.

Sentindo-se mais pequeno do que uma pulga e com o amor-próprio bastante amarfanhado, ainda assim, lá foi prosseguindo a leitura, quando perante os seus olhos, surgiu a frase que lhe fez recuperar a auto-estima. De imediato se lhe estampou nos lábios  um jocoso e amplo sorriso! As iniciais do nome desse meu amigo são L.F, então, imensamente divertido havia lido o seguinte: “L.F, sempre bêbedo, mas sempre lúcido!”

E eu ri-me, porque esta afirmação, não andava muito longe da verdade. Onde quer que estejas Luís agradeço-te por teres sido meu amigo.