Escrito nos Ossos

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Escrito nos Ossos
De
Simon Beckett

Simon Beckett é um jornalista freelancer que tem colaborado com várias e importantes publicações britânicas. O trabalho de jornalista implica, de certo modo, a investigação, pelo que foi motivado a estudar na famosa Quinta dos Cadáveres, no Tennesee, nos Estados Unidos da América. Actualmente vive em Inglaterra.

Escrito nos Ossos é uma obra surpreendente, principalmente, pela perspicácia e inteligência, contida nos diálogos mantidos pelas personagens que lhe dão vida. Uma escassa meia dúzia de páginas, que li ao cabo de um dia de trabalho, numa quinta-feira, mais precisamente, foi suficiente para captar a existência  de uma boa e invulgar qualidade descritiva nelas implícita. As consequências foram, como não poderia deixar de ser, a noite do dia seguinte em branco, felizmente fim-de-semana. Li-o, portanto, de uma assentada! A narrativa tem início quando é descoberto na ilha de Runa, numa decrépita e desconjuntada casa, um corpo humano carbonizado, quase reduzido a cinzas. O envio de um perito antropólogo forense, David Hunter, ao local de tão sinistro achado e a crescente suspeita, de que, se tratou de um homicídio, precipitou os acontecimentos. Uma forte tempestade abateu-se sobre a ilha, deixando os seus habitantes sem energia eléctrica, contactos telefónicos ou coisa que os valha. Isolados na ilha, sob um forte temporal e com um assassino à solta, estava criado o cenário ideal para um clima de medo e suspeição, aliado ao facto de, entretanto, terem aparecido mais mortos. Toda a investigação levada a cabo pelo perito forense é descrita pormenorizadamente, o que torna a narrativa bastante interessante. É um constante desenrolar de surpresas que culmina com o seu inesperado final. Quando terminei de ler este livro senti alguma pena… é que estava mesmo a gostar!

Recomendo entusiasticamente a sua leitura, principalmente, a quem julga que não gosta de ler! Nunca se sabe! É um bom livro!

Pura Anarquia

Publicado por: Milu  :  Categoria: Pura Anarquia

Pura Anarquia
De
Woody Allen

Allan Stewart Königsberg mais conhecido pelo pseudónimo de Woody Allen nasceu em Brooklyn, Nova Yorque  a 1 de Dezembro do ano de 1935. Iniciou a sua carreira a escrever textos humorísticos, todavia, não levou muito tempo a passar ao cinema. Escreveu e realizou filmes tais como:  Annie Hall (1977), Manhattan (1979), A Rosa Púrpura do Cairo (1985), Ana e as Suas Irmãs (1986), Os Dias da Rádio (1987), Maridos e Mulheres (1992), Matchpoint (2005), Scoop (2006), O Sonho de Cassandra (2008), entre muitos outros, mantendo a impressionante média de um filme por ano, muitos dos quais verdadeiras obras-primas do cinema. Nova Yorque é o cenário eleito para praticamente todos os seus filmes, além da sua habitual participação como actor, representando inequivocamente em todos eles, a figura de um judeu nova-iorquino neurótico e fracassado. A vida de Allen, no que diz respeito ao seu envolvimento com o elemento essencial feminino, vulgo mulher, tem feito escorrer muita tinta, nomeadamente os seus casamentos e respectivos divórcios e, por último, o polémico relacionamento e posterior casamento com Soon Yi, a filha adoptiva da sua ex-mulher Mia Farrow, que ao momento, ainda era sua esposa. Contudo e não obstante os factos, diga-se em abono da verdade, que foi ele, Woody Allen,  o responsável pelo lançamento de algumas das actrizes,  com quem namorou, ao fazer delas actrizes principais nos seus filmes.

Pura Anarquia é uma obra composta por 18 contos da autoria de Woody Allen cujo conteúdo literário se destaca pela riqueza estilística, sobretudo na linguagem jocosa e na forma como constrói comparações. Allen, mais não faz, para nosso gáudio e contentamento, do que um aproveitamento inteligente das abundantes cenas quotidianas, extraindo a comicidade nelas existente e moldando-a à medida da sua imaginação. Ler este livro provocou-me umas boas e sonoras gargalhadas e, na verdade, não obstante a presença dos largos laivos de surrealismo consegui perfeitamente imaginar e vivenciar as cenas descritas. Digo que, nesta obra está implícito, porque se sente como que a pairar… o nobre espírito da liberdade! Não houve a preocupação de fazer uma narrativa que obedecesse aos critérios vigentes e tidos como normais, melhor ainda, à razão. O narrador ou o seu espírito preocupou-se, tão só, em derramar o que uma consciência inconsciente…o instinto… lhe ditou!

Aconselho a sua leitura a pessoas descontraídas, (como eu) e que gostam de soltar os enclausurados fantasmas que, dentro de cada um de nós,  se vão criando pela sufocante rotina do dia-a-dia!