O Ouro Negro

Publicado por: Milu  :  Categoria: ISLÃO, O Ouro Negro

Não há nenhum caminho tranquilizador à nossa espera. Se o queremos, teremos de construí-lo com as nossas mãos.”

J. Saramago

Prosseguindo o desenvolvimento da recém criada categoria dedicada ao estudo do Islão, pode-se dizer que o post de hoje vem mesmo a propósito, uma vez que tem como protagonista principal o Ouro Negro, mais precisamente o petróleo. Numa altura, em que o nosso país está no limiar de uma crise energética, devido à ameaça de greve dos motoristas que transportam materiais perigosos, faz todo o sentido publicar um post que demonstra a importância do petróleo. É confrangedor constatar que, apesar de todos os avanços da ciência e da tecnologia, continuamos actualmente tão vulneráveis a uma crise dos combustíveis como se era no século passado.

Porém, é do Islão que se pretende falar, por isso este post apenas incidirá na importância do petróleo do Médio Oriente, nomeadamente para a hegemonia americana. Como todos bem sabemos, os recursos naturais sempre tiveram um papel importantíssimo para o crescimento das nações, mas no que diz respeito ao petróleo, este transformou-se na fonte de energia primária mais importante, o combustível do capitalismo. Assim sendo, o acesso e controle das principais reservas de petróleo do mundo tem implicado uma tenebrosa disputa pelo poder à escala internacional. O Médio Oriente concentra mais de 60% das reservas totais do mundo, facto que torna a região um alvo de constante e intenso interesse da política de segurança energética.

“A figura dominante do pan-arabismo foi o coronel Gamal Abdel Nasser. Foi ele, com o general Naguib, quem liderou o comité de jovens oficiais revolucionários que derrubou o rei Faruk e instalou no Cairo o partido da União Nacional (inspirado na Constituição portuguesa de 1933)” (PINTO, 2015: 77).

“Nasser e o seu movimento representavam uma alternativa nacionalista e populista ao nacionalismo liberal e ocidentalizante do Wafd. Nasser encarnava o mito do Rais (chefe), do líder carismático, não só dos árabes, mas das massas muçulmanas e africanas que, por esses anos 50, entre a conferência de Bandung e a crise do Suez, desafiavam o ocidente europeu.” (PINTO, 2015: 77).

“Nasser foi o chefe mítico das massas árabes por quase 15 anos, desde esse 26 de Julho em que nacionalizou o Canal de Suez até à sua morte, em 1970. Foi o caudilho do mundo árabe, como Getúlio foi do Brasil nacionalista, Perón dos proletários argentinos, Lumumba da África radical, Castro e Che da revolução continental das Américas – e da «revolução cubana» imaginada pelos adolescentes das burguesias da Europa” (PINTO, 2015: 78).

“Nasser quis ser o Libertador, o Moisés, dos descendentes dos escravos dos Faraós, das multidões do Cairo e de Alexandria, habituadas a serem mandadas e enquadradas por ingleses coloniais, com a cumplicidade das grandes burguesias expatriadas ou apátridas da região. O nacionalismo árabe militar foi isso: quadros médios em uniforme, colectivos de oficiais que, aos poucos, se foram eliminado e saneando, até que ficassem Mubarak no Cairo, Saddam em Bagdad, Assad em Damasco, Kadhafi em Tripoli. Pelo meio, ou entre eles e os reis por eles derrubados ou assassinados, outros cadáveres de outros homens civis ou de uniforme foram cimentando o caminho. Dez ou vinte séculos depois, repetiam nos seus novos Estados as rotas de todos os tempos fundacionais – dos césares romanos ou das dinastias medievais, alçados ao poder por pretorianos insatisfeitos ou por feudais bárbaros e vorazes” (PINTO, 2015: 78).

“Por razão deles ou culpa nossa, estes revolucionários eram anti-ocidentais. Para eles, o Ocidente eram os estrangeiros que, no século XIX, tinham expulsado dos Balcãs e da Grécia os otomanos, que os tinham dominado com a artilharia naval ou com forças expedicionárias transportadas em barcos de ferro; ou que – pior ainda – os tinham arruinado e explorado, emprestando-lhes o capital para infra-estruturas modernas e talvez inúteis e usando depois o crédito para os pôr sob tutela. «Os Ocidentais» eram, sobretudo, os ingleses ou, na Síria e no Norte de África, os franceses. Mas o poder sufocante por excelência era o britânico: desde o tempo da derrota da frota de Bonaparte em Aboukir, pelo almirante Nelson, e das duas digressões pelo Mediterrâneo Oriental, até à compras das acções do Estado egípcio no Canal de Suez” (PINTO, 2015: 78-79). (…)

“Contra Nasser e as suas pretensões de liderança do mundo árabe, erguera-se, entretanto, a Arábia Saudita, numa dupla afirmação de tradicionalismo religioso e político. A partir do princípio do século XX, Ibn Saud, o refundador da família e o fundador do Reino, prosseguira uma política de hegemonia das tribos árabes, procurando fazer a unidade na Península, desde o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, do Índico ao Mediterrâneo. Livre dos turcos a seguir a 1918, vai conquistar aos Hachemitas o título de Guardião dos Lugares Santos, passando daí a controlar também as peregrinações a Meca, com as respectivas receitas. Em 1932, proclama-se rei da Arábia. Mas para a consolidação do seu poder, vai concorrer outro elemento decisivo” (PINTO, 2015: 79).

A Segunda Guerra Mundial provara que o petróleo passara a ser o recurso estratégico por excelência, e que parte da derrota de Hitler se devera às falhas de abastecimento energético da sua máquina militar. Ora, em 1936, em Hasa, no Nordeste da Arábia, tinham sido descobertas jazidas de petróleo; no entanto, a grande mudança de estatuto da Arábia Saudita só viria no dia 14 de Fevereiro de 1945, quando Ibn Saud e o quase moribundo F. D. Roosevelt assinaram um pacto de aliança, a bordo do cruzador Quincy. Meses antes, a sul do Cairo, Saud encontrara-se com Churchill, mas o velho monarca percebera os novos tempos e quem mandava. A partir daí, os Estados Unidos passaram a ter direitos quase monopolistas sobre o petróleo do Reino, a troco de protecção militar” (PINTO, 2015: 79-80).

“A equação energética vai assim entrar em força no Islão e no Médio Oriente. A república norte-americana liga o seu destino à casa de Saud, a cabeça e o bastião do tradicionalismo sunita e a protectora e aliada do rigorismo wahabita. Também os limites fronteiriços entre a Arábia Saudita e os seus vizinhos – Iraque, kuwait, Iémen, Omã, Abu Dhabi – vão ser condicionados pela repartição das áreas petrolíferas” (PINTO, 2015: 79-80).

“É a imensa riqueza energética da Arábia Saudita que lhe vai garantir progressiva importância na Liga Árabe e na OPEP. E é logo a seguir à guerra de Junho de 1967 que os produtores árabes decidem, como represália embargar os fornecimentos de petróleo aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha e destinar 20% dos seus rendimentos à luta contra Israel” (PINTO, 2015: 79-80).

“(…). Os sucessivos choques petrolíferos, além de porem fim ao crescimento de longo prazo das economias ocidentais, alteraram os termos do poder entre conservadores e progressistas no bloco árabe. Os países produtores, entretanto reunidos na OPEP, também se deram conta da natureza ambígua da arma petrolífera: preços muito altos podiam ter – e tiveram – efeitos perversos para os seus interesses. Por um lado, encorajavam os importadores ocidentais a investir em energias alternativas; por outro, acima de certo preço, tornavam rentável a exploração de muitos dos poços que, nos Estados Unidos, estavam abandonados” (PINTO, 2015: 79-80-81). (…).

“O petróleo como arma política”

“Mas a 6 de Outubro de 1973 um acontecimento inesperado ia mudar esta situação, alterando a balança do poder na OPEP e na Liga Árabe. Era o «Yom Kippur», o Dia do Perdão, o dia mais sagrado do calendário judeu. Os crentes deviam cumprir 25 horas de jejum (do cair da noite do primeiro dia à mesma hora do segundo) e rituais de arrependimento e de contrição. As rádios e as televisões não emitiam, por respeito ao preceito, o que ia aumentar o efeito de surpresa da manobra. Às 14 horas, os exércitos do Egipto e da Síria atacavam Israel nas suas fronteiras da Guerra dos Seis Dias. Tropas da Arábia Saudita, da Jordânia, do Iraque, do Kuwait, , de Marrocos e da Tunísia estavam também mobilizadas. Antes do ataque, Sadat persuadira o rei Faiçal a apoiar o movimento” (PINTO, 2015: 84-85).

“Ao contrário do sucedido nos conflitos anteriores, os egípcios estavam bem preparados: passaram o canal, infligiram perdas sérias aos israelitas e prosseguiram durante três dias no Sinai. Os israelitas, depois de terem perdido um quarto da sua Força Aérea, com os aparelhos abatidos pelos SAM 6 egípcios, sofreram também grandes perdas de tanques. Oitenta mil egípcios atravessaram o canal” (PINTO, 2015: 85).

“O governo de Telavive, para atender à substituição de máquinas e munições, fez um apelo desesperado a Washington, pedindo uma linha de reabastecimento. Nesses dias do Outono de 1973, a situação na capital americana não era fácil: o vice-presidente Spiro Agnew acabara de renunciar ao cargo, através de um acordo judicial com a Procuradoria-Geral, para evitar o risco de prisão por actos fraudulentos cometidos quando governador de Maryland; e o próprio presidente Nixon estava sob fogo dos investidores, do Congresso e dos media, na sequência do Watergate. O secretário de Estado Kissinger e o secretário de Defesa Schlesinger decidiram autorizar e montar uma ponte aérea para Israel, utilizando como ponto de passagem os Açores. Desta ponte aérea, iniciada a 14 de Outubro pela USAF, faziam parte caças F-4 Phantom, helicópteros CH-53, tanques M60, centenas de viaturas militares e mísseis de todos os tipos para substituir os abatidos nos combates de Kippur” (PINTO, 2015: 85).

Tinham-se desatado as fúrias: o ministro saudita do Petróleo, Zaki Yamani, preveniu Washington de que a ponte aérea de reabastecimento de Israel levaria o governo saudita a cortar o fornecimento de petróleo aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os produtores do Golfo, incluindo o Irão, declararam um aumento de preço do barril de 3,01 para 3,63 dólares. Em seguida, Kadhafi quase duplicou o preço e declarou o embargo contra os Estados Unidos. Os sauditas subiram para 5,11 USD o barril. É o rei Faiçal quem vai declarar o embargo contra os Estados Unidos; logo a seguir, o Kuwait, o Qatar, o Bahrein e o Dubai juntam-se à Arábia Saudita, à Líbia, à Argélia e ao Abu Dhabi no boicote, fechando o círculo. De fora, só fica o Irão do xá Mohamed Reza Pahlevi, a derradeira esperança do amigo americano” (PINTO, 2015: 85-86).

“(…). O mercado do petróleo começara a alterar-se ainda antes da guerra do Kippur: os sauditas queriam condições contratuais mais favoráveis com a ARAMCO (Arabian-American Oil Company), o Inverno tinha sido rigoroso e o Xá endurecera as negociações com os consórcios petrolíferos. No Verão de 1973, na Casa Branca e no Capitólio, discutiam-se alternativas às possíveis represálias dos produtores do Médio Oriente perante o apoio norte-americano a Israel. E se os Árabes deixassem de vender petróleo aos Estados Unidos?” (PINTO, 2015: 86-87).

“A época de caça estava aberta: na Líbia, uma faixa de terra quase deserta entre o Sara oriental e o Mediterrâneo, com mais de um milhão de quilómetros quadrados mas menos de dois milhões de habitantes, o coronel Muammar al-Kadhafi, que derrubara em Setembro de 1969 o rei Idris, parecia disposto a usar politicamente os seus 2 300 000 barris diários. Tomava posições radicais, cancelava os acordos militares com os Estados Unidos, expulsava os expatriados italianos, apoiava generosamente a guerrilha palestiniana e, como o Xá, queria brinquedos militares novos: 114 caças-bombardeiros Mirage” (PINTO, 2015: 87).

“Kadhafi deitou mãos à obra a 1 de Setembro, anunciando a nacionalização de 51% das acções das companhias petrolíferas a operar no país; no mesmo dia, soube-se que o presidente Sadat do Egipto conseguira do rei Faiçal da Arábia Saudita a promessa de cortar a produção de petróleo do Reino aos Estados Unidos se estes não mudassem a sua política pró-Israel” (PINTO, 2015: 87).

“A situação agravava-se: os Estados Unidos consumiam cerca de 24 milhões de barris/dia e produziam apenas 11 milhões. O que fazer se, de um dia para o outro, os fornecedores do Golfo decidissem parar a exportação de crude para a América? Directa ou indirectamente, os governos conservadores da região, como o Irão, a Arábia Saudita e a Jordânia, e a própria União Soviética tinham feito saber a Washington que Sadat estava a preparar-se para atacar Israel. Os israelitas negavam essa possibilidade. O ministro dos Estrangeiros de Telavive, Abba Eban, dissera a Kissinger que os egípcios não tinham recursos nem capacidade militar para semelhante ataque” (PINTO, 2015: 87-88).

“Afinal tinham. Em 6 de Outubro, sírios por um lado, egípcios pelo outro, avançaram, abalando as defesas de Israel. A 20 de Outubro, o rei Faiçal declarava o corte total de fornecimento de petróleo aos Estados Unidos; a Líbia, a Argélia e Abu Dhabi já o tinham feito; depois, fora a vez do Kuwait, do Qatar, do Bahrein e do Dubai. O boicote era total. Tudo isto enquanto, em Washington, corria o Watergate, com Nixon debaixo de fogo. Mas, perante a ameaça, kissinger e Schlesinger puseram as Forças Armadas americanas em DEFCON 3 (Defense condition 3, um status intermédio entre a paz, DEFCON 5, e a guerra , DEFCON 1), enviaram três porta-aviões a toda a velocidade para o Mediterrâneo Oriental e a 82ª Divisão Aerotransportada entrou em alerta. Foi o Xá, ao continuar os fornecimentos de crude , quem impediu que os americanos, desesperados com a falta de petróleo para a Sexta Esquadra, ocupassem um dos sultanatos do Golfo” (PINTO, 2015: 88).

Bibliografia

PINTO. Nogueira, Jaime. (2015). O Islão e o Ocidente. D. Quixote. Alfragide.

A Palestina

Publicado por: Milu  :  Categoria: A Palestina, ISLÃO

Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade.” (Einstein)

Prosseguindo nesta minha iniciativa de elaborar um trabalho que denominei de mini curso sobre o Islão, apresento-vos hoje um excerto sobre a Palestina. Através dele são introduzidos novos termos, como o sionismo, a Diáspora e o anti-semitismo. Neste pequeno excerto também podemos constatar a maldita cobiça, na sede sempre presente pelo imperialismo, (política de expansão e domínio territorial, cultural e económico de uma nação dominante sobre outras). Esta prática da formação de impérios que se desenvolveram e, em muitos casos, foram dissolvidos ou substituídos por outros, está registada na história da humanidade. Boas leituras!

“O caso mais complicado do novo xadrez imperial britânico no Médio Oriente era o mandato sobre a Palestina, atingido desde o princípio por uma agenda contraditória, que por um lado prescrevia a criação de uma «Casa nacional para o povo judeu» e por outro queria salvaguardar os direitos políticos e económicos das comunidades não judaicas – árabes e cristãs – que ali existiam. O sinonismo moderno é uma forma de nacionalismo judaico, aparecida nos finais do século XIX, que defende a criação de um Estado no território de origem do povo judeu – a Palestina. Tirou o nome da ideia messiânica do regresso a Jerusalém (Sião, na versão bíblica tradicional). Note-se que muitos judeus ortodoxos são violentamente contrários ao sionismo e defendem a permanência da Diáspora*, como modo e lugar ideal de viver o judaísmo” (PINTO, 2015: 67).

O movimento teve causas directas, como o recrudescimento do anti-semitismo** na Rússia, na Europa Oriental e em França, e teve como textos de referência obras como «O Estado Judeu», de Theodor Herzl, que, em 1897, tinha promovido em Basileia o primeiro congresso da Organização Mundial Sionista” (PINTO, 2015: 68).

A Declaração Balfour, pela qual Londres se comprometia com a fundação na Palestina de um «lar para o povo judeu», abria passo a um reforço da imigração judaica, como colonatos apoiados pelos Rotschild. Os sionistas também se dividiam em relação aos árabes e às políticas restritivas de Londres: enquanto um núcleo, chefiado por David Ben-Gurion, advogava uma posição moderada, negociadora, perante palestinianos e ingleses, outro, liderado pelo jornalista e activista Vladimir Jabotinsky, preconizava a criação de um Estado judaico por quaisquer meios” (PINTO, 2015: 68).

Graças aos fortes propósitos do movimento sionista de retornar a Israel, nas vésperas da Grande Guerra haveria já, na Palestina, cerca de 85 000 judeus. Depois da Declaração Balfour (1917), esta migração de judeus para a Palestina, acompanhada da aquisição de terras pelo Jewish National Fund, foi dando origem a um ciclo de confronto: em 1935, os nacionalistas palestinianos passavam à luta armada contra os ingleses e os colonatos judaicos, inaugurando um tempo de violência que dura até hoje” (PINTO, 2015: 68).

Em 1937, a Peel Commission, uma comissão nomeada pelo gabinete de Londres, reconhecia que entre os cerca de um milhão de árabes e 400 000 judeus que estavam na Palestina não havia comunidade nem entendimento possíveis e que, assim sendo, a partilha territorial era o caminho a seguir. Só que a partilha territorial então preconizada não era propriamente equitativa: das terras da Palestina, os judeus recebiam a melhor parte – quer em localização geográfica, quer em riqueza agrícola. A agravar as coisas, a Peel Commission previa ainda transferências populacionais para fazer coincidir as zonas atribuídas com as comunidades étnicas. Finalmente, os árabes não iam ter direito a um Estado palestiniano, ficando com as suas áreas adstritas à suserania de Abdllah, rei da Jordânia” (PINTO, 2015: 68-69).

O resultado foi a revolta armada – com atentados contra os militares e funcionários ingleses e contra colonos judeus. Estes ataques e assassínios causaram, por sua vez, uma violenta repressão. Foram 25 000 os soldados e polícias britânicos que dela se encarregaram, destruindo casas de suspeitos, internando em campos de concentração cerca de 10 000 activistas e simpatizantes da revolta e fazendo 5000 mortos” (PINTO, 2015: 69).

A resistência palestiniana e o começo da guerra na Europa levaram Londres a esquecer o relatório Peel e a publicar uma nova norma (o White Paper), com recomendações para uma solução mais equitativa: limites à emigração judaica (um tecto de 15 000/ano) deviam conduzir a um maior equilíbrio entre as comunidades, ficando os judeus com um terço da população total; previa-se também a criação, em dez anos, de um Estado palestiniano sob um governo misto de árabes e judeus” (PINTO, 2015: 69).

De acordo com as disposições de Sykes-Picot, na partilha dos domínios otomanos do Levante, à França cabiam o Líbano e a Síria, mais um pedaço da Anatólia. Faiçal, o filho de Hussein, fora proclamado rei da Síria pelo Congresso Sírio, reunido em Damasco, em Março de 1920, mas a Conferência Aliada decidira outra coisa, com o apoio da Liga das Nações, reconhecendo o mandato francês sobre a Síria e o Líbano. Era um velho sonho colonial de Paris, que vinha das Cruzadas e se repetira com Napoleão, tendo por base demográfica as comunidades cristãs orientais do Líbano e da Síria” (PINTO, 2015: 69).

Assim, entre 1920 e 1930, os árabes e os muçulmanos do globo estavam ou ficavam sob tutela dos europeus. No Médio Oriente, tinham trocado o domínio turco – exercido pelos seus correligionários religiosos – por um condomínio de «poderes cristãos», os imperialismos laicos e económicos de Londres e Paris. No resto do mundo, o controlo estendia-se ao Índico e ao Pacífico, à Índia britânica e à Indonésia, onde existiam grandes comunidades islâmicas, também dominadas pelos ingleses e pelos holandeses (PINTO, 2015: 69-70).

Geralmente, as potências europeias exerciam o poder ou directamente, colonialmente, ou em regime de mandato ou tutela, apoiados em potentados locais, como os Hachemitas no Levante ou os sultanatos e emiratos do Golfo Pérsico. De qualquer modo, para comunidades com uma longa tradição civilizacional, com cidades, cultura, negócios, elites sofisticadas, esta perda da independência política era humilhante” (PINTO, 2015: 70).

*Diáspora: A palavra Diáspora deriva do hebraico e significa dispersão, expulsão e exílio. É o termo que define as migrações do povo judeu – quase sempre por expulsão. Assim, acabaram por se espalhar pelo mundo. As consequências directas da Diáspora estão na formação das comunidades judaicas. É prevista na Bíblia e define a busca do povo pela terra prometida. O Egipto e a Babilónia foram os destinos dos judeus nos dois principais movimentos de Diáspora a partir do século 6 a.C. Embora tenham sido escravizados, o movimento permitiu a troca de informações culturais, linguísticas e religiosas, reforçando a identidade dos povos. No exílio, o povo judeu manteve a tradição de disseminação das escrituras por meio dos centros de estudos judaicos.

**Anti-semitismo: Preconceito contra ou ódio aos judeus. O Holocausto é o exemplo mais radical de anti-semitismo na história. (Semita: termo criado pelo orientalista alemão August Ludwig Schlözer, utilizando o nome de um dos filhos de Noé, Sem, e servia para designar as línguas cujo parentesco foi estabelecido na Idade Média pelos eruditos judeus: o hebraico, o aramaico e o árabe. Actualmente os povos chamados de semitas são essencialmente judeus e árabes, mas na antiguidade também havia assírios, babilónios, arameus, cananeus e fenícios).

Bibliografia

PINTO. N. Jaime. (2015). O Islão e o Ocidente. A Grande Discódia. Dom Quixote. Alfragide.

Islão – Os Fundadores

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As religiões, assim como as luzes, necessitam de escuridão para brilhar.”

Arthur Schopenhauer

Tal como havia prometido, eis-me a dar continuação à tarefa a que me propus, que consiste na publicação de uma série de posts, que terão como finalidade lançar “umas luzes” sobre o islão aos incultos na matéria, grupo no qual me incluo e que me deixa algo desconfortável. Afinal, custa assim tanto ler alguns livros sobre o assunto? Deste feita, o post incide sobre os fundadores do islão. Escusado será dizer que, conforme avançamos na sua leitura, mais constatamos que os custos para engendrar uma religião são muito elevados. Muito sangue, muita traição e muito horror. Atente-se bem nas descrições e verifique-se até onde se pode ir numa loucura colectiva. Neste texto, retirado da magnífica obra intitulada “O Islão e o Ocidente“, da autoria de Jaime Nogueira Pinto, também poderemos perceber o que é um Sunita, o que é um Xiita e como se formou a oposição entre estas duas facções religiosas. Boas leituras!

No ano de 570 nasce em Meca, na zona de Hijaz da Península Arábica, um jovem de nome Mohamad ibn Abdullah. Neste tempo, as cidades de Meca e Medina viviam do comércio; a Arábia era então terra de beduínos, nómadas que erravam pelo deserto em busca de nascentes e de oásis. Viviam ali cristãos e judeus, mas os beduínos que por ali paravam eram maioritariamente pagãos, politeístas, adorando pedras, ídolos e forças naturais” (PINTO, 2015: 23).

Quando Maomé nasceu já o pai tinha morrido, e aos seis anos ficou também órfão de mãe. Foi, por isso, criado por um avô e por uns tios, dedicando-se com eles ao comércio. Depois, conheceu uma viúva, Khadija, mulher mais velha para quem trabalhava e com quem viria a casar, ainda que na Península Arábica não houvesse o hábito de casar com mulheres que já tivessem sido casadas. Desse casamento nasceram seis filhos: dois rapazes e quatro raparigas, mas os rapazes morreram cedo” (PINTO, 2015: 23).

Maomé costumava retirar-se para a montanha para meditar. Um dia, junto do Monte Hira, apareceu-lhe o anjo Gabriel, sob a forma de uma luz intensa, ordenando-lhe que recitasse com ele palavras de adoração e de veneração a Deus. Maomé sentiu-se desamparado e chegou a recear tratar-se de um artifício dos demónios, mas, voltando a casa, Khadija encorajou-o a ouvir e a repetir os ensinamentos do Anjo. Assim surgiu, no Islão, a revelação, transmitida pelo anjo de Deus a Maomé; revelação que o profeta inscreveu palavra por palavra no Corão” (PINTO, 2015: 23).

“O Antigo Testamento é a história da aliança de Deus com o povo de Israel e também o anúncio da vinda de um Salvador. Cristo, Jesus de Nazaré, é, para oos cristãos, o Messias, o filho de Deus Encarnado para resgatar a humanidade. O Deus de Israel e o Deus de Jesus é um Deus único, criador do Céu e da Terra e dos homens” (PINTO, 2015: 24).

“A revelação do anjo Gabriel a Maomé, transcrita no Corão, constitui o terceiro capítulo do monoteísmo, o texto fundacional da última das religiões do Livro. Tal como os profetas e como Cristo, Maomé começou a sua pregação, mas os homens de Meca, pagãos e politeístas, perseguiam-no, obrigando-o a refugiar-se em Medina com alguns companheiros. A Hégira é a fuga do Profeta para Medina, em 622” (PINTO, 2015: 24).

“A campanha militar de Maomé para impor o Islão em Medina e Meca, e depois às tribos Hijaz, marca a unidade entre o poder religioso, o poder político e o poder das armas. Enquanto no Islão Estado e Religião estão unidos, no judaísmo há uma dualidade entre profetas e reis, cabendo o poder político e militar aos reis de Israel e Judá e não aos sacerdotes e Javé; dualidade que Cristo vem revigorar e extremar ao revelar que o Seu reino não é deste mundo” (PINTO, 2015: 24).

Depois da morte de Maomé, o Mensageiro de Deus, o poder passou para o Khallifat Rasul Allah, o «Representante do Mensageiro de Deus». Os califas, Abu Bakr, seguido de Omar e depois de Osman e de Ali, são, para os sunitas, os sucessores legítimos de Maomé. O califa é o «chefe da comunidade islâmica», o que «herdou do Profeta o comando», e as suas atribuições são políticas. O poder do califa só é religioso na medida em que é a religião fundada pelo Profeta que o legitima, mas «o Sucessor» não pode tocar no conteúdo da fé nem no ritual, que fazem parte da revelação” (PINTO, 2015: 24).

“Maomé começou por doutrinar os beduínos e dominar a Arábia, mas bem cedo os califas iam guiar os guerreiros prosélitos do Islão à conquista do Oriente, conquista que vai unir os árabes. Os sassânidas da Pérsia e os bizantinos tiveram de os enfrentar, mas foi nesses territórios conquistados, que hoje correspondem à Síria e ao Iraque, que se consolidou o novo poder. E foi daí que partiram para norte e para oeste, guerreando os impérios vizinhos. Ao conquistar o Egipto e a Síria, o califa Omar alargou os domínios do Islão, definindo os princípios da Jihad ou Guerra Santa” (PINTO, 2015: 24-).

“Jihad significa combate, mas, no Corão, o combate é sobretudo um combate individual, o esforço pessoal do crente com vista ao aperfeiçoamento ou a uma prática da fé que o leve pelo caminho certo e o aproxime de Deus: «O verdadeiro combatente é o que trava um combate consigo mesmo», diz o profeta. Assim, o grande combate é este combate interior, a Jihad al Akbar, e é a par dele que aparece um outro, a Jihad al Asghar, o pequeno combate, o combate armado contra os inimigos do Islão, «os politeístas». O judaísmo e cristianismo ficariam, assim, fora desta categoria de inimigos de Deus – Jesus (Issa) é, no Corão, um profeta e um mensageiro de Deus, tal como Abraão, Moisés e Maomé” (PINTO, 2015: 25).

“No entanto, depois da campanha de submissão e conversão dos beduínos pagãos ao Islão, os califas foram alargando o conceito de Jihad às expedições guerreiras seguintes contra os cristãos do Império Bizantino. A conveniência política sobrepunha-se ao rigor dos textos” (PINTO, 2015: 25).

“Vem também deste primeiro século do Islão a diferença entre sunitas e xiitas, hoje conhecida pedra de divisão e conflito no interior da comunidade dos crentes. Os sunitas consideram Abu Bakr e os outros califas, Omar, Osman e Ali, legítimos sucessores de Maomé; para os xiitas o único sucessor é Ali, o primo e genro do profeta que sucedeu a Osman depois do seu assassínio” (PINTO, 2015: 24).

A história do conflito entre o sunismo e o xiismo é uma história fascinante e trágica, a história da «Grande Discórdia», da Fitna (luta no interior da comunidade), que vai dividir os crentes. Morto Maomé em junho de 632 e devendo a sucessão cair sobre um seu «mais próximo», sucede-lhe o seu companheiro Abu Bakr, cujo califado dura apenas dois anos; Abu Bakr escolhe para sucessor Omar, nos dez anos do seu califado, conquista a Síria, a Palestina, o Egipto e a Mesopotâmia” (PINTO, 2015: 26).

“Quando Omar morreu, foi um conselho de seis membros (a Shura) que se decidiu por Osman, do clã dos omíadas de Meca. Ali, primo direito, companheiro e genro do Profeta, fazia parte desta Shura que escolheu Osman. Não o confrontou, mas não terá gostado da escolha. Osman, ainda que companheiro de Maomé, era omíada, membro da elite urbana de Meca que inicialmente perseguira Maomé e resistira ao Islão. Ali vinha do grupo de exilados que seguira Maomé para Medina para escapar às famílias poderosas de Meca. Da luta que depois se travou, resultou o assassínio de Osman no seu palácio de Medina e a aclamação de Ali como califa, em junho de 656. Para os seus partidários, os xiitas, Ali era o sucessor natural de Maomé, o primeiro e único sucessor do Profeta; e os três califas – Abu Bakr, Omar e Osman – meros usurpadores. Assim, a seguir à morte de Osman, o povo de Medina aclamou Ali, «reparando o erro» e entregando o poder ao «verdadeiro sucessor de Maomé» – por parentesco, companheirismo e virtudes pessoais” (PINTO, 2015: 26).

“A morte de Osman e a sucessão de Ali, sem o acordo da maioria dos companheiros do Profeta, desencadeou a «Grande Discórdia» no interior da Umma, a comunidade dos crentes. Os omíadas da Síria, chefiados por Muawia, iniciaramm então uma vendeta contra Ali, que acusavam de cumplicidade na morte de Osman. Ali viajou para o Iraque, abrindo o conflito armado que, 30 anos depois da morte do fundador, partia o mundo islâmico. Era a guerra civil dentro da casa do Islão, a Fitna, o conflito armado, jurídico e religioso que inflamou a Grande Discórdia” (PINTO, 2015: 26-27).

“Ali retirou-se para Kufa, na margem do Eufrates, onde foi assassinado à porta da Mesquita, em Janeiro de 661, e Muawia fez-se aclamar califa em Jerusalém. Mas a morte de Ali não acabou com o que viria a ser o xiismo (shia significa parte, facção, shi’al Ali é o partido de Ali). Pelo contrário, da morte do escolhido, ou do seu martírio, nasceu um mito, pleno de milagres e de fenómenos extraordinários – desde o aparecimento de uma relíquia da Arca de Noé no lugar da sua sepultura, junto a um rochedo de onde partia uma luz misteriosa, a todo um ritual de memória, arrependimento e expiação” (PINTO, 2015: 27).

“Com um exército reunido na Síria, Muawia lançou-se na perseguição dos descendentes de Ali, Hassan e Hussein, netos do Profeta, filhos de Ali e de Fátima, filha de Maomé. Mas em vez de resistir, o primogénito Hassan renunciou ao califado. Para os xiitas a rendição de Hassan foi um honroso esforço para evitar a guerra entre os crentes, para os outros não terá passado de uma desonrosa cedência a troco de compensações financeiras e honoríficas. Hassan voltou a Medina, morreu no seu palácio e foi enterrado no cemitério de Al-Baqi” (PINTO, 2015: 27).

Para a historiografia xiita, Hassan foi envenenado por uma das suas numerosas companheiras, a mando de Muawia. Quando Muawia morreu, em 680, sucedeu-lhe o filho, Yazid. Yazid fixou-se em Damasco e o segundo filho de Ali, Hussein, a viver em Medina, foi encorajado pelos xiitas de Kufa a reclamar o califado, que achavam que lhe pertencia legitimamente por sucessão. Partiu de Meca, para onde viera em peregrinação, e viajou até ao Iraque. Só que as promessas de apoio dos xiitas de Kufa não se confirmaram e a pequena força de Hussein acabou massacrada em Karbala pelas tropas do governador. O corpo de Hussein, cuja cabeça foi decepada e enviada como troféu, terá sido mais tarde levado para Damasco e ali enterrado. Karbala tornava-se um dos lugares sagrados do martirológio xiita” (PINTO, 2015: 27-28).

“Estes episódios foram então vistos como uma luta dinástica pelo poder, igual a tantas outras, passadas, presentes e futuras. O seu conteúdo religioso foi–se consolidando depois, contribuindo para a constituição do xiismo como tradição alternativa à da maioria sunita” (PINTO, 2015: 28).

“Na sua origem, o xiismo é indissociável do sentimento de culpa e do desejo de expiação dos notáveis de Kufa que, tendo desafiado e animado Hussein a disputar o califado, não o tinham apoiado devidamente, tornando-se assim réus da dua morte. Este grupo, conhecido pelos «Penitentes», vai transformar o xiismo numa religião de arrependidos, reflectindo o remorso colectivo e o desejo de reparação pela traição a Hussein, vitimado pela cobardia e pela infidelidade dos seus. Há neste arrependimento e neste desejo de expiação semelhanças com a culpa e a expiação cristãs que aproximam o xiismo do cristianismo. É daqui que vêm as práticas de auto-expiação e de autoflagelação xiitas, os chamados rituais de Ashura. Nesse ano de 685, os Penitentes foram atacados e mortos por tropas sírias – uma morte prenunciada e desejada. Nos 200 anos seguintes, vão suceder-se à frente do partido xiita os descendentes de Hussein: o último, Hasan al-Askari, morreria em 873” (PINTO, 2015: 28).

“Entretanto, os califas omíadas tinham perseguido a expansão. É impressionante a velocidade de conquista das forças do Islão. Como lembra um historiador:

«Um ano depois de terem saído das fronteiras da Arábia, em 633, os árabes já tinham atravessado o deserto e derrotado o imperador bizantino Heráclio, nas margens do rio Yarmuk; em três anos tinham tomado Damasco; cinco anos mais, Jerusalém; passados oito anos controlavam totalmente a Síria, a Palestina e o Egipto. Em 20 anos, todo o império persa, até ao Oxus, tinha caído sob a espada árabe; em 30, era o Afeganistão e a maior parte do Punjab»” (PINTO, 2015: 28-29).

“Consolidadas as conquistas do Médio Oriente e do Egipto, os mulçumanos tentaram tomar Constantinopla, mas foram repelidos pelo imperador Constantino IV. Voltaram então a expansão para ocidente, avançando pelo Norte de África. Estes filhos do deserto não tinham navios, mas, com o apoio dos cristãos das terras conquistadas do Egipto e da Síria, construíram uma armada e atacaram os bizantinos – que só se defenderam e sobreviveram graças ao «fogo grago». A marcha para ocidente enfrentou , no Magrebe, a resistência dos mesmos bizantinos e dos berberes cristãos, e só em 693 caiu Cartago. Daí, foi o avanço até ao Atlântico” (PINTO, 2015: 29).

Em 711, Tariq ibn Zaid, comandando 9000 berberes islamizados, atravessou o estreito que separava Tânger do Sul de Espanha, derrotou os visigodos em Guadalete, conquistou a Andaluzia e chegou a Toledo, de onde tinha fugido toda a população, à excepção dos judeus. Ajudou-o a luta dinástica dos visigodos, entre o rei Rodrigo e os filhos de Vitiza, Sisebuto e Ebas, num episódio que Herculano romanceou em Eurico, o Presbitero. No ano seguinte, outro conquistador, Musa ibn Nusair, animado pelas vitórias de Tariq, passou o Estreito com 18000 homens, tomou Huelva e Sevilha e foi juntar-se a Tariq em Toledo” (PINTO, 2015: 29-30).

A razão principal da velocidade vertiginosa da marcha muçulmana era, além dos cavalos, a tolerância dos conquistadores para com as populações cristãs e judaicas, que consideravam suas irmãs no Livro e, como tal, dispensadas da conversão forçada ou da morte destinadas aos aos pagãos. Mas a marcha de expansão doi interrompida quando, em 732, em Poitiers, perto de Tours, os muçulmanos foram vencidos por Carlos Martel, rei dos Francos. Assim, ficaram-se pela Península Ibérica, que baptizaram com o nome de Al-Andaluz e onde permaneceram quase até ao final do século VX” (PINTO, 2015: 30).

Bibliografia

PINTO. N. Jaime. (2015). O Islão e o Ocidente. A Grande Discódia. Dom Quixote. Alfragide.