Diário de Uma Dona de Casa Desesperada

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Diário de uma Dona de Casa Desesperada
De
Sue Kaufman

Sue Kaufman nasceu no dia 7 de Agosto do ano de 1926 em Long Isaland, Nova Iorque. Diplomada pela Vassar College em 1947, começou a sua actividade profissional como assistente editorial. A romancista americana faleceu no dia 25 de Junho de 1977. Anualmente é atribuído o Prémio Literário Sue Kaufman, em sua homenagem, pela Academia Americana de Artes e Letras.

A obra “Diário de uma Dona de Casa Desesperada” surpreendeu-me bastante! De início julgava tratar-se de uma espécie de muro das lamentações! Imaginava uma dona de casa fragilizada, frequentemente acometida de acessos de histerismo, frustrada e a arrepelar os cabelos por dá cá aquela palha! Afinal, dei de caras com uma dona de casa ultra-moderna, desprendida e dona de uma recomendável e salutar dose de loucura. Sim! Porque às vezes o melhor é fazermos de conta que somos um pouco loucos! Enquanto jovem, Bettina viveu perigosamente no fio da navalha, cometeu todas as asneiras que lhe apeteceu, desde os mais desastrosos relacionamentos com homens, um deles já bem entrado na idade e ainda por cima casado, aos perigosos períodos de anorexia, tudo ou quase tudo experimentou! Na Universidade deu-lhe para querer ser artista, encarnar a original figura de a “ Rebelde da Arte”, enveredou por isso pelas Artes, convencida de que tinha alma de artista.

quadro

Seu pai, alarmado pelo aspecto escanzelado, alienado e pardacento de Bettina, decidiu intervir tentando desesperadamente  subtrair a filha ao errante percurso, que denunciava rumar direito a um futuro incerto e duvidoso. Pegou nos destroços da filha e exigiu que esta iniciasse um tratamento de recuperação, com vista a alcançar a necessária lucidez que lhe permitisse clarificar as tão enredadas ideias, para que almejasse   vir a ter uma vida  condizente com o estabelecido  padrão, que para ela tinha sonhado. O médico, após analisar demoradamente algumas obras de Bettina confrontou-a com a realidade – não tinha talento! Pela boca do médico  tomou conhecimento de que os seus quadros, que pensava serem obras sublimes, afinal, não eram mais do que  um amontoado de manchas, borrões e nódoas fecais! Placidamente foi sendo convencida pelo profissional, de que o seu instinto estava dirigido a uma sossegada vida familiar, com marido e filhos, pelo que encetou um plano de tratamento que incluía  instrução  nos procedimentos a tomar, para ganhar jeito e melhor  deitar as redes a um bom partido! Jonathan, um jovem e brilhante advogado, foi o eleito!

domestica

Bettina, já casada e mãe de duas filhas deu por si transformada numa dona de casa pós-moderna, pertencente à classe média-alta! Onde tudo era fácil, onde tudo sobrava – onde não havia lugar para preocupações! E esse foi o grande mal, porque o ser humano está destinado à luta, ao permanente crescimento, ao eterno desafio!

Um tremendo vazio instalou-se na  vida de Bettina, facto que  a levou a iniciar um diário, onde descrevia o seu dia-a-dia,  inculcando-lhe os seus sentimentos de modo a conferir  algum interesse aos insípidos acontecimentos que  marcavam a sua existência! Este livro pode ser entendido como uma curta viagem à cidade de Nova Iorque! Nele está patente o típico modo de vida do povo americano, o consumo desenfreado e onde tudo está ou parece estar ao alcance de um punhado de dólares!