O Lado Selvagem

Publicado por: Milu  :  Categoria: O Lado Selvagem

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O Lado Selvagem
De
Jon Krakauer

Jon Krakauer é jornalista e um apreciador da prática do alpinismo. A sua popularidade como escritor é devida aos artigos que escreve para a revista “Outside”, e à colaboração prestada nas publicações “Nacional Geographic” e a “Geo”. A American Academy of Arts and Letters distinguiu a sua obra jornalística em 1999, com o Academy Award in Literature. A obra “O Lado Selvagem” foi vendida para a Itália, França, Holanda, Dinamarca, Brasil, entre outros. Durante mais de dois anos foi presença habitual na lista dos livros mais vendidos do “New York Times”.

“O Lado Selvagem” é uma obra do autor Jon Krakauer que nos faz o relato de um caso verídico, tornado público através de um artigo editado na revista “Outside”, que provocou em todos os que dele tiveram conhecimento uma onda amalgamada dos mais variados sentimentos. Christopher McCandless tinha sido encontrado morto no interior de um autocarro abandonado na floresta boreal do Alasca! A controvérsia imperou, houve quem o admirasse, quem o ridicularizasse e quem o considerasse irresponsável por ter teimado em levar a cabo tão arriscada empresa sem que antes, tivesse tido a preocupação de se preparar convenientemente para tão arrojados intentos. Todavia, Christopher McCandless esteve muito perto de sair vitorioso! Chris é um jovem recém-licenciado com distinção, bem-nascido, no seio de uma família de posses, o pai exercia a sua actividade profissional na NASA, considerado uma autoridade na tecnologia avançada chamada radar de abertura sintética, ou SAR. Foi o gestor do projecto da NASA para o lançamento pioneiro do “Seasat”, o primeiro satélite a ser equipado com aquele sistema. No Verão de 1990, mal terminou a sua licenciatura na Universidade de Emory em Atlanta, Chris, obstinadamente, tomou a sua própria vida nas mãos e decidiu o que fazer com ela! Leitor inveterado de Lev Tolstói, a quem muito admirava, por este ter tido a audácia de abandonar uma existência opulenta para viver irmanado  com os deserdados da vida, deixa-se influenciar por esta magnânima visão de liberdade e desapego. Numa atitude de rebeldia e desprezo pela civilização, doou a totalidade do seu saldo bancário, vinte e quatro mil dólares a obras de caridade, abandonou o carro e muitos dos seus pertences, deitou fogo ao dinheiro que lhe restava na carteira e encetou uma existência ao Deus dará, escorada apenas numa necessidade – manter-se vivo – objectivo primário! Partindo de Atlanta em direcção ao Oeste, vagueou pela América do Norte inebriado pela emoção de se sentir dono de si mesmo e do seu destino, renegou o próprio nome, aquele que havia sido escolhido pelos seus pais e auto-denominou-se Alexander Supertramp. Encetou assim, um percurso pleno de aventuras e acasos. Na Califórnia conheceu um casal de aventureiros, vendedores de bugigangas nas feiras, dos quais se tornou amigo. Comprou uma canoa em alumínio na qual navegou ao longo do rio Colorado. No dia 2 de Dezembro chegou à barragem de Morelos, passou a fronteira do México remando através das portas abertas do dique. Na noite da passagem para o novo ano entregou-se à contemplação asceta da lua cheia que se avistava sob o “Gran Desierto”, mil metros quadrados de dunas soltas, a maior extensão de deserto da América do Norte.

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Durante trinta e seis dias não viu nem falou com ninguém e conseguiu sobreviver com apenas dois quilos e meio de arroz. Nas peripécias do seu percurso teve a ventura de conhecer pessoas que o apreciaram devido ao seu carácter simples e despojado, de todos fez seus amigos! Chris julgou estar pronto para a grande aventura! Aquela que iria finalmente testar os seus limites e devolver-lhe a tão ansiada paz, que esperava almejar, depois de ter conseguido tão profundamente olhar para dentro de si mesmo! O Alasca! A sua “odisseia grandiosa no Alasca”! No dia 28 de Abril de 1992 embrenhou-se na ansiada caminhada penetrando no interior do Alasca, transportava consigo um saco de cinco quilos de arroz agulha, duas sanduíches e um saco de batatas fritas de milho. É tudo no que respeita à alimentação. Chris quis  ser audaz! Iria  viver em perfeita comunhão com a natureza! Pretendeu sobreviver retirando da natureza mãe tudo o que esta tem para oferecer. A caça, as plantas e os frutos, que mais não era preciso.

Na América, temos a tradição do”Grande Rio de Dois Corações”: levar as feridas até à zona selvagem para uma cura, um repouso, ou uma qualquer outra coisa. E, como no romance de Hemingway, se as feridas não forem demasiado graves, funciona. Só que isto não é o Michigan (nem as Grandes Florestas de Faulkner do Mississípi). Isto é o Alasca!

EDWARD HOAGLAND,
“Up THE BLACK TO CHALKYTSIK”

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CAMINHA PELA TERRA DURANTE DOIS ANOS, SEM TELEFONE, SEM GRUPOS, SEM ANIMAS DE ESTIMAÇÃO, SEM CIGARROS. A LIBERDADE TOTAL. UM EXTREMISTA. UM VIAJANTE ESTETA CUJO LAR É A ESTRADA. FUGIU DE ATLANTA. NÃO DEVEREIS REGRESSAR, “PORQUE NÃO HÁ NADA MELHOR QUE O OESTE.” E AGORA, PASSADOS DOIS ANOS DE VAGABUNDAGEM, CHEGA A AVENTURA FINAL E MAIS EXTRAORDINÁRIA. A BATALHA EM TOM DE CLÍMAX PARA DESTRUIR O FALSO SER INTERIOR E VITORIOSAMENTE CONCLUIR A REVOLUÇÃO ESPIRITUAL. DEZ DIAS E DEZ NOITES DE COMBOIOS DE MERCADORIAS E DE BOLEIAS TRAZEM-NO PARA O GRANDE NORTE BRANCO. SEM JAMAIS TER DE VOLTAR A SER ENVENENADO PELA CIVILIZAÇÃO, FOGE E CAMINHA SOZINHO PELA TERRA PARA SE PERDER NA FLORESTA.

ALEXANDER SUPERTRAMP
MAIO DE 1992

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