Prevenir para ganhar

Publicado por: Milu  :  Categoria: PARA PENSAR, Prevenir para ganhar

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A sabedoria para o espírito é como a comida para o corpo.

Textos Judaicos

Na linha do anterior post, trago-vos mais um artigo sobre os cuidados a ter para a manutenção do bem estar físico e psicológico.

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Tudo nas nossas vidas vem de dentro para fora. A beleza exterior é sempre projecção da saúde interna do organismo, de um metabolismo equilibrado. Até mesmo problemas comuns, cuja ocorrência normalmente atribuímos a causas externas, são reflexos de algum desequilíbrio interno. Os cabelos não encaracolam ou secam devido ao uso de um champô inadequado; não existe pele seca apenas por falta de creme hidratante, e as rugas não aparecem somente em função da idade.

Se alguma coisa deste tipo ocorre, é o metabolismo que está deixando a desejar. Ele regula todo o funcionamento orgânico: para que um ser humano respire, coma, chore, ria, escreva, leia, ame, enfim, viva, o seu organismo precisa de desenvolver funções metabólicas específicas. São elas que levam a energia ao sangue através de um processo que começa com a mastigação e culmina com a perfeita absorção do alimento ingerido.

O ser humano é um todo que precisa de funcionar em perfeita harmonia. Torna-se difícil encarar a vida com tranquilidade quando não se está satisfeito com o próprio corpo. Ninguém gosta de se olhar ao  espelho e ver celulite, barriga, cravos, espinhas ou cabelos oleosos; tudo isso é sinal de desajuste no metabolismo. O bom funcionamento do fígado, da vesícula, dos rins e dos intestinos é fundamental para que alguém se sinta bem e revele a beleza física. Prisão de ventre e enxaqueca são exemplos comuns de problemas que prejudicam a saúde e se reflectem na aparência. Com o metabolismo em ordem, a pessoa adquire alegria de viver e, consequentemente, torna-se mais bonita.

O processo de administração do metabolismo começa mais cedo do que possamos imaginar. É na infância que o controlo alimentar deve ser iniciado. Com o passar do tempo, toda a criança precisa de livrar-se daquele estado «rechonchuda». Os pais devem insistir numa alimentação equilibrada, que inclua verduras, legumes e frutas, e menos farináceos.

São os pais que incutem na criança hábitos que irão orientar as suas atitudes no futuro, em todos os sentidos, incluindo a alimentação. Para isso, há tácticas que podem ser seguidas. A principal é controlar, muito discretamente, o que a criança come, cortando excessos. Porém, ela nunca deve perceber a vigilância, pois isso poderá gerar ansiedade.

Não se deve acostumar a criança a biscoitos e bolachas, porque o seu paladar condiciona-se rapidamente a este tipo de alimentação e ela começa a desenvolver o que pode ser chamado de voracidade selectiva, isto é, a vontade de comer apenas determinados tipos de alimentos. Às vezes, esse problema relaciona-se com distúrbios orgânicos, mas, na maioria dos casos, os maus hábitos alimentares são os responsáveis. Por volta dos sete anos de idade, todos os órgãos do ser humano estão formados, incluindo o pâncreas, o último a completar o processo de amadurecimento.

O pâncreas é o responsável pela queima de açucares que, por sua vez, se transformam em gorduras, o que significa que nessa fase os pais já podem pensar em recorrer a um controlo alimentar mais efectivo. Nessa faixa etária, até à adolescência, é que se determina o número de células adiposas – de gordura – que a pessoa terá.

Há três tipos de casos em que a criança precisa de ajuda profissional:

  1. Era gorda e engordou mais ainda;
  2. Era obesa e continua assim;
  3. Era magra e, sem mais nem menos, começou a engordar.

Além das disfunções glandulares e da carga genética, também é preciso levar em conta os factores psicológicos. Quando a criança começa a perceber o mundo, fica mais sujeita ao que acontece à sua volta. O seu universo pode ser alterado pela entrada na escola, pela separação dos pais ou o nascimento de um irmão.

Vale dizer que uma criança gordinha é a primeira a notar que está a ficar diferente dos outros amigos. Em geral, torna-se alvo de brincadeiras até por parte dos adultos. Uma das maiores dificuldades da dieta na infância é a questão da motivação, já que a consciência da vaidade só chega mais tarde.

De qualquer forma, mesmo que a criança não esteja com alguns quilos a mais, nada impede que passe a engordar. O peso normal de hoje não é garantia de boa forma no futuro. Antes que a balança aponte alterações, uma série de sinais indica que é melhor tomar cuidado desde logo. Eis alguns deles:

  1. A criança passa horas diante da televisão ou jogando jogos de vídeo;
  2. Não se interessa por nenhuma actividade física;
  3. Nos aniversários dos amigos, apesar de participar nas brincadeiras, não perde de vista a bandeja dos doces;
  4. Gosta mais da cozinha do que qualquer outro lugar da casa;
  5. Até há pouco tempo, não ligava muito à comida, mas de repente começa a devorar tudo que lhe aparece pela frente, abusando de refrigerantes.

Em qualquer destes casos, é recomendável agir imediatamente. Ou seja, procure um médico.

Isso porque, entre os 12 anos de idade (ao terminar a infância) e os 15 (quando se encerra a primeira fase da adolescência), o quadro tende a piorar. Entram em cena as hormonas sexuais, trazendo mais confusão ao organismo, modificando o corpo, deixando o adolescente desnorteado. Por isso é uma fase perigosa. Trava-se uma batalha entre os chamados quilos positivos, aqueles que auxiliam o crescimento, e os quilos negativos, que significam só gordura, e devem ser queimados.

Muitas vezes, o adolescente come além do necessário e exagera nos alimentos gordurosos ou com muito açúcar. Quase todos cometem os mesmos erros: não tomam pequeno almoço, comem pratos enormes de arroz, feijão, batatas ou massas ao almoço, fazem um lanche reforçado, e devoram um jantar mais farto ainda. Além disso, petiscam entre as refeições, comendo tudo com muita pressa.

Por essa razão um adolescente pode engordar com muita rapidez. No entanto, mais importante do que qualquer dieta, seja ela qual for, é uma assistência psicológica correcta. Afinal, é na cabeça do adolescente que o seu peso será definido. A força de vontade para que o corpo seja mantido em forma deve ser elaborada pela própria pessoa. Mas nem só de dificuldades é feita a adolescência. Mesmo em relação ao emagrecimento, há diversos aspectos positivos. Nessa fase, o  metabolismo é acelerado, ou seja, o organismo gasta muito mais calorias do que ganha. Uma forma de tirar vantagem dessa situação natural é estimular a prática de exercícios físicos. Isso sem contar com a vaidade, que é outra chave-mestra para controlar os exageros, sem rigidez.

As recomendações básicas nessa fase são: comer em horários regulares, nunca comer entre as refeições ou suprimir uma delas, beber pelo menos um litro de água por dia, evitar bebidas adocicadas e reduzir o consumo de massas, fritos e doces.

Já dos 20 aos 30 anos, mais transformações estão a caminho. Ao mesmo tempo que o adulto conserva o comportamento despreocupado da adolescência, quando podia ser inconstante e inconsequente, vê-se obrigado a encarar a realidade: é hora de iniciar a carreira profissional, de aprender a dividir a vida com outra pessoa e até de ter filhos. São objectivos bastante definidos, e alcança-los torna-se mais importante que tudo. Na verdade, é uma corrida contra o relógio. O ritmo intenso não deixa sobrar tempo para mais nada. Mas o ciclo vicioso pode e deve ser interrompido. Por um motivo ou outro, a alimentação inadequada provoca desarmonia na aparência e no comportamento.

Enfim, são relativamente poucas as pessoas que estão felizes e, ao mesmo tempo, bonitas e sadias. E felicidade, beleza e saúde são o mínimo a que o ser humano tem direito, não só de experimentar, como de viver com intensidade. As pessoas que não se entregam de vez ao desânimo procuram terapeutas para ajudá-las a encontrar-se nesse quotidiano confuso. Existem também aquelas que se internam por alguns dias num health club, por exemplo, para perder peso, ou numa clínica, para um tratamento de sonoterapia, procurando o controlo do stress.

Nessa fase adulta, o equilíbrio energético compensa disfunções orgânicas. Assim, o organismo gasta a mesma quantidade de calorias que ganha. Não há tendência para armazenar nada.

Basicamente, três casos exigem tratamento médico:

  1. A pessoa foi sempre gorda e nunca se preocupou muito com isso;
  2. Foi gorda na adolescência, mas conseguiu emagrecer e agora voltou a ganhar peso;
  3. Era magra e, de repente, tem o seu peso aumentado.

Para inverter esta situação, é necessário pôr a cabeça no lugar. Não adianta nada tentar controlar o peso alternando banquetes com jejuns prolongados. O corpo vai reclamar, e o apetite será voraz. Uma alimentação correcta começa no pequeno almoço, em geral a primeira refeição a ser deixada de lado, mas que é o combustível do dia. O ideal é comer de forma satisfatória para que, até à hora do almoço, tudo seja consumido. Depois, mais uma boa refeição, aliada a exercícios físicos , provoca um excelente resultado.

As mulheres que estão bem em matéria de peso e nunca tiveram problemas com gordura não devem abusar da sorte. A escolha da pílula anticoncepcional, por exemplo, deve ser meticulosa. A pílula tem acção directa no descontrolo da gordura, na medida em que provoca uma alteração hormonal, com elevada taxa de hormonas femininas.

O fumo também não é recomendável por favorecer o aparecimento de celulite, que é uma inflamação do tecido adiposo. O conhecido aspecto de casca de laranja, tão detestado, ocorre devido à inflamação das células de gordura, gerando a formação de fibras que repuxam a pele para a profundidade. As dificuldades circulatórias que provocam estagnação, tanto linfática como sanguínea, também podem resultar em celulite. Isso sem contar causas como a obesidade, o sedentarismo e o stress, que aceleram a produção de catecolaminas, substâncias que aumentam a produção de gordura.

A flacidez também deve ser e pode ser combatida. Geralmente causada por emagrecimento rápido ou por alimentação precária, devido a dietas exageradas e mal conduzidas, a flacidez pode ser reduzida com sessões de musculação bem-feita e orientada, além de uma simples cápsula diária de gelatina.

Na fase dos 35 anos, é de espantar quem não tenha adquirido peso a mais. Quase todas as pessoas ganham alguns quilos nessa faixa de idade, mesmo as mais magrinhas. É que o corpo começa a preparar-se para a maturidade e, para isso, precisa de acumular energia, mesmo que o manequim permaneça inalterado. De salientar que há uma série de motivos que só têm a ver com a cabeça, mas que podem causar um aumento de peso. Uma separação, perda de emprego, morte de pessoas próximas acabam por gerar uma busca de compensação na comida. Então a cabeça luta com o corpo. De um lado, há vontade de voltar ao peso normal e, do outro, o organismo não ajuda muito.

O poder de sedução entra na fase de teste de resistência entre os 45  e 55 anos. Tanto homens quanto mulheres dividem-se em dois grupos: os que continuam  a lutar contra os quilos a mais e se saem bem, e os que nem querem ouvir falar de emagrecimento. Nessa idade já não se assimilam os alimentos como antes. Quase sempre ganha-se, lenta mas seguramente, de 5 a 10 quilos entre os 25 a 60 anos.

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O ideal, então, passa a ser o estabelecimento de metas de dieta. Querer a todo os custo voltar ao peso dos 20 anos é correr o risco de ter de fazer uma dieta demasiadamente restrita, difícil de ser mantida, e atingir um peso que não se estabilizará. Isto é, até dá para emagrecer, mas os quilinhos a mais voltarão aos poucos e, muito provavelmente, em maior quantidade.

Por isso, o objectivo mais importante da dieta nesta faixa de idade (45 a 55 anos) é perder os quilos indesejáveis sem ganhar uma aparência envelhecida.

O segredo consiste em não ter pressa.

A média ideal de emagrecimento é um quilo por semana, para que sejam preservadas a massa muscular e a taxa de hidratação do corpo. Indiscutível é que a perda rápida de peso compromete o tónus muscular e o nível de água no organismo, podendo provocar flacidez.

Durante a menopausa a gordura pode alojar-se nos seios, no pescoço, nos braços, na cintura e nos joelhos.

Um quadro nada animador.

A solução é mexer-se, literalmente.

Não deixar que as mudanças afectivas, no passar dos anos, comprometem o seu dia a dia na forma de tensão também é muito importante para quem quer evitar compensações alimentares.

Exercícios físicos são fundamentais, além do consumo de ferro e cálcio para evitar, entre outros problemas, a osteoporose. É bom lembrar que, nesta altura, o metabolismo está mais lento; porém a sabedoria estará mais aguçada para que a conduta , não só à mesa como na vida em geral, seja mais proveitosa.

Em resumo, PREVENIR É O MELHOR REMÉDIO.

Afinal, a aparência sadia, pele bonita e disposição para o trabalho e o lazer são consequências de um bom metabolismo.

 

Bibliografia

 

MALAFAYA, A. Maria. (1994). Viver em Harmonia. Edições Temas da Actualidade. Braga. pp. 1-11.

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