Começa a mudança por ti

Publicado por: Milu  :  Categoria: Começa a mudança..., PARA PENSAR

Oficina do Gif

 

“A censura é a inimiga feroz da verdade. É o horror à inteligência, à pesquisa, ao debate, ao diálogo. Decreta a revogação do dogma da falibilidade humana e proclama os proprietários da verdade.”

Ulysses Guimarães

 

“Prefiro o caos de toda a espécie de comunicação incontrolável, a uma proibição selectiva de certas matérias.

Acho que os seres humanos não são de confiar no que se refere a estarem acima da política e a contribuírem para o bem da comunidade. O que é bom para um grupo é mau para outros.

Ganhamos mais em castigar violadores e a vigiar as ruas para salvaguardar as mulheres e as crianças, do que a tentar acabar com a pornografia.
É melhor passar o tempo a educar os nossos filhos e a ensinar-lhe certos valores, do que a vigiar a televisão, as revistas e a Internet.
Suspeito que a censura é a maneira que a pessoa ociosa tem de influenciar o espírito dos jovens. A verdade é que ensinamos os nossos filhos através do nosso exemplo e não pelo que lhe permitimos que vejam na televisão ou na Internet.

Se formos hipócritas, eles também o vão ser.

Se formos honestos para com as nossas crenças eles também vão ser arrastados para a honestidade.

Os media não educam os nossos filhos,

mas nós educamos.

Ao tentarmos controlar as transmissões, estamos a imitar o comportamento do ditador.

(…)
A censura de que ouvimos falar ultimamente, é uma tentativa de atribuir a responsabilidade aos media por todos os problemas aparentemente insolúveis de um mundo violento e superpovoado, onde a riqueza se tornou gradualmente a única medida de valor.
A verdade é que os meios de informação e comunicação são só um espelho dos nossos próprios valores.
Eles mostram-nos quem nós somos e aquilo em que nos tornámos. Se não gostarmos do que vemos neles, devemos tentar melhorar o estado em que se encontra a política e não apenas retocar a sua imagem. Esta é uma maneira de não fazer nada, enquanto reafirmamos para nós próprios o nosso entusiasmo pela reforma.”

Bibliografia

JONG, Erica. (1998). O que querem as mulheres?. Bertrand Editora.

“Messianismo”

Publicado por: Milu  :  Categoria: "Messianismo", PARA PENSAR

Oficina do Gif

 

“A condição dos homens seria lastimável se tivessem de ser domados pelo medo do castigo ou pela esperança de uma recompensa depois da morte.”

Albert Einstein

«Quem lê a história desta faixa da extrema península banhada pelo Atlântico, cuja vida autónoma e independente tem sido o milagre da energia de um povo e um dos factos mais interessantes para apontar-se ao mundo, não pode deixar de ficar surpreso pelas vicissitudes estranhas pelas quais o nosso Portugal tem passado.

Diz-se que o povo português vive dominado pelo eterno messianismo; que a sua fraqueza (ou a sua força) consiste em confiar sempre da Providência, do Acaso, do Destino e nunca de um plano racionado e assente».

Assim começava, em 1920, Maria Amália Vaz de Carvalho o seu livro Páginas Escolhidas. Passados mais de setenta anos, podemos considerar estas linhas actuais. E talvez seja oportuno meditar um pouco no que elas nos transmitem.

Os portugueses souberam ser enormes em determinados períodos da história deste país.

Sem dúvida.

Mas, também se deixaram mergulhar em negros períodos de enorme devoção a conceitos irrealistas, com perda de eficácia, de credibilidade e até de respeito no contexto internacional.

Talvez porque aqui ou ali tenha existido, e ainda persista, alguma confusão quanto a essa força que nos anima, capaz de nos fazer vencer os maiores obstáculos quando dela somos convictos e, por isso, procuramos sintonizar com a Natureza, raciocinando, trabalhando, esforçando-nos e procurando construir o nosso Destino. Força que deixamos de utilizar (por nossa opção) quando ficamos à espera que as coisas nos aconteçam, que a Providência ou o Acaso nos levem ao caminho do sucesso, ou que o messias (rei, presidente ou primeiro-ministro) nos resolva os nossos problemas.

Parece razoável admitirmos que cada povo tem os líderes que merece e que cada líder vai realizando uma determinada obra de acordo com as suas características pessoais, mas também de acordo com a vontade do povo.

Seria útil que os portugueses não acreditassem mais em governantes iluminados, capazes de tudo realizarem, enquanto o povo aguarda e descansa. Seria muito bom que os portugueses entendessem que só foram governados em ditadura quando o desejaram e consentiram. Seria óptimo que todos os portugueses (governados e governantes) se dispusessem a construir um Portugal enorme em realizações úteis para os portugueses e para a humanidade.

Porque, como dizia Maria Amália Vaz de Carvalho, mais adiante no mesmo livro,

«os homens valem pouco individualmente e cada um de per si; mas todos juntos, eles vão formando gerações cada vez mais esclarecidas, embora porventura cada vez menos brilhantes, cujo trabalho colectivo fará a humanidade gradualmente mais feliz e melhor.

É o trabalho de todos, é a obediência às leis naturais, é a disciplina do espírito, que lentamente forjam este trabalho gigante, tecido de fios muitas vezes invisíveis, que se chama a civilização».”

Bibliografia

PORTELA, Luís. (1994). Para Além da Evolução Tecnológica“. Edições Asa. Porto. pp. 84-85.

“Agora mesmo”

Publicado por: Milu  :  Categoria: "Agora mesmo", PARA PENSAR

“Não é porque certas coisas são difíceis que nós não ousamos. É justamente porque não ousamos que tais coisas são difíceis !”

Séneca

“Parece ser relativamente vulgar para o Homem identificar algum ou alguns dos seus defeitos, quer por ser confrontado com críticas de terceiros, quer por vivenciar situações difíceis provocadas pelos seus próprios erros, quer por recurso ao exame de consciência.

E será bom que nos preocupemos com essa identificação, evitando viver distraídos ou enganando-nos a nós próprios. Só assim poderemos criar condições para o auto-aperfeiçoamento. Embora sendo, naturalmente, de evitar as permanentes e atrofiantes auto-análises de culpabilização por tudo o que acontece de menos bom à nossa volta. Como sempre, será apropriada a autocrítica equilibrada e construtiva.

Mas, identificados os defeitos, surgem frequentemente observações ou argumentos do tipo: «ninguém é perfeito…», «não é assim tão mau…», «fulano também é assim…», «hei-de-me modificar…», etc.

Parecem ser poucas as vezes em que cada um de nós procura serenamente, sem desculpas ou subterfúgios, seleccionar o seu maior defeito e decide, de si para consigo, corrigir-se de imediato, a partir desse momento, sem mais delongas.

E, no entanto, talvez possa ser esse o método adequado ao auto-aperfeiçoamento: analisar todos os nossos defeitos e escolher o que mais nos preocupa ou envergonha para o corrigirmos. Embora mantendo-nos atentos e actuantes em relação aos restantes, concentrarmos a nossa energia na eliminação do mais grave, de forma decidida, sem qualquer dúvida de que o vamos superar e de que o vamos conseguir o mais depressa possível.

Quando assim procedemos, podemos levar mais ou menos tempo,

mas conseguimos.

Até podemos falhar de novo quando julgávamos que já estava resolvido e que não era o caso; situação em que é importante não desanimar, recomeçando vigorosamente quantas vezes for necessário até à vitória, talvez pequena mas muito saborosa e motivadora para enfrentarmos outros defeitos com redobrada energia.

É normal ao corrigirmos um nosso grande defeito, estarmos já a pensar na correcção do seguinte, sem perda de tempo, aproveitando a capacidade de que dispomos e que estava algo adormecida. De novo seleccionando o então maior defeito e concentrando a nossa energia na sua eliminação tão rápida quanto possível. E assim sucessivamente, na busca de um cada vez maior aperfeiçoamento individual.

Este será um método apropriado para os homens públicos, para os nossos conhecidos, amigos e familiares, mas sê-lo-á também para nós, leitor e autor. E os seus resultados serão globalmente tanto melhores quanto mais rapidamente começarmos: não em breve, nem amanhã, nem mais logo, mas já, agora mesmo.”

Bibliografia

PORTELA, Luís. (1999). Esvoaçando. Edições Asa. Lisboa. pp. 155-156.