
«Apenas duas coisas são infinitas – O Universo e a estupidez humana. E não tenho tanta certeza quanto ao Universo».
ALBERT EINSTEIN
Imbuída pela vontade de registar no meu blog, para memória futura, os pequenos percalços com que me vou deparando no meu dia-a-dia, eis-me de novo para dar conta dos desenvolvimentos mais recentes deste infame folhetim, que tem como cenário o condomínio do meu prédio e onde, como personagem principal reina – uma estupidez inacreditável! Há pouco mais de uma semana, pelas 21.30 horas, saí de casa dirigindo-me ao hall de entrada do prédio para participar na reunião do condomínio que tinha como ordem de trabalhos a apresentação de contas e, por conseguinte, a eleição do novo administrador. Após alguns minutos preenchidos por conversas sobre diversas banalidades demos início a assuntos mais urgentes, os verdadeiros motivos pelos quais ali nos encontrávamos. Logo fiquei surpreendida, quando, sem mais nem menos, de chofre, a administradora cessante tomou uso da palavra para nos pôr ao corrente de uma proposta para a pintura do prédio. Há anos que este tema tem sido debatido nas reuniões, sem no entanto, chegarmos a um consenso! Mais uma vez o impedimento de um bom entendimento entre os condóminos e o avanço dos imperativos é travado pela causa do dinheiro! Vendo bem, há quem pretenda ter as coisas sem, todavia, estar inteiramente disposto a pagar por elas!
A proposta consta do seguinte: A pintura das paredes exteriores do prédio, incluindo os materiais necessários, tintas e andaimes custar-nos-iam 7000,00 euros, importância esta, que poderia ser liquidada durante um período de tempo que se estenderia aos três anos, sem juros! Com uma postura avisada, verifiquei do entusiasmo que reinava entre os presentes que já punham e dispunham! Comecei a sentir-me inquieta! Observei-os atentamente! Precipitados entretinham-se a deitar foguetes, ainda a festa não tinha começado! Pressenti que o enleamento ameaçava ser sol de pouca dura! Não me enganei! Desafiando-me, um dos insensatos atreveu-se a declarar que o pagamento da pintura teria de ser efectuado em partes iguais, entre todos. Não fiquei admirada com esta atitude insana! Já a esperava! Acresce o facto de que uma das reconhecidas facetas da minha personalidade, verdade seja dita, é a facilidade com que detecto impostores! Essas pessoas emitem sinais que não escapam à minha tão sensível capacidade de percepção! Para bem de todos resolvi intervir esclarecendo que talvez não fosse bem assim, afirmei peremptória não estar de acordo, portanto, os pagamentos deveriam ser calculados e pagos tendo em conta as permilagens.
De imediato a ameaçadora borrasca, que no horizonte há muito espreitava, abateu-se inteira sobre mim! Mais uma vez vilipendiaram os meus direitos! Foram quatro os intentores confessos, entre eles uma senhora que sei com certeza não gostar de mim! Que mal lhe fiz eu, que não me lembro? Revelando uma monumental ignorância, ali se postou, firme, defendendo que a pintura deveria ser paga igualmente por todos e pronto! Fiz a menção de abandonar o recinto, porém fui detida por um gesto discreto de um vizinho que apelava a que tivesse calma e deixasse falar. Logo se veria! Um desgraçado, cuja inteligência se equipara à dos antepassados australopitecos, devido à reduzida massa encefálica grunhiu que se eu não aceitasse iriam a votos e sendo ele proprietário de uma das maiores fracções teria, portanto, peso suficiente para a aprovação da proposta! Essa atitude encorajou os dementes que, embutidos de tamanha estupidez, tiveram a distinta lata de me inquirir sobre se, finalmente, concordava com a posição deles. Respondi-lhes que de forma alguma iria tomar uma decisão sem pensar maduramente, pelo que foi marcado uma nova reunião.
Vejam só! Não repararam que aludiam às dimensões dos seus apartamentos, logo maior permilagem para me obrigar a aceitar uma circunstância que, por outro lado exigiam que pagasse por igual! Chama-se a isto querer sol na eira e chuva no nabal!

Mal cheguei a casa pesquisei no google e lá confirmei o que já suspeitava! As obras de conservação do prédio são pagas em função das permilagens!
Na semana seguinte
Desci as escadas em direcção ao hall onde já se encontravam quase todos os envolvidos, levei comigo o meu filho, a quem fiz a recomendação de não intervir, acontecesse o que acontecesse, posso morrer entretanto, quero que ele aprenda como se faz, é preciso não esquecer que não está de forma alguma rodeado de pessoas honestas. Mal cheguei fez-se um silêncio profundo, principalmente os proprietários dos apartamentos de maiores dimensões devem de ter pensado – aqui vem a gaja que está a lixar-nos a vida! A reunião teve início com um dos que pensam que podem mandar a seu bel-prazer na vida dos outros. Nas mãos tinhas umas folhas tamanho A4 onde tinha garatujado uma proposta para um plano de pagamentos do encargo da pintura! Foi descrevendo que tinha considerado as suas próprias dificuldades, logo tinha como certo que este plano se adequava à situação económica de todos. Enfadonho, lá foi explicando que, pelo Natal, uma época tida como mais feliz no que respeita a dinheiro, cada um de nós daria X, depois, mais tarde nas férias, poderíamos dar mais Y e assim, sucessivamente, foi descrevendo algo que, vistas bem as coisas, apenas tinha significado para ele. E isto enojou-me! Não sou uma atrasada mental, nem preciso que me ensinem como devo pagar as minhas dívidas! Pus fim a esta nojenta tentativa de comando perguntando-lhe em como ficávamos, afinal! Tinha tido em conta a questão das permilagens ou os pagamentos iguais? Respondeu-me que tinha partido do princípio de que todos deveriam pagar por igual! E o burro outra vez a dar-lhe nas couves!
Decididamente estavam a fazer pouco de mim, fazendo tábua rasa das minhas intenções e plenos direitos! Passei-me completamente, bem alto, para que fosse ouvida, fiz-lhes ver que estavam a perder tempo, tomando decisões que se opunham à lei e que não estava de maneira nenhuma disposta a pagar pelos outros! Um deles, o chefe da corja, de cabeça perdida, cara e pescoço de um vermelho arroxeado, desatou a gritar feito um galo histérico, proferindo que não admitia a nenhum “filho da puta”, que dissesse que estava a pagar para ele! Descobri pelos acontecimentos, que a seguir tiveram lugar que, parte dos condóminos, incluindo a ignorante senhora, desconheciam completamente que a lei estava a meu favor, com excepção de um vizinho que é proprietário do apartamento abaixo do meu, que tal como eu teve a sensata atitude de pesquisar na internet! Também não estavam a par da disparidade do valor que injustamente, eu teria de pagar caso optássemos por pagamentos iguais, excepto os que mais irão pagar, claro! Se o meu apartamento tem a permilagem de 6,3 e os apartamentos de maiores dimensões têm a permilagem de 10,ora digam-me como é possível pagarmos por igual sem que fique prejudicada e sem que o meu prejuízo não reverta a favor dos outros! Aqui a miúda, é “filha da puta” para alguns vizinhos, porque não quer pagar por eles, ou seja, mais 142,33 euros! Portanto, para não ser “filha da puta” tenho de ser otária! Haja um Deus que nos governe! Já assim dizia a minha mãe!





