“A Reflexologia e o Behaviorismo”

Publicado por: Milu  :  Categoria: "A Reflexologia e..., PARA PENSAR

 

 Pavlov3

 

 “Não importa o quão devagar você vá, desde que você não pare.”

 Confúcio

 

Há uns dias, vendo-me a escrever no blog, disse-me o meu filho: “não sei porque é que ainda continuas a escrever no blog. Já ninguém faz comentários. Tu escreves muito! Fazes posts muito grandes e depois as pessoas não lêem!”

Pois bem… a questão aqui é que eu não publico posts com a intenção de  serem comentados, mas antes porque me sinto na obrigação de  partilhar e ajudar a disseminar conhecimento! É que jamais irei esquecer, de que quando andei a estudar, a fazer a minha licenciatura em Serviço Social, me vali imensas vezes da Internet para estudar. Sempre que tive alguma dificuldade numa matéria, por não a ter percebido durante a aula, ou porque devido a ser estudante trabalhadora ter perdido muitas aulas, nunca me atrapalhei! Assim que tinha oportunidade, sentava-me defronte do computador e, imbuída de uma forte determinação, dedicava-me à pesquisa dos assuntos nos quais tinha mais dificuldade e também daqueles em que me queria aperfeiçoar.

Por isso, o que agora faço é um acto de gratidão. À minha maneira eu estou a devolver com o bem o bem que recebi. Por conseguinte, os posts são elaborados com rigor e neles  constam textos com todas as referências aos seus autores, de forma a poderem ser utilizados por estudantes nos seus trabalhos académicos.

O tema deste post insere-se no âmbito da psicologia e foi-me inspirado pela descoberta de um  livro em casa da minha mãe. Tive pena de não me lembrar que o tinha, ou de não o ter descoberto antes, quando andei a estudar estas matérias. Na minha posse deve ter cerca de 30 anos. Este livro está muito bem elaborado, explica muito bem os assuntos e refere alguns conceitos interessantes. Um bom professor, portanto. 😀

 

 

 

“A Reflexologia e o Behaviorismo”

 

” A descoberta dos reflexos condicionados fez o seu aparecimento nos domínios da psicologia animal. Se tivermos em linha de conta o grande alcance que lhe dará nos Estados Unidos o behaviorismo de Watson, tal descoberta representa uma conquista de capital importância da psicologia nova no seu aspecto mais radicalmente objectivista. São inseparáveis dela os nomes de Pavlov (1849-1939), Prémio Nobel em 1904 pela sua obra sobre a digestão, e de Bechterew (1857-1928), ambos fisiologistas e neurologistas.

Sabe-se que a descoberta nasceu da experimentação realizada em cães e que consiste em substituir um excitante ou «stimulus primitivo», causador de um reflexo absoluto ou incondicionado, por um excitante novo ou «stimulu condicionado» (sinal, como também lhe chamava Pavlov), o qual provoca, por seu turno, e mediante aprendizagem, uma resposta reflexa adquirida. E, assim, o cão, que segrega saliva quando lhe dão um bocado de carne (reflexo incondicionado), segregará saliva também ao ouvir um som ou ao ver uma luz depois destes estímulos terem acompanhado a carne um número x de vezes. Isto equivale a dizer que nasceu uma nova associação reflexa entre o centro auditivo ou visual e o centro salivar – reflexo «condicionado» ou associado.

Pavlov descobriu que qualquer fenómeno natural podia servir de «sinal»: um som, uma cor, um cheiro, uma estimulação da pele, etc. A experimentação levada muito longe neste campo, permitiu concluir que estes reflexos condicionados põem em acção um conjunto de «processus» não só de excitação, mas também de inibição. Um cão pode ser condicionado de tal maneira que o reflexo espontâneo de dor dê lugar a um reflexo de satisfação se, por exemplo, a apresentação da carne for acompanhada de uma descarga eléctrica dolorosa durante bastante tempo para que se efectue a substituição. Verificou-se que tais condicionamentos podem atingir grande especificidade; um cão pode ser colocado  em condições de não reagir senão a certos sons, imagens, cores ou figuras, com exclusão de outros  que pouco se distinguem desses, e até a notas tão agudas que o ouvido humano não chegasse já a ouvi-las. Se está habituado a segregar saliva, quando vê um círculo e não reage à vista de uma elipse, dará sinais de agitação quando, se dermos à elipse uma forma muito semelhante à do círculo, ele já não for capaz de distinguir uma do outro. Já Pavlov conseguira provocar verdadeiras nevroses caninas, pondo em conflito «processus de excitação» com «processus de inibição». É portanto natural que alguns autores, considerando que a génese da nevrose aparece em Freud devido à repressão ou inibição de um factor emocional, tenham procurado por este meio uma reconciliação entre a reflexologia de Pavlov e a psicanálise.

De resto, os agentes causadores dos condicionamentos são mecanismos frágeis que tendem a desaparecer se não forem conservados mediante uma reintrodução passageira do «stímulus» natural (neste caso, a carne). Na falta dele, o tempo de reacção aumenta e a secreção salivar diminui progressivamente; produz-se então aquilo a que Pavlov chamava uma «inibição interna», uma tendência do reflexo condicionado a desaparecer.

Alguns comentadores, e em especial o fisiologista francês Paul Chauchard, insistiram muito nas condições especiais de isolamento que tais experiências exigem. O próprio Pavlov tinha já verificado que, quando o animal era bruscamente alertado pelo aparecimento inesperado de um estranho, o trabalho ficava comprometido por uma «inibição externa». Aliás, nem todos os cães são igualmente dóceis, e há alguns orgulhosos, que são os mais refractários. Além disso, podem surgir surpresas absolutamente imprevisíveis, como a náusea de que um certo cão era atacado mal via o experimentador, ou o «reflexo de defesa» que se pode produzir quando um cão, estimulado por uma corrente eléctrica muito forte, ladra ou procura morder…

Após ter verificado que a completa ablação do córtex provoca o desaparecimento dos reflexos condicionados, Pavlov deduziu que o mecanismo destes dependia inteiramente da função cortical.

No entanto, verifica-se que podem provocar-se reflexos condicionados em animais inferiores, desprovidos de casca, e mesmo, segundo alguns autores, nos infusórios.

Em matéria de condicionamento, a experimentação é evidentemente mais limitada com o ser humano do que com os animais, mas no entanto é possível de uma maneira diferente. Watson e os seus discípulos demonstraram-no com os bebés e as crianças.

É sabido que se pode utilizar, e de facto se utiliza, a descoberta de Pavlov em determinados casos: desintoxicação de bebedores, métodos de relaxação, parto sem dor. Este último baseia-se na noção de que a dor da parturiente tem a sua causa fundamental em reflexos condicionados (sociais) de medo. Importa então pôr em jogo as inúmeras interacções entre os neurónios corticais e as vísceras, no sentido de obter um domínio indirecto sobre o sistema simpático; em suma, conseguir que, por uma auto-gestão acompanhada de uma educação respiratória e abdominal, a mulher fique em condições de dirigir o trabalho de parto. De um modo geral, a descoberta dos reflexos condicionados veio esclarecer mecanismos havia muito usados no adestramento dos animais, mas até então de uma maneira absolutamente empírica.

O génio de Pavlov foi demonstrar decisivamente como esses mecanismos de substituição funcionam a um nível que engloba a afectividade (é necessário que o animal tenha fome) e que constituam dentro de uma história individual tipos de relação susceptíveis de explicar mesmo uma parte do psiquismo humano – a que se relaciona com os automatismos e com a formação de hábitos, cujo papel é muito maior do que habitualmente pensamos. Muitas pessoas falam constantemente de liberdade e comportam-se a maior parte das vezes como autómatos. A reflexologia permite compreender como podem certos estados de alma, aparentemente misteriosos, fixar-se mediante recordações, associadas a determinados «stímuli» que desempenham o papel de disparador  (a madalena de Proust).

Pavlov parece não ter ideias bem determinadas sobre as funções superiores do psiquismo humano. É no entanto evidente que lhes reconhece a capacidade de sintetizarem os sinais que influenciam o comportamento como condicionamentos, num sistema de indícios abstractos e inseparáveis da linguagem. Chama no entanto a estas funções superiores «actividade nervosa superior».

Em Watson, pelo contrário, a descoberta dos reflexos condicionados é utilizada num sentido que dá ao seu behaviorismo as características de uma escola de afirmações dogmáticas.

Nascido em Greenville, em 1878, John Broadus Watson foi professor na Universidade John Hopkins (Baltimore), onde dirigiu também o laboratório de psicologia.

As suas comunicações ao Congresso Internacional de Psicologia, em 1921, alcançaram-lhe renome mundial. As teorias de Watson atingiram então o seu apogeu nos Estados Unidos, onde haviam de dar origem a grande número de controvérsias e discussões.

O behaviorismo de Watson representa a mais audaciosa tentativa feita no sentido de reduzir a psicologia a uma ciência natural, excluindo do seu âmbito a consciência (atenção, memória, vontade, inteligência) e, por conseguinte, todo e qualquer recurso à introspecção, para admitir apenas o comportamento objectivo.

Não se trata só de uma orientação metodológica, mas sim de um intransigente monismo materialista. Deve dizer-se que uma tão absoluta exclusão do espírito tem por corolário, no domínio da psicopatologia, a das doenças «mentais».

Watson entendia que os psicólogos empenhados na constituição de uma psicologia «nova» (especialmente Ribot, Fechner e Wundt) não foram suficientemente audaciosos, ficaram  a meio caminho no esforço de libertação realizado em relação à tradição filosófica. Por outro lado, a psicologia como ciência abstracta parecia-lhe desprovida de valor prático, sem verdadeiro interesse para o educador, para o jurista, o médico, o industrial ou o comerciante… Não há dúvida de que a inspiração watsoniana mergulha as suas raízes no utilitarismo da nossa época e, muito particularmente, na «efficiency» à maneira americana. Em presença de um determinado indivíduo, importa essencialmente saber de que é ele capaz e qual será o seu rendimento. O enorme sucesso do behaviorismo nos Estados Unidos deve-se ao seu objectivo de se confinar exclusivamente ao observável, ao controlável, ao susceptível de medida.

Quando, em 1916, Watson teve conhecimento das investigações de Pavlov, a sua orientação era já a de um psicólogo preocupado com a constituição de uma ciência objectiva e comparada, inspirada na altura pelos trabalhos em curso no domínio da psicologia animal, sobretudo pelos de J. Loeb sobre os «tropismos» e pelas experiências de E. Thorndike. Tive já ocasião de dizer que este último estudava o comportamento dos animais servindo-se das suas famosas «problem-boxes».

Metia um animal em jejum numa espécie de caixa, de que ele devia sair, accionando um mecanismo mais ou menos complicado, para obter o alimento colocado no exterior. Após uma série de tentativas frustradas e desordenadas, o animal conseguia, enfim, com um movimento da pata ou do focinho, accionar o mecanismo da fechadura. Para explicar tal comportamento Thorndike servia-se de considerações neurofisiológicas e da intervenção do acaso e negava ao animal a posse de qualquer forma de inteligência. A teoria mais conhecida é a das «tentativas e erros» de Lloyd Morgan. Quando um gato ou um rato encontram a solução do problema que lhes foi posto, é por acaso. Depois, as reacções bem sucedidas organizam-se no espaço e no tempo segundo a «lei da frequência», o que equivale a dizer que a resposta adequada acaba por se fixar e que as outras são eliminadas. Esta interpretação que os gestaltistas criticaram, alargou-a Watson ao próprio homem, cujos hábitos pretendia explicar pelo ocasional sucesso de certas respostas dadas a partir de alguns reflexos absolutos ou incondicionados. Tal posição foi objecto de duras críticas. Censurou-se ao pai do behaviorismo a sua falta de cultura filosófica e o grave desconhecimento dos problemas gnosiológicos. Em certo sentido, parece no entanto que a sua intrepidez apresenta mais vantagens que inconvenientes, na medida em que o extremismo pode ser, em determinados casos, mais construtivo do que o sincretismo. 

Partindo do princípio de que as crianças nascidas e amamentadas na maternidade são os melhores temas de observação, visto o seu condicionalismo anterior ser mais facilmente controlável, Watson e os seus colaboradores e continuadores dedicaram-se a numerosas experiências em «infantários experimentais» com o objectivo de conhecerem, antes de mais, as reacções que podem considerar-se inatas (salvo condicionalismos pré-natais, difíceis de controlar…).

Tais reacções primárias constituem uma lista muito reduzida na escola behaviorista: reflexos pupilares e palpebrais, secreção salivar, reacções corporais acompanhadas de choros e gritos e provocadas por picadas, queimaduras, ruídos violentos ou falta de apoio físico, etc. Como, na maioria dos casos, se manifesta então na criança uma reacção emocional, os behavioristas foram levados a admitir a existência de certas formas de comportamento congénitas e que eles reduzem a três tipos: reacção espontânea de «medo» se a criança for bruscamente privada de apoio ou surpreendida por um ruído violento; reacção de «cólera» (que aparece a partir do décimo dia de vida) se lhe impedem os movimentos; reacção de amor, se a afagam ou embalam, etc.

Os behavioristas convenceram-se sobretudo de que as crianças não possuem originariamente nenhuma reacção «de medo» em presença de qualquer animal (ratazana, rato, rã, coelho, cão…) de um objecto de pêlos ou de plumas, de máscaras, nem de fogo, que dá origem a uma perturbação apenas quando provoca um calor muito intenso (porque então intervém a reacção da «pele atingida». Puderam, pelo contrário, verificar que esses animais ou objectos podem facilmente vir a ser sinais condicionados de medo quando associados a certos «stímuli primários» (ruídos violentos, perda de apoio, etc.), e que em seguida se podem facilmente «descondicionar» estas reacções de medo adquiridas, substituindo-as por uma reacção positiva, por exemplo, oferecendo uma guloseima à criança, quando se lhe apresenta, cada vez mais e mais perto, o animal ou objecto que provocaram o medo.

Portanto, a partir de algumas reacções consideradas primitivas, todo o comportamento humano deve explicar-se pelo jogo dos condicionamentos, isto é, deve ser apenas considerado sob o aspecto dos «stímuli» e das respostas, que à psicologia compete determinar. «A essência de todo o behaviorismo é ser a ciência do binómio stímulus-resposta». Distinguem-se apenas «stímuli externos» (luz, obscuridade, frio, calor, ruído, etc.) e «stímuli  internos» (modificações orgânicas produzidas em determinadas condições por falta de alimento, actividade sexual, etc.). 

As respostas podem ser em si mesmas explícitas (desde as mais simples, como afastar-se ou aproximar-se de uma luz, estremecer ao ouvir um ruído, procriar, até às mais complicadas, como construir uma casa, estabelecer planos, escrever livros…), ou implícitas (secreções salivares, contracções do estômago vazio, etc.), sendo estas últimas mais dificilmente observáveis.

Quer respire, durma, ande, corra, pare, se zangue, chore, grite, escreva, leia ou toque… o indivíduo «faz» sempre alguma coisa, e se cada uma das suas respostas põe em jogo um determinado grupo muscular especial, implica, no entanto, a actividade de todo o organismo. Por isso, o behaviorismo watsoniano se recusa a destacar qualquer órgão ou aparelho – nervoso, digestivo, circulatório, respiratório, muscular – e afirma que o sistema nervoso funciona em esquemas completos e que o seu papel é puramente coordenador.

Certos psicofisiologistas da escola de Pavlov são de opinião de que Watson diminui assim erradamente o papel dos neurónios corticais; poderia antes perguntar-se se , numa perspectiva antropologista, não haverá, numa escola que se afirma tão rigorosamente mecanicista, uma certa ambiguidade nesta referência ao «corpo total», quer dizer, a uma entidade da qual não podemos afirmar que seja desprovida de uma finalidade interna.

Seja como for, o behaviorismo, ao definir por comportamento «aquilo que o organismo faz ou diz», considera a palavra uma acção como qualquer outra.

Dizer é «fazer simbolicamente», e portanto comportar-se.

As condições da vida social devem assinalar a interiorização da linguagem, quer dizer, do pensamento considerado como comportamento de substituição que põe em jogo stímuli e respostas simbólicas. «Pensar é falar, falar para si e  a si». Uma vez mais pode invocar-se como prova a observação da criança. Quando o bebé está ainda na fase da «vocalização anárquica», a sua tagarelice incoerente enche de alegria os pais, felizes por verificarem que ele não é mudo nem idiota. Depois, tal tagarelice torna-se enfadonha e começam a exercer sobre a criança uma certa pressão para que faça menos barulho. Esta passa então a resmungar, o que continua a importunar ainda os seus familiares. Finalmente, e sob a pressão assim exercida vai progredindo a socialização da linguagem, até chegar a desaparecer o movimento dos lábios, que ainda se mantinha enquanto a criança lia ou reflectia; a verbalização passou a ser totalmente interior.

Seja qual for o interesse das investigações levadas a cabo pelo behaviorismo, o imperialismo explicativo de um Watson assenta num erro: a eliminação da subjectividade. E quando pretende justificá-la afirmando que nunca descobriu o papel da consciência em nenhuma acção humana  e que ela não pode «encontrar-se» nem «definir-se», ninguém o faz como ele.

Apenas se lhe pode objectar que a consciência não pode definir-se porque é ela que define… Se a eliminarmos e com ela as sensações, imagens, pensamentos, intenções, volições, reduzindo tudo às reacções que o organismo oferece aos stímuli, ficarão os actos humanos, mesmos os mais reflectidos, privados de todo o significado, e eliminar-se-á assim o domínio da psicologia propriamente dita. 

Um psicólogo de Lausana, Larguier de Bancels, fizera já a observação de que se, por exemplo, o rubor devido ao calor interessa ao fisiologista, ao psicólogo interessará o mesmo rubor como indício de timidez ou vergonha. Os behavioristas do tipo watsoniano cometem, sem dúvida, o erro de confundir os dois aspectos. 

Sabe-se que é o aspecto das significações que vai inspirar a fenomenologia de Husserl, que tão variadas repercussões havia de ter nas ciências psicológicas no nosso tempo.

 

Bibliografia

 

MUELLER. F.L. (n.d). A Psicologia Contemporânea. Publicações Europa América. Colecção Saber. 5ª Edição. pp. 90-99.

Yes man!

Publicado por: Milu  :  Categoria: SOCIEDADE, Yes man!

 

 

“Nunca ore suplicando cargas mais leves e sim ombros mais fortes.”

Phillips Brooks

 

“Os homens estão em apuros.

Essa parece ser a conclusão do psiquiatra Anthony Clare em “A Crise da Masculinidade”. Trata-se, com efeito, de uma crise de identidade, pois «há a sensação, certamente nas zonas remotas do império patricarcal, de que o império da autoridade, a dominação e o controlo masculinos chegaram ao fim». 

Insatisfação, dúvidas, descontentamento… No fim de contas, verifica-se que «a agressividade e a violência são extremamente sensíveis a factores que não são biológicos», isto é, a cultura, o ambiente social e a estrutura psicológica de cada homem são as verdadeiras molas da conduta.

«Podem conter a agressividade, controlar a tendência para dominar, e continuar a ser homens.»

O problema não reside em ser homem, mas na obrigação de ser o que se supõe que deve ser um homem:

«agressivo, racional, mandão, competitivo, reticente, taciturno, analítico, resoluto, independente, dominador e invulnerável.»

O homem do século XXI enfrenta mudanças e revoluções perturbadoras:

as rupturas sentimentais repercutem-se na sua saúde, a competitividade deprime-o e leva-o à solidão,  a ciência e a tecnologia médica reprodutiva tornam-no inútil ou prescindível,  a família nuclear, patriarcal e tradicional desfez-se e são as mulheres que obtêm a guarda dos filhos, o papel de pai perdeu o valor… Anthony Clare propõe um novo modelo:

pais comprometidos com a família, que desenvolvam «empatia, altruísmo, sensibilidade e expressividade emocional». 

O autor responde à pergunta: 

que querem os homens?

«Bem, o que eu quero como homem e o que eu quero para todos os homens é que sejamos mais capazes de exprimir a vulnerabilidade, a ternura e a afeição que sentimos, que dêmos mais importância ao amor, à família e às relações pessoais e menos ao poder, aos bens e aos êxitos, e que continuemos a depositar a nossa fé em valores sociais e comunitários mais amplos que facilitem e permitam a todos viver uma vida mais generosa e satisfatória.» Em suma:

competir e dominar menos, amar e deixar-se amar mais.

(…)

Fala-se do novo sexo fraco. Não vou penetrar nesses temas, daria para outro ou vários outros livros. Queremos estar de acordo com eles, encontrar-nos, o que não quer dizer fundir-nos, nem ser dependentes, nem prender ou ser presa pela culpa. Preferimos a liberdade, a responsabilidade, o gozo, a reciprocidade, a cooperação, uma vida sã.

Referimo-nos à cooperação porque, como diz Claude Steiner, é a antítese do abuso do poder e, se os homens aprenderem a cooperar, a fazer uso do poder sem oprimir quem está à sua volta, poderão desfrutar da plena expressão de energia sem o peso da culpabilidade.

Penso que há uma ideia chave: 

se os homens compreenderem que os privilégios os prejudicam, se se aliarem às mulheres em prol da liberdade, ganharão em felicidade o que perdem em regalias. 

(…)

Na opinião de Daniel Cazes, a condição masculina e os privilégios atribuídos aos homens no patriarcado dão origem à sua alienação. Todos os homens podem gozar das vantagens que lhes são oferecidas como recompensa da permanente tensão causada pela obrigação de as possuir, se satisfizerem os requisitos suficientes da masculinidade hegemónica; é por essa via que se alienam permanentemente da possibilidade de se construírem como seres humanos plenos e de construírem a equidade e a igualdade entre os géneros.

Mas os tempos do masculino alienado e alienante parecem ter começado a mudar.

fala-se de novas paternidades. Fala-se das novas masculinidades.

Da necessidade de criar um homem novo em oposição ao homem antigo. (…).

Os meios de comunicação reflectem um fenómeno de novidade, o varão e a masculinidade estão em crise, embora, como explica Marta Segarra, os media e a publicidade pretendam conformar um cânone de masculinidade, de atitude de vida; um dos mitos (no sentido de falsas evidências, segundo Barthes) é o da normalidade, um valor que se repercute no modo de percepcionar o ambiente circundante e a conduta e de ajustar esta a modelos estabelecidos na formação de padrões de masculinidade. 

Muitos homens já começaram a ser críticos da masculinidade convencional.

Já em 1978 se escrevia na revista Achiles Heel («O Calcanhar de Aquiles»):

«O nosso poder na sociedade não só aprisiona as mulheres, mas também nos aprisiona numa masculinidade tão rígida que mutila as relações entre nós, com as mulheres e de cada um consigo.»

Os homens podem mudar e estão a fazê-lo, diz Àngeles Carabí; os Men’s Groups vão-se formando e estendendo em países como os EUA, a Austrália, a Inglaterra, a Holanda, Espanha. Geralmente, são constituídos por homens próximos de mulheres feministas, que assumiram ou compreenderam que o pessoal era político, manifestaram o desejo de manter relações mais igualitárias com as pessoas que lhes eram chegadas e procuraram rever as imagens polarizadas. No seu processo de recriação, continua Àngeles Carabí, deram-se conta de que o inimigo comum era a masculinidade convencional, e procuraram modificá-la. Aprenderam a ser mais abertos, a exprimir as emoções, a estar mais perto dos filhos e das companheiras, e descobriram o prazer de um maior contacto consigo mesmos. Suponho que também os filhos educados em famílias mais modernas, mais democráticas, de mães feministas ou de mulheres e homens mais sensíveis e comprometidos, contestarão a masculinidade convencional.

A autora recorda que numerosas escritoras de várias culturas – Toni Morrison, por exemplo – criaram imagens de homens igualitários ou não hierárquicos, propondo alternativas ao modelo tradicional de masculinidade. Dizem que o homem e a masculinidade estão em crise, sendo apresentados como expoentes de mal estar. As publicações sobre o tema, o aumento de patologias no colectivo masculino (analisado por Luis Bonino), o número crescente de operações de cirurgia estética, o auge do Viagra… A outro nível, assistimos ao crescimento alarmante da violência contra as mulheres.

O que é que está a correr mal?

Estará o processo de igualdade a ser entendido ou encarado como uma perda de poder e, por conseguinte, de virilidade?

Tal como a feminilidade, a masculinidade é um produto cultural, um conceito plural e variável conforme as culturas. A propósito dos distúrbios masculinos, Luis Bonino propõe a desconstrução da «normalidade» masculina a partir da ideia de que a masculinidade, como tal permaneceu intocável, uma vez que se pôs a tónica na subjectividade feminina:

«o masculino e os seus valores continuam a ser considerados, na cultura, paradigma de normalidade, saúde, maturidade e autonomia, razão porque parecem não precisar de ser interrogados».

Em resultado disso, mantém-se intacta a dicotomia, injusta para as mulheres, do espaço simbólico saúde-doença mental. As mulheres continuam a ser «o» problema, e as coisas são assim porque os homens e a masculinidade se colocaram, desde o início do Ocidente, como proprietários da normalidade-saúde-bom senso. Logo, eles não constituem problema, são a unidade ideal e única de medida do ser humano, a partir da qual produzem as pautas que definem o «normal». 

Mas de normalidade falamos?

A masculinidade é um mito, diz Cristina Alsina, um estereótipo como a feminilidade e, ao alterar-se a concepção de feminilidade, a masculinidade desestabilizou-se (Susan Faludi estudou consciosamente o fenómeno actual da «desestabilização» dos homens nos EUA, em Stiffed: The betrayal of the american man); ser homem e ser compelido pelos homens significa ser o mais forte, o melhor, o que tem êxito e vence. Desconstruir a masculinidade torna claro o preço que os homens pagam e a alienação que sofrem nas relações com os seus congéneres, homens e mulheres.

Se a masculinidade se constitui, também se pode mudar.

Como afirma Alicia Puleo, tanto os homens como as mulheres são natureza e cultura, razão e afectividade, intelecto e corpo. O futuro da humanidade passa pelo exame atento e – na medida do possível – sem preconceitos das nossas identidades sexuadas e da nossa relação com a natureza. Precisamos todos de observadores críticos; as culturas e os indivíduos enriquecem e tornam-se auto-refelxivos em contacto com os outros. Deste modo, o acesso das mulheres à posição de sujeito oferece aos homens uma oportunidade histórica inédita de se observarem, finalmente, num espelho não deformador, assinala Alicia Puleo (aludindo à famosa frase de Virginia Woolf acerca da mulher como espelho que aumenta a imagem dos homens).

Mas é preciso terminar. Voltaria a citar Steiner, quando afirma que homens e mulheres podem viver as suas vidas separadamente e juntos, como indivíduos autónomos, solidários e iguais. As mulheres podem seguir carreiras sem terem que se transformar nas «abelhas mestras» a que aludimos, ou ser mães de uma prole e viver numa casa grande sem necessidade de se tornarem «grandes mães». Os homens podem ficar solteiros ou manter relações com as mulheres sem serem playboys, ou podem casar e ter filhos a quem apoiar sem serem tiranos ou grandes pais; as mulheres podem ser atletas e cirurgiãs e os homens, enfermeiros e donos de casa… (sem rancor, sem mentiras, sem culpabilidade).

As necessidades humanas podem ser satisfeitas de muitas maneiras susceptíveis de evitar as alternativas triviais.

Steiner apresenta alternativas aos banais estilos de vida opressivos. Trata-se de educar na igualdade (eu estou bem, tu estás bem), na autonomia (escolher, em vez de seguir os guiões que outros escreveram para nós), na autenticidade (em vez de mentiras, segredos e jogos), na cooperação (em vez de jogos de poder e competição) (…).

A esperança no futuro exige que se cultive o acordo e a reciprocidade (…).

 

Bibliografia

 

ALBORCH, Carmen. (2004). Mulheres Contra Mulheres. Rivalidades e Cumplicidades. Editorial Presença. Barcarena. pp.218-223.

 

Umas para as outras

Publicado por: Milu  :  Categoria: PARA PENSAR, Umas para as outras

 

 “Nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreender mais, para temer menos.”

Marie Curie

“A solidariedade constitui o conjunto de qualidades de cidadania que torna possível o triunfo da justiça. Amelia Valcárcel assinala que não se trata de empatia, nem de compaixão, nem de benevolência, nem sequer de apoio indiscriminado:

– é uma virtude igualitária, uma virtude política moderna que implica simetria e não hierarquia. 

Ser solidária significa formar comunidade, e por isso, liga-se à justiça. Exige a junção de meios simétricos para alcançar objectivos comuns que não se atingiriam individualmente. Só a simetria real garante a democracia, sem ela não há igualdade. Victoria Camps afirma que, embora possamos sustentar ideias diferentes e, até, opostas, é possível sermos, simultaneamente, solidárias. O que torna a sociedade mais injusta é a falta de cooperação.

Existe consenso quanto ao facto de a solidariedade ser uma prioridade, instrumental e política, para que as mulheres do século XXI consigam influir nas decisões dos círculos do poder. Ao mesmo tempo, pretendemos que esta ética se torne extensiva a toda a sociedade. 

A solidariedade procura juntar o que homens e mulheres entesouraram. Visa refazer identidades. (…). A solidariedade, sublinha Elena Simón, é a garantia primeira e última da sobrevivência pacífica e justa à face da Terra, pois envolve também, uma relação equilibrada, harmoniosa e justa entre os seres humanos, homens e mulheres, com os recursos da natureza e os elementos que a cultura põe ao nosso alcance. Para Elena Simón, a solidariedade activa deve fundir as componentes do cuidado com as da justiça; a intimidade e a assistência com a auto-realização e a individualidade. Trata-se de um pacto intragénero que exige um novo conceito de fraternidade solidária entre mulheres, baseado na cumplicidade e no reconhecimento da autoridade.

A solidariedade impõe-nos alguns deveres colectivos, entre eles o fixarmos objectivos comuns, ampliarmos o conceito de cidadania, resgatarmos os saberes das mulheres, impulsionarmos lideranças para a mudança: a mobilização com sentido político, em última análise.

Assinala Amelia Valcárcel – minha amiga e mestra – que a prática da solidariedade pode exigir um pacto de silêncio, qualquer coisa do género: «eu, pessoa do sexo feminino, estou disposta a não criticar nenhuma acção ou decisão tomada por outra pessoa do mesmo sexo, a não ser que extravase de certos limites que um ser humano não deve ultrapassar.» Não se trata de um compromisso de apoio indiscriminado, mas apenas de não criticar; as acções públicas de uma mulher tenderiam a ser julgadas como acções femininas e, perante isso, há que acrescentar, matiza Valcárcel, que não se utilizará como explicação para a conduta de uma mulher precisamente o facto de ser mulher, excepto em casos valorativos.

A solidariedade acima de antipatias e de algumas distâncias políticas não significa que tenhamos de achar que todas as mulheres são simpáticas, nem que tudo o que fazem nos pareça correcto. Comporta, sim, a renúncia à vingança: deve-se ser solidária mesmo com aquela que é insolidária, embora sem cair nas armadilhas que se estendem quando se admite uma continuidade genérica sem fissuras, que não existe. Ainda segundo a autora, a solidariedade não pode ser levada ao limite de aceitarmos ideologias que favorecem a sujeição das mulheres. O que se propõe é uma solidariedade inteligente e crítica a partir de uma consciência feminista. Daí passaríamos à solidariedade afirmativa, solidariedade com as mulheres que trabalham no interesse das mulheres. A solidariedade a que nos referimos envolve, em suma, a prática de dar e receber ajuda entre as mulheres e a favor das mulheres.

Na opinião de Clara Coria, quando se fala de solidariedade convém distingui-la do altruísmo, tão familiar às mulheres, e do ideal materno. O chamado altruísmo feminino é um método sofisticado de naturalizar serviços – e servilismos – exercidos por mulheres, que acabam por contribuir automaticamente para a sua perpetuação. Uma consequência directa desta espécie de altruísmo é a compulsão, que tantas mulheres sentem, para tomar conta das necessidades alheias e agir como mães complacentes e solícitas, nomeadamente de filhos que se valem por si ou, em casos extremos, de toda a gente (mal nos descuidamos estamos a fazer de mães). A feminização do altruísmo, continua Clara Coria, é um dos mecanismos mais eficientes para geral culpas e tecer redes à volta das mulheres, como se nos identificássemos todas com Pandora, sobre quem pesa a responsabilidade do bem estar ou da desgraça da humanidade, conforme vimos ao abordar a misoginia, receosas de nos sentirmos desnaturadas ao dizermos «não».

A ética da reciprocidade traça a linha divisória entre altruísmo e solidariedade. O altruísmo exige renúncia, entrega incondicional e subordinação dos interesses próprios aos alheios. Pelo contrário, negociar consiste em pôr condições, em legitimar os desejos pessoais, em defender as conveniências próprias: a negociação é incompatível com o altruísmo. Como, para muitas mulheres, a medida do amor é dada pelo grau de altruísmo demonstrado, a negociação provoca uma ferida profunda na imagem idealizada do amor altruísta (mas negociar não é vender a alma ao diabo). A solidariedade, conclui Clara Coria, não consiste em ceder espaços e renunciar a aspirações legítimas, mas em repartir equitativamente tanto os inconvenientes como as vantagens, diminuindo marginações e privilégios.

A sororidade estabelece-se em paralelo à fraternidade – irmandade masculina e patriarcal, consciente ou inconsciente, herança histórica e tradicional: é um valor forjado a partir de uma situação discriminatória e, por conseguinte, não admitido nem reconhecido. Por se tratar de uma resposta à discriminação, constitui-se em redes defensivas: lobis de mulheres, organizações, experiências económicas femininas, etc.

E também falamos de sororidade (como princípio, arma contra a misoginia). Já se sabe que não se trata de as mulheres se conceberem como uma identidade amorfa, não se trata de misticismo, antes de uma consciência comum, no dizer de Luisa Posada, consciência que as mulheres foram tecendo sobre a necessidade de se «irmanarem» com outras mulheres. Isto confere ao termo «sororidade» um eco positivo, também historicamente detectável (entre mulheres que se concederam e concedem, «livre e mutuamente»,  a categoria de «indivíduas»*, que se vão colocando ao lado da outra e não do outro, do irmão), com vista a questionar e alterar a situação de relegamento traçada pelo domínio patriarcal… Ao longo da História, houve mulheres que transpuseram o limiar da pura consciência da sua marginalização, transformando a sororidade em acções intelectuais e políticas de recusa e denúncia da ideologia dos pactos patriarcais.

A sororidade é um conceito ético e estético nascido da necessidade de inaugurar uma cultura de pactos implícitos e explícitos entre mulheres. Contém conotações de concórdia e conformidade. A ética da sororidade tem por fundamento a ética do desenvolvimento colectivo a partir do individual. Melhorar a vida das mulheres é um objectivo alcançável, não uma utopia remota, diz-nos Marcela Ladarde. Trata-se de conseguir avanços de género, das mulheres em conjunto, e da mulher como indivíduo.

O sincretismo de género é a base da sororidade, a consciência de que não somos idênticas, afirma Marcela Lagarde. Através da sororidade potenciámo-nos a nós mesmas, interrogamo-nos sobre a maneira de nos dotarmos de poder simbólico, desenvolvemos a consciência da semelhança. A sororidade significa refundar uma cultura comum com base na paridade. Recusar o essencialismo: as mulheres não são boas nem más em termos absolutos. Exige também a aliança política entre mulheres, que nos apoiemos para encontrar novos caminhos, para encontrar as nossas chaves específicas. E, noutro plano, outorgar humanidade: não fazer às outras o que não queremos para nós.

A sororidade surge do reconhecimento das desigualdades, a partir das mulheres reais; é uma tendência do feminismo do século XX que tende a remover as estruturas em que se baseia a rivalidade, sem idealizações frustrantes, substituindo a culpa pela responsabilidade, tentando descobrir as chaves da dependência, a fim de viver relações assentes na autonomia, no «eu mesma». Autonomia significa ter recursos próprios, juízos próprios, ideias e valores próprios. Para que cada uma esteja a favor de si, precisa de possuir ou de procurar condições para viver, conforme lembra Marcela Lagarde.

A sororidade, segundo Lagarde, é uma solidariedade com limites; por ser solidariedade, implica generosidade e não dádiva, implica o reconhecimento da paridade, sem dependência; significa reciprocidade, ou seja: tenho algo para dar e posso receber algo. Cada mulher tem direito – e eu também – a ser ela própria, e a mesmidade constrói-se dentro de limites. Porque a sororidade não pressupõe incondicionalidade, não se trata de repetir a fantasia materna da incondicionalidade da abnegação, do sacrifício.

Tratar-se-ia, também, de aprender a ouvir, de respeitar, partilhar, buscar proximidade, cordialidade, equilíbrio, sintonia.

(…)

A sororidade é uma alternativa complexa que nos coloca em melhores condições para enfrentar conflitos entre mulheres. Permite reconhecermo-nos como pares, semelhantes, dignas de respeito e consideração. Sem respostas dogmáticas, desenvolver os poderes vitais para viver bem e desfrutar a vida. Termino recorrendo de novo a palavras de Marcela Lagarde:

As mulheres necessitam de meios para enfrentar situações hostis e transformar as relações negativas entre si (como temos vindo a repetir ao longo do livro, entre nós não se verificam apenas situações positivas, mas também situações de conflito e, por vezes, as tensões exprimem-se com agressividade). Precisamos de contribuir para criar bases e ambientes propícios a relações de apoio e de solidariedade. Isto arrasta o desenvolvimento de formas benéficas de cooperação entre mulheres comprometidas com o avanço pessoal e colectivo de género. É uma experiência contemporânea, continua Marcela Lagarde, fruto da identificação positiva de género e da comunhão de interesses e necessidades entre mulheres. É, também, o resultado da associação real de dezenas de milhar de mulheres no mundo inteiro, interessadas na construção de metas comuns, e do gosto de conhecer mulheres admiráveis e partilhar experiências criativas entre nós.”

Nota: No livro está escrito o termo »indivíduas» e não indivíduos.

 

Bibliografia

 

ALBORCH, Carmen. (2004). Mulheres Contra Mulheres. Rivalidades e Cumplicidades. Editorial Presença. Barcarena. pp. 212-217.