A origem do casamento e da monogamia

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“Em todo o caso, casai-vos. Se vos couber em sorte uma boa esposa, sereis felizes; se vos calhar uma má, tornar-vos-eis filósofos, o que é excelente para os homens.”

Sócrates

“Bachofen foi o primeiro a substituir o lugar-comum acerca de um estádio primitivo desconhecido com comércio sexual sem regras pela prova de que a literatura clássica antiga nos mostra uma quantidade de vestígios segundo os quais, antes do casamento singular, existiu de facto entre os gregos e asiáticos uma situação na qual não só um homem tinha comércio sexual com diversas mulheres mas também uma mulher o tinha com diversos homens, sem com isso violarem os costumes; que este costume não desapareceu sem deixar vestígios numa entrega limitada através da qual as mulheres tiveram de comprar o direito ao casamento singular; que, por esse motivo, a descendência só podia, originariamente, ser contada segundo a linha materna, de mãe para mãe; que esta vigência exclusiva da linha materna se manteve ainda por muito tempo, penetrando pelo período do casamento singular, com paternidade segura ou, pelo menos, reconhecida, e que esta posição originária das mães, como únicos progenitores seguros dos seus filhos, lhes garantia, bem como às mulheres em geral, uma posição social superior à que alguma vez desde então voltaram a possuir.” (Engels, 1985: 17-18).

“(…) sabia-se quem era a mãe de uma criança mas não quem era o pai e, por isso, o parentesco só era contado segundo a linha feminina, com exclusão da masculina: era o direito materno. E uma segunda consequência da falta de mulheres no seio da tribo – uma falta atenuada mas não eliminada pela poliandria – era precisamente o rapto sistemático, pela força, de mulheres de outras tribos.” (Engels, 1985:19).

“Bachofen tem ainda, sem dúvida, razão quando em geral afirma que a transição daquilo a que ele chama “heterismo” ou “procriação pantanosa” para o casamento singular se realizou essencialmente graças às mulheres. Quanto mais as relações sexuais tradicionais, com o desenvolvimento das condições económicas da vida e, portanto, com o desaparecimento do antigo comunismo e com a crescente densidade da população, perdiam, o seu ingénuo carácter primitivo e selvático, tanto mais humilhantes e opressivas essas relações tinham de parecer às mulheres e com tanto maior premência elas teriam de ansiar pelo direito à castidade, ao casamento temporário ou duradouro com apenas um homem, como uma redenção. Este progresso não podia ter partido dos homens quanto mais não seja pelo facto de que nunca até hoje de forma alguma lhes ocorreu renunciar aos encantos de um efectivo casamento de grupo. Só depois de as mulheres terem realizado a transição para o casamento acasalado é que os homens conseguiram introduzir a estrita monogamia – mas só para as mulheres. A família acasalada surgiu na fronteira entre selvajaria e barbárie, na maioria das vezes já no estádio superior da selvajaria, aqui e ali apenas no estádio inferior da barbárie. Ela é a forma de família característica da barbárie, tal como o casamento de grupo é a da selvajaria e a monogamia é a da civilização.” (Engels, 1985:64-65).

“Portanto, à medida que as riquezas aumentavam, por um lado elas iam dando ao homem uma posição mais importante que à mulher na família e, por outro, geravam um impulso para utilizar essa posição reforçada para modificar, em favor dos filhos, a ordem de sucessão tradicional. Isto era, porém, impossível enquanto vigorasse a descendência segundo o direito materno. Esta tinha, pois, de ser derrubada. Isto não foi de forma nenhuma tão difícil como hoje nos parece. (…) Bastou a simples decisão de que, de futuro, os descendentes dos companheiros masculinos deveriam permanecer nas gens, mas que os descendentes dos femininos deveriam ser dela excluídos, passando para as gens do pai. Deste modo tinham sido derrubados o estabelecimento da descendência por linha feminina e o direito de herança materno e introduzido o direito de herança paterno e a linha de descendência masculina.” (Engels, 1985:68).

“O derrube do direito materno foi a derrota do sexo feminino na história universal. O homem tomou o leme mesmo em casa, a mulher foi degradada, servilizada, tornou-se escrava do prazer dele e mero instrumento de reprodução. Esta posição rebaixada da mulher, tal como nos aparece abertamente, nomeadamente entre os tempos clássicos, é gradualmente embelezada e disfarçada, revestindo-se também, em alguns lugares, de formas mais suaves, mas não de forma nenhuma eliminada. O primeiro efeito da dominação exclusiva dos homens então instituída aparece na forma intermédia da família patriarcal, que então surgia. Aquilo que sobretudo a caracteriza não é a poligamia da qual falaremos mais tarde, mas:

“a organização de um certo número de pessoas, servas e livres, numa família, sob o poder paternal do chefe de família. Na forma semítica, este chefe de família vive em poligamia, o servo tem uma mulher e filhos, e o objectivo de toda a organização é a guarda de rebanhos e manadas numa área limitada”.

“A expressão “família” foi inventada pelos romanos para designar um novo organismo social cujo chefe tinha sob si mulher e filhos e um certo número de escravos, sob poder paterno romano, com o direito de vida ou de morte sobre todos.”

Marx acrescenta: “A família moderna contém em germe não só escravatura, mas também a servidão, pois tem desde o início relação com os serviços para a agricultura. Ela contém em si, em miniatura, todas as oposições que mais tarde se desenvolverão amplamente na sociedade e no seu Estado”.

“Uma tal forma de família mostra a transição do casamento acasalado para a monogamia. Para garantir a fidelidade da mulher, e, portanto, a paternidade dos filhos, a mulher é entregue incondicionalmente ao poder do homem: mesmo que ele a mate, estará apenas a exercer um direito seu.” (Engels, 1985: 70-71).

“A família monogâmica: Surge da família acasalada, conforme se mostrou, na época de fronteira entre o estádio médio e superior da barbárie; a sua vitória definitiva é uma das características da civilização nascente. Baseia-se na dominação do homem com o objectivo expresso da procriação de filhos e paternidade indiscutível, e essa paternidade é exigida porque os filhos deverão um dia entrar na posse dos bens paternos como herdeiros diretos. Ela distingue-se do casamento acasalado através de uma muito maior solidez do laço conjugal, que a partir de agora deixa de ser dissolúvel a bel-prazer de ambas as partes. Em regra, agora já só o homem é que pode dissolvê-lo e repudiar a mulher. O direito à infidelidade conjugal continua ainda agora a ser-lhe garantido, pelo menos pelo costume, concede-o expressamente ao homem, desde que ele não traga a concubina para a casa conjugal e, com o crescente desenvolvimento social, é cada vez mais exercido; mas, se a mulher se lembra da sua antiga prática sexual e a quer renovar, é punida mais rigorosamente do que nunca.” (Engels, 1985: 75).

“Da esposa espera-se que aceite tudo isto, mas que ela própria guarde uma rigorosa castidade e fidelidade conjugal. É um facto que a mulher grega do tempo dos heróis é mais respeitada do que a do período civilizado, mas a verdade é que para o homem ela acaba apenas por ser a mãe dos seus herdeiros legítimos, a sua principal administradora doméstica e a chefe das escravas – escravas que o homem pode transformar (e transforma) em concubinas, conforme lhe aprouver. É a subsistência da escravatura paralelamente à monogamia, a existência de jovens e belas escravas que, com tudo o que têm, pertencem ao homem que desde o início dá à monogamia o seu carácter específico de ser monogamia apenas para a mulher mas não para o homem. E ainda hoje ela tem esse carácter.” (Engels, 1985: 76).

“Com o decorrer do tempo, a família ateniense tornou-se no exemplo segundo o qual não só os restantes jónios mas também, cada vez mais, todos os gregos da metrópole e das colónias modelavam as suas relações domésticas. Mas, apesar de todo o isolamento e de toda a vigilância, as mulheres gregas encontravam, com bastante frequência, oportunidade de enganar os maridos. Estes, que se envergonhariam de reconhecer sentir o mínimo amor pelas suas mulheres, divertiam-se em toda a espécie de jogos amorosos com heteras; mas a degradação das mulheres vingou-se dos homens e degradou-os também a eles, até se afundarem na repugnância da pederastia e degradarem os seus deuses, tal como a si próprios, pelo mito de Ganimedes. Foi esta a origem da monogamia, tanto quanto podemos rastreá-la no povo o mais civilizado e desenvolvido ao máximo da Antiguidade.”

“Ela [monogamia] não foi, de modo nenhum, fruto do amor sexual individual, com o qual não tinha absolutamente nada a ver, já que os casamentos continuavam a ser, tal como antes, casamentos de conveniência. Ela foi a primeira forma de família que não estava fundada em condições naturais, mas em condições económicas, nomeadamente na vitória da propriedade privada sobre a originária propriedade comum natural. Dominação do homem na família e procriação de filhos que só pudessem ser seus e que estavam destinados a tornar-se herdeiros da sua riqueza eram os únicos objectivos do casamento singular, conforme os gregos exprimiam sem rodeios. De resto, o casamento singular era para eles um fardo, uma obrigação para com os deuses, o estado e os seus antepassados, obrigação que, precisamente, tinha de ser cumprida.”

“Em Atenas, a lei obrigava não só ao casamento mas também ao cumprimento de um mínimo dos chamados deveres conjugais por partir do homem. Assim, o casamento singular, não entra de modo nenhum na história como a reconciliação entre homem e mulher, nem muito menos como a sua forma suprema. Pelo contrário, aparece como a subjugação de um sexo pelo outro, como proclamação de um conflito entre os sexos até então desconhecido em toda a pré-história. Num velho manuscrito inédito, elaborado por Marx e por mim em 1846 encontro: «A primeira divisão do trabalho é a de homem e mulher para a procriação de filhos». E hoje posso acrescentar que a primeira oposição de classes que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo de homem e mulher no casamento singular e que a primeira opressão de classe coincide com a do sexo feminino pelo masculino. O casamento singular foi um grande progresso histórico, mas, ao mesmo tempo, inaugura, juntamente com a escravatura e a riqueza privada, aquela época, que dura até aos nossos dias, em que cada progresso é simultaneamente um relativo retrocesso, no qual o bem-estar e o desenvolvimento de uns se impõem através da dor e da repressão dos outros.” (Engels, 1985: 78-80).

“Com o casamento singular surgem duas permanentes figuras sociais características, que anteriormente eram desconhecidas: o amante permanente da mulher e o cornudo. Os homens tinham alcançado a vitória sobre as mulheres, mas as vencidas encarregaram-se generosamente da coroação. Paralelamente ao casamento singular e ao heterismo, o adultério tornou-se uma inevitável instituição social – proibido, duramente punido, mas irreprimível.” (Engels, 1985: 81).

“No entanto, se a monogamia foi, de todas as formas de família conhecidas, a única em que o amor sexual moderno se pôde desenvolver, isso não significa que esse amor se tenha desenvolvido exclusivamente ou só predominantemente dentro da monogamia, como amor recíproco dos cônjuges. Toda a natureza do rígido casamento singular exclui isso. Entre todas as classes historicamente ativas, isto é, entre todas as classes dominantes, a conclusão de casamento continuou a ser, tal como tinha sido desde o casamento acasalado, questão de conveniência, arranjada pelos pais. E a primeira forma que historicamente surge do amor sexual como paixão, e como paixão possível a qualquer pessoa (pelo menos das classes dominantes), como forma suprema do impulso sexual – o que constituiu precisamente o seu carácter específico – essa sua primeira forma, o amor cavalheiresco da Idade Média, não foi de modo nenhum um amor conjugal. Pelo contrário. Na sua figura clássica, entre os provençais, ruma a todo o pano para o adultério, e os seus poetas cantam-no. A flor da poesia amorosa provençal são as albas. Elas pintam com cores ardentes como o cavalheiro se deita na cama com a sua bela – mulher do outro – enquanto lá fora fica o vigia que o chama logo que aparecem os primeiros alvores da manhã (alba), para que ele possa ainda escapar sem ser notado.” (Engels, 1985: 84).

“Sem dúvida, também só por isso é que a Igreja Católica aboliu o divórcio, pois tinha-se convencido de que contra o adultério, como contra a morte, não havia mezinha que valesse. Nos países protestantes, pelo contrário, a regra é permitir ao filho-de-burguês escolher com maior ou menor liberdade uma mulher da sua classe, pelo que pode existir, e por conveniência se supõe sempre, um certo grau de amor na base do casamento, e o que corresponde à hipocrisia protestante. Aqui, o heterismo do homem é empreendido mais indolentemente e o adultério da mulher é menos regra. Mas, como em qualquer tipo de casamento, as pessoas continuam a ser aquilo que eram antes do casamento, e os burgueses dos países protestantes são, na maioria dos casos, filisteus, a consequência é que esta monogamia protestante, na média dos melhores casos, apenas conduz a comunidade conjugal a um aborrecimento mortal, que se designa pelo nome de felicidade familiar.”

“O melhor espelho deste dois métodos de matrimónio é o romance: para a maneira católica o francês, para o protestante o alemão. Em qualquer dos casos «ele ganha»: no romance alemão, o jovem ganha a rapariga; no romance francês, o marido ganha os cornos. Nem sempre há acordo quanto a qual deles fica pior. (…) Em ambos os casos, porém, o matrimónio é condicionado pela posição de classe dos interessados e, nessa medida, é sempre casamento por conveniência. Em ambos os casos é bastante frequente esse casamento de conveniência transformar-se na mais crassa prostituição – às vezes por parte dos dois, mas muito mais habitualmente da mulher, que só distingue da cortesã habitual pelo facto de não alugar o seu corpo num trabalho à peça, como operária assalariada, mas de o vender de uma vez por todas em escravatura. E valem para todos os casamentos de conveniência estas palavras de Fourier:

“Assim como na gramática duas negações constituem uma afirmação, na moral conjugal duas prostituições valem por uma virtude.(p.85-86).

“Na relação com a mulher, o amor sexual só se torna e só pode tornar-se regra efectiva entre as classes oprimidas, ou seja, hoje em dia, entre o proletariado – quer essa relação seja sancionada oficialmente ou não. Aí, porém, estão também eliminadas todas as bases da monogamia clássica. Aí falta toda a propriedade para cuja manutenção e transmissão hereditária a monogamia e a dominação do homem foram precisamente criadas, e com isso falta aí também aquele incitamento para que vigore a dominação do homem. Mais ainda: faltam também os meios; o direito burguês, que defende essa dominação, existe apenas para as classes possuidoras e para as suas relações com os proletários; custa dinheiro, e, por isso, em virtude da pobreza, não tem nenhuma validade para a posição do operário para com a sua mulher. Aí, o que decide são relações pessoais e sociais totalmente diferentes. E, sobretudo desde que a grande indústria tirou a mulher de casa, a colocou no mercado de trabalho e na fábrica e com bastante frequência a transformou no sustento da família, os últimos restos da dominação do homem no lar proletário perderam todo o seu fundamento – com excepção talvez ainda de um bocado de brutalidade contra a mulher, que desde a introdução da monogamia se vulgarizou. Assim, a família do proletário já não é uma família monogâmica em sentido rigoroso, apesar do amor apaixonado e da mais sólida fidelidade de ambos e apesar de todas as possíveis bênçãos espirituais e temporais. Daí que também o heterismo e o adultério, eternos companheiros da monogamia, apenas aí desempenham um papel quase ínfimo; a mulher readquiriu de facto o direito de se separar, e, quando já não se conseguem dar, os cônjuges preferem separar-se. Em resumo, o casamento proletário é monogâmico no sentido etimológico da palavra, mas de modo nenhum no seu sentido histórico.” (Engels, 1985: 84-85).

 

Bibliografia:

ENGELS, Friedrich. (1985). A Origem da Família da Propriedade Privada e do Estado. Lisboa. Edições Avante.

A Terceira Mulher

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“O Mundo está cheio de pessoas que desde a infância nunca entraram por uma porta aberta com a mente aberta”

E.B. White

Não! Este livro intitulado A Terceira Mulher, da autoria do filósofo Gilles Lipovetsky, apresentado como um dos ideólogos mais representativos da corrente «ética inteligente», que suporta uma cultura pós-modernista, baseada estruturalmente no predomínio do individual sobre o universal, e na diversificação extrema da conduta e dos gestos, não constitui uma abordagem sobre traições, adultérios, amantes  e companhia, como alguém com sorriso matreiro, sugeriu quando me referi a este livro.

A Terceira Mulher é um conceito, tal como o Terceiro Instruído de Michel Serres, e A Terceira Cultura de John Brockman.

O Terceiro Instruído é o título de um livro da autoria de Michel Serres, no qual o seu autor defende a teoria de que, para se ser instruído, não basta ser doutor, mas sim um homem de muitas culturas. O terceiro instruído é um tratado sobre a educação, que instiga à aventura de viajar, no intuito de enriquecer culturalmente, através do contacto com os costumes de outros lugares.

“Expõe o corpo ao vento e à chuva, porque, para ser verdadeiramente educado, é preciso te expores ao outro, esposar a alteridade e renascer mestiço.”

Assim, quando, por exemplo, um português emigra para um outro país, ir-se-á dar um encontro entre duas culturas, a cultura de origem, que é a portuguesa, e a cultura do país de chegada. Inevitavelmente, o emigrante português irá adotar alguns costumes desse país, nem que seja por uma questão de conveniência. Ao fim de alguns anos, esse emigrante não é mais a mesma pessoa, ele é um mestiço, está embebido de costumes oriundos de duas culturas. Houve um processo de bricolage, conceito de Lévi-Strauss, que consiste em fazer novos arranjos, adaptações. Já não é só português, mas também não é estrangeiro, é o resultado desses dois, ou seja 1+1=3 → O terceiro instruído. Porque nas Ciências Sociais 1+1=3, isto é, da junção de duas entidades resulta uma terceira, já que é constituída pelas outras duas mas diferente.

Quanto à Terceira Cultura, conceito de John Brockman, dirige-se a “cientistas e pensadores do mundo empírico que com seus trabalhos e com a forma de expor as ideias estão sobrepondo o intelecto tradicional ao tornar visível os significados mais profundos de nossas vidas, redefinindo quem e o que somos”.

Ou seja, é um espaço de interação entre os intelectuais tradicionais e os cientistas emergentes. Os intelectuais tradicionais seriam os humanistas, escritores, filósofos, etc, os cientistas eram então aqueles que no imaginário coletivo só se interessavam pelas ciências naturais, pela matemática e publicavam as suas descobertas em revistas especializadas e de difícil acesso e compreensão. Tantos uns como outros estavam de costas voltadas entre si.  Atualmente, na Terceira Cultura há espaço para a interação entre cientistas e humanistas e deu-se também uma junção. Um exemplo disso é o cientista português António Damásio, que escreve livros onde descreve as suas descobertas que podem ser adquiridos por qualquer pessoa e de relativa facilidade de compreensão. O Cientista dirige-se diretamente ao mundo.

Terceira Mulher, é um conceito que se exprime na junção e/ou interpenetração do tradicional com a modernidade. É a entidade que resulta da mulher tradicional mais a mulher moderna, e uma nova consciência de qual é o seu papel na sociedade, que passa a ser designada pela Terceira Mulher, ou  mulher pós-moderna.

A mulher da Tradição, ou primeira mulher, que em certas vertentes das nossas sociedades vai até inícios do século XIX, é de um tempo em que  a mulher é depreciada. Todos os mitos e discursos evocam a natureza inferior das mulheres. São-lhe atribuídas as tarefas menores, as actividades mais valorizadas são entregues aos homens, vinga a supremacia do sexo masculino sobre o sexo feminino. A mulher surge associada ao mal e à desordem, à feitiçaria, magia e ardis. Quando os homens falavam sobre as mulheres quase sempre era para as estigmatizar. Já Aristófanes, Séneca, Platão e outros alinharam na tradição de fazer sátiras contra a mulher. Aliás, Simone Beauvoir, aquando das suas pesquisas nas bibliotecas, em busca de dados para escrever a obra o Segundo Sexo, confessou um dia, que chegou a ficar tão indignada com os ditos injuriosos sobre as mulheres, proferidos pelos filósofos da antiguidade, que até lhe apetecia gritar!

A mulher da Modernidade, pós-tradicional, ou segunda mulher  pertence a um tempo que tem início no século XVII, quando começa a Modernidade, com Descartes, no entanto, para muitos autores, a Modernidade diz respeito à civilização moderna engendrada pela Revolução Industrial e pela generalização da economia de mercado. Agora, de bruxa a mulher passa a ser considerada a bela amada. Dá-se a exaltação da mulher e da sua beleza. A musa inspiradora. O tempo de “por detrás de um grande homem está uma mulher”. Goethe escreve: “O eterno feminino eleva-nos para as alturas”. A mulher é reconhecida como tendo o poder civilizador dos costumes, a fada do lar, a educadora, etc.

Finalmente a Terceira Mulher, ou Mulher Indeterminada! E o que dizer desta mulher?? –

A Terceira Mulher  é o que ela quiser ser!

Antes, a mulher não era mais do que aquilo que o homem queria que ela fosse. A existência feminina estava pré traçada: casar, ter filhos, desempenhar tarefas menores e cuidar dos pais velhos e até dos sogros. Agora é ela que escolhe o seu caminho, como e quando. Tudo se tornou não uma obrigação, um destino premeditado pelos constrangimentos sociais, mas uma opção. Já nenhuma atividade está vedada às mulheres. Encontram-se, tal como os homens, em posição de poderem definir e de inventar a sua própria vida. Conquistaram o poder de se governarem a si mesmas. A primeira e a segunda mulher estavam subordinadas ao homem, a terceira mulher está sujeita a si mesma, constitui-se na sua autocriação. Contudo, há que notar que não terminou a desigualdade entre os sexos. E a mulher continua a querer preservar a sua feminilidade. Algumas continuam a ter um grande apreço pela vida doméstica. Não esquecer que a Tradição e a Modernidade se interpenetram. Mas o que a mulher agora fizer, fá-lo porque quer, não porque seja o seu papel. O que aconteceu foi que se deu um processo de igualização das condições dos dois sexos, no que diz respeito ao direito da auto-orientação, da individualidade soberana que dispõe de si mesma e do seu futuro, sem um modelo social directivo.

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Para Pensar! Pensar!

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A LIQUIDEZ DO HOMEM PÓS-MODERNO

Autor: Renato Nunes Bittencourt

Talvez nunca a humanidade tenha alcançado um estado de consciência acerca da dor e da sua própria finitude de modo tão elevado como na cultura contemporânea. Buscamos de todas as maneiras meios de escaparmos das experiências dolorosas e tristes, vislumbrando acima de tudo a aquisição de um utópico estado de prazer eterno. Com efeito, os avanços tecnológicos nos proporcionaram em muitas circunstâncias um aprimoramento da qualidade de vida, favorecendo assim a dinamização do tempo para o seu uso em atividades mais aprazíveis. Porém, será que sabemos fazer uso adequado do tempo livre que dispomos para a realização de atividades que efetivamente ampliam a nossa potência de agir, tornando-nos mais criativos e solidários? Talvez não, e esse é o paradoxo inscrito no seio de nossa sociedade tecnologizada. Simultaneamente ao fato de termos obtido um considerável desenvolvimento material, ao mesmo tempo nos diluímos enquanto pessoas, pois pretendemos adequar todas as nossas interações apenas àquilo que de alguma maneira nos proporcionará vantagens imediatas.

A era em que vivemos é a era da liquidez, esse é o diagnóstico feito por Zygmunt Bauman, pensador polonês de grande vigor intelectual, dono de um estilo que associa na sua escrita clareza argumentativa profundidade e beleza retórica. De acordo com a análise nevrálgica de Bauman, os valores que a nossa cultura ocidental até então estabelecera como os mais nobres e elevados cada vez mais diluem-se como a água que se escorre das nossas mãos, sem que sejamos capazes de detê-la. A vida líquida é uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante. Bauman constata que a vida na sociedade “líquido-moderna” é uma versão perniciosa da dança das cadeiras. O prêmio nessa competição é a garantia temporária de ser excluído das fileiras dos destruídos e evitar ser jogado no lixo [Vida Líquida, p. 10].

Esse processo simbólico de liquefação dos valores mais elevados da condição humana manifesta- se em diversas perspectivas de nossa vida em sociedade, tendo como característica comum a incapacidade de nos relacionarmos com a pessoa do “outro” de maneira plena, compreendendo assim a sua subjetividade e singularidade. Tendemos sempre a valorar a figura do “outro” tal como ela se apresenta diante de nós e não nela mesma, decorrendo daí os preconceitos, as diversas expressões de intolerâncias, em suma, a incompreensão da subjetividade do “outro”, que, infelizmente, progressivamente perde a sua própria natureza humana, singular, única, para se tornar uma mera coisa com a qual nos relacionamos de maneira fria, egoísta e superficial.

Um dos sintomas mais evidentes da “sociedade líquida” em que vivemos é a intolerância da massa social diante de tudo aquilo que de alguma maneira se considera como desvio de conduta ou que destoa dos padrões vigentes. Todo tipo de comportamento ou modo de ser que supostamente não se coaduna com nossos princípios particulares torna-se digno de nosso mais terrível desprezo, pois no fundo queremos ver estampado no rosto do “outro” um pouco daquilo que nós mesmos somos. Tudo aquilo que se expressa como “diferente” diante de nossos olhos é imputado enfaticamente como “extravagante”, merecendo assim a nossa reprovação imediata e o convite ostensivo a adequar-se aos nossos conservadores parâmetros axiológicos. Caso a resposta do “outro” diante de nossa exortação seja negativa, nos consideramos no pleno direito de desprezar a expressão da diferença. Esta é a lógica excludente da neurótica sociedade pós-moderna, despreparada para interagir com a diversidade de perspectivas, pois para o indivíduo acomodado nos seus valores conservadores, é muito mais fácil tentar modificar o outro do que a si mesmo. Sempre a figura do “outro” é a culpada pela minha insegurança e derrota. É através desse tipo de ponderação que surge o espírito de tensão diante das ameaças terroristas, pois os governantes, interessados na manutenção do domínio político sobre a massa social, elegem como figura inimiga o outro, o intruso do país, tal como vemos atualmente na tendência absurda de considerar todo muçulmano como um terrorista em potencial. Os medos nos estimulam a assumir uma ação defensiva. Quando isso ocorre, a ação defensiva confere proximidade e tangibilidade ao medo, segundo a análise de Bauman (Tempos Líquidos, p. 15).

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A liquefação dos valores da era pós-moderna manifesta como seu problema por excelência o projeto de suprimir a consciência de alteridade, a capacidade de compreendermos o outro na sua própria pluralidade de significados e vivências. Suprimindo a alteridade, cada vez mais empobrecemos as nossas relações interpessoais, pois reduzimos nossas experiências existenciais apenas àquilo que julgamos conveniente segundo nossos escusos critérios de avaliação. Um agravante a ser inserido nessas considerações é que dissimulamos essa incapacidade de convivência com a diferença através da criação de preceitos “politicamente corretos”, pois muitas vezes demonstrarmos publicamente adequação irrestrita a esses princípios de respeitabilidade social, mas intimamente permanecemos racistas, machistas e intolerantes diante do “outro”, ou ainda buscamos perseverar no nobre propósito de aceitar as diferenças, mas no primeiro desagravo que sofremos da parte do “outro”, lançamos-lhes as nossas violentas invectivas. Desenvolvemos o crônico medo de sermos deixados para trás, de sermos excluídos (Medo Líquido, p. 29). Tememos assim a proximidade do outro, pois este, na visão distorcida que dele fazemos, traz sempre consigo uma sombra ameaçadora, capaz de desestabilizar o frágil suporte de nossa organização familiar, de nossa atividade profissional e de nossa sociedade como um todo. Sendo o outro proclamado como o verdadeiro culpado por todo infortúnio da vida corriqueira, tudo aquilo que é feito para minar a sua dita influência maléfica sobre nós se torna válido. O agravante de tal situação é que muitas vezes colocamos o outro em situações vexatórias ou em condições vitais degradantes, e ainda por cima esperamos dele respostas positivas.

Desenvolvemos o crônico medo de sermos deixados para trás,
de sermos excluídos. Tememos assim a proximidade do outro

Nesse mundo marcado pelo alto índice de violência e pela necessidade de aceleração das nossas atividades cotidianas, seja na profissão ou nos estudos, optamos por viver encerrados e supostamente protegidos por muros e grades pretensamente invioláveis. Da mesma maneira, queremos distância da diferença, pois consideramos que somente o igual é bom, belo e útil para nós. Podemos constatar que a própria estética das grandes metrópoles modificou- se de forma grotesca nas últimas décadas. Os casarões antigos até podiam ser envolvidos por grades, mas estas eram constituídas de tal forma que permitia ao observador externo contemplar a beleza do imóvel, tratando-se muito mais de uma delimitação territorial do espaço ocupado. Atualmente, ocorreu uma mudança radical no modo como são elaboradas as estruturas espaciais das casas e prédios, evidenciando uma busca insana por segurança.

A necessidade mais profunda do ser humano é a de superar seu
estado de separação em relação ao outro, deixando assim a prisão de sua solidão

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Ora, como a busca por segurança pode ser algo insano? De fato, parece uma idéia paradoxal, mas é tal comportamento que impera na nossa sociedade pós-moderna. De tanto vislumbrarmos a criação de mecanismos infalíveis de defesa perante o outro, o desconhecido, acabamos por desenvolver afetos reativos, medos, ou seja, a própria insegurança pessoal diante do mundo que nos circunda. O mal pode estar oculto em qualquer lugar, não se pode confiar em ninguém. Conforme salienta Bauman, grande parte do capital comercial pode ser e é acumulado a partir da insegurança e do medo (Tempos Líquidos, p. 18).

Uma nova estética da segurança modela todos os tipos de construção e impõe uma nova lógica de vigilância e distância. Se uma casa ou um prédio público não é ornado com grades nem possui câmeras de monitoramento, eles não nos inspiram a menor confiança. Somente nos sentimos seguros se somos vigiados a cada instante e se um grande muro de concreto nos isola da realidade externa. Permanece sempre uma atmosfera de insegurança no ar, pois, apesar de todos os recursos técnicos para nos proteger que possuímos, fica ainda essa tensão diante das ameaças externas. Talvez mesmo que permanecêssemos numa redoma hermeticamente fechada, a dúvida diante do desconhecido ainda nos afetaria. Como é possível vivermos assim?

As práticas amorosas também refletem essa tendência de esvaziamento da interatividade humana, pois a nova ordem é apenas usufruir aquilo que o outro nos oferece, para que possamos em seguida descartá-lo sem qualquer peso na consciência. O complexo de Don Juan vigente na cultura mega-hedonista em que vivemos, longe de significar uma plena afirmação da condição amorosa e da própria sexualidade de uma pessoa, na verdade manifesta a sua pobreza existencial e a sua incapacidade de satisfazer-se plenamente através da sua relação sentimental com o outro. Podemos dizer que a relação amorosa genuína desvela o espírito de alteridade entre duas pessoas, que se compreendem e se valorizam enquanto expressões subjetivas singulares. A necessidade mais profunda do ser humano é a de superar seu estado de separação em relação ao outro, deixando assim a prisão de sua solidão. Erich Fromm, que exerceu notável influência sobre Bauman, diz que “se eu amo o outro, sinto-me um só com ele, mas com ele como ele é, e não na medida em que preciso dele como objeto para meu uso” [A arte de Amar, p, 35].

Já as práticas líquidas do “amor” representam uma transposição da lógica consumista para o âmbito das relações humanas, pois o propósito maior é obter o máximo possível de contatos sexuais, em detrimento da qualidade e da profundidade das vivências. Nesse processo de degradação da experiência amorosa, o mais importante é aumentar cada vez mais o catálogo de nomes das “conquistas”, tudo em nome da soma de prazeres sensoriais, que, todavia, nunca satisfazem os desejos do fragmentado homem da pós-modernidade. Um desejo, sendo realizado, não gera um estado de satisfação duradouro na afetividade do indivíduo, levando-o então a correr atrás de novas conquistas, que servem de estímulos fortes para a manutenção de sua frágil sanidade psíquica. Esse processo de busca desenfreada por novas conquistas ocorre muitas vezes por uma necessidade narcisista do indivíduo adquirir reconhecimento diante dos seus “amigos” e de sua própria sociedade, caracterizando assim a falsa imagem de que o homem pretensamente bem sucedido sexualmente é feliz.

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Do momento em que o bem-estar genuíno proporcionado pelo amor, para ser alcançado, requer essa interação sincera entre duas partes distintas, a tendência egoísta de utilizar-se o outro como meio de obtenção de prazer conduz a um processo de reificação da condição humana, diluída na sua própria evasão axiológica. Isso não significa uma apologia da existência de um amor eterno, mas sim a necessidade de que o sujeito contemporâneo possa participar de um relacionamento movido pelo propósito de, mediante a capacidade de proporcionar bons afetos ao seu parceiro amoroso, recolher a partir daí a sua felicidade. O tipo egoísta é incapaz de amar o outro, mas tampouco é capaz de amar a si mesmo. O que o egoísta supostamente venera em si mesmo é a máscara social que ele utiliza como instrumento de fuga de si mesmo, de sua própria pobreza existencial. Para Bauman, “Nos compromissos duradouros, a líquida razão moderna enxerga a opressão; no engajamento permanente percebe a dependência incapacitante” (Amor Líquido, p. 65).

Bauman define as “práticas amorosas” virtuais e os relacionamentos
afetivos marcados pela efemeridade como “relacionamento de bolso”

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Talvez o fato mais curioso da condição amorosa da atualidade é que, apesar de toda liberdade sexual que conquistamos, tal fato não favoreceu de modo algum o enriquecimento das nossas relações amorosas; pelo contrário, o indivíduo contemporâneo em nenhum momento demonstra superioridade nas disposições amorosas do que a humanidade medieval ou antiga. A magia romântica do amor dissolveu- se na velocidade da vida dinâmica em que vivemos na vertiginosa era da alta tecnologia. Por temermos a proximidade com o outro, preferimos então abrir mão das relações amorosas concretas para adentramos na dimensão das relações virtuais. Conforme os dizeres de Bauman, “é preciso diluir as relações para que possamos consumi-las” (Amor Líquido, p. 10).

A grande vantagem do amor mediatizado pela tela de computador é que assim evitamos a intimidade invejável com a presença do parceiro. Se porventura essa relação torna-se enfadonha, basta apertar algum botão e excluir para sempre o contato dessa pessoa da lista. O mundo virtual, que deveria proporcionar a aproximação entre os indivíduos, acaba então motivando ainda mais a ruptura interpessoal, com o agravante de que o amor virtual se trata de uma ilusão afetiva, ainda que supostamente prazerosa para aquele que dela se utiliza. Os relacionamentos virtuais são assépticos e descartáveis, e não exigem o compromisso efetivo de nenhuma das partes pretensamente envolvidas. Bauman define tanto as “práticas amorosas” virtuais como os relacionamentos afetivos marcados pelo gosto pela efemeridade pelo termo “relacionamento de bolso”, pois podemos dispor deles quando necessário e depois tornar a guardá-los (Amor Líquido, p. 10).

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Cumpre dizer que a própria mídia é uma grande incentivadora dessa tendência dissolvente dos valores elevados da cultura humana, pois continuamente ela despeja na massa social a idéia de que está na moda o ato de se “ficar” com várias pessoas sem que mantenha compromisso duradouro com ninguém, uma vez que assim, segundo os critérios dessa lógica “mega-hedonista”, amplia-se o número de experiências afetivas. Troca-se de parceiro como se troca de roupa, e assim a lógica do descarte pessoal impera na liquidez humana de nossa contemporaneidade.

Quando alguém diz que “fica” com várias pessoas, será que de fato essa pessoa “fica” com alguém? Aliás, será que podemos dizer que a pessoa imersa na liquefação da pós-modernidade é capaz de ficar consigo mesma, isto é, adquirir autoconsciência, interiorizar- se, compreender o seu próprio potencial criativo? A mídia, ao invés de motivar na coletividade social a busca efetiva por mais cultura, utiliza-se do potencial consumidor do indivíduo para continuar exercendo o seu poder controlador sobre as massas. Não é a toa que os grandes heróis da mídia caracterizam- se geralmente pela ausência de senso crítico, pois a eles cabe apenas representar o papel de chamariz de sedução do grande público, daí decorrendo a necessidade de se apresentarem como corpos fortes, aparentemente saudáveis.

Os apontamentos de Bauman sobre a vertiginosa liquefação da condição humana nos servem de alerta para o rumo que escolhemos seguir nesse momento de grandes inovações científicas e tecnológicas. A exposição do declínio das relações humanas não significa, nessas condições, um olhar pessimista sobre a nossa cultura contemporânea, mas uma incitação por mudanças, a fim de que nossas vidas se enriqueçam efetivamente, não mediante aspectos quantitativos e materiais, mas pelo aprimoramento de nosso modo de se relacionar com o mundo externo e com a figura do outro. Certamente assim nos tornaremos pessoas consistentes, concretas, com algo de belo e criativo a transmitir para os nossos interlocutores.

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REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos laços humanos. Trad. de
Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
_________. Medo Líquido. Trad. de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
_________. Tempos Líquidos. Trad. de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2007.
________. Vida Líquida. Trad. de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
FROMM, Erich. A Arte de Amar. Trad. de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Retirado no dia 14/09/14 no site http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/21/artigo77280-3.asp