“Novos Caminhos”

Publicado por: Milu  :  Categoria: "Novos Caminhos", FORMAÇÃO

“É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.”

Aristóteles

No dia 26 de Outubro realizou-se o 2º Seminário (trans) Formar – O Poder Transformador da Formação: Novos Caminhos! Promovido pelo CENFIM – Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica.

Assim, à semelhança do que me é habitual quando participo em eventos como Conferências, Seminários e Simpósios, eis-me aqui, desta vez já com algum atraso, com um resumo das principais intervenções dos oradores Dr. Paulo Feliciano – Vice Presidente do Conselho Directivo do IEFP; Rui Correia – Vencedor do Prémio Global Teacher Prize Portugal na edição de 2019; Ricardo Peixe – Coach de Alta Performance, Trainer, Speaker e Especialista em Comunicação e Influência; João Leite – Psicólogo e Especialista em Formação Andragógica de Formadores, Gestão e Organização da Formação e de Projectos.

Como introdução ao meu resumo transcrevo um pequeno trecho que consta no panfleto publicitário do citado evento:

“Sendo que o bom Formador/Professor ensina para uma profissão mas, o Formador/Professor extraordinário ensina para a vida! Um Formador/Professor faz os seus Formandos/Alunos repensarem o seu lugar no mundo e a sua importância no futuro. Este é um super-poder extraordinário, que todos os Formadores/Professores têm em Si, para o colocarem em prática, precisam de estar verdadeiramente comprometidos com a sua profissão… e sabemos que não é fácil manter esse compromisso aceso.”

Dr. Paulo Figueiredo

  • Dar Formação não nos faz Formadores. Tem que haver aptidão.”
  • “Para ser Formador é preciso ter conhecimentos de uma área, um espírito inovador e conhecimento do outro.”
  • ” A sociedade portuguesa nunca valorizou tanto a escola como agora.”
  • “Uma formação mais individualizada. A descoberta do potencial devia ser o caminho. Não interessa tanto o Diploma como quanto interessa o caminho percorrido.”
  • “A valorização da Formação Profissional tem aumentado francamente num contexto estruturante”.
  • “Os super-poderes de cada um resultam da educação.”

Rui Correia

  • “Todas as pessoas são Formadoras e Treinadores de Futebol.” (ironia)
  • “Temos de ter responsabilidade no que fazemos.”
  • “É extraordinário estarmos hoje aqui. Estamos aqui porque temos a noção de que isto é importante”.
  • “Nós somos o início daquilo que vai começar. Não há alunos. Não nos pagam para ensinar. Pagam-nos para que os outros aprendam.”
  • “Já se assistiu as aulas didacticamente impecáveis mas que não serviram para nada. Não se tentou saber se os alunos aprenderam efectivamente.”
  • “No fundo somos especialistas em transformar a profissão (professor) na coisa mais horrorosa.”
  • “O professor tem de ter paixão por ensinar.”
  • “Acontece que, entramos numa sala de aula e ficamos perante um mar de gente que está mentalizada de que não vai ser nada na vida.”
  • É muito fácil desistir de um aluno. E fazêmo-lo! E isto é inaceitável. Não há danos colaterais para o aluno. Tudo são danos!”
  • “De nada vale dizermos que tivemos 96% de sucesso, quando deixámos o Álvaro e a Maria para trás… Somos especialistas em fazer isto… e não pode ser!
  • “Temos de ser importantes para o aluno.”
  • “Tudo o que os alunos aprendem é construído por eles. Não há aprendizagem sem participação activa. Temos de estar com eles a 100%!”
  • “Há maneiras de termos as atenções dos alunos a 100%. Inspirar – Saber Fornecer Informação – Produzir.”
  • É essencial que compreendamos que os nossos alunos têm uma biografia.”
  • “Não é aceitável que se entre numa sala de aula sem o espírito de maravilhar, sem o espírito de chamar a atenção e a curiosidade divertida.”
  • Há que mudar, pôr de lado o que nos tem vindo a ser ensinado”. (aqui referiu o Aplicativo Flipped Classroom, que é gratuito).
  • “Nós, professores, podemos fazer mal a muita gente.” (aqui apelou para que cada um dos presentes se lembrasse dos professores, dos bons, que contribuíram para os sucessos e dos maus que provocaram danos, que provocam mesmo).
  • “Todos temos medo do erro. Treinamos os alunos para terem medo do erro.”
  • “O aluno deveria ser treinado para ser capaz de dizer com toda a humildade «eu errei».”
  • O Futuro não é incerto. O Futuro sempre foi incerto.”
  • “Não podemos deixar que nos domestiquem.”

Acerca do Ensino Profissional

  • Não há nenhum conhecimento que seja indigno de ser aprendido.”
  • O Ensino Profissional não é de forma alguma menos digno do que o ensino formal.
  • Os professores devem cuidar da ecologia da sua profissão. Devem ser activistas desta causa – os alunos não são nossos, nem são alunos – são pessoas!”
  • “Tudo em Educação demora, mas tudo em Educação funciona. O que é necessário é que sejamos consistentes.”
  • “Os alunos não aceitam a incoerência, a incongruência!”
  • “Quando o aluno é desinteressado, o professor não deve desistir dele. O professor que faça a sua parte, o que lhe compete!”
  • “Há alunos que estão resignados com a ideia de que não irão ser nada na vida. Como incentivar assim os alunos?”
  • O aluno precisa de âncoras, sentir que alguém se interessa e acredita nele.”
  • “Quando os alunos se ensinam uns aos outros aprendem mais.”
  • “A avaliação através de testes só serve para aprender se for logo, o mais cedo possível, corrigido.”

Ricardo Peixe

  • Considerar dois pontos A e B. O ponto A é onde se está, usar do pensamento analítico para observar o que está bem e o que está mal. O ponto B é para onde se quer ir. O objectivo a atingir. A definição do objectivo condiciona o caminho para lá chegar.”
  • “Entre o ponto A e o ponto B vamos encontrar obstáculos. Mas isso é normal e inevitável. «O teu maior problema é achar que não ias ter problemas».”
  • “Por vezes altera-se o ponto B, para não se ter de enfrentar o obstáculo. Esta opção é a pior e causadora de frustração (o ser humano vai de obstáculo em obstáculo e quando atinge o ponto desejado, a satisfação dura escassos minutos). Mas se encontrar um caminho fácil acha-o uma seca. Conclusão: é o caminho que mais interessa. É com o caminho que aprendemos. É o desafio que conta.”
  • O professor deve ajudar os alunos a saber onde estão (ponto A) e ajudar os alunos a definir para onde querem ir (ponto B), sabendo que cada aluno é diferente e, por isso, com obstáculos diferentes no seu caminho.”
  • “O professor tenderá a ser melhor professor quanto melhor souber ajudar o aluno a perceber onde está, o ponto A e a definir os caminhos a fazer para chegar ao ponto B.”
  • “Temos de procurar a forma mais adequada para chegar a cada pessoa. Para descobrir as formas de chegar a uma determinada pessoa tenho de me relacionar com ela.”
  • “Se criar curiosidade, o aluno está mais atento.”
  • “A magia não existe. O que existe é um conjunto de técnicas que postas em prática produzem resultados mágicos.”

João Leite

  • As apresentações dos formandos no início de uma formação são uma coisa terrível. Ninguém ouve ninguém porque já está preocupado com aquilo que acha que deve ou não dizer quando chegar a sua vez. As apresentações costumam fazer-se porque existem estudos que postulam que é importante para nós ouvirmos a nossa voz, e que quanto mais cedo a ouvirmos maior probabilidade há de nos tornarmos mais activos. Mas também é preciso ter em conta que as apresentações provocam ansiedade.”
  • Podemos pôr as pessoas a falar com outras estratégias. Desafio aos formadores não enveredarem pelas apresentações e em vez disso, traçar os objectivos, ou seja, começar com uma conversa que leve à expressão natural.”
  • O Powerpoint foi criado para facilitar a aprendizagem do lado de lá, e não para suportar o discurso do orador/professor.”
  • O orador deve ser o PowerPoint. Mas o PowerPoint também pode ser um bom sonífero.”
  • “Sebentas, Powerpoints, professores, tudo a dizer a mesma coisa! Chama-se a isto, em Gestão, a Ineficiência. Ou seja, poucos resultados para tantos meios.
  • “Porque é que as Instituições não cortaram com este sistema? Porque é mais fácil; mais barato e o professor pode ser substituído por outro.”
  • “É preciso conhecer as representações da realidade das pessoas que queremos ensinar.

Sobre o conceito de “Índice de Brilho” :

I.B= TIO/TIA, ou seja, o Tempo de Intervenção dos Outros sobre o Tempo de Intervenção do Animador.”

  • “A simpatia ou concordância é igual a incompetente – é o último recurso do animador/formador.”
  • “Leiloar o indiscutível – se é indiscutível não existe progresso para a descoberta.”
  • “Fomos formatados para desconfiar do simples e quando percebemos, desconfiamos.”
  • “Princípio do Formador: Eu tenho que facilitar a vida a quem está à minha frente – FSE – Facilitar. Surpreender. Empreender.”
  • “Só sei que aprendi quando faço. Se fiz mal também aprendi. Só não aprendi se nada fiz.”
  • “P.P.P – Proximidade ou Participação. Paciência. Prescindibilidade. Proximidade ou Participação (ninguém aprende fora de um contexto interactivo). Paciência ( «Anda sempre a Competência de braço dado com a Paciência). Prescindibilidade (Sou um bom formador quando os meus formandos já não precisam de mim).”