O Porquê do Blog

Criei este Blog com a intenção primordial de ter um espaço, onde livremente, possa tecer comentários aos livros que vou lendo, cuidando que se revistam de algum interesse, tendo em conta, a minha forma de conceber o mundo e tudo o que dele faz parte!

Desenvolvi o gosto pela leitura bastante cedo. Foi em criança! Contaria, provavelmente, os nove anos de idade. Comecei pela literatura de cordel, mais precisamente, publicações de histórias aos quadradinhos. Li tudo o que, ocasionalmente, me caiu nas mãos! Revistas de histórias do super-homem, cowboys e outras das quais não me recordo o nome exceptuando uma, que se chamava “Cara Alegre”. Pode parecer estranho, que uma menina, se interessasse por leituras que, na época, se consideravam mais apropriadas para os rapazes e, de facto, eram! Heróis de arma empunhada e corpos envolvidos em  lutas e refregas, são cenas que reflectem, em muito, o rol de ideais que perfazem o  imaginário masculino, não obstante, existe uma explicação para o insólito. Era o meu irmão, mais velho, que mantinha com outros rapazes um intenso circuito de ler à vez, até que, inevitavelmente, chegava a minha.

Mais tarde comecei a frequentar a biblioteca da terra de onde trazia emprestado qualquer livro, fosse ele sobre o que fosse, dependendo a preferência, unicamente, dos meus genuínos desígnios. A entidade que se deslocava ao edifício, em dias e a horas determinadas para fazer o atendimento era designada entre as catequistas da paróquia, portanto, prestava um serviço de cariz comunitário. Escusado será dizer que, esta pessoa, não detinha as habilitações necessárias para saber ajudar na orientação de uma escolha adequada, implicando assim, que já nos meus 12 anos lesse autores clássicos com o mesmo à vontade com que  lia as aventuras dos “Cinco” e dos “Sete” de Enid Bluton e que tanto faziam as minhas delícias. Creio, firmemente, que o facto de ter lido estas duas colecções e o que delas apreendi, exerceu em mim, uma influência considerável que contribuiu na formação da minha personalidade  e na forma como então comecei a percepcionar o mundo… Fui percebendo, devagar, que para além do meu, havia outros mundos onde  as diferenças, ainda que subtis, eram constantes.

Facilmente conclui, naquelas narrativas, que os  adultos procediam com a criança de maneira a estimular o desenvolvimento do seu carácter natural, precisamente o contrário do que faziam comigo, já  que foram efectuados intensos esforços para refrear a minha espontaneidade, que julgo ser, um dos atributos  mais preciosos com que a mãe natureza me ofertou além da graça de uma boa saúde, obviamente… Actualmente desejamos que as nossas crianças revelem esperteza, por isso, é normal a nossa exultação com as atrevidas graças com que nos vão granjeando. Tempos houve, aqueles em que fui criança, em que no lugar de regozijo o que via era uma cara grave que reflectia indignação seguida de uma vigorosa bofetada ou “costa de mão” como vulgarmente se dizia , então!…

Foi também com a idade de 12 anos que me tornei leitora da biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian. Consistia numa carrinha que percorria as localidades, estacionando uma vez por mês em cada uma delas, num local determinado. Na primeira visita era-nos dado um cartão numerado onde constava o nosso nome bem como a idade. Entrávamos nas traseiras da carrinha cujos lados laterais se encontravam revestidos de prateleiras repletas de livros. Apresentávamos o cartão ao funcionário que, ao consultar a idade nele inscrita, nos encaminhava, de imediato, para onde jaziam os livros considerados ideais, tendo em conta a faixa etária. Esta particularidade defraudava inteiramente os meus intentos! Há muito que estava habituada a leituras mais rebuscadas! Além de mais, como poderia ter prazer em ler histórias de príncipes encantados, fadas madrinhas, bruxas e afins se eu as achava  completamente estúpidas! Aparentemente inofensivas, cretinamente julgadas educativas mais não fazem do que destacar a eterna luta entre o bem e o mal, sendo que este último não sai vencedor por uma “unha negra”. Durante todo o desenrolar da história o mal vai sempre levando a melhor e só não vence porque é travado por uma entidade detentora de poderes sobrenaturais, fadas, etc.

Existe uma outra situação que lamento profundamente mas contra a qual é inútil lutar…  Refiro-me à  infeliz tendência  do ser humano, de aliar a bondade à beleza e a maldade e crueldade à fealdade. A Gata Borralheira era bela e boazinha! O Príncipe Encantado era justo, (muito rico, como convém…) e belo! As irmãs da Gata Borralheira, eram más, feias, umas bruxas!
Ora! Mas que moralidade tacanha! Aos 12 anos já não tinha paciência para tamanhos insultos! Identificava-me muito mais com leituras do tipo, “A Mulher de Trinta Anos” de Honoré de Balzac, ou, “Gargântua e Pantagruel” de Rabelais, livros que me lembro ter lido ainda criança. Não sou autodidacta nem nunca tive a preocupação de ler uma obra tendo em conta o seu autor, não despendo esforços no sentido de aprender. O conhecimento que vou adquirindo é, tão só, o que a minha capacidade cognitiva vai retendo mas, muito naturalmente. Leio por prazer, por deleite!…

Pensei, portanto, que seria interessante apresentar neste meu Blog, os livros que vou lendo, acompanhados com um pequeno comentário sobre cada um deles, resultante da minha tão peculiar interpretação! Como cada um de nós, entende as coisas conforme a subjectividade da sua  própria experiência de vida, aceito como perfeitamente normal, que nem todos, ao lerem os meus escritos, estejam de  acordo, por isso, faço saber, desde já, que estou disponível para futuras discussões “iluminadoras”!

Nota: O texto que o leitor (a) terminou de ler foi escrito no ano de 2008, quando criei o blog. Atualmente, a minha postura já é bem diferente. Hoje leio para estudar e a escolha dos livros e autores tornou-se criteriosa.