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	<title>Miluzinha - Blog</title>
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	<description>A melhor forma que encontrei de me expressar!</description>
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		<title>Histórias de um tempo</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 13:52:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de um tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto retirada daqui
O género de liberdade mais importante, é seres verdadeiro.
JIM MORRISON
Quando há uns tempos decidi iniciar um novo ciclo na minha vida, que implicou da minha parte uma pausa nestas lides bloguísticas, estava bem longe de imaginar quão longa esta se viria a tornar. O inusitado silêncio a que me votei, tem como causa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/08/cesta-de-frutas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3807" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/08/cesta-de-frutas.jpg" alt="" width="474" height="474" /></a>Foto retirada <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.amarportugal.com.pt/flores-para-oferta/1240-cesta-de-frutas.html" target="_blank">daqui</a></span></p>
<h3 style="text-align: center;">O género de liberdade mais importante, é seres verdadeiro.</h3>
<p style="text-align: right;">JIM MORRISON</p>
<p style="text-align: justify;">Quando há uns tempos decidi iniciar um novo ciclo na minha vida, que implicou da minha parte uma pausa nestas lides bloguísticas, estava bem longe de imaginar quão longa esta se viria a tornar. O inusitado silêncio a que me votei, tem como causa principal, o impasse em que ainda permaneço, visto que continuo sem possuir dados verdadeiramente conclusivos sobre os resultados da missão a que me propus, situação que de todo me  tem tolhido a inspiração. Amorfa e sem alor, por aqui tenho andado, sem vontade nem alento para contar as minhas histórias, pedaços de mim, do meu viver e do meu sentir, que ao que parece, tanto convidam à introspecção.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outras palavras, fui, pelo que se pode depreender, acometida de uma grave doença, que tem o feio e desonroso nome de “preguicite aguda”, a qual investiu sobre a minha pobre pessoa com ímpeto tal, que me anulou completamente o garbo, que antes tanto medrava em mim, e que me impelia para a necessidade de escrever e assim prover a necessária actualização deste blog, senão com frequência, pelo menos com alguma regularidade. Contudo, não deixei nunca, de me ir mantendo a par dos acontecimentos que se foram operando noutros blogs, principalmente daqueles a que me sinto ligada afectivamente, na medida em que, em plena interacção uns com os outros, tempos houve, em que chegamos a formar um pequeno núcleo, numa grande comunidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois numa dessas visitas ocasionais, quis o acaso, que deparasse com um texto, de um desses nossos amigos,  que estava a concorrer a um desafio denominado Blogagem Colectiva e cujo tema versa sobre “A Fruta da Minha Região”, uma iniciativa do blog “<span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #ff6600;"><a href="http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/" target="_blank">Aldeia da Minha Vida</a></span></span>”, cuja orientação temática está direccionada para o Turismo, por conseguinte, sensível aos valores característicos e intrínsecos das diferentes regiões do nosso país.</p>
<p style="text-align: justify;">O José Pinto, autor do blog <span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff;"><a href="http://cabecaweb.blogspot.com/" target="_blank">Cabeça Web</a></span></span>, concorreu com um texto inspirado em ancestrais hábitos alimentares das gentes simples, por isso intitulado de<span style="color: #ff6600;"><a href="http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/2010/07/uma-barrigada-de-fruta.html#comments" target="_blank"> <span style="text-decoration: underline;">Barrigadas de Fruta</span></a></span>, no qual pretendia exemplificar em como antigamente não se comia uma peça de fruta, mas antes cestadas, cabazadas e bornais. Pois bem, de imediato me senti reportada para os tempos da minha meninice, naqueles tempos em que também  eu tive as minhas barrigadas de fruta. Poderia ter contado uma qualquer história pitoresca sobre os meus assaltos aos quintais dos vizinhos &#8211; que tenho muitas -  mas, em vez disso, optei por narrar uma história de família, que não só envolve barrigadas de fruta como também ternura e amor fraternal. E não é que ganhei um livro, o “Guia Turístico Aldeias Históricas de Portugal,  da autoria de Susana Falhas, a mesma autora do blog Aldeia da Minha Vida e directora da <strong>Olho de Turista</strong>, porque o meu comentário foi considerado aquele que melhor representou o espírito da Blogagem?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Para ler o texto do José Pinto e o meu comentário clique<span style="text-decoration: underline;"> <span style="color: #ff6600;"><a href="http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/2010/07/uma-barrigada-de-fruta.html#comments" target="_blank">aqui</a></span></span></p>
<p style="text-align: justify;">Acerca do Guia Turístico Aldeias Históricas de Portugal tenho a dizer que é uma obra completíssima, muito agradável de se ler, pois  para além das informações preciosas para guiar o turista,  contém uma componente histórica, que  nos elucida sobre as origens e acontecimentos mais emblemáticos da história destas doze aldeias. Para um melhor esclarecimento  vale a pena ver  o vídeo a seguir:</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="458" height="400" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/RWe5yGJjbW0NSFZWWAsq/mov/1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="458" height="400" src="http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/RWe5yGJjbW0NSFZWWAsq/mov/1" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">E para melhor fazer as minhas honras ao prémio que me foi ofertado, até já fiz um bolo &#8211; Bola Parda- cuja receita se encontra na página 175 do Guia Turístico Aldeias Histórias de Portugal, e que nos dá conta, que este bolo é característico da aldeia de Castelo Mendo, &#8220;<em>terra de gente e comida simples</em>&#8220;, que não se fará rogada em <em>&#8220;apresentar-lhe um vasto leque de enchidos, um cabrito assado e bola parda</em>&#8220;, assim mal se sente à mesa!</p>
<p style="text-align: justify;">E que tal o meu bolo? <img src='http://www.miluzinha.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/08/Bolo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3811" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/08/Bolo.jpg" alt="" width="434" height="318" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>As minhas broncas</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 01:10:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[As minhas broncas]]></category>
		<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>

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		<description><![CDATA[
&#8220;Quanto      mais velho o apito, mais doce é a música.&#8221;
(Papa Paulo VI)
Ehehehe!
Hoje é o dia do meu aniversário, e como tal, não quis deixar passar em branco esta data memorável, aqui me tendes, pois, com mais uma das minhas histórias, que sempre acompanho com algumas divagações, que mais não são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/05/Flores.jpg"></a><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/05/Sem-títuloh.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3746" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/05/Sem-títuloh.jpg" alt="" width="439" height="430" /></a></p>
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;Quanto      mais velho o apito, mais doce é a música.&#8221;</h3>
<p style="text-align: justify;">(Papa Paulo VI)</p>
<p>Ehehehe!</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje é o dia do meu aniversário, e como tal, não quis deixar passar em branco esta data memorável, aqui me tendes, pois, com mais uma das minhas histórias, que sempre acompanho com algumas divagações, que mais não são do que o fruto do espírito que me ilumina.</p>
<p style="text-align: justify;">Já lá vão 49 anos, mas  mantenho ainda alguma da irreverência que caracterizou a minha juventude, pois custe o que custar, não costumo amochar, nem dobrar a espinha dorsal, assim sem mais nem menos. Seja consequência dos anos que por mim já passaram ou antes a tal  irreverência que traça a minha personalidade, o certo é que em vez de me ter tornado condescendente e tolerante, dou por mim a sofrer de uma crescente falta de paciência para com a estupidez, a falta de honestidade e hombridade de certa gente.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode parecer desapropriado, que num dia destes, que se deseja festivo, eu venha para aqui com tais desabafos, mas  a verdade  é que já estou naquela idade em que se deixa de achar graça ao dia do aniversário, além disso,  estou a ver se mato dois coelhos com uma única cajadada, isto é, pretendo dar sinal de vida neste dia, do meu aniversário e, ao mesmo tempo, dar continuidade ao post anterior, no qual prometi publicar um insólito e inesperado e-mail, que recebi na minha caixa de correio, e que durante algum tempo abalou o sossego e o ramerrame do meu viver.  E o caso não era para menos, afinal, aquele e-mail funcionou para mim, como um prenúncio de aborrecimentos que se avizinhavam, ameaçando a calmaria dos meus horizontes. Senão veja-se:</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo teve origem na falência do condomínio do meu prédio, cuja administração foi tomada pelos condóminos após se ter verificado que não havia mais condições para manter a contratação da empresa especializada no ramo. Uma vez a gestão do condomínio por nossa conta, houve alguém que teve a ideia peregrina de aproveitar o ensejo para melhor aconchegar as brasas à sua sardinha, os outros que se lixassem, e vá de sugerir algumas alterações, numa das quais se pretendia que a prestação do condomínio passasse a ser paga em quotas de valor igual para todos, independentemente do valor da permilagem das fracções. Tudo seria muito bonito, se com esta medida, eu não visse a minha quota agravada, enquanto alguns outros iriam ver a sua aliviada exactamente no valor correspondente, apesar de os seus apartamentos terem o dobro das dimensões do meu. Como não me deixei levar na esparrela e até fui a única na barricada do contra, num universo de 12 condóminos, podem imaginar as cenas que tiveram lugar, nem as mulheres, que foram duas, foram capazes de comigo serem solidárias, em vez disso, olhavam-me com um semblante que reflectia a mais profunda indignação. Mais tarde, quando eu pensava que não mais tentariam outro arremedo susceptível de lesar os meus legítimos interesses, eis que decidiram fazer uma nova investida, desta feita acerca do empreendimento da pintura do prédio, cujo valor queriam, à viva força, que fosse pago em partes iguais por todos os condóminos. Mais uma vez tive de puxar dos galões, e deixei bem claro que à má fila de mim ninguém leva nada, atitude que me valeu rodas de filha da puta! Foi isso que um deles, de cabeça perdida,  me chamou, quando chegou à inevitável conclusão de que não ia conseguir levar a água ao seu moinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Resultado: Dois dos vizinhos não me falam. Que alívio! Um terceiro até parece que tem medo de mim, cumprimenta-me de uma forma arrevesada, melhor seria que passasse  sem nada dizer, que isso não me incomodaria, já que saudações não me enchem a barriga. Contudo, nem todos os meus vizinhos estiveram contra mim, apesar de nas reuniões não se terem posicionado declaradamente do meu lado, já que lhes faltou  a coragem e a frontalidade que a mim me sobra, tudo por uma questão de quererem manter as aparências, como se todos fossem amigos, que amigos destes dispenso-os, que deles está o inferno a abarrotar. Posto isto, julgo ser compreensível que me tivesse sobressaltado, quando deparei com este e-mail ao qual de imediato dei resposta, numa atitude de conter  a borrasca que se adivinhava.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>&#8220;Cara &#8220;Miluzinha&#8221;,<br />
antes de mais os meus respeitosos cumprimentos.<br />
Moramos no mesmo prédio mas eu preferia não me identificar para evitar futuras chatices ou situações de constrangimento.<br />
Eu simpatizo com a vizinha e parece-me que sou um dos poucos moradores deste espaço que a &#8220;Miluzinha&#8221; não abomina.<br />
Desculpe colocar o seu nome entre &#8220;&#8221; mas acabei de descubrir que assim é tratada ao ser confrontado com o seu blogue o qual aproveito desde já para dizer que é bastante bom tirando obviamente umas referencias que faz a alguns vizinhos&#8230;Mas não se preocupe que eu concordo completamente com o que diz.<br />
Tomei conhecimento da existência do mesmo precisamente após um comentário de alguém do prédio que se queixava esta manhã do barulho que alguém faz a teclar durante toda a noite.<br />
Confrontei os dias em que colocou textos e de facto correspondem aos dias em que se ouve teclar no prédio todo pelo que não podia deixar de lhe pedir que sempre que fosse escrever algo saisse do prédio pois as pessoas aqui trabalham e têm que dormir durante a noite.<br />
Quando o fizer espero que não faça depois muito barulho ao voltar a entrar no prédio.<br />
Caso não tenha portátil podemos estabelecer uma hora durante a tarde em que pode escrever à vontade desde que poucas pessoas estejam no prédio para que o incómodo seja os menor possível.<br />
Estava a pensar numa happy hour das 13 e 30 às 14 horas. Que acha?<br />
Certamente que cumprindo estas regras todos viveremos melhor em comunidade.<br />
Agradecia que a vizinha me dissesse algo para que possa ficar mais sossegado.<br />
Obrigado,</strong><br />
<strong>o vizinho.&#8221;</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/05/barulho.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3747" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/05/barulho.jpg" alt="" width="349" height="450" /></a><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Estimado vizinho,<br />
Antes de mais agradeço o tom cordial com o qual se me dirigiu para me dar conta de algum mal-estar que diz haver no prédio, devido ao som de um teclar que se prolonga durante toda a noite. Desde já agradeço o aviso, mas acontece que não sou eu, pois tenho portátil e o teclar é praticamente inaudível. Julgo antes que é o meu filho, até porque ultimamente também me queixo, pelo que tenho de fechar a porta do corredor para não ser incomodada, portanto, concordo inteiramente consigo. Para resolver esta situação o ideal seria alguém falar com ele, porque os miúdos tomam mais facilmente um aviso vindo da parte das pessoas exteriores à família, contudo, estou ciente de que o vizinho não deseje identificar-se, resta-me então mostrar ao meu filho este e-mail que me enviou. Quanto à nossa situação como vizinhos e toda a questão referente ao condomínio, toda a gente sabe que estou a exercer o meu direito de cidadania, mas preferem fazer de conta que não sabem de nada, para melhor servir os seus intentos. Todavia esbarraram com alguém que sabe procurar e exercer os seus direitos assim como os deveres e além de mais sou muito casmurra, que é mesmo este o termo. Mas também sou boa pessoa, simples, humilde e esforçada, só não quero é que façam pouco de mim. Por fim vizinho, vou falar com o meu filho acerca deste inconveniente do teclar, pois aqui os vós tendes toda a razão para protestar.<br />
Muito obrigada pela sua atenção.</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Afinal não houve borrasca nem constrangimentos com os vizinhos, porque o e-mail que recebi fazia parte de uma tramóia entre o meu filho e o autor do blog<span style="color: #0000ff;"> <span style="color: #333399;"><a href="http://maildeumlouco.blogspot.com/" target="_blank">MAIL DE UM LOUCO</a></span></span><span style="color: #0000ff;">, <span style="color: #000000;">na qual caí que nem uma patinha! <img src='http://www.miluzinha.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </span></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/05/vizinhos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3748" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/05/vizinhos.jpg" alt="" width="400" height="353" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
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		<title>Um sonho adiado</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 16:35:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Um sonho adiado]]></category>

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&#8220;O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo.&#8221;
WINSTON CHURCHILL
Aqui o Miluzinha Blog, no dia 26 do passado mês de Março, fez dois anos de existência, contudo, na barra lateral esquerda apenas constam arquivos com data a partir de Agosto do ano de 2008. Sendo assim, porquê esta incongruência ou desajuste de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/Sonho1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3720" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/Sonho1.jpg" alt="" width="396" height="603" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo.&#8221;</h3>
<p>WINSTON CHURCHILL</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui o Miluzinha Blog, no dia 26 do passado mês de Março, fez dois anos de existência, contudo, na barra lateral esquerda apenas constam arquivos com data a partir de Agosto do ano de 2008. Sendo assim, porquê esta incongruência ou desajuste de datas? Acontece que quando criei o blog, este tinha a finalidade de servir como uma montra na qual preconizei expor os trabalhos de lavores da minha lavra, como por exemplo: colares e brincos de missangas, malas de trapilho, artigos em croché e tudo o mais que calhasse, que com imenso prazer ia elaborando nos meus tempos livres, mesmo sendo tudo coisas bem simples, já que não desenvolvi arte nem engenho para ir mais longe. Não consigo descortinar de onde me veio o gosto por estas artes, se assim posso dizer, visto que não sofri quaisquer influências, já que neste domínio tudo tenho aprendido sozinha, mas a verdade é que quando estou assim entretida sou capaz de sentir o   mais inaudito sentimento de serena paz, como se estivesse no divino céu. Todavia, tenho cá para mim, que o instinto que me impele para   estas obragens tem muito a ver com o prazer de criar, isto é, sinto-me enlevada em dar corpo a algo que antes não existia, e para isso, basta-me um novelo de qualquer coisa e uma simples agulha.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/clothes-red-purse2.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-3721" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/clothes-red-purse2.gif" alt="" width="200" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Quis o acaso, que um dia ao visionar o meu blog, uma ideia me assomasse ao espírito, que se outro mérito não teve, serviu ao menos para me demonstrar o quanto ainda sou capaz de ter sonhos, mirabolantes, por assim dizer, apesar de ser detentora de um carácter próprio de alguém que gosta de pisar chão firme. Pois, um dia, deitei-me a imaginar uma possível loja on-line, que na febre da minha imaginação ainda cheguei a julgar que viria a ser uma bendita fonte de rendimentos. Sonhos! Quem os não tem, que me atire já o primeiro calhau. Nela exporia as minhas obras à venda, e além disso, pouco a pouco, expandiria o meu negócio da china, comercializando outros produtos que oportunamente surgiriam, no intuito de aumentar a variedade da oferta. Se bem os pensei, logo tratei de tornar reais estes meus propósitos, de tal forma entusiasmada, melhor ainda, tão bêbeda com esta ideia, que de imediato pedi ao meu filho, que também é o meu webmaster, para que me desse uma mãozinha nesta que me parecia tão prometedora e arrojada empresa. Pouco entusiasmado e não sem antes ser seduzido com a promessa de assim ganhar uns euritos, lá acedeu ao meu pedido de criar uma loja on-line, a qual fez questão que fosse o último grito da tecnologia.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo teria corrido sobre rodas não fosse o facto de ter de aguardar que fosse lançada a versão portuguesa do dito software, como seria de esperar, o meu entusiasmo foi esmorecendo com a demora, até porque, entretanto, fui dando novo rumo ao blog, publicando uns pequenos resumos sobre os livros que ia lendo, o que me fez desabrochar para novos misteres, e tanto assim foi, que logo achei por bem criar um outro blog para os lavores, o <a href="http://artes.miluzinha.com/" target="_blank"><span style="color: #ff00ff;">Artes Minhas</span></a>, para não misturar alhos com bugalhos, que por falta de tempo e a meu contragosto anda muito desprezadinho. Se vistas bem as coisas esta minha decisão até que é pertinente, porque  uma coisa é vir para aqui escrever sobre o que me vai na alma, outra, bem diferente, por sinal, é o meu artesanato, que mais não é do que a demonstração de que sei copiar, observo uma obra, atento-lhe nos detalhes e parto para a sua reprodução, ainda que tenha que fazer e desfazer algumas vezes, no fundo, chego ao término da obra por tentativas, mas chego. Escrever é outra coisa, porque só escreve quem tem algo para dizer, principalmente. Peço desculpa pela imodéstia, mas, por norma, sou muito clara no que digo, mau grado meu por vezes.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/Flor.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3722" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/Flor.jpg" alt="" width="472" height="465" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ora bem, todo este texto que mesmo agora terminei de redigir, goza de uma dupla finalidade: Provém a minha vontade de  anunciar que este blog já conta com dois anos de vida e ainda assiste como intróito para a publicação de uma situação insólita, que há pouco tempo me aconteceu, e que se deveu, sobretudo, ao facto de me ter tornado uma blogueira convicta, por conseguinte, uma cibernauta empedernida, como se não bastasse o caso, este exagerado, que já havia cá em casa, que é o meu filho, menino capaz de estar defronte do computador durante 24 horas seguidas, ausentando-se apenas  os escassos minutos que se destinam a cumprir as suas necessidades de âmbito fisiológico. Não é de admirar, portanto, que um dia destes, eu tenha recebido na minha caixa de correio, um famigerado e-mail, que oportunamente publicarei, o qual ameaçou perturbar o meu sossego!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/Sem-títulog.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3731" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/Sem-títulog.jpg" alt="" width="440" height="328" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E como os tempos são de festa:</p>
<p style="text-align: justify;">Aproveito esta ocasião, para aqui deixar expresso, os meus sinceros e profundos desejos de que todos os meus visitantes tenham uma feliz Páscoa na companhia de todos os seus entes queridos. FELIZ PÁSCOA!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/300px-Paskhakustodiev.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3723" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/04/300px-Paskhakustodiev.jpg" alt="" width="340" height="429" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dia da Mulher</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 01:53:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[DIAS ESPECIAIS]]></category>
		<category><![CDATA[Dia da Mulher]]></category>

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		<description><![CDATA[ 


&#8220;Na nossa sociedade, as mulheres que derrubam barreiras são aquelas que ignoram os limites.&#8221;
Arnold Schwarzenegger

E como hoje é o dia da mulher dispus-me a procurar pela Internet algo que fosse apropriado para celebrar este dia, que tanto poderia ser um lindo poema ou uma bela flor, enfim, qualquer coisa que fosse susceptível de transmitir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/mujer_y_flores.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3673" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/mujer_y_flores.jpg" alt="" width="342" height="483" /></a><span style="color: #333300;"> </span></p>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #333300;"><br />
</span></h2>
<h3 style="text-align: justify;"><span style="color: #333300;">&#8220;Na nossa sociedade, as mulheres que derrubam barreiras são aquelas que ignoram os limites.&#8221;</span></h3>
<p>Arnold Schwarzenegger</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">E como hoje é o dia da mulher dispus-me a procurar pela Internet algo que fosse apropriado para celebrar este dia, que tanto poderia ser um lindo poema ou uma bela flor, enfim, qualquer coisa que fosse susceptível de transmitir uma  mensagem cabal, contudo, falhei nos meus propósitos, já que tudo me parecia um imenso lamechismo. Entretanto passei-me dos carretos e decidi enveredar por outras vias. O romantismo que aguarde por outras ocasiões mais apropriadas, porque o dia da mulher quer-se para o divertimento e boa disposição, e é imbuída com esse espírito que ofereço a todas as mulheres a nova versão da história do príncipe encantado, agora adaptada aos novos tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que as histórias infantis do antigamente já pouco ou nada dizem às crianças, porque hoje a realidade é outra,  o que os pais mais querem é que uma filha estude e alcance a realização profissional, o mesmo será dizer, que conquiste a independência económica, que o resto vem depois, pouco lhes importa se a filha sabe ou não estrelar um ovo. Ainda que o possa parecer não existe da minha parte quaisquer laivos de feminismo ao publicar assim um post, todavia não aceito de forma alguma os papéis definidos pela   mentalidade tacanha de antanho. MULHERES divirtam-se pois!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #ff00ff;">O Príncipe Encantado </span></h2>
<p style="text-align: center;">
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #ff00ff;">&#8220;Era uma vez&#8230; numa terra muito distante&#8230;uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.<br />
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico&#8230;<br />
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.<br />
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.<br />
Um beijo teu, no entanto, há-de transformar-me de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.<br />
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre&#8230;<br />
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:<br />
- Eu, hein?&#8230; nem morta!&#8221;</span></h4>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff00ff;"><span style="color: #000000;">Luiz Fernando Veríssimo</span></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333300;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/barra50.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-3674" title="barra50" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/barra50.gif" alt="" width="231" height="40" /></a></span></p>
<h4><span style="color: #ff00ff;">&#8220;Não sou, nem devo ser a MULHER-MARAVILHA, apenas uma pessoa vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa&#8230; uma mulher.&#8221;</span></h4>
<p>Lia Luft</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff00ff;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/barra503.gif"><img class="size-full wp-image-3682  aligncenter" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/barra503.gif" alt="" width="231" height="40" /></a><br />
</span></span></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #ff00ff;">&#8220;Me nego a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária. A estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Me adapto a mim mesma.&#8221;</span></h4>
<p>Anais Nin</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/barra504.gif"><img class="size-full wp-image-3683  aligncenter" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/barra504.gif" alt="" width="231" height="40" /></a></p>
<h4 style="text-align: justify;"><span style="color: #ff00ff;">&#8220;Toda mulher tem no seu íntimo uma magia própria de fazer acontecer, de dar um jeito, de dar o peito, dar um colo, de fazer bem feito.&#8221;</span></h4>
<p>Carolina Salcides</p>
<p style="text-align: center;">
<p><span style="color: #000000;"><br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/OgAAALK1ztTub1UzmcP-VtY6w5qKPI0pD15B4wXADXcwfy5ZR1LG1jPpEjYaEgcff3IVQuHjiYsGvnHQvHuYXpQogpcAm1T1UF1TJzPC1dSk6yzNAz7Tbxfrr-of.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3678" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/03/OgAAALK1ztTub1UzmcP-VtY6w5qKPI0pD15B4wXADXcwfy5ZR1LG1jPpEjYaEgcff3IVQuHjiYsGvnHQvHuYXpQogpcAm1T1UF1TJzPC1dSk6yzNAz7Tbxfrr-of.jpg" alt="" width="431" height="473" /></a><br />
</span></p>
<p><span style="color: #ff00ff;"><span style="color: #000000;"><br />
</span></span></p>
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		<title>Quando o muito enjoa</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 16:55:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Quando o muito enjoa]]></category>

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		<description><![CDATA[


&#8220;Nunca desencoraje ninguém que continuamente faz progresso, não importa quão devagar.&#8221;
PLATÃO

Um dia destes, numa das minhas incursões pela Internet, dei de caras aqui, com um artigo de opinião da autoria de Ricardo Araújo Pereira, publicado na Visão, nº 728, p.113, com o título “Coisas com sabor a outras coisas”, que para além de me provocar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/02/r.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3619" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/02/r.jpg" alt="" width="462" height="366" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;Nunca desencoraje ninguém que continuamente faz progresso, não importa quão devagar.&#8221;</h3>
<p style="text-align: justify;">PLATÃO</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Um dia destes, numa das minhas incursões pela Internet, dei de caras <span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.univ-ab.pt/pdf/ensino/exame_modelo_lportuguesa_acesso.pdf" target="_blank">aqui</a></span></span>, com um artigo de opinião da autoria de Ricardo Araújo Pereira, publicado na Visão, nº 728, p.113, com o título “Coisas com sabor a outras coisas”, que para além de me provocar um sorriso, teve o mérito de me trazer à memória algumas reminiscências alimentares dos meus tempos de criança. Dizia Ricardo Araújo Pereira no seu artigo, que actualmente “<em>é quase impossível comprar um pacote de batatas fritas que saibam a batatas fritas</em>”, visto que estas têm vindo a ser gradualmente substituídas pelas versões com <em>“sabor a queijo, a presunto, a cebola, a alho, a ervas aromáticas e a churrasco.&#8221; </em>Portanto, as batatas com sabor a batatas estão em vias de extinção. Há ainda o café, que pode ser encontrado no mercado  com os sabores <em>“a anis, a baunilha ou a canela.&#8221; </em>Mas a água também não ficou fora da demanda, os que não gostam da triste e desenxabida água, podem desfrutar deste precioso e vital líquido nos mais diversos e frescos sabores: “<em>a limão, a morango, a pêssego, a framboesa ou a jinseng.&#8221; </em></p>
<p style="text-align: justify;">Mas, entretanto, no domínio das águas, surgiu mais uma inovação, que a meu ver, visa explorar um nicho de mercado tendencialmente crescente, constituído pelas pessoas com excesso de peso, já que estas águas têm na sua composição as fibras, tão afamadas como essenciais nos tratamentos de emagrecimento, pois ao serem ingeridas dão a sensação de saciedade. Contudo, julgo que esta necessidade de experimentar e consumir estes produtos tão pouco naturais, está radicada no facto de dispormos actualmente de uma franca abundância,  apesar do tanto que já existe, ainda assim, parece haver uma inevitável saturação, que nos leva a procurar o novo e o diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, tempos houve em que o cenário era completamente diferente, quem não gostasse do que havia para comer, fosse no almoço ou no jantar, não comia mais nada, pois nem frigorífico havia para dele sacar de um iogurte ou de um pouco de fiambre para compor uma sandes. Nos meus tempos de escola, muitos foram os dias em que chegada a casa para almoçar nem sequer o chegava a fazer, porque ao destapar a panela de imediato ficava enjoada, como sempre a sopa era de feijão com couves, à qual se adicionava uma pouca de massa, outras vezes um punhado de arroz, que por abrir demasiado durante a cozedura absorvia todo o caldo, emprestando à sopa o aspecto de um monte de entulho. E como os olhos são os primeiros a comer, escusado será dizer que ficava logo de barriga cheia, mal espreitava para dentro da panela! E era assim, sem nada comer, que retornava à escola.</p>
<p style="text-align: justify;">Para melhor compreensão dos factos, julgo ser pertinente dizer que, quando estas situações aconteciam, os meus pais encontravam-se no emprego, logo não me podiam acudir improvisando outro alimento que  fosse mais convidativo. Não é que aquelas sopas de feijão que a minha mãe fazia não fossem extremamente saborosas, acho até que o eram, visto que as fazia tão amiúde que terá ficado especializada na confecção destas sopas. O grande problema é que o feijão é um alimento demasiado forte para o paladar delicado de uma criança, ainda para mais se o vê pela frente todos os dias.  Por vezes, à hora das refeições instalava-se uma acesa discussão, com a minha mãe a insistir para que comêssemos a sopa e nós, os filhos,  incapazes de lhe fazer a vontade, por não conseguirmos mais tragar aqueles alimentos sem graça. Preocupada com o fastio dos filhos, costumava falar nisso ao médico de família, que nos receitava um xarope para nos estimular o apetite, que por ser doce e gostoso logo eu e os meus irmãos o despachávamos  de uma avezada. Quando a minha mãe ia por ele, para nos dar uma colherzinha antes da sopa de feijão, já só via o frasco vazio e abandonado a um canto. Dessem-nos batatas fritas com salsichas ou carne, e logo veriam desaparecer-nos o malfadado fastio!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/02/Tr.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3633" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/02/Tr.jpg" alt="" width="468" height="434" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E por falar em batatas&#8230; Quando eram fritas era um aviar de batatas que até fazia impressão, ainda para mais quando sabiam ao molho da carne, que essa era sempre pouca, mas suficiente para deixar o gosto. O meu pai não achava graça nenhuma  à nossa empreitada de fazer  sumir assim tantas batatas, por vezes  repreendia a minha mãe por as fritar, por achar que desta maneira iríamos comer todas as batatas em menos de um fósforo, que ele mesmo cultivava para consumo da família. Porém, a minha mãe fazia-lhe ouvidos de mercador, no que procedia muito bem. Esta agora! Poupar sim, mas tanto não!</p>
<p style="text-align: justify;">Era tudo tão pobre naquele tempo, que até tenho bastante interesse em contar-vos o que se passou comigo e com uma prima minha, quando experimentámos saborear o nosso primeiro iogurte. Não posso precisar que idade eu teria, mas talvez perto dos doze anos. Deram-me um iogurte, que me lembro ser daqueles num potinho de vidro e  em cor rosa, talvez por isso com aroma de morango. À primeira colherada levei um choque &#8211; estava azedo &#8211; desalentada, ainda assim continuei a comer,  um pouco a medo, já a prever a inevitável revolta intestinal que se lhe seguiria, mas tinha a certeza que a pessoa que me tinha oferecido o iogurte desconhecia que este não estava em condições. Pensei que seria uma vergonha para esta pessoa, se lhe dissesse o que se passava. Para lhe poupar o vexame lá comi o iogurte.</p>
<p style="text-align: justify;">Há uns tempos atrás contei este episódio à minha prima, que não me fez esperar pela demora e logo  me contou a sua experiência, por sinal, bastante similar à minha. Havia ido com a mãe às compras, quando ao passar defronte da vitrina dos iogurtes, a mãe lhe perguntou se queria levar alguma coisa dali, pelo que a filha deitou mão a duas embalagens das mais apelativas, já que eram decoradas com flores, por isso se convenceu que seriam os mais deliciosos, contudo, sem o saber, havia optado pelo sabor natural, que para além de lhe ter sabido extremamente a azedo, nem sequer eram doces.  Mas toca de os comer! Pois não!  Quando a fartura não abunda não se alimentam  esquisitices. Quando a mãe lhe perguntou se tinha gostado, e se aquilo era bom, a filha respondeu-lhe: &#8211; Deviam ser bons, estavam era estragados!&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/02/Tre.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3635" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/02/Tre.jpg" alt="" width="410" height="278" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>O declínio da Condessa</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 01:13:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[O declínio da Condessa]]></category>

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		<description><![CDATA[
&#8220;O ambicioso não possui os seus bens &#8211; os bens é que o possuem.&#8221;
FRANCIS BACON
Eis, finalmente, a última história da minha infância, que considero verdadeiramente a jóia da coroa de todas as outras aqui registadas, que me fizeram sentir na pele e na alma a indecorosa e desprezível sovinice de um adulto. E, se para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/baronesa-joana-vieira-sandes_500x585x0.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3574" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/baronesa-joana-vieira-sandes_500x585x0.jpg" alt="" width="467" height="547" /></a></p>
<h3>&#8220;O ambicioso não possui os seus bens &#8211; os bens é que o possuem.&#8221;</h3>
<p>FRANCIS BACON</p>
<p style="text-align: justify;">Eis, finalmente, a última história da minha infância, que considero verdadeiramente a jóia da coroa de todas as outras aqui registadas, que me fizeram sentir na pele e na alma a indecorosa e desprezível sovinice de um adulto. E, se para mim esta é a mais emblemática de todas, é porque ela carrega em si a dolorosa evidência, que por ser uma menina pobre, ainda que nascida no seio de uma família muito honesta e íntegra, não inspirava os enaltecedores sentimentos de carinho e protecção, que seriam normais e desejáveis num caso destes, em vez disso, antes despertava naquela senhora tão fraca de espírito, o mais profundo sentimento de desconsideração e menosprezo.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez por outra, a somítica senhora chamava-me a sua casa para que a ajudasse na tarefa de fazer bolos, coisa a que não me fazia rogada, já que bolos sempre serão bolos, de mais a mais até os vapores que se escapavam do forno já me eram largamente reconfortantes! As minhas incumbências resumiam-se tão-só em levantar as claras em castelo, empreitada que desempenhava com apurado fervor ou não fosse eu uma criança com assomos de impetuosa genica. Entretanto, numa enorme tigela, a senhora envolvia os necessários ingredientes que consistiriam na massa que iria ser distribuída por diversas formas: Uma forma em formato redondo com buraco ao centro, várias pequenas formas para queques e um tabuleiro rectangular, o qual serviria para confeccionar uma torta, que seria recheada com um doce ou geleia. E tal como vinha sendo habitual, dentro da grande tigela e envolta pela massa, cirandava uma comprida e enrolada casca de limão, que desde o início me estava prometida, pois fazia parte da recompensa pela minha disponibilidade e esforço.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/menina.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3581" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/menina.jpg" alt="" width="336" height="416" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Chegada a hora de encher as formas com a massa, aquela senhora pegava na casca de limão, dava-lhe uma sacudidela e entregava-ma para que me comprazesse a lambê-la. E eu lambia! Lambia aquela casca de limão até ela me começar a amargar! Entretanto passava-me para as mãos a colossal tigela, para que eu com o dedito que de imediato lambia, acabasse de rapar os bem parcos resquícios de massa que, porventura, ainda jaziam agarrados à tigela, já que antes a sovina lhe havia passado a espátula de borracha, mais conhecida por salazar.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois dos bolos cozidos, a avarenta mulher desenformava a torta  e aparava-lhe as partes queimadas,  que logo me dava para que as comesse. E eu comia!  Tão criança que era, que nem me apercebia que estava a ser tratada com a mesma displicência  com que se lida com um caixote de lixo. Eu era uma menina pobre, por conseguinte, para mim qualquer coisa servia. Se vistas bem as coisas, eu não andava ali enganada, pois sabia que dificilmente me seria dado um bolo, mas tal como se costuma dizer, a esperança é sempre a última a morrer, fui mantendo, por isso,   a continuada expectativa de que aquela mulher pudesse, pelo menos uma vez  por engano, soçobrar a um fugaz momento de fraqueza  e dar-me um apetecido bolo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em vez disso, preparava uns pratinhos com alguns queques que me fazia levar às &#8220;senhoras&#8221;, suas inquilinas de um prédio ali perto, que constituía parte dos seus muitos bens. E lá ia a pobre criança, sujeita à tortura chinesa de ter de transportar para os outros os cheirosos bolos, mesmo ali por debaixo dos queixos! Contudo, sei com toda a certeza, que aquelas pessoas a quem levava os bolos mos teriam dado para eu mesma saborear, se  tivessem desconfiado da maldade  de que estava a ser vítima.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, tempos houve, em que esta senhora também veio a provar do mesmo fel que tão prodigamente me serviu. Anos mais tarde e já viúva, provavelmente com medo de morrer à fome, tomou providências para aumentar as rendas dos seus inquilinos, argumentando que estas estavam muito baixas, pois não haviam sido alvo dos aumentos considerados justos. Os inquilinos, conhecendo-lhe sobejamente a avareza, e tendo em conta que nem sequer tinha filhos a quem deixar os bens, decidiram que lhe haviam de fazer este troço duro de roer, pelo que lhe fizeram saber que sim, que concordariam com o aumento desde que lhes fossem pagas todas as obras que cada um deles foi fazendo, um pouco à medida das necessidades.  Foi com visível contrariedade, que esta senhora teve de dar o dito por não dito, visto que seriam necessários vários anos para recuperar o dinheiro investido na obras de conservação e melhorias levadas a cabo pelos inquilinos, além de outras que, entretanto, estes já se haviam encarregado de exigir.  Mas o verdadeiro desprezo sentido por todos aqueles a quem tanto bajulou, teve a sua expressão máxima através da reacção  de um dos seus mais jovens rendeiros, quando uma vez, ao terem-lhe dito que a sovina, sua senhoria, havia sido atropelada por um carro, que com uma &#8220;pantufada&#8221;  a atirou ao ar partindo-lhe um pulso, disse desdenhoso:</p>
<p style="text-align: justify;">E nem ao menos foram capazes de matar aquele ca&amp;$lho!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/Me.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3582" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/Me.jpg" alt="" width="447" height="295" /></a></p>
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		<title>A todo o tempo dar tempo</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 01:48:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[A todo o tempo...]]></category>
		<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>

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&#8220;A única pessoa que pode mudar de opinião é aquela que tem alguma.&#8221;
EDWARD WESTCOTT
A singela e despretensiosa abordagem que efectuei acerca do livro “O Esplendor de Portugal” de António Lobo Antunes, publicado no post anterior, suscitou alguns comentários que considero bastante interessantes, na medida em que representam o importante universo das pessoas que fazem da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/ler.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3543" title="ler" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/ler.jpg" alt="" width="457" height="445" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;A única pessoa que pode mudar de opinião é aquela que tem alguma.&#8221;</h3>
<p>EDWARD WESTCOTT</p>
<p style="text-align: justify;">A singela e despretensiosa abordagem que efectuei acerca do livro “O Esplendor de Portugal” de António Lobo Antunes, publicado no post anterior, suscitou alguns comentários que considero bastante interessantes, na medida em que representam o importante universo das pessoas que fazem da leitura um hábito salutar nas suas vidas. E como gosto de dizer coisas, decidi aproveitar esta oportunidade   inesperada, para fazer o gosto ao dedo e vir para aqui escrevinhar sobre os meus pensamentos, tal como já vem sendo habitual.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora bem, o que tenho hoje para dizer?:</p>
<p style="text-align: justify;">Muito se tem escrito sobre António Lobo Antunes e acerca do seu talento como escritor. É uma verdade insofismável, já que reúne o consenso de todos, que as suas crónicas são  francamente apaixonantes e que  nos enlevam a alma tão alto que  quase deixamos de respirar, enquanto as lemos extasiados. Contudo, as opiniões exteriorizadas a respeito dos seus livros são controversas, algumas pouco  abonatórias. No meu simples e modesto jeito de ver as coisas, julgo que podem ser destacados diferentes tipos de reacção perante a alusão à densa e labiríntica prosa que caracteriza o escritor. Há quem demonstre conviver grandemente com a obra do escritor, daí o notável à-vontade na elaboração do comentário. No lado oposto estão os que nada querem com a escrita de António Lobo Antunes, que consideram enfadonha e nada estimulante. No ponto intermédio, encontram-se todos aqueles que já tiveram um qualquer desencanto com o estilo literário deste autor,  do qual até certo ponto se mantiveram arredios, mas que, ainda assim, estão na disposição de mudar drasticamente de ideias. É neste ponto que eu própria me encontro, embora esta minha postura seja devida a um recente acontecimento que me levou a essa conclusão. Eis então:</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro livro do autor que li sem esforço foi &#8220;As Naus&#8221;, se digo que foi sem esforço é porque disso tenho a certeza, se não tê-lo-ia posto de lado, tão certo como dois mais dois serem quatro. O segundo livro que li, vorazmente, que disso também tenho a certeza, porque me escangalhei a rir com ele, foi &#8220;Memórias de Elefante. Quanto ao terceiro &#8220;O Meu Nome é Legião&#8221;, simplesmente não fui capaz de o ler. Ao cabo de algumas páginas fiquei com a sensação de que andava por ali a patinar sempre no mesmo, ainda para mais o livro é um autêntico calhamaço, o que além de não acrescentar qualquer entusiasmo, ainda acabou mas foi por tirar o pouco que ainda restava para poder prosseguir. Por fim desisti de uma vez e fiquei sem vontade de tentar ler mais algum livro do mesmo autor. Até que um dia destes,  alguém me emprestou &#8220;O Esplendor de Portugal&#8221;, a cuja leitura dei início, até porque sou uma pessoa que nunca toma decisões definitivas praticamente acerca de nada. Quanto a mim é sempre tempo de arrepiar caminho, quando se trata de mudar de ideias. Escusado será dizer que mais uma vez pensei desistir, principalmente no início, mas como não havia por que ter pressa, fui lendo sempre mais um pouco, até que me adaptei a este estilo de escrita densa e pesada que é a do escritor António Lobo Antunes. E acabei a leitura deste livro com a sensação que travei uma dura batalha mas da qual saí vencedora. Mas a noção de que verdadeiramente tinha terminado de ler &#8220;um peso pesado&#8221; da literatura mundial contemporânea, foi-me dada sentir quando constatei por estes dias, que ao folhear uns quantos livros relativamente recentes, de outros autores, muitos deles assomaram-me aos olhos como uns livrinhos de histórias de cacaracá!  Histórias sem grande substância e nem sempre muito bem escritas! É que isto de escrever bem, é exactamente como diz o autor aqui citado &#8211; &#8220;É preciso ter sofrido muito&#8221;!  Faço minhas estas palavras, porque na verdade, é preciso levar muita lambada da vida e muito pontapé, uns daqui e outros dacolá, para ganhar alma e assim ter algo que dizer ao Mundo! E foi nesses instantes que me ocorreu à ideia, que terei muito a ganhar se continuar a ler António Lobo Antunes, embora ainda não me sinta suficientemente segura para afirmar, que tornarei a tentar ler &#8220;O Meu Nome é Legião&#8221;. Mas há mais livros deste escritor!  Muitos mais! Quando hoje me aprestei aqui a contar esta minha experiência foi no intuito de incentivar outras pessoas a desejar sentir o mesmo que eu! É que depois de lermos uns quantos livros de António Lobo Antunes, não há mais livro nem autor  que meta medo!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/lera.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3545" title="ler." src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/lera.jpg" alt="" width="450" height="287" /></a></p>
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		<title>O Esplendor de Portugal</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 22:05:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[O Esplendor de Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Esplendor de Portugal
De
António Lobo Antunes
Percurso literário aqui



O Esplendor de Portugal é um romance da autoria de António Lobo Antunes que desenrola com admirável mestria  o cenário, qual quadro impressionista, da colónia de Angola, no apogeu da colonização e no degradante período pós-colonial. Através das suas personagens, nomeadamente aquando do seu papel de narradores, somos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/cap_esple.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3491" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/cap_esple.jpg" alt="" width="159" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: center;">O Esplendor de Portugal</p>
<p style="text-align: center;">De</p>
<p style="text-align: center;">António Lobo Antunes</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">Percurso literário</span><a href="http://www.miluzinha.com/?p=628" target="_blank"> aqui</a></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/142_li_antunes.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3494" title="antunes" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/142_li_antunes-300x166.jpg" alt="" width="232" height="128" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">O Esplendor de Portugal é um romance da autoria de António Lobo Antunes que desenrola com admirável mestria  o cenário, qual quadro impressionista, da colónia de Angola, no apogeu da colonização e no degradante período pós-colonial. Através das suas personagens, nomeadamente aquando do seu papel de narradores, somos levados a viajar no tempo e no espaço do que foram as suas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">António Lobos Antunes  usa de um estilo próprio que faz dele um género único, que se caracteriza por um tipo de escrita densa e enfática, muito propícia a adensar os dramas humanos que projecta nas personagens por si criadas, tornando-as deste modo e  inequivocamente, em perfeitos candidatos  a utentes de um consultório psiquiátrico. Sem dúvida que António Lobo Antunes alia as suas duas facetas profissionais. O profissional de medicina psiquiátrica caminha de mãos dadas com o profissional da escrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Este livro centra-se na história de uma família que se desmembra quando os filhos de Isilda, o Carlos, o Rui e a Clarisse fugidos à violência e aos horrores da guerra civil em Angola, demandam para Portugal e se refugiam no pequeno apartamento da Ajuda, em Lisboa, até que chegou um dia em que, Carlos, o irmão mestiço, dominado pela intolerância e pelo ressentimento dos traumas antigos, expulsa os irmãos de casa. Porém, no dia 24 de Dezembro de 1995, Carlos sente-se invadido por uma profunda nostalgia, que lhe traz à memória os seus dois irmãos, e sem mais nem para quê, dá por si a ansiar que estes o acompanhem na noite da consoada. Na demora e na incerteza da presença dos irmãos, embrenha-se num mundo de recordações do que foi sua existência em Angola.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/angolhha_lllk_kl.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3495" title="angola" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/angolhha_lllk_kl-300x155.jpg" alt="" width="420" height="217" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Através dos sentimentos e traumas desta família, avó, pais e  filhos, personagens que vão emergindo no decorrer da acção, que ora avança, ora recua no espaço temporal, vamos tomando conhecimento de quão horrível foi a guerra civil de Angola, que a deixou transformada numa colossal poça de sangue, tão devastada que  &#8220;já nem Deus lhe podia valer&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A   carcomida avó, mãe de Isilda,  é-nos retratada como alguém que nutre  um profundo ódio aos pretos, que se estende ao Carlos, o seu neto, que não era neto, mas mestiço. Contudo, no seu leito de morte foi à preta Josélia a quem dedicou aquele que seria o seu derradeiro sopro de vida. Despeitada e amargurada pelos desgostos da vida, sofreu na pele a humilhação de ter sido rejeitada  pelo marido, que fugia dela como o diabo foge da cruz, privando-a dos ansiados consolos conjugais, refugia-se dos frequentes embaraços no seu tão peculiar gesto de contar as gotas para a tensão, e fá-lo com tal meticulosidade, que todos os que este acto presenciam, dão por si a contá-las também.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/Jantar_a_luz_de_velha_by_fabrini.jpg"><img class="size-medium wp-image-3497  aligncenter" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/Jantar_a_luz_de_velha_by_fabrini-211x300.jpg" alt="" width="299" height="424" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A mãe, Isilda, que comprou o Carlos, fruto da traição do marido que se havia envolvido com uma preta e de cuja insídia se vingará entregando-se ao chefe da polícia, ali mesmo no escritório da sua casa, ao alcance da curiosidade dos filhos e perante as barbas do desditoso marido, que transformado num bandalho, se auto-destrói numa profunda dedicação aos gargalos  e ao gorjeio do tilintar de copos. A filha, Clarisse, toda ela vaidade e só com olhos para os homens. Tão absorvida  nos ensejos da sedução, que foi incapaz de perceber que o farrapo humano que era o seu pai, a amava imensamente, para quem Clarisse sempre foi a sua doce menina, ela que só tinha ouvidos não para os apelos paternos, mas para as buzinadelas que da rua a chamavam. O Rui, que para sua desgraça nasceu  epiléptico, em contrapartida, o único da família que era feliz, talvez  por ser doido. Ele e a sua espingarda de chumbinhos  eram a dupla  mais temida das redondezas, já que teimava em apontar a tudo quanto mexia.</p>
<p style="text-align: justify;">O Esplendor de Portugal, que a mim me pareceu o esplendor da vergonha é, enfim, uma obra que alberga no seu coração, as cruas e nuas imagens do horror, do sofrimento, da solidão, do desencanto e da desesperança. Do pior que a vida tem.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/mask03.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3496" title="máscara" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/mask03-230x300.jpg" alt="" width="321" height="418" /></a></p>
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		<title>Que Chatice!</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 10:06:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[ENTRETENIMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[Que Chatice!]]></category>

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Mas que chatice! Acabaram-se as minhas férias!!!&#8230; Logo agora que estava a começar a descontrair!&#8230;  
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/que-seca.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3521" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/que-seca.jpg" alt="" width="289" height="320" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">Mas que chatice! Acabaram-se as minhas férias!!!&#8230; Logo agora que estava a começar a descontrair!&#8230; <img src='http://www.miluzinha.com/wp-includes/images/smilies/icon_sad.gif' alt=':(' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Momentos mágicos</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jan 2010 23:08:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Momentos mágicos]]></category>

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		<description><![CDATA[
&#8220;O estudo, a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido sermos crianças por toda a vida.&#8221;
ALBERT EINSTEIN
Foi com alguma apreensão que publiquei o texto anterior com mais uma das minhas histórias. Ao vir para a net, para o mundo afinal, contar um dos episódios da minha juventude, onde revelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/tr.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3506" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/tr.jpg" alt="" width="286" height="377" /></a></h3>
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;O estudo, a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido sermos crianças por toda a vida.&#8221;</h3>
<p>ALBERT EINSTEIN</p>
<p style="text-align: justify;">Foi com alguma apreensão que publiquei o texto anterior com mais uma das minhas histórias. Ao vir para a net, para o mundo afinal, contar um dos episódios da minha juventude, onde revelo que naqueles tempos de probidade eu era senhora para despejar um caneco e esfumaçar os meus cigarritos, fez-me recear que pudessem pensar, quem eventualmente me viesse a ler, que eu fui uma maluca, uma daquelas jovens totalmente passadas da cabeça, que só sabem alinhar em tontarias.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas depois, pensei melhor e disse de mim para mim: Que se lixe! Que se lixe pois, se fui maluca ou não,  se calhar fui, contudo, julgo que o valor destas minhas histórias, se é que algum valor têm, está precisamente no cunho da sua autenticidade. Elas são representativas de um tempo, são portanto e em certa medida, um documento do passado. Mal sabia eu de que me haveria de congratular pela minha boa-fé. É que foi precisamente o post anterior, que motivou e inspirou, além de outros, estes dois majestosos comentários, que tão bem ilustram e abrilhantam este meu cantinho no vasto oceano que é a blogosfera. Um muito obrigada a todos os visitantes do Blog da Miluzinha!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Comentário enviado por:</p>
<p>José Pinto<br />
<span style="color: #ff9900;"><a href="http://cabecaweb.blogspot.com/" target="_blank">cabecaweb.blogspot.com</a></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<h4 style="text-align: justify;">&#8220;O texto que escreveu traz à minha memória, em primeiro lugar, uma “Lisboa de outras eras”. No meu entender, o incêndio do Chiado, em 25 de Agosto de 1988, destruiu muita da sua magia. Tinha um certo fascínio pelos Armazéns Grandella onde costumava ir com a minha família às compras! Naquela manhã, estávamos em Almada. Havia chamas enormes sobre o coração de Lisboa. Turbilhões de fumo amarelo, helicópteros em volteio frenético e sirenes de ambulância são imagens e sons que guardo daquele pesadelo! Feito parvo, arranquei de carro para o local e, pior, fui pela Ponte, como se não fosse mais prático apanhar o barco em Cacilhas até à Praça do Comércio! Escusado será dizer que tive de estacionar muito longe e, mesmo a pé, não passei do fundo da Rua Nova do Almada, porque a Polícia e os bombeiros tinham bloqueado o acesso àquela zona. Como tantos, só fui estorvar! Foi um impulso irreflectido que não consegui controlar.</p>
<p>Vou agora abordar a história do seu almoço na Baixa. É bem verdade que, num país recente, havia normas virtuosas de conduta que não passavam duma discriminação descarada sobre as mulheres. Não passou muito tempo, usar calças era um exclusivo masculino. Do mesmo modo, era privilégio dos homens beber álcool em público. Fumar constituía um sacrilégio, uma desonra, uma depravação para as senhoras. Era patético ver mulheres do campo, habituadas a beber a sua pinguita às refeições em casa, terem de pedir no restaurante uma triste laranjada. Vinho?! Nem pensar! Que vergonha! Havia um desconsolo indisfarçável no seu rosto! Ao lado, o marido bebia, refastelado, a sua litrada e rematava a refeição com café e bagaço! Pelo meio, ainda lançava umas baforadas de tabaco sobre a mesa. A mulher nem sequer poluía! Quem não se lembra disto?</p>
<p>O direito a ser pessoa passa pela partilha de direitos, deveres, tarefas e costumes. Felizmente, o país evoluiu e, apesar de alguns focos de resistência, temos agora uma sociedade mais equilibrada. Em muitas áreas, as mulheres até já vão muito à frente, por mérito próprio. No que toca a vinho, também há mulheres enólogas profissionais, muito prestigiadas, que dão cartas a muitos homens.<br />
Vem a propósito lembrar que, até há pouco tempo, era politicamente correcto oferecer, nas relações sociais, uma garrafa de whisky. Esse hábito está hoje ultrapassado pela própria etiqueta. Receber whisky constitui, hoje, um verdadeiro pesadelo. A um bom amigo dá-se uma boa garrafa de vinho! Até porque, “ in vino veritas!”<br />
Feliz 2010! Um beijinho!&#8221;</h4>
<p>Comentário enviado por:</p>
<p>Diamantino</p>
<h4 style="text-align: justify;">A sua história dá-me oportunidade para dizer que não bebo, até poderia dizer que nunca bebi, mas isso não seria absolutamente verdade, porque quando jovem, bebia às vezes um pouco à refeição. Deixei de beber mesmo esse pouco, num determinado dia do ano de 1963. Foi no dia das sortes, no dia da minha inspecção militar, quando fiquei apurado para todo o serviço. Começamos a beber, eu e outros mancebos, na cantina do Quartel, para depois continuarmos nas tabernas que encontrávamos na errância que empreendemos, pelas ruas da grande cidade. Naquele dia apanhei cá uma perua, que me prostrou sem decoro numa esconsa ruela, durante algumas horas. Foi remédio santo, nunca mais bebi.</h4>
<h4 style="text-align: justify;">Com o tabaco poderei ser mais afirmativo e dizer que nunca fumei, ou quase. Há trinta e poucos anos, numa festa de casamento, alguém, aproveitando-se da minha passividade, me enfiou um charuto entre os dentes e pegou-lhe fogo na ponta que ficou de fora, devo ter chupado uma ou duas vezes, antes de me engasgar com o fumo daquela coisa. Já antes, teria eu doze anos, tinha passado por outra experiência, não menos estúpida. As barbas de milho secas e picadinhas, assemelham-se ao tabaco vendido em onças, isto no tempo em que os fumadores faziam os seus próprios cigarros. Não será difícil adivinhar a ideia que saiu desta cabecinha, fiquei com um amargo de boca, que ainda hoje perdura a sua recordação. Creio que devo a esta experiência tão pueril, o hábito tão salutar, de não fumar.</h4>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/tr1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3509" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2010/01/tr1.jpg" alt="" width="321" height="405" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Um tempo que já foi</title>
		<link>http://www.miluzinha.com/?p=3443</link>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 02:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Um tempo que já foi]]></category>

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		<description><![CDATA[

&#8220;Os negócios são o dinheiro dos outros&#8221;
ALEXANDRE DUMAS
E já que andei aqui a falar de copos, e também porque a época para isso muito se apresta, não resisti a contar-lhes um episódio que comigo aconteceu. Desta vez não venho falar de nenhum amigo, venho falar de mim, porque agora quem bebeu fui eu. Antes de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/anonovo11191.gif"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3452" title="anonovo" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/anonovo11191-300x251.gif" alt="" width="406" height="338" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;Os negócios são o dinheiro dos outros&#8221;</h3>
<p style="text-align: justify;">ALEXANDRE DUMAS</p>
<p style="text-align: justify;">E já que andei aqui a falar de copos, e também porque a época para isso muito se apresta, não resisti a contar-lhes um episódio que comigo aconteceu. Desta vez não venho falar de nenhum amigo, venho falar de mim, porque agora quem bebeu fui eu. Antes de prosseguir, pretendo deixar bem expresso, que com esta narrativa não estou de forma alguma a fazer a apologia do álcool e do tabaco, até porque esta minha história pertence a um tempo que já lá vai, há muito que  não fumo, quanto a beber ainda lhe dou um jeito. Mais copo menos copo, tudo depende do pitéu, é certo. Perante uma soberba bacalhauzada ou uma revigorante feijoada não quero nada com a água! Tenham lá paciência os eventuais abstémios que porventura me lerem, mas as coisas são como elas são! Se não houver vinho para acompanhar tão soberbos e sumptuosos paladares prefiro o jejum! Ora vamos à história cujo cenário foi a capital.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/baixa_lisboeta1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3454" title="baixa_lisboeta" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/baixa_lisboeta1-300x228.jpg" alt="" width="365" height="277" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Quando o episódio que deu origem a este post aconteceu, teria cerca de 22 anos. Há uns tempos que regularmente me deslocava a Lisboa com o fim de prosseguir na manutenção de meu recente negócio. Naquele tempo, muito acertadamente dizia-se que “Lisboa era Portugal e o resto era paisagem”, por isso mesmo, costumava fazer sucesso com as roupas que adquiria para meu uso pessoal em lojas como <em>Os Porfírios</em>, a <em>Casa Africana</em>, a <em>Chez Elle</em> e em muitas outras situadas nas imediações da Praça da Figueira, do Rossio, do Chiado, na rua do Carmo, enfim, por toda a Baixa Lisboeta. Esta ideia do negócio havia ganho corpo na minha mente, após ter reparado, que as minhas  amigas e pessoas conhecidas, costumavam cobiçar todas as minhas aquisições, já que na parvalheira onde então vivia, nem sequer logravam aparecer, visto que os lojistas preferiam investir com segurança, comercializando roupas e artigos mais virados para o clássico, e nisto eles tinham razão, porque nem todos tinham o meu arrojo, que já nessa altura gostava de inovar.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/roupas-lulu-600.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3459" title="roupas" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/roupas-lulu-600-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Dei então em comprar mais umas peças de vestuário e bijutaria, na maior parte das vezes em saldo, a cujo preço acrescentava mais alguns escudos, não muitos, para que não me chamassem &#8220;careira&#8221;, bem parva fui, e toca de as vender às amigas e conhecidas. Escusado será dizer, aqui para nós que ninguém nos ouve, que com este negócio em vez de ganhos, o mais certo é que arrecadasse francos prejuízos. É que ao adquirir os artigos pagava imediatamente o total e a pronto, enquanto que ao vendê-los era uso corrente receber os respectivos pagamentos às “mijinhas”. Rara era aquela que se distinguia por ser de boas contas, já para não falar de alguma que entretanto se fazia esquecida. Nestas condições, qualquer um no meu lugar, não hesitaria em acabar com tão ruinoso negócio, mas eu era muito persistente,  aliás, todos somos persistentes enquanto acreditamos, a verdade é que gostava destas trocas e baldrocas, era jovem e tal… Vistas bem as coisas, andava a fingir, principalmente para mim, que era uma comerciante e peras! E como a minha inexperiência e juventude me permitiam sonhar, decidi que devia expandir o negócio, pelo que comecei a acompanhar um senhor, familiar de uma pessoa amiga, que tinha uma loja e que costumava abastecer-se em armazéns sitos em Lisboa, assim como nas lojas dos monhés no Martim Moniz. E foi aqui nestas lojas, que dei início à nova era expansionista do meu negócio, que se não me serviu para almejar consideráveis lucros, pelo menos serviu para me trazer entusiasmada, porque na vida temos de fazer coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/bijou.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3453" title="bijou" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/bijou-300x164.jpg" alt="" width="347" height="189" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Um belo dia, depois de procedermos à aquisição de novas mercadorias no Martim Moniz, este senhor convidou-me para irmos almoçar, num restaurante do qual nunca mais consegui saber onde se situava, a não ser que ficava por ali nas redondezas do Rossio ou da praça da Figueira. Recordo-me apenas, que entrámos por uma porta que dava acesso a uma sala de jantar interior, sem janelas, talvez por causa disto sempre me passou despercebido nas vezes que o procurei. A dona do estabelecimento era francesa e foi ela que muito simpaticamente nos serviu.</p>
<p style="text-align: justify;">Para acompanhar o belo e opulento cozido à portuguesa que encomendámos, pedimos uma cerveja e um sumo de ananás. Ora bem, tendo em conta a mentalidade, os usos e costumes daqueles tempos, julgar-se-ia que a cerveja era para o cavalheiro e o sumo para a senhora, e foi mesmo nesta ordem que as bebidas foram colocadas na mesa, pelo que o senhor que me acompanhava pediu à francesa, proprietária do estabelecimento, para que trocasse as bebidas e os respectivos copos, já que a cerveja, por sinal uma Calrsberg, se destinava à senhora. Mais tarde e depois da refeição foi por nós solicitado um cinzeiro.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/mulher-fumando.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3456" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/mulher-fumando-300x254.jpg" alt="" width="300" height="254" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ora bem! Quem é que normalmente fumava? Era o homem! Portanto, vá de colocar o cinzeiro à direita do cavalheiro, gesto que este logo tratou de emendar, que mais uma vez elucidou que o cinzeiro era para a senhora! E foi neste momento que a francesa abriu um sorriso rasgado, aproximando-se da nossa mesa para nos felicitar, maravilhada pela nossa atitude vanguardista, denunciando assim que nos havia tomado como um casal e não como dois amigos ou simplesmente conhecidos. Mostrando-se divertida, ali se aprestou à conversa realçando a satisfação, de perante ela, ter um casal bem diferente do comum, isto é, o pretenso marido não fumava nem bebia, por seu lado, a também suposta esposa fazia as duas coisas, ainda mais invulgar se tornava tendo em conta a cultura do país, onde o que mais se via era precisamente o contrário. E logo ali nos contou o choque que havia tido ao chegar a Portugal, quando verificou que o papel do homem e da mulher eram bem definidos, destacando-se a falta de liberdade de acção das mulheres, que ainda por cima, pareciam acatar submissas e de bom grado o papel que a sociedade lhes reservava! Bem, não esqueçam, isto passou-se já lá  vão vinte e cinco anos, um quarto de século, portanto! Actualmente o cenário é bem diferente&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/lijn31xa3.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-3485" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/lijn31xa3.gif" alt="" width="172" height="69" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E porque aqui referi o Martim Moniz, os monhés e as suas tão características lojas, deixo-vos esta anedota:</p>
<p style="text-align: justify;">Um sujeito engravatado entra na lojinha do Abdul, no Martim Moniz, em Lisboa, e olha com desprezo para o balcão escuro, as roupas penduradas em ganchos, as caixas de papelão, os invólucros de plástico aos montes pelo chão&#8230;<br />
Abdul irrita-se com o desprezo do tipo e resmunga :<br />
- Está a olhar para a loja do Abdul com cara de parvo porquê? Com esta lojinha, Abdul tem apartamento no Cascais, tem apartamento no Algarve, tem casa no Chiado, tem quinta no campo, tem filho a estudar medicina nos Estados Unidos, tem filha estudando moda em Paris. Tudo só com lojinha!<br />
- Bom dia, eu sou fiscal das Finanças!<br />
- Muito prazer! Eu, Abdul, monhé mais mentiroso do Martim Moniz&#8230; <img src='http://www.miluzinha.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Tirada<a href="http://blog.nunocosta.eu/2009/12/monhe.html" target="_blank"> <span style="color: #ffcc00;">daqui</span></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/afomso.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3455" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/afomso-297x300.jpg" alt="" width="339" height="342" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Acordes de um velho amigo</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 01:02:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acordes de um velho...]]></category>
		<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>

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&#8220;Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.&#8221;
FRIEDRICH NIETZSCHE

Ao ler os textos dos blogs que visito regularmente e conforme o seu conteúdo, acontece-me amiudadas vezes lembrar-me de uma ou outra situação decorrida na minha vida, que devido a uma qualquer razão misteriosa, jazia entorpecida nos confins da minha memória. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/menina_na_janela.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3386" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/menina_na_janela-223x300.jpg" alt="" width="367" height="492" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.&#8221;</h3>
<p style="text-align: justify;">FRIEDRICH NIETZSCHE</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Ao ler os textos dos blogs que visito regularmente e conforme o seu conteúdo, acontece-me amiudadas vezes lembrar-me de uma ou outra situação decorrida na minha vida, que devido a uma qualquer razão misteriosa, jazia entorpecida nos confins da minha memória. Um dia destes, na visita que fiz a um blog, veio-me à ideia um amigo de outrora, daqueles  tempos da minha venturosa juventude. Por vezes, nos meus raros momentos de introspecção, subitamente despoletados por vagas e ocasionais reminiscências, não consigo evitar de me sentir avassalada por um profundo sentimento de nostalgia… Tanta coisa que na minha vida ficou pelo caminho… Amigos, sonhos, convicções e até a faculdade de acreditar. E porque ainda é Natal, achei por bem contar esta história, visto que esta quadra, quer queiramos quer não, propicia em grande medida a que nos deixemos embalar pelo sentimento da saudade, de todos aqueles que um dia fizeram parte das nossas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez, o meu saudoso amigo, numa das nossas tertúlias, em que empolgados trocávamos impressões acerca dos livros que recentemente havíamos lido, aqui e ali, intercaladas de acesas achegas sobre os mais diversos assuntos, saiu-se com uma das dele, que me fez rir gostosamente!</p>
<p style="text-align: justify;">Contou-me, então, que um ex-colega, com o qual em tempos havia estudado tinha escrito um livro, no qual se tinha comprazido a dizer mal de todos os colegas do seu percurso académico. Dominado pela curiosidade, esse meu amigo logo tratou de prospectar a tão inusitada obra que, de certa forma, lhe estava a provocar alguma inquietação. Atitude que não deixa de ser compreensível, mal dos nós se algum dos nossos colegas se lembrar de seguir este exemplo!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/Livro1_max.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3396" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/Livro1_max-300x281.jpg" alt="" width="365" height="339" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Já a metade da leitura do maledicente livro tinha sido vastamente ultrapassada quando o meu amigo deu por si a ficar algo agitado.  Temia que  nada ali constasse acerca da sua pessoa!  Se tal acontecesse, significaria que fora esquecido! E, desgraçadamente, ser esquecido é a mesma coisa que ser objecto da total indiferença.  Afinal, bem pior do que dizerem dele a maior blasfémia.</p>
<p style="text-align: justify;">Sentindo-se mais pequeno do que uma pulga e com o amor-próprio bastante amarfanhado, ainda assim, lá foi prosseguindo a leitura, quando perante os seus olhos, surgiu a frase que lhe fez recuperar a auto-estima. De imediato se lhe estampou nos lábios  um jocoso e amplo sorriso! As iniciais do nome desse meu amigo são L.F, então, imensamente divertido havia lido o seguinte: “L.F, sempre bêbedo, mas sempre lúcido!”</p>
<p style="text-align: justify;">E eu ri-me, porque esta afirmação, não andava muito longe da verdade. Onde quer que estejas Luís agradeço-te por teres sido meu amigo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/martim-moniz_lisboa.jpg"><img class="size-medium wp-image-3390  aligncenter" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/martim-moniz_lisboa-300x256.jpg" alt="" width="390" height="332" /></a></p>
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		<title>Uma manhã de Natal</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 09:19:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Uma manhã de Natal]]></category>

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&#8220;Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons.&#8221;
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
No dia 25 de Dezembro de um já longínquo ano, uma menina de seis anos e o seu irmãozinho de dois dormiam complacentemente na cama que era dos seus pais. Assim que o dia amanheceu e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3337" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/natal1008.gif" alt="" width="478" height="393" /></p>
<h3>&#8220;Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons.&#8221;</h3>
<p>CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 25 de Dezembro de um já longínquo ano, uma menina de seis anos e o seu irmãozinho de dois dormiam complacentemente na cama que era dos seus pais. Assim que o dia amanheceu e os pais se levantaram haviam posto o menino a dormir junto da irmã, todavia, a menina já lá permanecia desde o meio da noite, altura em que havia acordado em sobressalto, assustada com um sonho mau, ou talvez nem fosse isso, talvez o medo lhe tivesse advindo da imaginação, que lhe fazia crer que as sombras que povoavam o seu quarto ganhavam vida e se agigantavam ameaçadoramente perto da sua pequena cama. Aos berros havia acordado os pais, que como já vinha sendo habitual, logo acudiram pressurosos e a salvaram de tão desalmado pranto, levando-a ao colo para a cama do casal. Uma vez afundada no conforto e na segurança que o ninho formado entre o pai e a mãe lhe conferia, com as costas quentes, tal como se costuma dizer, dava-se agora a ares de valente, fanfarrona e sobranceira ousava desafiar os difusos vultos que pairavam diluídos na penumbra do quarto. Pois agora que se avultassem à vontade e viessem ter com ela!&#8230;  Mais protegida do que nunca, aninhada entre as duas pessoas que no mundo mais a amavam, reconheceu que, estranhamente, nada  perturbava a santa placidez que naquele quarto reinava.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã desse dia 25 de Dezembro, estas duas crianças foram acordadas em simultâneo para lhe serem colocadas nas mãozitas as suas prendas de Natal. A menina olhava para os embrulhos sem mesmo entender o que eram prendas de Natal, pela primeira vez na sua curta existência tomava a noção de que o dia de Natal era um dia diferente de todos os outros, pois estavam-lhe a ser dadas prendas, ela que até agora não sabia o que era uma prenda, mas sabia o que eram brinquedos, por os já ter visto nas mãos de outras crianças. Abriu uma das prendas e descobriu maravilhada um pequeno ferro e uma tábua de engomar. O ferro era quase como o da mãe, que era aquecido com brasas, que electricidade era um luxo a que ainda não haviam tido direito. Pegou na segunda prenda, devagar e com muitas cautelas começou a  desembrulhar e viu extasiada uma fina e delicada tablete de chocolate, que desprendia prodigamente um doce, inebriante e aveludado aroma que lhe turvou os sentidos, entontecendo-a! Jamais esta menina iria esquecer o enlevo daquele momento único, passados anos e já adulta compreendeu que nenhuma tablete  do mundo valerá tanto como aquela, porque foi o seu primeiro chocolate.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3354" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/10di7.jpg" alt="" width="244" height="183" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-3348 alignleft" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/15645528_8.jpg" alt="" width="245" height="182" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Olhou para o seu irmãozinho, aquele bebé adorável que nunca chorava, e viu-o a braços com  idêntica surpresa, as suas minúsculas mãozinhas seguravam um carrinho de plástico e uma tablete igual à dela. Nos dias que se seguiram as duas crianças não deram tréguas aos seus brinquedos, afinal, os seus primeiros brinquedos. O  carrinho de vez em quando já sem rodas, até que as perdeu definitivamente, desaparecidas sabe lá Deus onde, pois que nunca mais foram vistas. Por seu lado a menina insistia que queria brasas no ferro, queria brincar a sério, isto é, queria verdadeiramente engomar roupa para ajudar a mãe. Também queria assar caracóis, como uma vez havia visto a mãe fazer, quando da rua num chuvoso dia a menina havia trazido para casa um grande caracol, que a mãe polvilhou com sal e meteu dentro do ferro de onde começou a ouvir-se um chiado, a menina pensou ser o choro do caracol a morrer queimado, o que lhe fez ficar com pena do azarado caracol, mas comeu-o na mesma! Não foi lá grande petisco… mas não havia mais tabletes…</p>
<address style="text-align: justify;"><span style="color: #993300;"><strong>Esta menina era eu&#8230;</strong><br />
</span></address>
<address style="text-align: justify;"><span style="color: #993300;"><strong>A todos quantos me visitam desejo que tenham um Natal tão feliz quanto o fui neste dia!</strong></span></address>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3349" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/noite_natal.jpg" alt="" width="449" height="563" /></p>
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		<title>E a saga continua&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 22:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[E a saga continua...]]></category>
		<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>

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&#8220;Se você não contar a verdade sobre si mesmo, não pode contar a verdade sobre as outras pessoas.&#8221;
VIRGINIA WOOLF

Quando publiquei o post anterior tinha a intenção de logo escrever um outro, onde vos daria conta de mais algumas atitudes perfeitamente reveladoras do carácter abjecto desta senhora, que tem vindo a ser protagonista das minhas mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3296" title="menina" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/saat-menina-ameacada-oitis-flavia.jpg" alt="menina" width="430" height="518" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;Se você não contar a verdade sobre si mesmo, não pode contar a verdade sobre as outras pessoas.&#8221;</h3>
<p style="text-align: justify;">VIRGINIA WOOLF</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quando publiquei o post anterior tinha a intenção de logo escrever um outro, onde vos daria conta de mais algumas atitudes perfeitamente reveladoras do carácter abjecto desta senhora, que tem vindo a ser protagonista das minhas mais recentes histórias, que insana, ainda tinha a veleidade de pensar, que era tida por todos quantos a conheciam, como o exemplo acabado de uma senhora fina,  oriunda de uma casta superior e detentora de uma polida educação. No fundo o que eu pretendia mesmo era escrever uma história que servisse na perfeição de corolário para todas as outras, o mesmo é dizer que, de todas as histórias esta seria a pior, aquela que conteria factos ainda mais inconcebíveis, contudo, vou ter de adiar esse meu projecto, já que a <a href="http://almaamargurada.blogs.sapo.pt/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">Flordeliz</span></a>, uma das minhas fiéis visitantes, num dos seus comentários ao post anterior, a propósito do recado em que eu acartava  um malote cheio de laranjadas e outras bebidas, comentou que a meio da leitura ainda chegou a pensar que me teria atrevido a beber uma das laranjadas, o que me fez lembrar de uma outra situação, na qual e para meu infortúnio, mais uma vez fui uma inocente vítima da invulgar mesquinhez que caracterizava esta senhora.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, a verdade seja dita: Se nunca me deu na veneta de beber uma das laranjadas foi tão-somente porque a isso nunca me senti tentada. Vendo bem até que me seria fácil, visto que a minha casa me ficava no caminho, teria aberto uma das garrafas com a velha e ferrugenta chave que de tão pouco uso jazia esquecida no fundo da gaveta, pois que, laranjada na minha casa só mesmo quando o rei fazia anos. Mas também sabia que o meu desplante e atrevimento me iriam valer um correctivo, que tanto poderia ser um valente par de açoites ou até mesmo, já não seria a primeira vez, uma violenta saraivada de chineladas aplicadas no traseiro, além de que, disso tenho a certeza, a minha mãe faria questão de pegar em dinheiro e pagar o meu estrago, o que me faria sentir duplamente culpada. Lá levar porrada era uma coisa, praticamente só dói naquela altura, mas fazer com que a minha mãe tivesse de gastar o pouco dinheiro que tínhamos, já era outra!  Mas vamos ao caso que a <a href="http://almaamargurada.blogs.sapo.pt/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">Flordeliz</span></a> me fez recordar:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3300" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/avareza1.jpg" alt="" width="364" height="441" /></p>
<p style="text-align: justify;">Um dia houve em que pude testemunhar o quanto a sovinice e avareza das pessoas pode ser desprezível. Quanto a mim, as pessoas que assim são, deveriam ser emparedadas junto com todas as suas notas de banco, já que tanto gostam delas o dinheiro que lhe servisse de companhia para toda a eternidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Na altura eu já era uma adolescente de 14 anos, sei disso porque o meu pai havia falecido recentemente, o que nos fez a nós, à minha mãe e aos seus três filhos menores, mergulhar num mundo de dificuldades, foi um tempo em que quase tudo nos faltou. Não é de admirar, portanto, que de repente nos  tivéssemos tornado no alvo das atenções das pessoas que melhor nos conheciam, ou que de alguma forma nos fossem próximas. Parecia que todas queriam dar o seu contributo, ajudando cada uma à sua maneira. Todavia e para minha infinita tristeza não demorei a compreender que as aparências iludem. Infelizmente o que as pessoas mais gostam de fazer, não é bem aquela ajuda com atitudes dignas e em tempo útil, o que se aprestam a fazer e de bom grado é a chamada caridadezinha, que não só não melhora as condições de vida de quem precisa, como em vez disso, chega a ser humilhante. Afinal sempre há alguma desconcertante verdade no adágio que nos diz que,  &#8220;Santos ao pé da porta não fazem milagres&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois esta senhora numa conversa com a minha mãe transmitiu-lhe a ideia de eu ir à sua casa para fazer uns trabalhos de limpeza, juntamente com outras duas senhoras que trabalhavam à hora, que me pagaria igual a elas, para eu poder ter o meu dinheirinho, já que agora era uma jovenzinha com todas as necessidades que isso implicava, que assim e que assado. E a minha mãe achou jeito àquela conversa, pelo que se esforçou para me convencer a aceitar, até porque se não fosse iria ser criticada, logo diriam que eu não queria trabalhar, que era uma mandriona e porque torna e porque deixa.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3301" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/menina.gif" alt="" width="327" height="523" /></p>
<p style="text-align: justify;">Lá fui! Pouco ou nada entusiasmada, é certo, mas com a esperança de que o dinheiro ganho servisse para comprar algo de que gostaria muito porque de necessidades estava eu inundada, já nem valia a pena pensar nisso, o que queria mesmo era uma coisa de que gostasse, que me servisse de verdadeiro alento e recompensa, como por exemplo um verniz de uma cor bem bonita para pintar as unhas ou um lápis preto para delinear os olhos, enfim, algumas daquelas coisas para as quais a minha normal vaidade de adolescente começara a despertar.</p>
<p style="text-align: justify;">Calhou-me a ingrata tarefa de remover com um áspero esfregão de arame a cera velha do soalho da sala, da mesma sala onde tantas vezes me inebriei de encantamento ao ver as séries televisivas de então. Durante horas, que me pareceram uma dura eternidade, lá andei intrépida na desagradável penumbra da sala virada a norte, que ainda para mais cheirava intensamente a tabaco, suando as estopinhas e já profundamente arrependida de me ter metido naquela empreitada. Subitamente deram-me ganas de atirar com o esfregão para longe e largar o serviço, mas, em vez disso, apliquei-me ainda com mais fervor ao trabalho, esfregando com tanta força que quase arrancava farpas de madeira, ferindo ainda mais o já tão castigado pavimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Lá pelo meio da tarde ouvi-lhe a vozinha melosa com que habitualmente se me dirigia, a chamar por mim, para que fosse à cozinha a fim de retemperar as forças com o lanche que me havia preparado. Fiquei surpreendida com tamanha amabilidade que  não era seu apanágio, mas não deixa de ser verdade que até as pessoas mais duras e secas são capazes de momentos de fraqueza, por isso foi com prazer e considerável alívio, já que aproveitei para descansar um bocadinho da rudeza da faina, que engoli uma sandes composta por um pastel de bacalhau dentro de um papo-seco e um pequeno copo de laranjada para ajudar a desembuchar.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de lanchada foi com entusiasmo renovado que me atirei com assanhado fulgor à tarefa de que havia sido incumbida e que para minha infinita alegria já ia grandemente adiantada. Quando um pouco mais tarde dei por finda a tão penosa labuta olhei para o resultado do meu esforço e sorri maravilhada, apesar de me sentir derreada das costas. Afinal tinha valido a pena! Aquele chão que tanto me havia atormentado brilhava resplandecente, pois que, depois de removida a cera velha  havia-lhe  aplicado uma generosa camada de Dabri, (passe a publicidade, mas foi mesmo este produto que me recordo de ter usado). Finalmente e para meu grande contentamento era chegado o momento mais desejado, aquele em que iria receber o produto do meu trabalho, o dinheirinho que durante toda a tarde tantas vezes gastei em sonhos ditados pela minha imaginação.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3307" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/1-1258209737k5bG.jpg" alt="" width="444" height="296" /></p>
<p style="text-align: justify;">Mas, eis que o insólito estava para acontecer!!! No momento de efectuar o pagamento da minha prestação de trabalho esta senhora resolveu dizer que não iria pagar-me igualmente às outras duas mulheres, porque estas, habituadas a trabalhar à hora, haviam sido mais lestas, como quem diz que eu teria andado o tempo todo a engonhar. Pareceu-me mal! Pois pareceu! Então, se assim havia sido, porque não se queixou antes? Se logo no início  me tivesse acusado de estar a fazer ronha, e se eu entendesse que me estava a pedir demais, sempre podia ter largado o trabalho enquanto era tempo.  Contudo deixei-me ficar calada apesar de imensamente desiludida. Tinha a nítida impressão de que estava a ser vilmente enganada, mas perante um adulto o que faz uma indefesa adolescente de quem todos se aprestariam a duvidar? Naqueles tempos um adulto gozava de mais credibilidade do que um qualquer adolescente, quanto mais eu,  tornada tão frágil devido ao meu quase total desamparo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas por incrível que possa parecer a avareza não se ficou por aqui, uma outra situação inédita aconteceu:</p>
<p style="text-align: justify;">No auge da indecência, esta senhora fez-me saber que do montante restante que me haveria de pagar seria  descontado o  valor do lanche que eu havia tomado. Ao ouvir tamanha aleivosia fiquei sem fala! Era demais para mim. Então se nem sequer estava a contar com o lanche, de bom grado teria estado sem comer desde que recebesse o meu dinheiro!!  A triste verdade é que  com o meu esforçado  e diligente trabalho paguei um pastel de bacalhau, que de bacalhau só tinha o nome, um  papo-seco, que era mesmo seco, tinha pelo menos  três dias e um diminuto e mísero copo de laranjada!..</p>
<p style="text-align: justify;">Pois aqui tens <a href="http://almaamargurada.blogs.sapo.pt/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">Flordeliz</span></a>, o episódio que tu me lembraste, quando referiste que ainda chegaste a pensar que num qualquer  dos  recados para ir comprar bebidas, teria mandado o temor do consequente castigo às urtigas e vá de emborcar pelo gorgomilo abaixo uma das deliciosas laranjadas! Escusado será dizer que este episódio ditou o fim da minha parceria nos trabalhos domésticos em casa desta senhora. Ninguém gosta de trabalhar para aquecer!&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3311" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/12/A20MENINA20CORRENDO20NO20TEMPO-det.do20quadro20em20C3B3tleo20s20tela-200011.jpg" alt="" width="325" height="448" /></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Por uma questão de fruta</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 02:50:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Por uma questão...]]></category>

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		<description><![CDATA[

&#8220;A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original.&#8221;
ALBERT EINSTEIN
Tal como tenho vindo a narrar, algumas vezes houve em que me sujeitei a duras provações, quando ajudava nas tarefas domésticas ou fazendo recados para um casal meu vizinho, esperando que depois dos trabalhos feitos, me deixassem ir para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3257" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/uvas-5.jpg" alt="" width="399" height="536" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original.&#8221;</h3>
<p>ALBERT EINSTEIN</p>
<p style="text-align: justify;">Tal como tenho vindo a narrar, algumas vezes houve em que me sujeitei a duras provações, quando ajudava nas tarefas domésticas ou fazendo recados para um casal meu vizinho, esperando que depois dos trabalhos feitos, me deixassem ir para a pequena sala, para que pudesse ver os meus heróis &#8211; meus e de toda a criançada &#8211; que naquela época pululavam nos écrans da televisão. Quando eu não lograva aparecer, e esta senhora de mim precisasse para lhe fazer um determinado recado, ela mesma tratava de me chamar, utilizando uma espécie de isco, “o convite”, expressão então muito utilizada para designar a recompensa ou pagamento por um favor prestado, que para mim, tanto podia ser uma moeda de 20 centavos ou até mesmo uma moeda de 50 centavos, mas neste último caso só em ocasiões verdadeiramente excepcionais, raríssimas mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também podia estar com a mosca e dar-me uma porcaria qualquer, que logo à saída da sua casa eu atirava para dentro de um oportuno silvado, que ali vingava agarrado a um dos muros do imenso jardim da moradia. Num belo dia, depois de lhe ter feito um recado, deu-me um saco de maçãs já um tanto tocadas, pegando numa faca explicou-me como deveria fazer quando fosse para casa e quisesse comer as maçãs, e lá andava a espetar a ponta da faca cortando em redor de uma auréola castanha de apodrecida, aproveitando-se assim pouco mais de metade da maçã. Bem, já estão a ver o destino que dei às apodrecidas maçãs. Isso mesmo! Foram direitas que nem um fuso, para o emaranhado das silvas!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3260" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/Maçãs.jpg" alt="" width="435" height="326" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Noutro dia qualquer, após ter-lhe feito mais um recado, espetou-me precipitadamente um melão nas mãos e de rompante fechou-me na cara a porta da entrada da sua casa, gorando-me assim, as minhas intenções de por lá me demorar a ver televisão. Surpreendida com aquela reacção que não lhe era habitual, ali me quedei uns instantes a tentar perceber o que estaria por detrás de semelhante destempero. Senti-me como que enxotada e não gostei disso. Entretanto havia percebido que o melão chocalhava por dentro, como se estivesse cheio de líquido. Desiludida por me ver ali sozinha e rejeitada, assim como assim, perdida por um, perdida por mil, ali mesmo em frente à porta da ingrata senhora, abri as mãos e deixei cair o melão, que voando em queda livre se foi escaqueirar no cimento derramando o liquefeito interior, como se, de um ovo partido se tratasse. Sem mais delongas, voltei costas, triste e com o rabito entre as pernas encetei o caminho de casa. Mas já ia arrependida! Em passos miúdos, fui caminhando cabisbaixa e embrenhada em pensamentos tenebrosos, que me toldavam a minha natural alegria de criança, temendo pelas consequências da acção que havia acabado de cometer. Receava que a dita senhora decidisse contar à minha mãe aquele meu ousado acto, que naqueles tempos podia ser considerado uma grave falta de respeito por um adulto, logo, a clamar por uma forte reprimenda. Amargurada, fui-me preparando para levar um par, ou mais, de lambadas bem repuxadas. Para meu infinito contentamento nada disso aconteceu, já que os meus funestos prognósticos não se confirmaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Passados uns tempos, a senhora, muito sorridente e com uma voz de mel que aprendi a detestar-lhe, por a pressentir falsa, visto que não combinava com as acções que praticava, veio até mim, para me pedir que lhe fizesse um recado. Acedi de bom grado, até porque o meu ressentimento havia-se dissipado, demais a mais, estava ansiosa para matar as dolorosas saudades dos meus heróis televisivos, que tanto me encantavam.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, um dia houve, em que esta senhora exagerou na incúria! Entregou-me um malote com umas quantas garrafas vazias de laranjada,  de gasosa e de cerveja, para que as fosse trocar pelas respectivas garrafas cheias, num estabelecimento misto, mercearia e taberna, situado ali num bairro próximo. Não se lembrou, ou não quis saber, que uma vez o malote carregado com as garrafas cheias seria demasiado pesado para as minhas forças. Foi com bastante sacrifício e força de vontade que, aos poucos, e parando diversas vezes para descansar, consegui percorrer aquele que me pareceu um longínquo percurso. Cheguei cansada, mas ao mesmo tempo feliz, por ter sido capaz de desempenhar tarefa tão árdua. No fundo, estava imensamente satisfeita porque esperava que o meu esforço fosse grandemente reconhecido pela senhora, que a meu ver, me ofertaria com uma boa recompensa. Mas, desgraçadamente, não foi isso que aconteceu…</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3261" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/uvas-4.jpg" alt="" width="394" height="312" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">No exacto momento em que cheguei, vinda de fazer o recado, chegou também uma menina da minha idade, filha de um casal inquilino desta senhora, que ali bem perto tinha um prédio de quatro apartamentos, os quais se encontravam alugados a famílias pretensamente distintas e bem na vida. E foi nestes instantes que pude assistir sem pagar bilhete a um dos espectáculos mais deprimentes de toda a minha vida: A senhora, toda ela eram mesuras e vénias, com vozinhas de menina foi perguntando à miúda como ia o papá e a mamã e outras lamechices com as quais pretendia fazer-se passar pelo que não era, isto é, educada, fina e requintada. Quando a miúda manifestou a intenção de se ir embora, aquela senhora achou por bem que da sua casa não iria sair de mãos a abanar, pelo que lhe ofertou um viçoso, belo e garboso cacho de uvas cujos bagos de tão cheios pareciam ameaçar rebentar. Virando-se para mim, aquela malfada mulher, naquele seu jeito odioso de imitar a voz infantil, disse-me “toma o teu convite”, ao mesmo tempo que esticava o braço em cuja mão segurava um triste e miserável cacho de uvas que pendiam apagadas e sem viço, de tão mijonas!  Era então esta  a minha  recompensa, que me dava pelo meu supremo esforço e boa vontade de carregar com o maldito malote! A outra menina, que não tinha  feito a ponta dum corno, afinal, tinha nas mãos  aquilo que devia ser meu! Olhei para o meu esbandalhado cacho de uvas e senti-me a criatura mais infeliz do mundo. Vi a outra menina a olhar perturbada, porque também ela havia percebido a monstruosidade desta acção. Mas também vi outra coisa que muito me magoou!</p>
<p style="text-align: justify;">Vi que ela parecia uma boneca, toda  enfeitada por laçarotes e de vestido aos folhos em cor-de-rosa, enquanto eu, para ali andava de qualquer maneira e feitio, vestida às três pancadas, com uns frangalhos quaisquer de cor escura, por serem menos sujadeiros, mas sujos, estavam de certeza, os sapatos cambados e sem graça, deteriorados pelas minhas brincadeiras e corridas pelos campos. No mais fundo do meu íntimo senti alguma revolta por ser assim, desajeitada e sem graça, e, também, por não ter uma família  rica e requintada como aquela menina, para também eu poder chamar os meus  queridos pais de papá e mamã, em vez de, simplesmente, pai ou mãe, como só os pobres faziam.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a vida não se cansa de nos dar lições, e uma dessas lições diz-nos que nem tudo o que parece é! Certa vez, a família desta menina, que me parecia uma boneca de porcelana, mudou-se para outra localidade, mas atrás de si deixou o rasto de uma matilha de cães que ladravam furiosamente.  Assim também os meus pais podiam fazer vida de ricos! E eu virava uma boneca!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3272" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/boneca-1.jpg" alt="" width="270" height="360" /></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Desencantos da minha infância</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 02:42:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desencantos da minha ...]]></category>
		<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>

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		<description><![CDATA[

Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira.
LEON TOLSTÓI

Em seguimento ao post anterior, no qual relatei uma lamentável situação bem reveladora do quanto o comportamento de um adulto pode ser indecoroso em relação às crianças, e tanto mais indigno quanto mais indefesas as crianças se lhes afigurarem, eis-me aqui, pois, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3227" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/livro-rosa-e-velas.jpg" alt="" width="459" height="380" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira.</h3>
<p style="text-align: justify;">LEON TOLSTÓI</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em seguimento ao post anterior, no qual relatei uma lamentável situação bem reveladora do quanto o comportamento de um adulto pode ser indecoroso em relação às crianças, e tanto mais indigno quanto mais indefesas as crianças se lhes afigurarem, eis-me aqui, pois, para lhes dar a conhecer mais alguns destes casos, mas agora relatados na primeira pessoa, o mesmo é dizer que se passaram comigo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tinha de ser, pois claro!</p>
<p style="text-align: justify;">Foi num tempo em que era ainda muito menina. Lembro-me que frequentava a escola primária e que durante as férias grandes,  ou ainda, esporadicamente em outras ocasiões, foram muitas as vezes em que me acolhi na casa de um casal de meia-idade, meus vizinhos, num arremedo de fuga ao desamparo e vazio de gente que era o meu triste lar, já que os meus pais se ausentavam durante todo o santo dia, mergulhados na faina do seu trabalho, arrebanhando com suor e sacrifício os parcos proventos essenciais à sobrevivência da família.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é que eu gostasse destes vizinhos para minha companhia, nunca perto deles me senti particularmente bem, mas, foi o melhor que se pôde arranjar naqueles tempos de penúria e de bisonhice mental. Ao menos lá, na casa deles, pude sentir o calor humano que chegava até mim através da televisão, na qual me foi possível ver algumas das bonecadas e filmes da época. Desgraçadamente, nem tudo para mim foram rosas naquela casa! Porque nada lá me foi dado! O direito a permanecer na pequena saleta, sentada defronte da televisão, conquistava-o eu, à custa de abnegadas prestações de serviços solicitados pela dona da casa, alguns bem custosos, diga-se em bom abono da verdade. No fundo, entre nós havia-se estabelecido uma simbiose perfeita. Primeiro ajudava-a nos afazeres domésticos e também saía à rua para lhe fazer alguns recados, entretanto, era chegada a altura em que era dispensada para, finalmente, me sentar defronte da televisão. E ali ficava durante horas esquecidas, absorvida pelo êxtase que a interminável sucessão de imagens em mim provocava! Só tornava a acordar para o mundo, quando já noite adiantada, a minha mãe me ia buscar, de vergasta disfarçada por debaixo de um dos braços, disposta a desferir-me umas boas bordoadas, como castigo por não me achar em casa quando ela, cansada, havia chegado do trabalho. Em tempos foi assim! Por tudo e por nada levava-se pancada, era para cedo torcer o pepino.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3230" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/memórias.jpg" alt="" width="295" height="353" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Uma das tarefas que normalmente fazia para esta senhora era arear as pratas da casa e toda uma cambulhada de berliques e berloques em metal que por lá infestavam, espalhados por cima dos móveis. Também costumava varrer-lhe os imensos terraços  em redor da casa, que no Outono se encontravam constantemente cobertos por folhas caídas das árvores, coisa que gostava imenso de fazer, já que andava por ali ao sol. Até aqui ainda a coisa ia tal e tal. Mas quando me chamava para a ajudar a fazer a cama, um angustiante frio de aço subia por mim até à ponta dos cabelos, que se me eriçavam encrespados. Depois de, uma de cada lado acabarmos de fazer a cama, era chegado o momento de eu deitar mão aos dois penicos, que se encontravam guardados nas mesinhas de cabeceira, para os ir despejar, não na casa de banho que para este casal era um museu a preservar, mas antes, para um buraco no quintal, que se destinava a reunir todos os tipos de dejectos para mais tarde fertilizar as sementeiras. Porque havia de ser eu e não ela, a carregar tão odiosos caldeiros? Nos quais, para minha infelicidade, de tudo havia! Quando digo de tudo, é mesmo de tudo aquilo que pode evadir-se do corpo humano, e, para melhor coroar uma das tão profícuas taças vai de o marido lhe despejar, para acrescento da mistela, um cinzeiro a abarrotar de beatas, que normalmente tinha em cima da mesa-de-cabeceira, já que fumava no quarto durante a noite, ou antes de adormecer, sei lá, sei apenas, que era sempre um cinzeiro completamente cheio.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da inexorável passagem do tempo ainda  me consigo imaginar naqueles tormentosos momentos em que acartava para a rua um penico de cada vez, não fosse o diabo tecê-las, e para minha infinita desgraça, escaparem-se-me das mãos e derramar os demónios. Tanto quanto o meu bracito podia, afastava de mim e do meu irrequieto olhar os malvados e asquerosos penicos e, naqueles infectos instantes, sentia nascer dentro de mim um profundo sentimento de desprezo por aquela mulher. Não fosse o temor de levar um arraial de porrada da minha mãe, como castigo pelo meu atrevimento, e um dia ainda teria dado um fim diferente àquelas penicadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por agora fico-me por aqui, mas há muito que dizer acerca das minhas aventuras e desventuras com este casal meu vizinho&#8230; Prometo que não vão ser histórias de penicos, mas ainda assim, susceptíveis de enojar quem as ler, de tão deploráveis actos perpetrados logo numa criança &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3233" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/escrever.jpg" alt="" width="408" height="375" /></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Entroncamentos</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 23:21:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entroncamentos]]></category>
		<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>

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		<description><![CDATA[
&#8220;Nosso Senhor ama os pobres, por isso fez tantos.&#8221;
ABRAHAM LINCOLN

Ah, como é bom o descanso! No etéreo, ao lado do divino Criador esteja quem o inventou! O sentimento de descontracção que neste momento me avassala sinto-o como algo de sublime, que tão bem me faz à alma, e que de tão bom, só pode advir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3187" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/Estar-à-janela.jpg" alt="" width="330" height="400" /></p>
<h3 style="text-align: justify;">&#8220;Nosso Senhor ama os pobres, por isso fez tantos.&#8221;</h3>
<p style="text-align: justify;">ABRAHAM LINCOLN</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Ah, como é bom o descanso! No etéreo, ao lado do divino Criador esteja quem o inventou! O sentimento de descontracção que neste momento me avassala sinto-o como algo de sublime, que tão bem me faz à alma, e que de tão bom, só pode advir dos  divinos céus! Os católicos convictos que me perdoem a heresia, estes que têm o sofrimento como ordenança de Deus para a redenção humana. Neste âmbito funciono um pouco ao contrário, é que de Deus só espero o melhor, o mais puro sentimento de leveza e conforto. Um Deus bom não incute sofrimento, mas sim os sentimentos de exaltação, que podemos sentir em momentos especiais. Foi imbuída  com este estado de espírito, que me aprestei a sentar-me aqui defronte do meu portátil, o meu confidente destes últimos tempos e falar-vos sobre mim, sobre o que me rodeia e sobre o que me assola ao pensamento. Porque gosto de me debruçar sobre as coisas e sobre elas pensar.</p>
<p style="text-align: justify;">Já aqui vos falei de uma minha prima, que, de certa forma, me acompanhou em importantes fases da minha vida. Principalmente na minha juventude, um tempo em que sinto que tudo vivi ao de leve, sem me deter em nada particularmente, foi como se planasse na paisagem de um mundo que só a mim me era dado ver.</p>
<p style="text-align: justify;">Devido às contingências das nossas  vidas, afastámos-nos uma da outra  e passaram-se alguns anos em que nem sequer nos falámos. Houve momentos em que senti desesperadamente a necessidade de estar com ela, para poder desabafar e dar vazão aos tormentos da minha alma e às minhas alegrias também. Claro! Até porque sou extremamente emotiva e comunicativa, apenas não o sou com toda a gente, e disso faço questão, ou seja, de permanecer assim. Sabia que só ela, a minha prima, era capaz de me entender, afinal, as duas tivemos um percurso de vida muito comum.  Há tanta coisa que só ela é digna de ouvir de mim, no fundo, reconheço que usufruimos ambas de idênticas circunstâncias de vida, quer elas fossem boas, quer fossem  más. Para  tanto termos em comum, basta-nos  as mesmas origens, logo, mais ou menos as mesmas referências. Há algum tempo enchi-me de coragem e procurei-a. Posso dizer que foi um retorno um tanto tímido. Não tinha a certeza até que ponto  havia mudado a sua forma de ser e estar no mundo. Ontem, Domingo, estive  mais uma vez com ela, passeámos e conversámos muito, acabámos por ir jantar num sítio extremamente simpático, ao qual eu nunca tinha ido, apesar de saber da sua existência e que era muito frequentado por pessoas que sempre conheci. É uma tasquinha no Livramento, uma pequena povoação que fica logo depois das conhecidas curvas de Porto de Mós, que algumas vezes na minha juventude, percorri numa motorizada a altas velocidades, curvando vertiginosamente quase deitada e sem capacete. Era a idade do risco e da asneira, disto nem vale a pena dizer mais seja o que for!&#8230; Tomara que o meu filho não leia isto. O que iria pensar de mim,  que estou sempre a avisá-lo para os perigos? Afinal, ficaria a saber, que na sua idade fui muito pior que ele, isto é, mais inconsequente.</p>
<p style="text-align: justify;">Na dita tasquinha servimos-nos de uns grelhados e de um jarrinho de vinho tinto da casa, não fiquem a pensar mal, aliás podem ficar a pensar mal, o que me interessa é que me soube divinamente.  O vinho! Pois! É nestes momentos de sagrada comunhão com as pessoas que nos são mais próximas, que nos apetece exorcizar os fantasmas da alma , rindo-nos  não só com as jocosas  lembranças dos bons momentos passados, mas  também, das nossas fraquezas  e aflições cujos efeitos mais ou menos dolorosos,  o tempo se encarregou de amenizar na nossa memória.  E foi assim que a minha prima me contou uma das suas experiências de criança, que não me fez rir, aliás, fiquei até bastante séria!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quem sempre viveu nas grandes cidades talvez não faça ideia do que significa o dia do Pão por Deus. Mas, para todos os outros, especialmente para os pobres, o dia do Pão por Deus é um dia em cheio. Logo de manhãzinha, pelas oito horas, há que sair de casa munido com uma saca de pano, sozinho ou inserido num grupo de outras crianças, que sempre é mais divertido, toca de bater às portas e accionar campainhas para pedir o Pão por Deus, que tanto pode ser em dinheiro como em guloseimas.  Eu adorava andar a pedir Pão por Deus. Assim que enchia a saca logo cuidava de ir a casa despejar todo o seu conteúdo para dentro de um alguidar. Ele eram bolos, ele eram broas, ele eram rebuçados e até  peças de fruta variada, castanhas, nozes e figos secos,  que não apreciava por aí além.  Fruta tinha eu quanta queria, não faltavam quintais de vizinhos para &#8220;assaltar&#8221;. E quanto aos figos secos e as nozes, não são de forma alguma coisas que façam luzir o olho a uma criança. Mas o meu pai gostava!  Por isso dava-lhos prazenteira, para ele fazer os casamentos, isto é,  o meu pai colocava uma noz dentro de um figo seco, que comia gostosamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Ficava contente que o meu pai gostasse daquele pouco que eu tinha para lhe dar, porque eu gostava de lhe dar coisas. Pelo menos nesta altura, no dia do Pão por Deus, eu tinha conseguido ter alguma coisa para lhe dar, e ele não se fazia rogado. Descia lá do alto do altar-mor da autoridade paterna,  para  também ele ser uma criança, nem que fosse por uns escassos instantes.  Mas o mais apetecido  da criançada era e será sempre o “el cantante”. Para os miúdos, nada era melhor do que uma mão cheia de moedas a tilintar umas contra as outras. Actualmente parece haver alguma tendência para deixar de se dar dinheiro, defendem alguns adultos, com ares de grandeza e superioridade moral, que não será aconselhável, visto que não se sabe que destino pode ter.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3191" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/Pão-por-deus.jpg" alt="" width="288" height="375" /></p>
<p style="text-align: justify;">Pois a minha prima recorda-se que deixou de ir pedir Pão por Deus, precisamente  porque não estava para se sujeitar à humilhação de ser menosprezada em relação ao grupo de crianças, que acompanhava no exercício desta tradição. É que se apercebeu, que as pessoas antes de darem fosse o que fosse aos miúdos, tinham o costume de perguntar a cada um deles de quem eram filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">-<em> Tu és de quem?</em></p>
<p style="text-align: justify;">Conforme a importância ou proeminência social dos progenitores assim era dada uma correspondente quantia em dinheiro. Por conseguinte, havia uns que juntavam mais dinheiro do que outros, conforme a sua ascendência familiar. Os que fossem oriundos de famílias humildes e pobres, que é a mesma coisa que dizer, filhos de ninguém, como era o caso da minha prima, eram os que menos dinheirito angariavam! A minha prima, ainda tão menina, pôde assim descobrir o quão baixo e miserável pode ser um ser humano, porque o adulto que assim procede é um sabujo! E tantos assim, que se cruzam nas nossas vidas, meu Deus! Também me recordo de uma minha  professora ter  o costume de adoçar  as suas maneiras, sempre que se dirigia a uma miúda cuja mãe era quase analfabeta,  mas que tinha uma pequena loja onde comercializava artigos de mercearia e hortaliças, onde  lhe calhava passar sempre que,  saída das aulas, percorria o caminho de casa. A sabujice tinha um propósito, um especial propósito, por assim dizer&#8230;  Sempre lhe valia uns descontos nas compras.</p>
<p style="text-align: justify;">No próximo post tenho intenção de contar uma situação que ilustra na perfeição o quanto uma criança pobre pode ser marginalizada em relação a outra criança cujos pais não sendo ricos, faziam vida de ricos, e por isso o pareciam.  Já naquele tempo não era preciso ser, bastava parecer. Até lá!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3192" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/10/Ver-mais.jpg" alt="" width="241" height="357" /></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>A Última Estação</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 02:53:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Última Estação]]></category>
		<category><![CDATA[LIVROS]]></category>

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		<description><![CDATA[
A Última Estação
De
Jay Parini


Jay Parini

Jay Parini nascido em Scranton na Pensilvânia é professor de Inglês e Escrita Criativa na Middlebury College em Vermont, nos Estados Unidos da América. Poeta e biógrafo escreveu 5 livros de poesia, seis romances e três biografias, entre os quais: “A Travessia de Benjamim”, “A Arte de Ensinar”, e as biografias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3143" title="A última estação" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/A-última-estação3.jpg" alt="A última estação" width="199" height="320" /></p>
<p style="text-align: center;">A Última Estação</p>
<p style="text-align: center;">De</p>
<p style="text-align: center;">Jay Parini</p>
<p style="text-align: center;">
<pre style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3144" title="Jay Parini" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Jay-Parini5.jpg" alt="Jay Parini" width="150" height="150" />
Jay Parini</pre>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Jay Parini nascido em Scranton na Pensilvânia é professor de Inglês e Escrita Criativa na Middlebury College em Vermont, nos Estados Unidos da América. Poeta e biógrafo escreveu 5 livros de poesia, seis romances e três biografias, entre os quais: “<em>A Travessia de Benjamim</em>”, “<em>A Arte de Ensinar</em>”, e as biografias de <em>William Faulkner</em> e <em>John Steinbecke</em>. A obra <em>Theodore Roethke: An American Romanti</em>c foi nomeada para o Prémio Pulitzer.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3149" title="Barra monocromatica" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Barra-monocromatica2.gif" alt="Barra monocromatica" width="400" height="99" /></p>
<h3 style="text-align: justify;">«Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.»</h3>
<pre style="text-align: justify;">Liev Tolstói</pre>
<p style="text-align: justify;">O livro “ A Última Estação” da autoria de Jay Parini é uma obra magnífica, que nos embriaga de emoção com o relato do último ano da vida de Liev Tolstói, aquele que foi um dos maiores ícones da literatura russa do século XIX, que gostava particularmente de ser tratado por Lev Nikoláievitch.</p>
<p style="text-align: justify;">Jay Parini, o autor deste brilhante romance histórico, adverte-nos no seu Epílogo, que esta é uma obra de ficção, ainda que se tivesse socorrido das memórias contidas nos diários pertencentes a membros do impressionantemente amplo círculo tolstiano, incluindo a família e o próprio Lev Tolstói, que, no seu conjunto, lhe permitiram formar uma imagem de como terão decorrido os acontecimentos, e abeirar-se tão próximo quanto possível do verdadeiro cenário, que foi palco do dramático e último  ano de vida de Liev Tolstói, o homem mais conhecido na Rússia e admirado em todo o mundo, pelo seu talento e genialidade. Durante a  sua juventude, Liev teve o comportamento próprio daqueles que pretendem  tudo viver num só dia. Bebia demasiado, perdeu fortunas ao jogo e envolveu-se em intricadas e tórridas aventuras com jovens mulheres, conduta que mais tarde, numa idade já menos jovem, lhe granjeou um pesado arrependimento tornando-o vítima de atormentados e sucessivos pesadelos, que lhe perturbavam o sono e tanto lhe inquietavam a consciência.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3145" title="L.N.Tolstoy_Prokudin-Gorsky" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/L.N.Tolstoy_Prokudin-Gorsky1.jpg" alt="L.N.Tolstoy_Prokudin-Gorsky" width="353" height="500" /></p>
<pre style="text-align: center;">Liev Tolstói</pre>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Com a passagem dos anos, Liev havia-se tornado num novo homem! Tomado por profundos sentimentos de fraternidade ansiava ascender a Cristo, aquele que considerava <em>“O homem que melhor soube exprimir uma conduta moral que gerasse justiça, felicidade e elevasse espiritualmente a todos os homens”</em>. Assim sendo, se pretendia seguir os mandamentos de Cristo, como poderia, então, viver com a sua família na mais terrível contradição, permanecendo imerso na riqueza e no luxo? Oriundo de família nobre e abastada,  num acesso de despojamento, virá a renegar o título de Conde e a doar os direitos autorais dos livros que viria a escrever, decidido a viver uma vida simples e em comunhão com natureza, a exemplo dos camponeses que viviam junto à sua propriedade e que chegou a acompanhar no trabalho da terra, com bastante alegria e satisfação. Porém, a esposa, Sónia Andréevna, habituada a uma vida faustosa, não estava pelos ajustes, e como tal, deu início a uma luta sem tréguas, acusando-o de querer deixar a família na miséria. Disposta a travar as intenções do marido, tudo tentou para melhor conseguir os seus intentos, inclusive a chantagem emocional ao encenar uma tentativa de suicídio, evidenciando na contenda o seu mau feitio, próprio de um carácter a roçar o doentio.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3146" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/mulher-russa.jpg" alt="" width="382" height="352" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Chegado ao limite da paciência e profundamente incomodado com a conduta da mulher que tanto amava, mas cuja ambição a havia tornado numa megera, Liev decide abandonar Iássnaia Poliána, a morada de família, e parte numa desesperada busca pelo natural, rumo a um destino que preconizou como o lugar ideal para realizar o sonho que o perseguia &#8211; viver em paz e na maior das simplicidades. Todavia, o imprevisto reservou-lhe outros desígnios. A meio da viagem Liev adoeceu, provavelmente devidos aos transtornos causados pelas desconfortáveis carruagens de terceira classe, onde não faltavam as traiçoeiras correntes de ar. É no seu leito de morte, num quarto da humilde casa do chefe da estação ferroviária, que nos é dado assistir aos derradeiros dias de vida deste grande e bondoso homem, que tanto defendeu e promoveu o sentimento da fraternidade entre os homens, sem contudo, crer em Deus, tal como nos é apresentado pela igreja. Liev opunha-se veementemente à acção dos governos, da igreja e dos seus dogmas que nos impõem um Deus castigador, acusando-os de quererem submeter o povo incutindo-lhes o temor pelos castigos divinos. Afirmava que de Deus nada sabemos, a não ser que Ele “<em>é o início de todas as coisas, a condição essencial da nossa existência e um pouco daquilo que consideramos ser vida dentro de nós</em>”. A igreja, fazendo o papel de redentora, bem tentou aproximar-se do moribundo, suplicando para que se arrependesse, mas os seguidores de Tolstói foram irredutíveis na decisão de impedir que tal acontecesse.  Ainda estava bem fresco nas suas memórias, um caso que havia acontecido há nove anos, em que Liev quase morrera, à pergunta que lhe havia sido feita, se queria receber o padre, respondera: “<em>Será que não conseguem compreender que, mesmo no leito de morte, dois mais dois são quatro</em>&#8220;?!</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 20 de Novembro do ano de 1910 Liev Nikoláevitch Tolstói sucumbiu à pneumonia, transpondo o ténue véu que o separava da Eternidade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3147 aligncenter" title="Estação " src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Comboio-russo.jpg" alt="Estação " width="400" height="290" /></p>
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		<title>Um desmaio libertador</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 23:24:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Um desmaio libertador]]></category>

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		<description><![CDATA[
Sê senhor da tua vontade e escravo da tua consciência.
ARISTÓTELES
Sem querer ser cansativa, isto é, sem estar a querer explorar demais o mesmo tema, penso, no entanto, ser pertinente contar mais este episódio da minha vida, de um tempo em que ainda não me era permitido agir de acordo com a minha vontade, no que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;" mce_style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3078" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Desmaio-4.jpg" mce_src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Desmaio-4.jpg" alt="" width="282" height="337"></p>
<h3 style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Sê senhor da tua vontade e escravo da tua consciência.</h3>
<p>ARISTÓTELES</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Sem querer ser cansativa, isto é, sem estar a querer explorar demais o mesmo tema, penso, no entanto, ser pertinente contar mais este episódio da minha vida, de um tempo em que ainda não me era permitido agir de acordo com a minha vontade, no que concerne às práticas religiosas, porque se fosse, nem haveria sequer, qualquer possibilidade de me lembrar deste acontecimento, já que nunca poderia ter acontecido.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Esta minha história teve origem no interior da igreja, enquanto me encontrava a assistir a uma missa. A igreja era bastante pequena e os corridos bancos não abundavam, por conseguinte, mais uma vez ali estava de pé e extremamente contrariada, no meio daquela mole de gente sem graça, a maioria vestida de rudes vestes de cor preta, algumas mulheres de cabeça coberta com um negro e arrendado véu e terço entrelaçado nos dedos das mãos. Como sempre, ansiava fervorosamente pelo fim da missa, para poder voltar para casa e embrenhar-me nas minhas inspiradas brincadeiras, que tanto e tão bem preenchiam o meu espírito de então. Para me entreter e assim alhear-me da ladainha, que o padre borrifava da santa boca fui olhando em meu redor, quando à minha direita mas um pouco afastada avistei a Élia, a minha vizinha e cúmplice de brincadeiras, apesar de ser mais velha do que eu, cerca de três anos.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Senti-me um pouco mais animada,&nbsp; já não estava tão sozinha, tinha ali, bem perto de mim, a minha grande companheira das inconsequentes conspirações infantis. Daí em diante e por diversas vezes entreolhámos-nos sorrindo amistosas uma para a outra, ainda assim, nunca em algum momento pus de parte a ideia de me pôr ao fresco, nem que fosse na confusão do momento da comunhão. Já nessa altura sabia, que mais vale tarde do que nunca! Em dada altura, senti que os olhos me lacrimejavam, para limpar as inopinadas lágrimas tive de recorrer ao pequeno e fino lencinho de assoar, que a minha mãe insistia em fazer-me guardar, para o que desse e viesse, junto ao pulso, por dentro da manga do branco e imaculado casaquinho domingueiro. Mas as lágrimas teimavam em aflorar-me aos olhos, perturbando-me a acuidade visual e impedindo-me de ver nitidamente o simpático e belo sorriso da minha querida amiga, que entretanto se apercebera, que alguma coisa não estava bem comigo. Subitamente fui acometida por um acesso de sono incontrolável, bocejava ininterruptamente e só conseguia pensar numa fofa almofada, para nela encostar a cabeça e dormir, dormir profundamente. Continuava ainda nesta aflição, lutando desesperadamente contra o desmesurado sono, quando me senti afundar numa enorme, alva e fofa nuvem, que me fez sentir uma nunca antes experimentada sensação de alívio, como se tivesse acabado de sair do pior dos infernos.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Tinha desmaiado.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Assim que de novo abri os olhos, num ápice me pus de pé, não sei onde, para tal, terei ido buscar forças e sangue frio. Talvez a minha força tivesse tido origem na vergonha que senti, quando reparei que me carregavam em braços em direcção ao fresco da rua, de uma forma tão destrambelhada, que me puseram de cuecas ao léu. Pareceu-me mal. Lá por ser criança também tinha direitos, e um deles era o&nbsp; meu direito ao pudor. Aquele descuido da parte dos adultos ofendeu-me profundamente. Eu mesma já tinha sido testemunha de um desmaio de uma senhora na igreja, que contrariamente a mim, foi transportada para a rua com maneiras adequadas. Lembrava-me bem. A meio da missa eu tinha saído sub-repticiamente do interior da igreja, para me acoitar no espaço entre a rua e o guarda-vento, quando senti as portas vaivém abrirem-se de rompante e logo surgiu, perante os meus assarapantados olhos, um colossal par de&nbsp; pernas de uma bem nutrida senhora, que havia tido o azar de logo naquele infeliz dia, de ter optado para compor a toillete, por uma daquelas saias travadas, que ao mínimo movimento dão em subir insidiosamente pelas pernas, expondo delas, no desmaio, mais do que o conveniente.&nbsp; Mas, pelos vistos,&nbsp; uma criança não inspira esses cuidados! O meu embaraço foi tal, que de imediato recuperei do chilique, e quando, a custo, porque não me apetecia, me dispus a entrar novamente na igreja, alguém se adiantou dizendo que era melhor ir para casa e avisar a minha mãe, porque podia estar doente.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Hossana nas alturas!</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Ó bendito desmaio!</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;" mce_style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3082" title="brincar" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/brincar.jpg" mce_src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/brincar.jpg" alt="brincar" width="363" height="277"></p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">Não foi preciso mais, numas escassas décimas de segundo já estava de costas voltadas para a igreja. Chegada a casa logo contei à minha mãe, que se mostrou francamente preocupada e o caso não era para menos, porque cuidei de exagerar um bocadinho, para a castigar, tentando que se sentisse culpada por me obrigar a ir à missa, ainda para mais, quando já tinha motivos suficientes para suspeitar que, a este respeito, mais tarde eu viria a deixar de&nbsp; lhe obedecer. Durante o dia foi com bastante agrado, que por várias vezes, surpreendi a minha mãe a olhar para mim com um ar circunspecto.&nbsp; Ter visto uma expressão ralada no rosto da minha mãe&nbsp; fazia-me sentir bem, porque era uma prova de amor por mim, que o tinha e muito, embora nem sempre o demonstrasse. A impressão que ainda guardo&nbsp; é que os pais de antigamente sentiam vergonha de exteriorizar os sentimentos. Mais depressa se dava uma lambada do que um beijo. Eram simplesmente os sinais daqueles tempos.</p>
<p style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;" mce_style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3081" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Ah.jpg" mce_src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Ah.jpg" alt="" width="388" height="288"></p>
<p style="text-align: center;" mce_style="text-align: center;">
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		<title>Uma Doce Procissão</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 15:22:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milu</dc:creator>
				<category><![CDATA[FLAGRANTES DA VIDA]]></category>
		<category><![CDATA[Uma Doce Procissão]]></category>

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		<description><![CDATA[
Imagem da autoria da pintora portuguesa Sarah Affonso



A verdade, como a inocência, costuma estar inerme: não toma o cuidado de se precaver com alibis. Essa é a sua miséria, essa é a sua grandeza.
PILAR URBANO
Durante o mês de Agosto o blog Aldeia da Minha Vida tal como vem sendo habitual, promoveu mais uma blogagem colectiva, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3029" title="Procissão" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Procissão.jpg" alt="Procissão" width="323" height="400" /></p>
<address style="text-align: center;">Imagem da autoria da pintora portuguesa Sarah Affonso</address>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: justify;">A verdade, como a inocência, costuma estar inerme: não toma o cuidado de se precaver com alibis. Essa é a sua miséria, essa é a sua grandeza.</h3>
<p style="text-align: justify;">PILAR URBANO</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o mês de Agosto o blog <a href="http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/" target="_blank"><span style="color: #808080;">Aldeia da Minha Vida</span></a> tal como vem sendo habitual, promoveu mais uma blogagem colectiva, desta feita subordinada ao tema &#8220;Festas e tradições na minha terra&#8221;. Actualmente não aprecio este tipo de manifestações populares, porém, em criança fui delas uma verdadeira fã. Naqueles tempos em que proliferava a santa ignorância e digna miséria, as festas populares eram o único meio disponível para espantar a pasmaceira reinante naquela terra que me viu despontar para o mundo. Porque as minhas abundantes recordações, para graça minha, permanecem viçosas, ainda pensei participar narrando um episódio pitoresco, ou que  de alguma forma, melhor representasse as minhas vivências desses festejos.</p>
<p style="text-align: justify;">Todavia, enquanto assim estava, imbuída das melhores intenções, uma dúvida me assaltou o espírito! Então, mas que cara de pau é a minha, ter a pretensão de redigir um texto sobre os tradicionais festejos e romarias, a que assisti na minha infância, se lhes desconheço completamente as origens? Algo incomodada conferenciei para os meus botões: Quando quiseres falar sobre seja o que for, vê se o fazes como deve de ser. O mesmo seria dizer, que gostaria e, sobretudo, deveria iniciar a minha narrativa, referindo como se originou a tradição e como foi evoluindo ao longo dos tempos. Confesso humildemente que disso nada sei. Porém, não deixo de ter uma certeza: As festas tradicionais têm na sua maioria raízes religiosas. E aqui reside o busílis da questão: Ora! Assim sendo, eu deveria deter sobre estas festas populares conhecimentos mais profundos, na medida em que além de ser católica, na minha infância também fui praticante. Pois se frequentei a catequese e até fiz o crisma! Também costumava ir à missa aos Domingos, por vezes até optava por ir ao sábado, lá pelo final da tarde, para mais depressa ficar “despachada”, que era assim que ouvia dizer aos adultos, como se o exercício da fé fosse mais um dever do que a necessidade de alimento para o espírito. Escusado será dizer que ir à missa era para mim um suplício.</p>
<p style="text-align: justify;">Tornava-se-me incompreensível  toda aquela retórica sobre o pecado.  Mas que mal já teria eu feito para  que me fosse dado pressentir, ao assistir a uma simples missa, tantos  e  tão impiedosos castigos? Depois  havia  ainda outra agravante, que era o incómodo de ter de ficar de pé, por não haver lugar disponível para me sentar. Os pés agonizavam apertados dentro dos sapatos domingueiros, que do pouco uso permaneciam indomáveis e me mordiam implacavéis os tenros deditos. Sempre que por um inusitado acaso conseguisse almejar um lugar sentada, infelizmente era sol de pouca dura. Não levava muito tempo até sentir poisar no meu delicado e franzino corpito, o olhar feroz e carregado de censura de alguma senhora mais idosa, que desta maneira tão suja, me acusava mudamente de lhe estar a usurpar o lugar que devia ser seu, porque a idade e as trôpegas pernas lhe concedia esse direito.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3030 aligncenter" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/procissão-4.jpg" alt="" width="215" height="323" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Por causa desta e de outras situações, como por exemplo, o incomodativo cheiro a naftalina dos armários, que impregnava as cerimoniosas fatiotas de ir à missa, quando a igreja estava apinhada, aproveitava-me da confusão para me escapulir. Para evitar o sermão da minha mãe, que não iria aceitar pacificamente o facto de me ter raspado da igreja, costumava entreter-me na rua, sentava-me nem que fosse numa pedra num canto qualquer mais recatado e ali esperava, sozinha que nem um cão, até perceber o final da missa pelo furioso repenicar dos sinos.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim fui fazendo. Sempre que me era possível usava de manhas e artifícios para me furtar de ir à missa, até que lá pelos meus treze anos, decidi lançar o grito do Ipiranga e libertar-me do jugo materno. Depois de conquistado o meu direito de opção, as vezes que entrei numa igreja e assisti à missa podem ser contadas pelos dedos das mãos, se é que não será mais acertado referir apenas os dedos de uma mão. Que me lembre devem de ter sido as missas de dois casamentos, de um baptizado e de um ou dois funerais, porque normalmente prefiro ficar na rua a confraternizar. Mas a verdade é que destas poucas vezes, gostei sempre de ter ido. A mensagem de Cristo é  tão bonita!  Contudo,  admiro-me profundamente  por as pessoas que  se dizem cristãos praticantes, não serem efectivamente bem melhores, isto é, mais justas, tolerantes e verdadeiras, do que aquelas que nunca  foram praticantes ou que um dia o deixaram de o ser! Afinal, não posso deixar de confessar que me causa alguma estranheza, como pode ser possível que se esvaia do espírito, assim tão facilmente e com tamanha rapidez, uma mensagem tão bela e que, para mais, tanto ouvem!</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3035" title="vela" src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/vela19.jpg" alt="vela" width="364" height="302" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Mas a igreja não é só missas. Também tem festas e procissões, coisas que já não considerava nenhum sacrifício. Muito pelo contrário! Embora me cheirasse tudo ao mesmo, isto é, continuava a haver santos e rezas. Lembro-me que gostava especialmente de incorporar as procissões de uma determinada época em que se andou a construir uma nova igreja. Para ajudar a angariar fundos para financiar a divina obra, foi criada uma comissão que levou a peito a missão de idealizar formas capazes de gerarem receitas. Viram-se, então, senhoras que transportavam acolhidos no regaço, lindíssimos e aparentemente deliciosos bolos, em cuja confecção haviam caprichado, movidas pelo desejo e, também, a verdade seja dita, por alguma pouco discreta vaidade, que o seu bolo pudesse atrair as atenções e assim rendesse uma grossa maquia, que com muito gosto ofertariam à nova igreja. Ver todas aquelas provocadoras iguarias, aqueles manjares do céu, faziam-me sentir simultaneamente prazer e sofrimento! Por vezes penso, que nós, seres humanos, somos demasiadamente complicados. Afinal, porque me dava  àquele masoquismo? Porque havia eu, afinal, de ficar ali a babar-me toda, vendo perante os meus gulosos olhos desfilar tão garbosos bolos, se tinha a absoluta certeza que não lhes poderia chegar? E como não podia fazer outra coisa, dedicava-me então a sonhar com o dia em que os poderia comprar, não só para os comer, mas, também e principalmente, para os dar a comer aos meus filhos. Houve um bolo que vi na procissão cuja imagem me perseguiu durante longos anos. Era um bolo adornado com uma cobertura muito bonita e serpenteando à sua volta haviam uns fios de um creme qualquer, que me fazia lembrar a massa esparguete, só que  aquela não era uma esparguete qualquer, esta adivinhava-a bem doce e gostosa, melhor dizendo, uma coisa do outro mundo! De bom grado lhe teria metido o dente! Recordo-me que ficava hipnotizada  a olhar  para o tal bolo e a engolir abundantes golfadas de saliva. Porém, resta-me uma consolação: É caso para dizer que ainda bem que não tive meios, ou seja, que não tive dinheiro para o comprar, porque hoje sou capaz de imaginar quanto pó, perdigotos e germes  lamentavelmente carregaria. É que os bolos, anichados nos braços das pessoas, desfilavam a céu aberto, sem nada que os envolvesse protegendo-os! Ainda não havia a temida ASAE! E não estou a fazer como a raposa, que quando viu que não chegava às uvas resolveu dizer que estavam verdes, logo não prestavam!</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3049 aligncenter" title="Bolo " src="http://www.miluzinha.com/wp-content/uploads/2009/09/Bolo-1.jpg" alt="Bolo " width="188" height="369" /></p>
<p style="text-align: center;">
]]></content:encoded>
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